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Colunistas

Vida em Equilíbrio debate alimentação com Consciência com Dr. Cesar Barreto

Vida em Equilíbrio debate alimentação com Consciência com Dr. Cesar Barreto
Foto: Bahia Notícias
Em um cenário em que o ritmo acelerado da Dr. Cesar Augusto Barreto moderna tem impactado diretamente a forma como nos alimentamos e cuidamos da saúde, refletir sobre escolhas conscientes torna-se cada vez mais necessário. A alimentação deixou de ser apenas um ato biológico e passou a influenciar profundamente o equilíbrio físico, mental e emocional das pessoas.

Vida em Equilíbro: Clarice Val explica o que são Registros Akáshicos e como eles atuam

Vida em Equilíbro: Clarice Val explica o que são Registros Akáshicos e como eles atuam
Foto: Bahia Notícias
No novo episódio do podcast Vida em Equilíbrio, apresentado por Andrea Cunha, o público é convidado a mergulhar em um tema profundo e transformador: os Registros Akáshicos e seu papel na cura ancestral e no autoconhecimento.

"Essas faculdades têm que ser fechadas", diz presidente do Cremeb sobre resultados do Enamed

"Essas faculdades têm que ser fechadas", diz presidente do Cremeb sobre resultados do Enamed
Foto: Reprodução / YouTube
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), o médico Otávio Marambaia, avaliou os resultados dos cursos de medicina da Bahia no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

Artigos

Por que controlar custos não basta para sustentar a saúde suplementar

Por André Machado Júnior

Por que controlar custos não basta para sustentar a saúde suplementar
Foto: Divulgação

Falar em controle de custos virou um assunto automático na saúde suplementar. Sempre que a conta aperta, o discurso aparece. Como o recurso financeiro é finito, essa discussão, que envolve sustentabilidade do setor de saúde, tem sido pauta frequente no mercado. O ponto de atenção é como atuar em todas as possibilidades, resguardando sempre as questões que envolvem qualidade assistencial, acesso e eficiência operacional. Se não atuarmos nas três frentes, tendemos a não evoluir na velocidade que é necessária.

 

Depois de mais de duas décadas atuando na gestão da saúde, posso afirmar: o sistema não ficou caro apenas pelo fato do paciente usar demais. Ficou caro porque o cuidado é desorganizado, tardio, mal coordenado e com ausência de integração tecnológica.

 

Experiências da Maida trazem alguns dados que nos apoiam a olhar para este tema. Em 2025, regulamos mais de 100 milhões de solicitações de atendimento em saúde em todo o Brasil, realizamos mais de 120 mil visitas a pacientes internados e auditamos mais de R$7 bilhões em faturamento hospitalar. Esse volume nos dá uma visão privilegiada do que realmente pressiona os custos. Não são, em sua maioria, decisões clínicas complexas. São internações que se prolongam por ausência de cuidado prévio, falhas de comunicação entre equipes, ausência de acompanhamento contínuo, ausência de integração dos prontuários eletrônicos, ausência de cuidado baseado nas condições de saúde e processos que não conversam entre si.

 

O debate costuma cair em uma armadilha perigosa: ou se corta gasto, ou se preserva o cuidado. Isso só ocorre quando não é estimulado o cuidado continuado, a longo prazo e com integrações e protocolos bem definidos. Por isso precisamos focar na transformação digital, empoderamento e estímulo ao autocuidado e numa melhor eficiência assistencial, afinal eficiência assistencial não tem a ver com restringir acesso, mas com garantir que o paciente receba o cuidado adequado, no tempo correto e no ambiente certo. Quando isso não acontece, o sistema paga duas vezes — financeiramente e no desgaste da saúde das pessoas.

 

Esse desgaste aparece claramente no adoecimento e na experiência do usuário. Isso é refletido nas judicializações e conflitos que têm crescido na saúde suplementar e até mesmo na saúde pública.

