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Quando o amor vira controle? Psicóloga Ingrid Ribeiro fala sobre os sinais de uma relação abusiva no Vida em Equilíbrio

Quando o amor vira controle? Psicóloga Ingrid Ribeiro fala sobre os sinais de uma relação abusiva no Vida em Equilíbrio
Foto: Divulgação
No mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, o podcast Vida em Equilíbrio traz uma conversa sobre os sinais que podem aparecer antes que uma relação chegue à violência.

Sustentabilidade começa em nós: Leana Mattei fala sobre consumo consciente e bem-estar no Vida em Equilíbrio

Sustentabilidade começa em nós: Leana Mattei fala sobre consumo consciente e bem-estar no Vida em Equilíbrio
Foto: Bahia Notícias
Sustentabilidade vai muito além da preservação do meio ambiente. Ela está presente nas escolhas que fazemos todos os dias e tem impacto direto na nossa saúde, na qualidade de vida e no futuro das próximas gerações. Esse é o tema do novo episódio do Vida em Equilíbrio, apresentado por Andrea Cunha, que recebe Leana Mattei, especialista em sustentabilidade, ESG e impacto social.

Podcast Bengalas recebe idealizadoras do projeto “Vó, vai fazer o que hoje?” para debater longevidade, pertencimento e redes de apoio

Podcast Bengalas recebe idealizadoras do projeto “Vó, vai fazer o que hoje?” para debater longevidade, pertencimento e redes de apoio
Foto: Bahia Notícias
As idealizadoras da comunidade Amigas do Itaigara & Redondezas, Lara Kertész e Safira Luna, participam da mais recente edição do Podcast Bengalas, que vai ao ar nesta quinta-feira (18), às 15h, sob o comando da psicóloga Marta Luzbel.

Artigos

Radiação UV em níveis extremos reforça a importância da proteção diária da pele
Foto: Divulgação

A Bahia vive dias de intensa incidência de radiação ultravioleta (UV), com registros que chegaram ao Índice Ultravioleta (IUV) 11 em diferentes municípios do estado, classificação considerada extrema. Em Salvador, o índice chegou a 10, nível muito alto. Mais do que o desconforto causado pelo sol forte, esses números chamam atenção para um aspecto que precisa fazer parte da rotina de cuidados com a saúde: os efeitos acumulativos da exposição à radiação UV.

 

A radiação ultravioleta é um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer de pele. Seus efeitos não são percebidos apenas imediatamente, como acontece nas queimaduras solares. Ao longo dos anos, a exposição repetida pode provocar alterações nas células da pele, contribuindo também para o envelhecimento precoce e para o surgimento de diferentes tipos de câncer cutâneo.

 

Por isso, em uma região como a Bahia, onde a exposição solar faz parte da rotina durante praticamente todo o ano, a fotoproteção não deve ser encarada como um cuidado exclusivo para dias de praia ou períodos de férias.

 

A proteção precisa fazer parte da rotina. Quando os índices de radiação UV estão muito altos ou extremos, a recomendação é combinar diferentes estratégias de proteção. O protetor solar é fundamental, mas não deve ser considerado a única barreira contra a radiação.

 

Um equívoco bastante comum é acreditar que a aplicação do filtro solar permite permanecer por mais tempo sob o sol. Na realidade, o protetor deve ser utilizado como parte de uma estratégia de proteção e não como uma autorização para prolongar a exposição.

 

Sempre que possível, é importante evitar a exposição direta nos horários de maior intensidade da radiação, especialmente entre 10h e 16h, buscar locais com sombra e utilizar barreiras físicas, como chapéus de abas largas, roupas que cubram a pele e óculos com proteção contra os raios UV.

 

O protetor solar deve ser aplicado nas áreas expostas antes de sair de casa e reaplicado ao longo do dia, principalmente após transpiração intensa, banho de mar ou piscina. Também é importante não esquecer regiões que frequentemente ficam desprotegidas, como orelhas, pescoço, colo, mãos e lábios.

 

Crianças e pessoas que passam muitas horas ao ar livre precisam de atenção redobrada, assim como indivíduos com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.

 

Sol forte não é sinônimo de maior radiação UV. Outro ponto que merece atenção é a falsa sensação de segurança provocada por dias nublados ou temperaturas mais amenas. A sensação térmica não determina a intensidade da radiação ultravioleta.

 

Mesmo quando o calor não parece tão intenso, os raios UV podem atingir a pele. Essa radiação pode chegar de forma direta, ser dispersada pela atmosfera ou refletida por superfícies como água, areia e outras áreas claras.

 

Por isso, a proteção deve ser mantida mesmo quando não há aquela sensação característica de "sol muito quente".

