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Foto do colunista Desafio Ambiental - Por Lenilde Pacheco

Desafio Ambiental - Por Lenilde Pacheco

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Desafio Ambiental: Renner amplia transparência sobre riscos e estratégia climática

Foto: Divulgação
Marca amplia a integração entre sustentabilidade e estratégia de negócios, com foco em eficiência, gestão de riscos climáticos e geração de valor no longo prazo.
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Te vi no Latvian: Experiências gastronômicas e esportivas marcam semana de encontros

Te vi no Latvian: Experiências gastronômicas e esportivas marcam semana de encontros
O business lounge The Latvian e o restaurante Leto Gastronomia, na Bahia Marina, reuniram convidados e associados em uma programação marcada por encontros, gastronomia e entretenimento ao longo da última semana.

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Nova temporada de cruzeiros promete novos navios e atrações em Salvador
Foto: Divulgação / Corazul

Salvador terá protagonismo na temporada de cruzeiros 2026/2027, que começa em 23 de outubro e segue até 9 de abril de 2027. A capital baiana estará entre os sete portos brasileiros com operações de embarque e desembarque e receberá escalas com pernoite da nova operadora Corazul Cruceros, ampliando o tempo de permanência dos turistas na cidade.

 

Ao todo, oito navios realizarão 187 roteiros e 675 escalas no país durante o período. Em Salvador, a programação ganha um novo capítulo com a estreia da empresa no Brasil, que chega à temporada com o navio Buenavista e terá a capital baiana entre os destinos de seus roteiros.

 

A viagem inaugural do Buenavista acontece em 23 de outubro, com partida de Santos. Com capacidade para 2.140 passageiros, a embarcação terá atendimento em português e espanhol, além de cardápios e atrações voltados ao público brasileiro. O navio cumprirá roteiros de três a sete noites entre o Sudeste, o Sul e a Bahia.

 

Outro destaque da temporada é a chegada do MSC Virtuosa, com capacidade para 6.334 passageiros e mais de 331 metros de comprimento. A embarcação ficará baseada em Santos e fará cruzeiros de sete noites para o Nordeste entre dezembro e abril, trazendo uma estrutura que inclui parque aquático, trilha suspensa e bar operado por robô humanoide.

 

A frota da MSC contará ainda com outras quatro embarcações: Seaview, Musica, Divina e Splendida. A temporada será completada pela Costa Cruzeiros, que operará com o Costa Diadema e o Costa Serena. Este último estreará no Brasil o Sea Destinations, programa de experiências imersivas relacionadas à cultura dos destinos visitados.

 

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Davidson Pelo Mundo: Ibitipoca - quando a montanha vira destino
???????Foto: Divulgação

Durante muito tempo, o turismo brasileiro pareceu ter escolhido um lado: o mar. Sol, praia, coqueiro, verão. Foi assim que vendemos o Brasil para o mundo e, em boa medida, para nós mesmos. Mas existe um outro Brasil turístico. Um Brasil de montanhas, cachoeiras, trilhas, pequenas vilas, gastronomia, frio, silêncio e experiências. Um Brasil que começa, cada vez mais, a descobrir que viajar também pode ser uma forma de desacelerar.

 

É nesse cenário que surge Conceição de Ibitipoca. Encravada na Serra de Ibitipoca, em Minas Gerais, a pequena vila vem ganhando projeção justamente por aquilo que muitos destinos turísticos tentam construir artificialmente: identidade. E Ibitipoca tem identidade de sobra.

 

O Parque Estadual do Ibitipoca, localizado na Serra da Mantiqueira, possui cerca de 1.488 hectares e reúne mirantes, grutas, cachoeiras, piscinas naturais, trilhas e paisagens de montanha. 

 

Mas talvez a maior riqueza de Ibitipoca esteja justamente fora das atrações que aparecem nos cartões-postais. Está na experiência.

 

Na caminhada sem pressa. No café depois da trilha. Na pousada pequena. Na conversa na praça. Na gastronomia mineira. No friozinho da noite. Na sensação de estar em um lugar que ainda não foi completamente tomado pela pressa do turismo de massa.

 

E isso tem valor, muito valor. Não por acaso, Conceição de Ibitipoca foi escolhida, em 2026, entre as sete vilas brasileiras que representaram o país na disputa pelo reconhecimento de Melhores Vilas Turísticas da ONU Turismo. O programa avalia características como patrimônio cultural, sustentabilidade, preservação e qualidade da experiência turística. É uma distinção importante, porque aponta para uma mudança no comportamento do viajante.

 

O turista contemporâneo não quer necessariamente apenas chegar a um lugar. Ele quer sentir o lugar. E talvez seja essa a grande oportunidade do turismo de montanha brasileiro.

 


Foto: Divulgação

 

Ibitipoca mostra que não é preciso construir um destino artificial para transformá-lo em produto turístico. É possível fazer o contrário: preservar a identidade, organizar a oferta, qualificar os serviços, melhorar a infraestrutura e permitir que o visitante descubra aquilo que já existe.

 

O desafio está justamente aí. Como crescer sem destruir aquilo que fez o destino crescer? Como receber mais turistas sem transformar a vila em mais uma vítima do próprio sucesso? Como gerar emprego e renda para a população local sem descaracterizar sua cultura?

 

São perguntas que Ibitipoca terá de responder e que deveriam estar na agenda de muitos outros destinos brasileiros, porque o Brasil possui uma enorme geografia de montanhas ainda subaproveitada pelo turismo.

 

E aqui faço uma provocação especialmente para nós, baianos: a Bahia é mundialmente conhecida por suas praias, pelo Carnaval, pela cultura, pela gastronomia e pelo patrimônio histórico. Mas também temos montanhas, serras, vales, cachoeiras, pequenas cidades e experiências que poderiam compor uma poderosa oferta de turismo de natureza e de montanha.