 

Precisamos mudar esse cenário, investir numa jornada integrada de cuidado e na organização dos processos, programas de cuidado e protocolos, bem como na transformação digital da saúde. A tecnologia tende a apoiar totalmente nisso, mas precisamos lembrar que a transformação digital de verdade não é empilhar ferramentas, é mudar a forma de trabalhar. É integrar dados, processos e pessoas para que decisões sejam tomadas antes que o problema vire crise. Quando a tecnologia entra na rotina da regulação, da auditoria e do acompanhamento clínico, ela deixa de ser promessa e vira resultado.

 

O legado de 2025 deixa uma lição clara. A saúde suplementar não vai se sustentar fazendo as mesmas coisas que tem feito no decorrer do tempo. Precisamos organizar o cuidado, olhar para longo prazo e parar de apagar incêndios. Esse será, com toda a certeza, o diferencial dos negócios envolvidos neste setor.

 

*André Machado Júnior é CEO da Maida Health, healthtech ligada ao ecossistema MV

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Calor eleva em 30% risco de cálculos renais: saiba como se proteger no Verão
Foto: Divulgação

O Verão chegou com tudo em Salvador. As altas temperaturas podem prejudicar a saúde dos rins, pois o calor pode interferir na hidratação, devido ao excesso de transpiração. A ingestão de líquidos é uma prioridade, sobretudo porque existe um crescimento de cerca de 30% nos casos de cálculos renais, principalmente pela maior perda hídrica, através do suor, sem a reposição adequada.

 

A água ajuda a regular a temperatura corporal e é essencial para o pleno funcionamento dos rins, responsáveis por filtrar as toxinas do sangue. Não havendo isso, a desidratação pode sobrecarregar os órgãos e prejudicar sua função. De um modo geral, a quantidade de água que um adulto deve beber por dia é de cerca de 2 a 2,5 litros. Essa quantidade não é uma regra, mas a base é 30 a 35 ml de água por quilo, multiplicando o peso por esse valor para ter uma estimativa (ex: 70kg x 30ml = 2,1L). Vale ressaltar que é importante sempre observar a cor da urina (amarelo claro/transparente indica boa hidratação) e jamais esperar sentir sede para ingerir água.

 

Outra orientação é fazer escolhas inteligentes. Optar por comidas mais saudáveis, como frutas frescas e líquidas (melancia, melão, mamão etc), vegetais e proteínas magras, não apenas agrada ao paladar, mas também contribui para a saúde renal. A prática de atividade física promove a circulação sanguínea adequada, essencial para o bom funcionamento dos rins, sem falar na necessidade de manter consultas médicas regulares. Caso já exista alguma condição renal, os cuidados devem ser redobrados.

 

É importante fazer ressalvas com relação ao consumo de bebidas alcoólicas no Verão. O álcool, apesar de líquido, tem um efeito diurético. Isso significa que ele aumenta a produção de urina, podendo levar à desidratação, o que é especialmente perigoso em dias quentes. O seu consumo em excesso pode sobrecarregar o fígado e os próprios rins a longo prazo. Em resumo, durante períodos de calor intenso, é fundamental priorizar a ingestão de água em abundância e limitar ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

 

*Manuela Lordelo é Médica formada pela Faculdade de Medicina de Campos - RJ em 2017. Especialista em Clínica Médica pela Universidade Federal de Viçosa (2018-2020) e Especialista em Nefrologia pelo Hospital Ana Nery (2020-2022). Também é membro do corpo clínico do Hospital Alayde Costa, Hospital Ana Nery e Clínica Senhor do Bonfim. | CRM: 35482 - BA | RQE: 21849

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Precarização, demissões e silêncio do SINDIMED: o retrato atual da medicina baiana

Por Ex-presidentes do Sindmed

Precarização, demissões e silêncio do SINDIMED: o retrato atual da medicina baiana
Foto: Divulgação

A medicina baiana atravessa um dos períodos mais graves de sua história. Demissões coletivas, contratos instáveis, atrasos sistemáticos de pagamento e a completa ausência de garantias trabalhistas passaram a compor o cotidiano de médicos e médicas em todo o estado. O que antes era percebido como exceção, restrita a determinadas unidades ou regiões, hoje se consolidou como regra, atingindo profissionais de todas as especialidades, idades e tempos de carreira. Nós, médicos e médicas, nos perguntamos: por que isso acontece agora? onde falhamos?