 

A pele acumula a história da exposição solar. Nossa pele registra, ao longo dos anos, os efeitos da exposição à radiação ultravioleta. As queimaduras solares são apenas uma das manifestações mais evidentes desse processo. A exposição repetida e acumulada pode contribuir para alterações celulares, fotoenvelhecimento e aumento do risco de câncer de pele.

 

Esse caráter cumulativo reforça a importância de começar a proteção desde cedo e mantê-la ao longo da vida.

 

Além da prevenção, também é fundamental conhecer a própria pele e observar o surgimento de novas lesões ou mudanças em pintas já existentes. Alterações de tamanho, formato ou cor, feridas que não cicatrizam, além de lesões que coçam, descamam ou sangram, devem ser avaliadas por um dermatologista.

 

O diagnóstico precoce faz diferença. O câncer de pele está entre os tipos de câncer mais frequentes e, quando identificado precocemente, apresenta grandes possibilidades de tratamento bem-sucedido. Por isso, não devemos esperar o aparecimento de uma lesão suspeita para começar a cuidar da pele.

 

A prevenção acontece diariamente, por meio de escolhas simples: reduzir a exposição nos horários de maior radiação, buscar sombra, utilizar roupas e acessórios de proteção e aplicar corretamente o protetor solar.

 

Os episódios de radiação UV muito alta ou extrema registrados na Bahia funcionam como um importante lembrete de que a fotoproteção precisa ser incorporada aos hábitos cotidianos. Mais do que uma preocupação relacionada ao verão ou aos dias de praia, proteger a pele é uma medida permanente de cuidado com a saúde.

 

Em uma região de elevada exposição solar como a nossa, cuidar da pele hoje é também uma forma de preservar sua saúde para o futuro.

 

*Gal Leto é Dermatologista – CRM 15533/ RQE 7837

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

O que ninguém vê: a saúde mental de quem convive com a Neuromielite Óptica

Por Karina Domingues

O que ninguém vê: a saúde mental de quem convive com a Neuromielite Óptica
Foto: Divulgação

As marcas da Neuromielite Óptica e Doenças do seu Espectro (NMOSD) nem sempre aparecem nos exames. Além dos desafios neurológicos, a doença impacta identidade, família, trabalho e projetos de vida, reforçando a importância de incluir a saúde mental no cuidado integral.


A NMOSD é uma doença neurológica rara, autoimune e inflamatória que acomete principalmente o nervo óptico e a medula espinhal. Pode provocar perda visual, limitações motoras, dor, fadiga e, em alguns casos, sequelas permanentes. O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica, exames de imagem e testes laboratoriais, mas há aspectos que nenhum exame consegue medir: o medo de novas crises, a insegurança diante da imprevisibilidade e as mudanças impostas aos planos de vida.


A doença afeta predominantemente mulheres entre 30 e 40 anos, muitas delas em plena fase de construção da carreira, da independência financeira e da vida familiar. Homens e crianças também podem ser acometidos, ampliando os impactos para toda a família.


Receber o diagnóstico de uma doença rara e crônica frequentemente desencadeia um processo de adaptação semelhante ao luto. Não se trata apenas de aprender sobre uma condição médica, mas de reorganizar expectativas, redefinir prioridades e construir uma nova rotina diante das limitações e incertezas.


Um dos aspectos mais difíceis da NMOSD é sua imprevisibilidade. Mesmo com tratamento, muitos pacientes convivem com a preocupação constante de uma nova crise, que pode resultar em internações, novas sequelas e mudanças na autonomia. Essa incerteza pode favorecer ansiedade, insegurança e dificuldade para planejar o futuro.


Recentemente, uma pesquisa sobre qualidade de vida realizada com pessoas com NMOSD em diferentes regiões do Brasil mostrou que os domínios mais comprometidos foram justamente as limitações físicas e emocionais, evidenciando que o impacto da doença vai muito além do comprometimento neurológico.


Outro desafio importante são as chamadas sequelas invisíveis. Sintomas como fadiga intensa, dor neuropática, alterações de sensibilidade e exaustão emocional nem sempre são percebidos por quem convive com o paciente. Muitas pessoas conseguem manter suas atividades, mas à custa de um esforço físico e psicológico muito maior do que aparentam.


Após o diagnóstico, também é comum surgir uma cobrança para continuar sendo a mesma pessoa de antes. Muitos pacientes tentam manter o mesmo ritmo de vida, mesmo quando o corpo exige adaptações. Reconhecer limites, porém, não significa desistir, mas encontrar formas mais sustentáveis de preservar autonomia, qualidade de vida e projetos pessoais.