 


Foto: Divulgação

 

Piatã, Mucugê, Rio de Contas, Morro do Chapéu e tantos outros destinos mostram que existe uma Bahia muito além do litoral. Talvez esteja na hora de olharmos para cima.

 

Ibitipoca não precisa ser copiada, precisa ser observada. Porque ela mostra que, no turismo do futuro, o tamanho do destino pode ser menos importante do que o tamanho da experiência. E talvez a próxima grande fronteira do turismo brasileiro não esteja em construir novos destinos, mas em descobrir os que já existem.

 

Às vezes, para encontrar um novo destino, basta olhar para uma velha montanha com novos olhos.

 

Boa viagem!
 

Morro de São Paulo e Boipeba projetam alta ocupação no feriado de 7 de setembro
Foto: Alex Leminisi

Os famosos destinos de Morro de São Paulo e Boipeba, no município de Cairu, projetam alta ocupação dos meios de hospedagem durante o feriado prolongado de 7 de setembro. A expectativa da Associação Comercial e Empresarial de Cairu (ACEC), que representa o setor produtivo local, é de movimento próximo ao registrado na alta temporada entre esta sexta-feira (4) e segunda-feira (7), com impacto direto na hotelaria, gastronomia, comércio e serviços das ilhas.

 

A projeção ocorre em um momento de crescimento do turismo baiano. As atividades turísticas da Bahia cresceram 6,6% em 2025, acima da média nacional de 4,6%, segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA). Foi o terceiro ano consecutivo em que o estado registrou crescimento superior ao resultado do país.

 

No primeiro quadrimestre de 2026, quase quatro milhões de passageiros passaram pelos principais aeroportos baianos, um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período de 2025. A demanda pelo litoral nordestino também aparece nas plataformas de viagem. Levantamento da Booking.com para o feriado aponta três praias da região entre os cinco destinos nacionais mais buscados.

 

Dados do Kayak colocam Salvador como o terceiro destino mais procurado pelos brasileiros para o período, com preço médio de R$ 1.136 para passagens de ida e volta. Pesquisa da Booking.com indica ainda que 64% dos brasileiros planejam realizar viagens curtas em 2026, perfil que pode favorecer o fluxo em feriados prolongados.

 

Para o presidente da ACEC, Jackson Fernandes, o cenário favorece o movimento nas duas ilhas. “A expectativa do trade é de ocupação elevada nos dois destinos, com movimento próximo ao de alta temporada. O turismo da Bahia cresce acima da média nacional, e Cairu acompanha essa demanda, com Morro de São Paulo e Boipeba, que recebem públicos diferentes e complementares”, afirma.

 

Segundo Fernandes, o aumento no fluxo de visitantes também movimenta outros setores da economia local. “A diária de hotel movimenta restaurantes, transporte, comércio e passeios. Esse ciclo beneficia diretamente moradores e trabalhadores das ilhas e reforça o papel do turismo como principal atividade econômica do município”, diz.

 

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Bahia está entre os destinos mais buscados para turismo de luxo no Brasil
Foto: TripAdvisor

A Bahia aparece entre os principais destinos buscados pelo turismo de luxo no Brasil, segundo o Anuário BLTA 2026, lançado na última semana. O litoral baiano foi escolhido por 17% das operadoras associadas à Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), enquanto Salvador aparece logo na sequência, com 16% das preferências. Os dados são referentes a 2025 e foram levantados pela entidade em parceria com o Senac.

 

O levantamento mostra que o turismo de alto padrão movimentou R$ 3,34 bilhões no país no ano passado, um crescimento de 0,8% em relação a 2024. A pesquisa reuniu informações de 63 meios de hospedagem, entre hotéis, pousadas, lodges e resorts, que registraram cerca de 1 milhão de hóspedes e ocupação média de 50%. A diária média ficou em R$ 3.109.

 

Entre os destinos mais procurados pelas operadoras, o Rio de Janeiro lidera, com 51%, seguido por Foz do Iguaçu (40%), Pantanal (24%), Maranhão (19%), litoral da Bahia (17%) e Salvador (16%). A lista também inclui São Paulo e o litoral do Ceará, ambos com 14%, além de Fernando de Noronha, com 10%.

 

O mercado brasileiro continua sendo responsável pela maior parcela dos hóspedes de luxo, representando 70% do total. Os estrangeiros correspondem a 30%, principalmente europeus (13%), norte-americanos (9%) e latino-americanos (5%).

 

Apesar da predominância do público nacional, os viajantes internacionais costumam permanecer mais tempo no país. Enquanto 58% dos brasileiros ficam até três noites e 35% entre quatro e sete noites, 80% dos estrangeiros permanecem por mais de uma semana.

 

Entre as operadoras, o ticket médio diário também cresceu. Para o público brasileiro, chegou a R$ 16.524, alta de 6% em relação a 2024. Entre os estrangeiros, o valor médio foi de R$ 21.216, aumento de 4%.

 

O lazer aparece como principal motivo das viagens, responsável por 55% das hospedagens. No calendário de eventos, Réveillon, Carnaval e casamentos são os que mais movimentam o segmento, com 82%, 67% e 60% das menções, respectivamente.

 

A busca por experiências também influencia a escolha dos hotéis. Bem-estar, spa e relaxamento aparecem entre as atividades mais procuradas, citados por 93% dos empreendimentos. A gastronomia de alto padrão foi mencionada por 87%, enquanto os serviços personalizados aparecem em 65% das respostas.

 

Na Bahia, o desempenho do litoral e de Salvador reforça a presença do estado no mapa do turismo de alto padrão, especialmente pela combinação de natureza, gastronomia, cultura e oferta hoteleira. O perfil também acompanha uma tendência apontada pelo anuário: a procura por experiências que vão além da hospedagem.

 

A sustentabilidade também ganhou espaço no setor. A BLTA estabeleceu como meta que todos os associados tenham certificação ESG até 2028. Atualmente, 35,48% dos meios de hospedagem e 28,57% das operadoras possuem certificação ou estão em processo de obtenção. Os empreendimentos associados apoiam, juntos, 190 projetos socioambientais ligados à educação, à conservação ambiental e ao desenvolvimento socioeconômico.