 

É simbólico e profundamente contraditório que isso ocorra justamente na Bahia, berço da primeira Faculdade de Medicina do Brasil, fundada em 1808, e de um dos mais antigos sindicatos dos médicos (SINDIMED), fundado em 1934. O estado que ajudou a estruturar a medicina no Brasil agora forma profissionais que ingressam em um mercado de precarização extrema, sem que a principal entidade de representação da categoria exerça o papel que historicamente lhe coube.

 

A crise não surgiu de forma abrupta. O cenário atual é resultado de um processo lento e cumulativo, impulsionado pela flexibilização das leis trabalhistas e por decisões administrativas reiteradas que passaram a tratar o médico não mais como carreira estratégica e de Estado, mas como um prestador de serviço indiferenciado. 

 

A Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) aprofundou esse processo ao permitir que atividades-fim fossem amplamente terceirizadas. Na prática, abriu-se caminho para a chamada “pejotização”, modelo em que vínculos celetistas são substituídos por contratos via pessoa jurídica, com o objetivo explícito de reduzir custos, eliminar direitos trabalhistas e transferir todos os riscos ao profissional.

 

Os efeitos sobre a medicina são evidentes e alarmantes. Dados da Demografia Médica no Brasil 2025 demonstram que, em nível nacional, a proporção de médicos com vínculo formal caiu de 56% para 36% em apenas uma década. No setor público, os vínculos estatutários despencaram de 40,4% para 16,9% entre 2012 e 2023. A Bahia é um dos exemplos mais notáveis dessa tendência: o último concurso público amplo para médicos no estado ocorreu em 2008. São quase duas décadas sem reposição estruturada de quadros, o que não é fruto do acaso, mas de uma decisão política clara, ainda que muitas vezes não assumida.

 

Trabalhar como pessoa jurídica tornou-se, na prática, a única alternativa para grande parte dos médicos baianos. Férias, 13º salário, licença remunerada e contribuição previdenciária regular deixaram de existir, sem que isso se traduzisse em autonomia real. Ao contrário: médicos seguem submetidos a jornadas rígidas, metas e exigências típicas do regime celetista, mas sem qualquer amparo legal. O resultado é um modelo que fragiliza o profissional e compromete a própria organização dos serviços de saúde, onde equipes inteiras podem ser desmontadas de um dia para o outro.

 

Esse quadro se agrava de forma decisiva pelo enfraquecimento institucional do SINDIMED. Uma entidade que já foi protagonista de conquistas históricas, como o Concurso Público Estadual, de 2008, reconhecimento da Gratificação do Incentivo ao Desempenho (GID), em 2009 e o Plano de Cargos Salários e Vencimentos (PCCV) de 2013, hoje atravessa uma profunda crise de confiança com a categoria. A atual gestão tem adotado uma postura sistematicamente conciliatória com gestores e alinhada aos interesses patronais, priorizando acordos de bastidores e a contenção de mobilizações, mesmo diante de violações reiteradas de direitos. Na prática, isso resultou na ausência de greves, assembleias deliberativas e tensionamentos públicos, instrumentos historicamente centrais da ação sindical.

 

Chama atenção, ainda, a discrepância entre a realidade financeira enfrentada pela maioria dos médicos, e a estrutura de remuneração da alta direção sindical, mantida mesmo em um contexto de retração de serviços, fechamento de sedes regionais e perda de capacidade de atendimento à base. Segundo dados constantes em documentos públicos do próprio sindicato, a estrutura remuneratória aprovada para 2026 será de R$919.800 para diretores e R$1.399.056 para serviços jurídicos.

 

Enquanto ex-presidentes do Sindicato dos Médicos da Bahia, afirmamos com responsabilidade e preocupação: Para dezenas de milhares de médicos baianos, a precarização do trabalho avançou enquanto a representação sindical se esvazia. Uma entidade que já gozou de ampla credibilidade hoje enfrenta questionamentos de ordem ética, técnica, e política, inclusive entre seus próprios filiados. Naturalizar esse cenário de fragilização institucional é aceitar a erosão definitiva da medicina como carreira estruturada no estado.