A doença também transforma a dinâmica familiar. Internações, tratamentos e possíveis limitações afetam a organização da casa, do trabalho e do cuidado com filhos e familiares. Em muitos casos, o sofrimento emocional está relacionado ao receio de perder a independência ou de se tornar um peso para aqueles que ama.


Como psicóloga e paciente com Neuromielite Óptica desde 2015, aprendi que o enfrentamento de uma doença crônica não significa voltar a ser quem se era antes, mas construir uma nova forma de viver. Costumo dizer que encontrei um "novo normal": uma vida com adaptações, mas também com sonhos, objetivos e possibilidades.


Cada pessoa percorre esse caminho de maneira diferente. Psicoterapia, apoio familiar, espiritualidade, grupos de pacientes e atividades que proporcionam sentido podem fortalecer o processo de adaptação. O importante é que a doença não se torne a única definição da identidade de quem convive com ela.


Falar sobre saúde mental na NMOSD também significa discutir acesso ao diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e tratamentos adequados. O cuidado emocional não pode ser separado das condições concretas que influenciam a vida do paciente.
A Neuromielite Óptica ensina que nem todo sofrimento é visível. Por trás dos exames, existem pessoas reconstruindo suas histórias, preservando sua autonomia e buscando continuar vivendo apesar dos desafios.


A saúde mental precisa fazer parte do cuidado integral. Afinal, uma pessoa com NMOSD é muito mais do que seu diagnóstico. Reconhecer essa dimensão invisível é um passo essencial para oferecer um cuidado mais humano, completo e digno.


*Karina Domingues é psicóloga, pós-graduada em Psicologia Hospitalar e mestre em Neuropsicolinguística. Convive com Neuromielite Óptica desde 2015 e atua na conscientização sobre a doença e no apoio às pessoas com NMOSD como cofundadora e vice-presidente da NMO Brasil.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Criança com doença autoimune não deve ficar desprotegida: o que os pais precisam saber sobre vacinação contra o sarampo

Quando uma criança recebe o diagnóstico de uma doença autoimune ou imunomediada, é comum que surjam dúvidas sobre a vacinação. E, diante da preocupação com a circulação do sarampo, uma pergunta aparece com frequência: meu filho pode tomar a vacina?

 

A resposta exige cuidado, mas não precisa gerar medo. Ter uma doença autoimune não significa, automaticamente, que a criança não possa ser vacinada. A decisão depende principalmente do estado imunológico, da atividade da doença e do tratamento utilizado naquele momento.

 

Essa avaliação é especialmente importante porque a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é produzida com vírus vivo atenuado. Em crianças com imunossupressão importante, ela pode ser contraindicada ou precisar ser adiada. Por outro lado, muitas vacinas inativadas são seguras e podem ser indicadas mesmo para pacientes que utilizam medicamentos imunossupressores.

 

É justamente aí que precisamos combater uma ideia que ainda causa muita confusão: usar imunossupressor não significa que todas as vacinas estejam proibidas.

 

Cada criança precisa ser avaliada individualmente. O médico deve considerar qual medicamento está sendo utilizado, a dose, o tempo de tratamento, quando foi administrada a última dose, o grau de imunossupressão, a atividade da doença e o histórico vacinal. Duas crianças com o mesmo diagnóstico podem, portanto, receber orientações diferentes.

 

Essa individualização não significa deixar a vacinação em segundo plano. Pelo contrário. Crianças com algumas doenças imunomediadas podem ter maior risco diante de determinadas infecções, seja pela própria condição, seja pelo tratamento utilizado. No caso do sarampo, essa preocupação é ainda maior: crianças menores de cinco anos estão entre os grupos com maior risco de complicações, que podem incluir pneumonia, otite, cegueira e encefalite.

 

Por isso, também precisamos olhar para o outro lado da decisão. O receio de uma reação vacinal não pode levar os pais a interromper a vacinação por conta própria. É necessário comparar os riscos de cada situação. Em muitos pacientes com doenças autoimunes, ficar desprotegido diante de uma infecção pode representar um risco maior do que aquele relacionado à vacinação.

 

Outro ponto importante é que algumas crianças com doenças imunomediadas podem apresentar uma resposta menor às vacinas. Isso reforça a importância de aproveitar as chamadas “janelas seguras”, quando a imunização pode ser realizada de maneira adequada, em vez de simplesmente evitar a vacina.

 

E o que fazer quando a caderneta está atrasada?

 

O primeiro passo é não tentar resolver a situação sozinho. A caderneta deve ser levada ao pediatra e ao especialista que acompanha a criança. Dependendo da situação, também pode ser necessária a avaliação de um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), que atende pacientes com condições clínicas que exigem cuidados específicos de imunização.