 

Atualmente, a BLTA reúne 74 associados, sendo 66 hotéis, resorts, lodges e pousadas e oito operadoras de viagens. O anuário foi elaborado a partir de questionários respondidos por 71 associados, com dados referentes ao desempenho do setor em 2025.

 

Davidson Pelo Mundo: Turismo não é apenas receber, é também viajar
Foto: Pixabay

Existe uma maneira muito tradicional de enxergar o turismo: é a lógica do destino. Precisamos trazer mais turistas para o Brasil, para a Bahia, para Salvador, e não há absolutamente nada de errado nisso. Muito pelo contrário.

 

Atrair visitantes significa movimentar hotéis, restaurantes, bares, transportes, equipamentos turísticos, comércio, cultura e entretenimento. Significa gerar empregos, renda, investimentos e arrecadação. O turismo é uma das maiores atividades econômicas do mundo justamente porque sua cadeia é extensa e pulverizada.

 

É natural, portanto, que secretarias municipais e estaduais de Turismo, o Ministério do Turismo e a Embratur concentrem boa parte de seus esforços em promover seus destinos e trazer visitantes. Mas existe uma outra face dessa equação que ainda recebe pouca atenção.

 

Turismo também é sair, e talvez esteja na hora de começarmos a falar mais seriamente sobre o chamado turismo emissivo. Quando um baiano compra uma viagem para a Europa, uma família de Salvador passa férias no Nordeste, um casal viaja para Dubai ou um grupo de amigos embarca para Buenos Aires, existe toda uma cadeia econômica sendo movimentada antes mesmo de essas pessoas chegarem ao destino.

 

Há agências de viagens, operadoras, consolidadoras, empresas de câmbio, seguros, transportadoras, serviços de atendimento, profissionais especializados, companhias aéreas, aeroportos e uma enorme quantidade de serviços associados à viagem. Ou seja: o turista que sai também produz atividade econômica e, muitas vezes, um pacote vendido deixa mais impostos do que receber uma família por sete dias em nossa cidade.

 

E existe ainda uma questão estratégica: uma cidade que incentiva seus moradores a viajar não está necessariamente “perdendo turistas”; está formando cidadãos mais conectados com o mundo. Afinal, viajar é uma forma extraordinária de educação. Eu sempre disse que “viajar é um MBA de educação e civilidade em aulas práticas”.

 

Quem conhece outros países, outras cidades, outras culturas, outras formas de organização social e outras maneiras de viver começa a perceber que aquilo que parece absolutamente normal em sua própria sociedade é apenas uma das muitas possibilidades existentes no mundo.

 

O trânsito muda, a relação com o espaço público muda, a percepção sobre limpeza, pontualidade, organização, segurança e convivência muda. A pessoa começa a comparar, e comparar é uma das melhores formas de aprender.

 

Não estou dizendo que quem viaja necessariamente se torna uma pessoa melhor. Seria uma simplificação. Mas existe evidência acadêmica de que experiências de viagem, especialmente aquelas que proporcionam contato real com outras culturas, podem ampliar perspectivas sobre diversidade, interdependência global, abertura a novas experiências e desenvolvimento pessoal. E isso tem uma consequência social que merece ser discutida.

 

Uma sociedade que viaja é uma sociedade que conhece outras possibilidades. Conhecer o outro reduz algumas certezas, diminui preconceitos, mostra que existem diferentes maneiras de educar filhos, administrar cidades, utilizar o espaço público, trabalhar, consumir, respeitar o próximo e conviver.

 

O turismo, nesse sentido, não é apenas uma atividade econômica; é também uma ferramenta de educação informal. É uma universidade sem sala de aula.

 

É claro que viajar não transforma automaticamente ninguém. O simples ato de embarcar em um avião não produz civilidade. Mas a experiência de contato intercultural, quando existe abertura para observar e aprender, pode produzir mudanças importantes de percepção e comportamento. Pesquisas recentes, inclusive, vêm relacionando as interações entre turistas, moradores e prestadores de serviços ao desenvolvimento de comportamentos mais tolerantes.

 

Por isso, talvez precisemos ampliar a pergunta que fazemos quando discutimos políticas públicas de turismo. Em vez de perguntar somente: “Como podemos trazer mais turistas para cá?”, deveríamos também perguntar: “Como podemos fazer com que mais pessoas daqui tenham condições de viajar?” E não se trata apenas de viagens internacionais.

 

O próprio Ministério do Turismo estabeleceu, no Plano Nacional de Turismo 2024–2027, a meta de elevar de 93 milhões para 150 milhões o número de viagens de brasileiros dentro do país. O governo criou, inclusive, uma Câmara Temática de Desenvolvimento do Turismo Doméstico para discutir políticas específicas para estimular esse mercado.

 

Isso demonstra que a visão está começando a mudar, mas precisamos ir além. Precisamos enxergar o turismo como uma via de mão dupla. Existe o turismo receptivo e existe o turismo emissivo; existe o turista que chega e movimenta a nossa economia, e existe o nosso cidadão que sai, movimenta uma enorme cadeia econômica e volta trazendo conhecimento, experiências e novas referências.

 

Imagine se, paralelamente ao trabalho de captação de turistas, tivéssemos uma política igualmente vigorosa para estimular o baiano a conhecer o Brasil e o mundo: programas de educação para viagens, incentivo ao turismo doméstico, parcerias com empresas aéreas, facilitação de acesso ao turismo com linhas de financiamento com taxas especiais, campanhas mostrando que viajar não é apenas luxo, mas também conhecimento e, principalmente, uma mudança cultural: “viajar como investimento pessoal e social”.