 

Ainda há tempo de reconstruir. Mas isso exige coragem política, retomada do papel histórico do sindicato e a recolocação do trabalho médico no centro do debate público. Colegas, insatisfeitos com a situação da medicina e as condutas da atual gestão do SINDIMED, sigamos unidos. Nos silenciarmos neste momento, não é prudência. É omissão.

 

Assinam:

Alfredo Boa Sorte (ex-presidente do Sindimed)

Antônio do Vale Filho (ex-presidente do Sindimed)

Celso Cotrim Coelho (ex-presidente do Sindimed)

Francisco Magalhães (ex-presidente do Sindimed)

Gil Freire Barbosa (ex-presidente do Sindimed)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Janeiro Branco e o reforço ao olhar de prevenção

Por Maiumi Souza

Janeiro Branco e o reforço ao olhar de prevenção
Foto: Divulgação

O Janeiro Branco é uma campanha criada para chamar atenção para a saúde mental. Inspirado na ideia de um “ano em branco”, que pode ser escrito de forma mais consciente, o movimento convida à reflexão sobre emoções, relações e modos de viver. Ao longo do mês, o tema ganha visibilidade em campanhas e conversas que reforçam a importância do autocuidado e da atenção ao sofrimento psíquico.

 

Esse movimento é importante. Mas é legítimo perguntar se ele tem sido suficiente. Falar de saúde mental importa, mas não basta quando a conversa se limita a frases prontas ou a orientações individuais. Refletir sem olhar para as condições concretas da vida cotidiana tem alcance limitado. Talvez seja hora de pensar o Janeiro Branco menos como um símbolo e mais como um convite à prevenção real.

 

O sofrimento psíquico não surge do nada. O aumento de casos de ansiedade, depressão, violência e suicídio não pode ser explicado apenas como fragilidade individual ou dificuldade de lidar com a vida. Ele está profundamente ligado ao cotidiano. Insegurança financeira, medo constante de perder o trabalho, sobrecarga de tarefas, responsabilidade excessiva com o cuidado de outras pessoas, sensação permanente de não dar conta e solidão fazem parte da experiência de muitas pessoas. Muitas vezes, o que chamamos de “problema emocional” é o corpo e a mente reagindo a uma vida vivida no limite.

 

A dor sentida não é falha pessoal. O sofrimento não indica falta de esforço, força ou maturidade emocional. Em muitos casos, ele sinaliza que as exigências da vida estão ultrapassando o que é possível sustentar naquele momento. Carregar culpa por isso apenas aprofunda o adoecimento.


Esse peso também não se distribui de forma igual. Algumas pessoas convivem com mais responsabilidades, menos apoio e maior exposição ao estresse cotidiano. Mulheres, por exemplo, acumulam trabalho, cuidados e cobranças emocionais, muitas vezes sem espaço real para descanso. Outras pessoas enfrentam rotinas marcadas por insegurança, perdas frequentes e sensação constante de instabilidade. Ignorar essas diferenças empobrece o debate sobre saúde mental.

 

Além disso, vivemos em um contexto de excesso de informações difíceis, violência cotidiana e incerteza sobre o futuro. Mesmo quando não há um evento traumático específico, a experiência de viver em estado permanente de alerta cobra um preço emocional alto. O desgaste se acumula aos poucos, até se tornar insustentável.

 

Nesse cenário, prevenção não pode significar esperar o colapso para buscar ajuda. Cuidar da saúde mental antes que tudo desmorone não é fraqueza, é responsabilidade. A prevenção acontece em gestos simples e cotidianos: ter espaços de escuta, fortalecer vínculos, reconhecer limites, garantir algum tempo de descanso, permitir lazer possível e procurar ajuda profissional quando os sinais aparecem.

 

Falar em bem viver não é romantizar a vida nem negar dificuldades reais. É reconhecer que saúde mental depende de condições mínimas para existir. Relações que sustentam, rotinas menos exaustivas e ambientes mais humanos fazem parte desse cuidado. Não se trata apenas de esforço individual, mas de criar contextos que não adoeçam continuamente as pessoas.