 

Porque há uma ironia interessante nessa história. Nós, profissionais do turismo, passamos boa parte do tempo tentando convencer o mundo a vir conhecer a Bahia. Talvez também precisemos convencer os baianos a sair da Bahia, não porque a Bahia seja insuficiente, mas justamente porque quem conhece o mundo costuma voltar para casa enxergando sua própria terra de maneira diferente.

 

E talvez essa seja uma das maiores riquezas que o turismo pode produzir. O turista que chega deixa dinheiro; o turista que sai leva dinheiro, mas pode trazer algo muito mais valioso: experiência, conhecimento, comparação e visão de mundo. No fim das contas, uma política de turismo verdadeiramente completa deveria cuidar das duas pontas.

 

Trazer o mundo para nós e permitir que nós também conheçamos o mundo, porque turismo não é apenas receber pessoas. Turismo é movimento, e sociedades que se movimentam, conhecem, comparam e tendem a ser sociedades que aprendem.

 

Boa viagem!

Davidson Pelo Mundo: Os influenciadores que não sabem que influenciam
Foto: Divulgação

Vivemos a era dos influenciadores. Eles têm milhões de seguidores, produzem vídeos diariamente, recomendam hotéis, restaurantes, praias, cidades e experiências. Alguns são excelentes, outros nem tanto, mas existe uma categoria de influenciador que me interessa muito mais. São aqueles que não estão tentando influenciar ninguém, não fazem publicidade, não recebem cachê de secretarias de turismo, não têm cupom de desconto, não precisam marcar a cidade nas redes sociais.

 

São escritores, artistas, cientistas, religiosos, chefs, empresas, museus e instituições que, ao contar uma história, acabam despertando em alguém a vontade de conhecer um lugar. Eu os chamaria de influenciadores de legado. Ou, se preferirmos um nome mais provocativo, os influenciadores raiz do turismo.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por BN Hall (@bnhall_)

 

Recentemente, estive em Genebra, na Suíça, e visitei o Museu Internacional da Cruz Vermelha. Em meio à história humanitária mundial, encontrei uma referência a Salvador, e aquilo me chamou a atenção. Eu estava diante de uma cidade que, naquele momento, não aparecia como destino turístico, mas como referência em uma experiência de saúde pública e saneamento, e isso me fez pensar: quantas pessoas, ao redor do mundo, descobrem uma cidade dessa maneira?

 

Não por uma propaganda turística, mas por uma história que despertou sua curiosidade? Essa é uma das formas mais poderosas de promoção de um destino, aquela que acontece sem que o destino esteja necessariamente tentando se promover.

 

Salvador tem outro exemplo extraordinário, Anthony Bourdain. Chef, escritor, viajante e apresentador de televisão, Bourdain percorreu o mundo contando histórias através da comida e das pessoas. Quando chegou à Bahia, não fez simplesmente um roteiro turístico, ele mergulhou na cultura, na comida, na música, na religiosidade e, principalmente, nas pessoas.

 

Seu olhar sobre Salvador foi tão poderoso que a cidade passou a ocupar um lugar especial na narrativa internacional de viagens. Em World Travel: An Irreverent Guide, Salvador aparece entre os destinos retratados por Bourdain, que exaltou a culinária baiana e recomendou que as pessoas conhecessem a cidade.

 

Isso é influência, mas é uma influência diferente. Bourdain não estava simplesmente dizendo: “Vá a Salvador”; ele estava dizendo, através de suas histórias: “Olhe para esse lugar; existe alguma coisa aqui que você precisa conhecer.” E isso é muito mais poderoso.

 

Em Clermont-Ferrand, na França, cidade onde nasceu a Michelin, encontrei outra dessas histórias. No universo da Michelin, uma empresa produtora de pneus que se tornou sinônimo de gastronomia, restaurantes e viagens, a Bahia também aparece de uma maneira inesperada, através das plantações de seringueiras no sul do estado.

 

A Michelin mantém uma reserva ecológica na região de Igrapiúna e Ituberá, com milhares de hectares de Mata Atlântica e seringueiras. O espaço reúne conservação, pesquisa, educação ambiental e ecoturismo. Imagine o efeito disso sobre um francês que visita o universo Michelin: de repente, a Bahia deixa de ser apenas Carnaval, praia, axé e acarajé e passa a ser também floresta, biodiversidade, pesquisa, sustentabilidade, seringueira e história empresarial. No museu, que é grandioso, tem um capítulo especial sobre a qualidade do látex produzido na Bahia, sobre seu laboratório de pesquisas e sobre a biodiversidade. Isso é um prato cheio de motivações para os turistas que gostam de natureza e viajam para ver isso.

 

Outro exemplo está na Polônia. Em Wadowice, cidade onde nasceu Karol Wojty?a, o Papa João Paulo II, visitei o museu dedicado à sua vida, na casa de seus pais, onde ele nasceu. João Paulo II foi um dos grandes viajantes do século XX. Seu pontificado foi marcado por inúmeras viagens internacionais e por uma capacidade extraordinária de estabelecer conexões entre povos, culturas e lugares, e Salvador também aparece nessa história.

 

Ele esteve na Bahia, conheceu Irmã Dulce e celebrou uma missa em Salvador. Hoje, essa ligação também faz parte da memória que aproxima a cidade de um dos personagens religiosos mais conhecidos do mundo. Para quem trabalha com turismo religioso, isso tem um valor enorme. No museu, que era sua casa, tem um espaço dedicado à sua visita a Salvador, falando sobre o povo, o carisma e, principalmente, sobre Irmã Dulce. Isso é um conteúdo turístico, isso pode influenciar pessoas, porque uma pessoa pode não ter nenhuma intenção de conhecer Salvador até descobrir que o Papa João Paulo II esteve lá, que conheceu Irmã Dulce, que hoje é a única santa brasileira, ou que aquele lugar faz parte da história de uma figura que ela admirava.