 

O janeiro Branco pode ser mais do que um mês de frases prontas. Ele pode marcar um compromisso com a prevenção, com o cuidado contínuo e com escolhas mais conscientes sobre como estamos vivendo. Cuidar da saúde mental não é aprender a suportar o insuportável, mas reconhecer que viver não deveria doer o tempo todo, e que olhar para isso é urgente.

 

*Maiumi Souza faz parte do time da Baobá Saúde; é psicóloga, especialista em Gestalt-Terapia e Desenvolvimento Infantil

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Sono, rotina e fertilidade: por que a ciência passou a olhar o casal como uma unidade biológica
Foto: Divulgação

Durante muito tempo, a fertilidade foi avaliada de forma fragmentada, concentrando-se quase exclusivamente em fatores individuais — femininos ou masculinos. No entanto, os avanços da ciência reprodutiva vêm ampliando esse olhar. Hoje, sabemos que a fertilidade é um fenômeno essencialmente relacional, que envolve não apenas a biologia de cada indivíduo, mas também a interação fisiológica, comportamental e emocional do casal.

 

Esse novo entendimento parte do reconhecimento de que o corpo humano funciona de acordo com um ritmo biológico circadiano, com duração aproximada de 24 horas, responsável por regular processos hormonais, metabólicos e reprodutivos. Quando esse ritmo é respeitado, os sistemas do organismo tendem a operar de maneira mais eficiente e equilibrada.

 

O alinhamento entre o tempo biológico e os hábitos de vida — como padrões de sono, alimentação e organização da rotina — exerce influência direta sobre os eixos hormonais envolvidos na reprodução. Pequenos desalinhamentos, quando persistentes, podem gerar impactos relevantes sobre a saúde reprodutiva.

 

Nesse contexto, o sono assume papel central. A melatonina, hormônio secretado predominantemente durante a noite, atua como moduladora hormonal e potente antioxidante. Ela contribui para a maturação dos óvulos e para a proteção dos gametas contra o estresse oxidativo. Já o cortisol, cujo pico ocorre nas primeiras horas da manhã, participa da regulação das gonadotrofinas e da esteroidogênese, processos fundamentais para a ovulação e a espermatogênese. Ambos os hormônios dependem de ciclos de sono-vigília bem organizados.

 

A interrupção frequente ou a irregularidade do sono pode desorganizar a homeostase metabólica, aumentar o estresse nas vias reprodutivas e comprometer o potencial fértil. Estudos epidemiológicos já associam a perturbação do ciclo circadiano a desfechos reprodutivos desfavoráveis, como a redução dos níveis de testosterona e a piora da qualidade do sêmen.

 

Essa compreensão amplia o cuidado para além do indivíduo isolado e convida a olhar o casal como uma unidade biológica. O desalinhamento de horários de sono, vigília, alimentação ou trabalho entre os parceiros pode interferir tanto na frequência e na qualidade da atividade sexual quanto nos sinais hormonais que regulam a ovulação e a produção de espermatozoides.

 

Por outro lado, a sincronia comportamental — com rotinas compartilhadas, horários semelhantes, proximidade emocional e apoio mútuo — favorece um ambiente biológico e psicológico mais propício à concepção. O corpo responde não apenas aos estímulos internos, mas também à qualidade das relações e ao contexto em que está inserido.

 

Alinhar o tempo biológico e comportamental do casal pode, portanto, influenciar diretamente o potencial reprodutivo. A fertilidade não se resume a exames ou técnicas de alta complexidade, mas deve ser compreendida como um sistema integrado, no qual corpo, rotina e vínculo caminham juntos.

 

*Wendy Delmondes é médica especialista em Reprodução Humana

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Câncer de pulmão: rastreamento não deve se limitar apenas a fumantes

Por Larissa Abrahão

Câncer de pulmão: rastreamento não deve se limitar apenas a fumantes
Foto: Divulgação

O câncer de pulmão está entre as principais causas de morte por câncer no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,8 milhão de óbitos são registrados anualmente em decorrência da doença. Embora o tabagismo seja reconhecido como o principal fator de risco — responsável por aproximadamente 80% a 90% dos casos —, evidências mostram que a doença também atinge pessoas que nunca fumaram, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre rastreamento e diagnóstico precoce.

 

Dados do Registro de Câncer Hospitalar (RHC), referentes a pacientes com mais de 18 anos atendidos pelo SUS, indicam que, em determinadas faixas etárias, especialmente acima dos 65 anos, até 26% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em não fumantes. Esses números evidenciam que o perfil de risco é mais amplo do que tradicionalmente se considera.

 

Além do tabagismo, diversos outros fatores estão associados ao desenvolvimento da doença. Entre eles estão a exposição ao gás radônio, o histórico familiar de câncer de pulmão, o tabagismo passivo — que pode elevar o risco em até 25% —, a poluição do ar, exposições ocupacionais a substâncias como asbesto e sílica, além de doenças pulmonares prévias, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a fibrose pulmonar. Diante desse cenário, limitar o rastreamento apenas a fumantes pode significar a perda de oportunidades importantes de diagnóstico precoce.

 

O rastreamento do câncer de pulmão é feito por meio da tomografia computadorizada de tórax de baixa dose (TCBD), um exame indolor e com baixa exposição à radiação. As recomendações atuais indicam a realização anual do exame em fumantes ou ex-fumantes com idade entre 50 e 80 anos. Para pessoas que nunca fumaram, ainda não existem diretrizes que indiquem o rastreamento populacional de rotina.

 

No entanto, especialistas ressaltam que o rastreamento individualizado deve ser considerado em situações específicas, como em pessoas com 50 anos ou mais, forte histórico familiar de câncer de pulmão, exposição ocupacional intensa a agentes carcinogênicos, histórico de radioterapia torácica em doses significativas ou presença de doenças pulmonares estruturais importantes.

 

No Brasil, o diagnóstico precoce do câncer de pulmão ainda enfrenta desafios relevantes, como o acesso desigual aos exames e a alta prevalência de doenças pulmonares que podem gerar achados inespecíficos. Para avançar, é fundamental integrar estratégias de rastreamento às políticas de controle do tabagismo e investir na capacitação das equipes de saúde, ampliando o olhar sobre os diferentes perfis de risco da população.

 

*Dra. Larissa Abrahão é pneumologista do Centro Integrado do Tórax.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Mais de 15 milhões de brasileiros convivem com doenças reumáticas

Por Ana Teresa Amoedo

Mais de 15 milhões de brasileiros convivem com doenças reumáticas
Foto: Divulgação

Dores persistentes, inchaços e limitações de movimento são os principais sintomas das doenças reumáticas - um grupo de mais de 120 enfermidades que afetam mais de 15 milhões de brasileiros, conforme dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Elas atingem pessoas de todas as idades, principalmente os idosos, e o diagnóstico precoce juntamente com o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações mais graves, como a perda da mobilidade e até incapacidades físicas.


    
No mês em que se comemora o Dia Nacional de Luta Contra as Doenças Reumáticas (30 de outubro), é necessário falarmos sobre conscientização. Isso porque essas doenças são, em sua maioria, autoimunes e afetam estruturas fundamentais do corpo como articulações, músculos, tendões, ligamentos e ossos. Entre as mais comuns estão artrose, osteoporose, fibromialgia, tendinite, lúpus, gota e bursite, sendo a artrose a que mais acomete a população.

 

O avanço da Medicina tem sido decisivo na transformação da vida de pacientes reumáticos. Os imunobiológicos representam uma das principais inovações no tratamento dessas doenças. Esses medicamentos são desenvolvidos com tecnologia de ponta, de forma personalizada, atuando diretamente nos mecanismos inflamatórios do sistema imunológico. Com isso, conseguimos reduzir sintomas, controlar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.

 

Em Salvador, a Novaimuno é referência no assunto, se destacando no atendimento a pacientes com doenças autoimunes e raras por meio do seu Centro de Terapia Assistida Infusional em Imunobiológicos. A clínica também oferece uma abordagem integrada, com equipe multidisciplinar composta por especialistas em reumatologia, neurologia, dermatologia, gastroenterologia, nutrição e psicologia. O tratamento adequado, somado ao acompanhamento profissional constante, permite que muitos pacientes retomem sua rotina com independência e bem-estar.