 

Do nada, nasceu uma motivação para viajar, e é aí que percebo que o turismo precisa olhar muito além do marketing tradicional. Uma cidade pode gastar milhões para dizer ao mundo que é maravilhosa, mas pode existir uma única história, contada por uma pessoa respeitada, que desperte uma curiosidade muito maior. Um livro pode fazer isso, um filme pode fazer isso, um museu pode fazer isso, uma obra de arte pode fazer isso, uma personalidade pode fazer isso, uma empresa pode fazer isso, uma descoberta científica pode fazer isso, até um programa de saneamento pode fazer isso, e talvez esse seja um dos maiores patrimônios turísticos de uma cidade: a quantidade de vezes que ela aparece positivamente na história de outras pessoas.

 

Salvador tem uma enorme vantagem nesse campo. Ela já foi capital do Brasil, é patrimônio histórico, cultural e religioso, é uma das grandes referências da cultura afro-brasileira, tem uma gastronomia reconhecida internacionalmente, tem personagens como Irmã Dulce, Jorge Amado, Dorival Caymmi e tantos outros que ajudaram a construir uma imagem da Bahia muito além das suas fronteiras.

 

O problema é que nem sempre sabemos transformar esse patrimônio de reputação em estratégia turística. Talvez esteja na hora de mapear esses “influenciadores invisíveis”.

 

Quais livros importantes citam Salvador? Quais filmes foram rodados aqui? Quais personalidades internacionais visitaram a cidade? Quais museus do mundo contam alguma história relacionada à Bahia? Quais universidades estudam experiências desenvolvidas aqui?

 

Quais empresas internacionais possuem projetos no estado? Quantas vezes Salvador aparece em documentários, obras literárias, exposições e pesquisas? Isso poderia formar um verdadeiro mapa mundial de influência de Salvador e, ao contrário de uma campanha publicitária tradicional, boa parte desse conteúdo já existe.

 

Não precisa ser inventado, precisa ser encontrado, organizado e contado. Porque talvez o próximo turista de Salvador não seja convencido por um anúncio. Talvez ele encontre Salvador em um livro, em um museu, em uma exposição, em uma aula, em um documentário, em uma história de família ou na fala de alguém que esteve aqui e voltou para casa apaixonado pelo que viu.

 

Esse é o influenciador que eu gosto, que não precisa dizer “viaje para Salvador”. Basta contar uma boa história sobre Salvador, porque algumas das melhores propagandas de um destino são aquelas que nunca foram feitas para serem propaganda.

 

Boa viagem!

Festa de San Gennaro anuncia 7ª edição com homenagem a Raul Seixas no Rio Vermelho
Foto: Divulgação

Vivemos a era dos influenciadores. Eles têm milhões de seguidores, produzem vídeos diariamente, recomendam hotéis, restaurantes, praias, cidades e experiências. Alguns são excelentes, outros nem tanto, mas existe uma categoria de influenciador que me interessa muito mais. São aqueles que não estão tentando influenciar ninguém, não fazem publicidade, não recebem cachê de secretarias de turismo, não têm cupom de desconto, não precisam marcar a cidade nas redes sociais.

 

São escritores, artistas, cientistas, religiosos, chefs, empresas, museus e instituições que, ao contar uma história, acabam despertando em alguém a vontade de conhecer um lugar. Eu os chamaria de influenciadores de legado. Ou, se preferirmos um nome mais provocativo, os influenciadores raiz do turismo.

 

Recentemente, estive em Genebra, na Suíça, e visitei o Museu Internacional da Cruz Vermelha. Em meio à história humanitária mundial, encontrei uma referência a Salvador, e aquilo me chamou a atenção. Eu estava diante de uma cidade que, naquele momento, não aparecia como destino turístico, mas como referência em uma experiência de saúde pública e saneamento, e isso me fez pensar: quantas pessoas, ao redor do mundo, descobrem uma cidade dessa maneira?

 


 

 

Não por uma propaganda turística, mas por uma história que despertou sua curiosidade? Essa é uma das formas mais poderosas de promoção de um destino, aquela que acontece sem que o destino esteja necessariamente tentando se promover.

 

Salvador tem outro exemplo extraordinário, Anthony Bourdain. Chef, escritor, viajante e apresentador de televisão, Bourdain percorreu o mundo contando histórias através da comida e das pessoas. Quando chegou à Bahia, não fez simplesmente um roteiro turístico, ele mergulhou na cultura, na comida, na música, na religiosidade e, principalmente, nas pessoas.

 

Seu olhar sobre Salvador foi tão poderoso que a cidade passou a ocupar um lugar especial na narrativa internacional de viagens. Em World Travel: An Irreverent Guide, Salvador aparece entre os destinos retratados por Bourdain, que exaltou a culinária baiana e recomendou que as pessoas conhecessem a cidade.

 

Isso é influência, mas é uma influência diferente. Bourdain não estava simplesmente dizendo: “Vá a Salvador”; ele estava dizendo, através de suas histórias: “Olhe para esse lugar; existe alguma coisa aqui que você precisa conhecer.” E isso é muito mais poderoso.

 

Em Clermont-Ferrand, na França, cidade onde nasceu a Michelin, encontrei outra dessas histórias. No universo da Michelin, uma empresa produtora de pneus que se tornou sinônimo de gastronomia, restaurantes e viagens, a Bahia também aparece de uma maneira inesperada, através das plantações de seringueiras no sul do estado.

 

A Michelin mantém uma reserva ecológica na região de Igrapiúna e Ituberá, com milhares de hectares de Mata Atlântica e seringueiras. O espaço reúne conservação, pesquisa, educação ambiental e ecoturismo. Imagine o efeito disso sobre um francês que visita o universo Michelin: de repente, a Bahia deixa de ser apenas Carnaval, praia, axé e acarajé e passa a ser também floresta, biodiversidade, pesquisa, sustentabilidade, seringueira e história empresarial. No museu, que é grandioso, tem um capítulo especial sobre a qualidade do látex produzido na Bahia, sobre seu laboratório de pesquisas e sobre a biodiversidade. Isso é um prato cheio de motivações para os turistas que gostam de natureza e viajam para ver isso.