 

*Ana Teresa Amoedo é médica reumatologista e sócia da Novaimuno - unidade que integra o Grupo CITA em Salvador | CRM-BA 11237 | RQE 5054

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Psoríase: doença de pele não é contagiosa e tem tratamento eficaz

Por Alice Magalhães

Psoríase: doença de pele não é contagiosa e tem tratamento eficaz
Foto: Divulgação

Lesões avermelhadas e com descamação esbranquiçada, geralmente no couro cabeludo, unhas, cotovelos e joelhos, são sinais clássicos da psoríase, uma doença inflamatória, autoimune, crônica e não contagiosa, que afeta cerca de cinco milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Apesar de não ter cura, a psoríase é tratável e pode ser controlada com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida.

 

Em alusão ao Dia Nacional de Conscientização da Psoríase, comemorado em 29 de outubro, é importante reforçar a importância de combater o estigma que ainda cerca a doença. Muitas pessoas acreditam, de forma equivocada, que a psoríase é contagiosa, o que acaba gerando exclusão e preconceito. É fundamental esclarecer que não há risco de transmissão por contato físico.

 

A causa da psoríase envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Estresse emocional, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, infecções, traumas na pele e até alguns medicamentos podem funcionar como gatilhos para o surgimento ou agravamento das lesões.

 

Mais do que um problema de pele, a psoríase pode afetar outras partes do corpo. Um dos possíveis desdobramentos da doença é a artrite psoriásica, uma inflamação nas articulações que provoca dor, rigidez e inchaço, principalmente nos dedos das mãos, pés, joelhos e coluna. Pacientes com psoríase em áreas como couro cabeludo, unhas e região perianal têm maior predisposição a desenvolver a artrite psoriásica. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações.

 

O tratamento da psoríase varia conforme a gravidade do quadro, podendo incluir o uso de medicamentos tópicos, comprimidos ou injeções. Hoje contamos com os imunobiológicos, uma alternativa eficaz para casos moderados a graves. São medicamentos de alta precisão que atuam diretamente nas vias inflamatórias do organismo, promovendo o controle da doença e melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

 

Além do tratamento medicamentoso, cabe destacar a importância de hábitos saudáveis. Praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro e cuidar da saúde mental são atitudes que ajudam no controle da psoríase e na prevenção de crises.

 

*Alice Magalhães é Médica dermatologista -UFBA; Especialista em Alergia e Imunologia - USP; Membro SBD e ASBAI; e Atua na clínica Novaimuno, unidade que integra o Grupo CITA em Salvador | CRMBA 35406 / RQE 24092 / RQE 28307 | CRMSP 243837 / RQE 111591

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Médico do trabalho: A importância do profissional que cuida da saúde de quem move as empresas
Foto: Divulgação

Na Bahia, onde atividades como construção civil, indústria petroquímica e agronegócio têm forte presença, a atuação do médico do trabalho é fundamental para evitar altos índices de acidentes e doenças ocupacionais. Segundo dados da Delegacia Sindical dos Auditores-Fiscais do Trabalho da Bahia (SINAIT DS/BA), até o dia 16 de maio deste ano, o número de acidentes de trabalho e adoecimentos notificados no estado ultrapassou seis mil casos, além de 38 mortes registradas no ambiente laboral.

 

Por isso, a importância desse profissional, uma especialidade médica ainda pouco conhecida fora do ambiente corporativo, mas fundamental para garantir a saúde física, mental e social dos trabalhadores. Muita gente não sabe, mas o médico do trabalho pode atuar em diversas frentes: empresas privadas, órgãos públicos, consultorias, perícias judiciais, auditorias e até em programas de reabilitação. Sua formação exige não apenas a graduação em Medicina, mas também uma especialização com foco em legislação trabalhista e saúde ocupacional. É uma profissão que requer sensibilidade, técnica e visão sistêmica. No fim das contas, cuidar do trabalhador é cuidar da base que sustenta qualquer negócio.