 

Outro exemplo está na Polônia. Em Wadowice, cidade onde nasceu Karol Wojty?a, o Papa João Paulo II, visitei o museu dedicado à sua vida, na casa de seus pais, onde ele nasceu. João Paulo II foi um dos grandes viajantes do século XX. Seu pontificado foi marcado por inúmeras viagens internacionais e por uma capacidade extraordinária de estabelecer conexões entre povos, culturas e lugares, e Salvador também aparece nessa história.

 

Ele esteve na Bahia, conheceu Irmã Dulce e celebrou uma missa em Salvador. Hoje, essa ligação também faz parte da memória que aproxima a cidade de um dos personagens religiosos mais conhecidos do mundo. Para quem trabalha com turismo religioso, isso tem um valor enorme. No museu, que era sua casa, tem um espaço dedicado à sua visita a Salvador, falando sobre o povo, o carisma e, principalmente, sobre Irmã Dulce. Isso é um conteúdo turístico, isso pode influenciar pessoas, porque uma pessoa pode não ter nenhuma intenção de conhecer Salvador até descobrir que o Papa João Paulo II esteve lá, que conheceu Irmã Dulce, que hoje é a única santa brasileira, ou que aquele lugar faz parte da história de uma figura que ela admirava.

 

Do nada, nasceu uma motivação para viajar, e é aí que percebo que o turismo precisa olhar muito além do marketing tradicional. Uma cidade pode gastar milhões para dizer ao mundo que é maravilhosa, mas pode existir uma única história, contada por uma pessoa respeitada, que desperte uma curiosidade muito maior. Um livro pode fazer isso, um filme pode fazer isso, um museu pode fazer isso, uma obra de arte pode fazer isso, uma personalidade pode fazer isso, uma empresa pode fazer isso, uma descoberta científica pode fazer isso, até um programa de saneamento pode fazer isso, e talvez esse seja um dos maiores patrimônios turísticos de uma cidade: a quantidade de vezes que ela aparece positivamente na história de outras pessoas.

 

Salvador tem uma enorme vantagem nesse campo. Ela já foi capital do Brasil, é patrimônio histórico, cultural e religioso, é uma das grandes referências da cultura afro-brasileira, tem uma gastronomia reconhecida internacionalmente, tem personagens como Irmã Dulce, Jorge Amado, Dorival Caymmi e tantos outros que ajudaram a construir uma imagem da Bahia muito além das suas fronteiras.

 

O problema é que nem sempre sabemos transformar esse patrimônio de reputação em estratégia turística. Talvez esteja na hora de mapear esses “influenciadores invisíveis”.

 

Quais livros importantes citam Salvador? Quais filmes foram rodados aqui? Quais personalidades internacionais visitaram a cidade? Quais museus do mundo contam alguma história relacionada à Bahia? Quais universidades estudam experiências desenvolvidas aqui?

 

Quais empresas internacionais possuem projetos no estado? Quantas vezes Salvador aparece em documentários, obras literárias, exposições e pesquisas? Isso poderia formar um verdadeiro mapa mundial de influência de Salvador e, ao contrário de uma campanha publicitária tradicional, boa parte desse conteúdo já existe.

 

Não precisa ser inventado, precisa ser encontrado, organizado e contado. Porque talvez o próximo turista de Salvador não seja convencido por um anúncio. Talvez ele encontre Salvador em um livro, em um museu, em uma exposição, em uma aula, em um documentário, em uma história de família ou na fala de alguém que esteve aqui e voltou para casa apaixonado pelo que viu.

 

Esse é o influenciador que eu gosto, que não precisa dizer “viaje para Salvador”. Basta contar uma boa história sobre Salvador, porque algumas das melhores propagandas de um destino são aquelas que nunca foram feitas para serem propaganda.

 

Boa viagem!

MSC Cruzeiros destaca Salvador entre destinos para Natal em alto-mar

A programação de cruzeiros para o Natal ganha um destaque especial para quem pretende embarcar ou visitar Salvador durante as festas de fim de ano. A MSC Cruzeiros preparou uma série de roteiros pela costa brasileira, com opções que incluem a capital baiana entre as escalas e até como ponto de embarque para uma viagem de celebração em família.

 

Entre os destaques da temporada está o MSC Virtuosa, maior e mais moderno navio da companhia previsto para operar nesta temporada. O roteiro de sete noites parte de Santos no dia 19 de dezembro e passa por Búzios, Salvador e Maceió. A embarcação também terá uma opção de embarque diretamente na capital baiana, no dia 22 de dezembro, permitindo que passageiros iniciem a viagem na cidade.

 


Foto: Divulgação

 

A experiência de Natal a bordo inclui decoração temática, programação especial e atividades voltadas para diferentes faixas etárias. Além da tradicional ceia natalina, os passageiros poderão aproveitar restaurantes com menus variados, bares e lounges, apresentações no teatro, festas, piscinas, hidromassagens, espaços infantis, área de jogos e o MSC Aurea SPA.

 

O MSC Virtuosa integra uma programação que também reúne outros navios da companhia em diferentes itinerários pelo Brasil e pela América do Sul. Além dele, o MSC Divina fará um minicruzeiro de cinco noites, com saída de Santos em 21 de dezembro e escalas em Ilha Grande, Búzios e Ilhabela.

 

Já o MSC Musica parte do Rio de Janeiro em 22 de dezembro para uma viagem de sete noites, passando por Ilha Grande, Búzios, Paranaguá, Itajaí e Ilhabela. No mesmo dia, o MSC Splendida inicia, no Rio de Janeiro, um roteiro internacional de nove noites, com paradas em Ilhabela, Balneário Camboriú, Punta del Este, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina.

 


Foto: Divulgação

 

Outra opção é o MSC Seaview, que parte de Santos em 20 de dezembro para uma viagem de sete noites. O roteiro inclui Balneário Camboriú, Punta del Este e Buenos Aires, com possibilidade de embarque alternativo em Balneário Camboriú no dia 21.

 

Segundo a companhia, a proposta é oferecer uma experiência completa durante o período de festas, reunindo gastronomia, entretenimento, lazer e momentos de convivência familiar em alto-mar. Para mais informações sobre os roteiros e opções de cruzeiros de Natal, os interessados podem consultar os canais oficiais da MSC Cruzeiros.

 

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Trancoso sedia encontro com 800 profissionais do turismo do Brasil e exterior
Foto: Laís Rocha / Ascom Setur

O Teatro L’Occitane, em Trancoso, no município de Porto Seguro, sedia até esta terça-feira (18) o Connect 4You 2026, evento voltado à promoção e comercialização do turismo. A iniciativa da operadora baiana Itaparica Tour reúne cerca de 800 agentes de viagens e representantes de destinos turísticos, redes hoteleiras e companhias aéreas do Brasil e do exterior.

 

Com programação iniciada na segunda-feira (17), o evento conta com a participação da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), que aproveita o encontro para apresentar as potencialidades do estado aos mercados nacional e internacional, além de ampliar a aproximação entre os profissionais do setor.

 

Durante o primeiro dia, a Setur-BA realizou uma capacitação para agentes de viagens sobre os atrativos e produtos turísticos das 13 zonas turísticas da Bahia. A apresentação destacou novas experiências e destinos, além de abordar a ampliação da conectividade aérea, a estruturação turística e as ações de qualificação dos serviços oferecidos no estado. Entre os destaques, a cidade de Porto Seguro foi reconhecido pela excelência de sua atuação no turismo durante a abertura do evento.

 

Idealizado por Tércia Vasconcelos, o encontro tem como proposta aproximar empresas, destinos e profissionais do turismo, estimulando a geração de negócios e o fortalecimento de parcerias no setor. “O Connect 4You foi criado para aproximar mercados, gerar oportunidades de negócios e fortalecer conexões entre os profissionais do turismo. Construímos um ambiente de confiança, que reforça a presença da Itaparica Tour no mercado internacional”, afirmou Tércia.

 

Entre os participantes estão profissionais de diferentes mercados, que também têm a oportunidade de conhecer de perto um dos principais destinos turísticos da Bahia. Para a agente de viagens Catherine Bodeant, do Uruguai, o encontro contribui para ampliar o conhecimento sobre a diversidade de experiências oferecidas pelo estado. “Participar desse encontro está sendo uma experiência muito enriquecedora. Estou feliz em poder conhecer melhor a diversidade de oportunidades que o turismo da Bahia oferece”, relatou.

 

Já o agente Marcos Alves, que atua no Brasil, destacou a possibilidade de fortalecer relacionamentos e realizar negócios durante o evento. “Temos a possibilidade de fazer negócios, de rever amigos do trade turístico e vivenciar tudo isso nesse lugar incrível, que é Trancoso”, afirmou.

 

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Davidson Pelo Mundo: Turismo de nicho - quando o turista viaja atrás do peixe
Foto: Divulgação

Depois dos motociclistas e dos corredores de rua, continuo minha incursão por um universo que ainda é pouco explorado pelo turismo brasileiro: os chamados turismos de nicho. A pergunta desta vez é simples: quantas pessoas estariam dispostas a viajar centenas ou milhares de quilômetros para pescar?

 

A resposta pode surpreender. A pesca amadora e esportiva já movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano no Brasil e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos, segundo dados divulgados pelo Ministério do Turismo em 2026. O país reúne cerca de 8 milhões de praticantes da atividade. Ou seja, não estamos falando de um passatempo de poucos aficionados; estamos falando de um mercado turístico e existe uma característica especialmente interessante nesse segmento: o turista não escolhe primeiro a cidade. Ele escolhe o peixe, o rio, o mar ou o ambiente natural onde quer viver a experiência, e é aí que começa o negócio.

 

UM MERCADO MUNDIAL
No mundo, a pesca recreativa alcança uma dimensão ainda maior. A ONU estima que aproximadamente 300 milhões de pessoas pratiquem pesca recreativa todos os anos, gerando pelo menos US$ 47 bilhões em gastos. Cerca de 121 milhões praticam pesca recreativa em ambientes marinhos.

 

Nos Estados Unidos, o tamanho desse mercado ajuda a entender o potencial. Dados da NOAA apontam que apenas em 2023, a pesca recreativa de água salgada gerou US$ 145,4 bilhões em impacto sobre vendas, US$ 47,1 bilhões em renda e 694 mil empregos relacionados à atividade.

 


Foto: Ilustrativa / Magnific / Freepik

 

E não é simplesmente dinheiro gasto na compra de uma vara ou de uma isca. É hotel, pousada, barco, combustível, guia, restaurante, transporte, equipamentos, comércio local, fotografia, alimentação, taxas, eventos e, muitas vezes, a contratação de serviços especializados.

 

O peixe é o motivo da viagem, mas não é o único beneficiário dela. O Brasil tem um território praticamente desenhado para isso. Com uma das maiores diversidades de ambientes aquáticos do planeta, são milhares de quilômetros de rios, lagos, represas, manguezais e um litoral gigantesco. E já temos destinos consolidados.

 

O Pantanal é um dos grandes nomes nacionais da pesca esportiva. A Amazônia, especialmente a região de Barcelos e o Rio Negro, atrai pescadores brasileiros e estrangeiros em busca de espécies como o tucunaré.

 

Também estão no mapa destinos como os rios Araguaia e Tocantins, a Serra da Mesa, em Goiás, rios da região Norte, o São Francisco e diferentes áreas do litoral brasileiro. O próprio Ministério do Turismo identifica Amazônia, Pantanal, Tocantins-Araguaia, litoral nordestino e reservatórios do Sudeste e Sul como regiões com forte potencial para o segmento.