 

O médico do trabalho é o elo entre a saúde do colaborador e a produtividade das empresas. Quando atua de forma estratégica, consegue prevenir doenças, reduzir afastamentos e melhorar o clima organizacional. Muito além dos tradicionais exames admissionais e demissionais, esse profissional acompanha o dia a dia dos trabalhadores, identifica riscos no ambiente laboral e propõe melhorias para garantir um ambiente mais seguro e saudável.

 

A missão do médico do trabalho é promover saúde no sentido mais amplo. Ele precisa entender de ergonomia, psicologia, legislação e até comportamento humano para fazer seu trabalho de forma completa. Na prática, esse profissional também atua junto aos gestores e Recursos Humanos na construção de políticas internas de saúde e bem-estar, além de contribuir com treinamentos e campanhas educativas.

 

*Ana Paula Teixeira é Médica do Trabalho e especialista em Saúde e Bem-estar | CRM-BA 12797 - RQE 7237

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Reconstrução mamária: avanços no tratamento fazem pacientes recorrerem à Oncoplastia para o combate ao câncer de mama
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Nos últimos anos, a legislação brasileira tem dado passos importantes no reconhecimento da reconstrução mamária como um direito das mulheres em tratamento contra o câncer de mama. Essa conquista, válida tanto para pacientes da saúde suplementar quanto do Sistema Único de Saúde (SUS), reforça que a reconstrução mamária vai muito além da estética — ela é parte essencial do processo terapêutico, impactando diretamente o bem-estar emocional e a qualidade de vida das pacientes.

 

O avanço das técnicas cirúrgicas e dos protocolos oncológicos tem permitido abordagens cada vez mais conservadoras. A mastectomia, que consiste na retirada total da mama, deixou de ser a primeira opção e passou a ser indicada apenas quando estritamente necessária. “Hoje, a mastectomia é considerada o último recurso. Sempre que possível, damos preferência à cirurgia conservadora, que preserva parte da mama e oferece resultados funcionais e estéticos mais satisfatórios.

 

Nesse contexto, ganha destaque a oncoplastia, especialidade que une os princípios da cirurgia plástica às técnicas da cirurgia oncológica da mama. Embora a oncoplastia e a reconstrução mamária estejam intimamente relacionadas, há diferenças importantes entre elas. A oncoplastia é realizada no mesmo momento da retirada do tumor, permitindo reconstruir a mama na própria cirurgia oncológica, utilizando técnicas que preservam o máximo de tecido sadio possível. Já a reconstrução mamária, por sua vez, é o procedimento voltado à restauração da forma da mama após a mastectomia, podendo ser feita imediatamente ou em um segundo momento.

 

A decisão sobre qual técnica adotar depende de uma série de fatores clínicos e pessoais, como o estágio do tumor, a saúde geral da paciente, o tipo de tratamento complementar indicado e as expectativas individuais em relação ao resultado estético e funcional.

 

Ainda que, mesmo quando a mastectomia é necessária, as pacientes têm direito — garantido por lei — à reconstrução imediata. Essa possibilidade representa um avanço significativo, pois favorece uma recuperação mais positiva, tanto física quanto emocional. A reconstrução mamária ou a oncoplastia não são um luxo estético, mas uma etapa fundamental do tratamento oncológico. Quando devolvemos a forma da mama, estamos devolvendo à paciente sua imagem corporal, sua confiança e, consequentemente, sua autoestima.

 

A integração entre oncologia e cirurgia plástica tem transformado o modo como o câncer de mama é tratado no Brasil, permitindo que o cuidado vá além da cura da doença, alcançando também a restauração da integridade e da identidade feminina.

 

*Sérgio Calmon é Mastologista Oncoplástico | RQE: 11901

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Entrevistas

Presidente da BahiaFarma, Ceuci Nunes aposta em crescimento de laboratório baiano no Brasil

Presidente da BahiaFarma, Ceuci Nunes aposta em crescimento de laboratório baiano no Brasil
Fotos: Tito Ferreira / Bahia Notícias
Segundo ela, a entidade agora vai produzir novos medicamentos e terá algumas novidades para o ano de 2026.