 

Há uma razão para isso: o Brasil não oferece apenas peixe; oferece paisagem, biodiversidade e experiência. O pescador pode passar horas dentro de uma embarcação, observar o nascer do sol, navegar por um rio, conhecer uma comunidade ribeirinha, experimentar a gastronomia local e, no final, ter como troféu uma fotografia porque uma das grandes tendências da pesca esportiva é justamente o pesque e solte.

 

E a Bahia? É aqui que começo a achar que nós, baianos, precisamos olhar com mais atenção para esse mercado. A Bahia possui uma combinação extraordinária: litoral, rios, manguezais, estuários, represas, clima favorável, biodiversidade e uma infraestrutura turística que já existe em boa parte do território, e temos pelo menos dois exemplos que deveriam ser tratados como verdadeiros produtos turísticos.

 

O primeiro é Canavieiras, na Costa do Cacau. O destino é apontado pela Secretaria de Turismo da Bahia como um dos três grandes picos mundiais do marlim-azul, uma das espécies mais cobiçadas da pesca oceânica. A região também oferece pesca estuarina nos manguezais, com espécies como robalo, tarpon e pescada-amarela. Canavieiras já recebe competições capazes de atrair pescadores brasileiros e estrangeiros.

 

É uma combinação rara: pesca oceânica de alto nível, manguezal, praia, patrimônio histórico, gastronomia e hotelaria.

 

O segundo grande exemplo está no extremo norte do estado, Paulo Afonso e o Vale do São Francisco. Ali, o Rio São Francisco, os cânions, os lagos e toda a estrutura turística existente podem ser associados à pesca esportiva e a experiências náuticas e de natureza. A própria Setur-BA já identifica Paulo Afonso como um polo pesqueiro relevante, e não deveríamos parar nesses dois pontos.

 

O potencial baiano pode ser pensado em diferentes ambientes, como Costa do Cacau, litoral sul, manguezais e estuários, Baixo Sul, Baía de Todos-os-Santos, Recôncavo, rios do interior e o São Francisco. O desafio não é descobrir se existe peixe; o desafio é transformar peixe em produto turístico.

 

O turista da pesca não viaja sozinho e talvez esteja aqui uma das maiores oportunidades, nem todo acompanhante é pescador.

 

Enquanto uma pessoa passa o dia em um barco atrás de um tucunaré, de um robalo ou de um marlim, o acompanhante pode estar em um hotel, fazendo uma experiência gastronômica, conhecendo um centro histórico, visitando uma fazenda de cacau, fazendo um passeio de barco ou simplesmente aproveitando uma praia.

 

É exatamente o que torna esse turismo tão interessante. O nicho traz o turista, o destino precisa descobrir como fazer esse turista gastar mais e permanecer mais tempo; essa é uma lógica que se aplica também aos motociclistas e aos corredores.

 

O evento ou a atividade é a porta de entrada, o turismo é toda a experiência que acontece depois. Pescar pode ser uma estratégia de desenvolvimento regional.

 

Existe ainda uma dimensão que considero especialmente importante para a Bahia. A pesca esportiva pode levar dinheiro para lugares que normalmente ficam fora dos grandes circuitos turísticos. Um pescador precisa de alguém que conheça o rio, precisa de uma embarcação, precisa de combustível, precisa de alimentação, precisa de hospedagem, precisa de equipamentos, precisa de alguém que saiba onde estão os peixes.

 


Foto: Divulgação

 

Isso cria oportunidades para guias, barqueiros, pequenos hotéis, pousadas, restaurantes, comerciantes e comunidades ribeirinhas. O Ministério do Turismo e o Ministério da Pesca e Aquicultura vêm justamente tratando a atividade como instrumento de desenvolvimento regional, turismo de natureza e turismo de base comunitária. O governo federal já possui inclusive um Plano Nacional para o Desenvolvimento Sustentável da Pesca Amadora e Esportiva para o período 2024–2034.

 

Em 2024, foram emitidas cerca de 323 mil licenças de pesca amadora e esportiva no país, segundo o plano nacional. Isso mostra que existe mercado, mas também revela uma oportunidade ainda maior: profissionalizar e internacionalizar o produto.

 

 

A BAHIA JÁ ESTÁ ENXERGANDO O POTENCIAL

Em 2024, a Bahia participou pela primeira vez da Pesca & Companhia Trade Show, uma das principais feiras do segmento na América Latina. A edição daquele ano tinha expectativa de 25 mil visitantes e R$ 400 milhões em negócios. Mais recentemente, em 2025, a Setur-BA voltou a promover o estado no Fishing Show Brazil e destacou justamente Canavieiras e Paulo Afonso como destinos com vocação para a pesca esportiva, ou seja, o movimento já começou.

 

Mas ainda falta transformar iniciativas isoladas em uma estratégia estadual de turismo de pesca. O que estamos deixando escapar?

 

Talvez o maior erro seja imaginar que turismo de nicho significa turismo pequeno; não significa. Significa turismo especializado.

 

O corredor escolhe a cidade porque existe uma prova, o motociclista escolhe a cidade porque existe um encontro, o pescador escolhe a cidade porque existe um peixe, e todos eles precisam dormir, comer, abastecer, contratar serviços, comprar produtos e, muitas vezes, voltar.

 

É exatamente por isso que venho insistindo nessa série sobre turismo de nicho. Precisamos parar de pensar apenas em grandes eventos tradicionais e começar a perguntar: quais comunidades, grupos e paixões podem ser transformados em produtos turísticos?

 

A Bahia já possui o mar, os rios, os manguezais, os peixes, as paisagens e a cultura. Talvez esteja faltando apenas transformar tudo isso em roteiro, calendário, infraestrutura, promoção e venda. Porque, no fim das contas, o pescador não viaja atrás de uma cidade, viaja atrás de uma experiência, e cabe ao destino descobrir como transformar essa experiência em desenvolvimento, emprego e renda, até porque, às vezes, o melhor turista não é aquele que está procurando um destino, é aquele que está procurando um peixe.

 

Boa viagem e boa pescaria!

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