 

O ideal é reconstruir todo o histórico: quais vacinas já foram tomadas, quais estão pendentes, qual é o diagnóstico, quais medicamentos estão sendo utilizados e como está a atividade da doença. A partir daí, é possível definir o que pode ser feito naquele momento.

 

Também não é preciso esperar uma campanha de vacinação ou o surgimento de casos na cidade para conferir a caderneta. A prevenção começa antes.

 

Para as famílias que têm uma criança com doença autoimune, a mensagem que considero mais importante é justamente esta: não transforme a doença autoimune em uma proibição automática à vacinação. Da mesma forma, não tome a decisão de vacinar ou não vacinar sem conversar com a equipe que acompanha a criança.


O objetivo não é escolher entre proteção e segurança. É encontrar, para cada paciente, a maneira mais segura de garantir proteção.

 

E, especificamente quando falamos de sarampo, esse cuidado ganha ainda mais importância. É uma doença altamente contagiosa e que pode evoluir de forma grave. Por isso, diante de qualquer dúvida, vale abrir a caderneta, reunir as informações sobre os medicamentos em uso e conversar com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento da criança.

 

*Dra. Roberta Gomes é reumatologista pediátrica da Clínica IBIS.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Comer para viver mais e melhor: o papel da nutrição na construção da sua longevidade
Foto: Divulgação

Ao abrir a porta do meu consultório todos os dias, recebo pessoas com as mais diversas histórias, dores e objetivos, e a verdade é que nem sempre o ponto de partida é um cenário ideal de busca consciente por saúde. Atendo desde o paciente que chega assustado após um diagnóstico recente de hipertensão, até aquele que convive há anos com uma relação conturbada com a comida, exausto de efeito sanfona, ou o indivíduo que simplesmente se sente sem energia e não entende o porquê. 


A nutrição clínica não lida apenas com quem já decidiu se cuidar ou com quem quer somente perder peso. Na maioria das vezes, o trabalho começa no acolhimento de corpos cansados, inflamações crônicas e hábitos enraizados pelo estresse. À medida que comemoramos o Dia do Nutricionista em 31 de agosto, essa data ganha uma dimensão ainda mais profunda quando olhamos para a saúde sob a ótica da longevidade, mostrando que a alimentação é a ferramenta mais acessível para reorganizar a saúde, independentemente do estado em que o paciente se encontra hoje.


Na rotina do atendimento clínico, percebo com clareza como o conceito de longevidade precisa ser desmistificado. Envelhecer bem não é um privilégio de quem sempre teve uma vida perfeita, mas sim um processo contínuo de reparação e prevenção. Quando analiso os exames de sangue e a rotina de quem senta na minha frente, meu olhar como nutricionista busca identificar como combater a inflamação silenciosa e proteger o organismo contra o desgaste precoce. 


A verdadeira longevidade é construída ao longo do tempo, na escolha diária de alimentos densos em nutrientes, ricos em compostos bioativos, antioxidantes e fibras. Cada refeição orientada em consultório tem o poder de melhorar a resposta imunológica, preservar a saúde intestinal e garantir que os sistemas metabólicos voltem a funcionar com eficiência, permitindo que o corpo se recupere e ganhe resistência para os anos que virão.


Muitas vezes, durante os atendimentos, preciso desconstruir a ideia de que a consulta nutricional serve apenas para impor proibições ou prescrever dietas inalcançáveis. A prática clínica nos mostra que o terrorismo nutricional afasta as pessoas do que realmente importa: a consistência no básico bem feito. Escuto relatos de pacientes desanimados por acharem que para ter saúde precisam mudar a vida por completo de um dia para o outro. O meu papel como profissional é resgatar a simplicidade e a individualidade do plano alimentar, adaptando as necessidades nutricionais às limitações, aos gostos e à realidade de cada indivíduo. 


Quando ajustamos o consumo adequado de proteínas para preservar a massa magra, incentivamos a ingestão de gorduras boas para proteger a função cognitiva e garantimos o aporte de vitaminas e minerais essenciais, estamos construindo uma base sólida para a autonomia física na maturidade.


Neste Dia do Nutricionista, reforço que a celebração da nossa profissão passa pelo impacto transformador e realista que exercemos no dia a dia do consultório. Acompanhar a evolução de um paciente que chega desmotivado e, aos poucos, recupera a disposição, melhora os marcadores metabólicos e descobre o prazer de se alimentar sem culpa é a maior confirmação do valor da nutrição preventiva. Cuidar do que comemos não é uma questão de estética ou de promessas milagrosas, mas sim o investimento mais seguro que podemos fazer na nossa qualidade de vida. 


Ao aliar o conhecimento científico à escuta atenta na rotina clínica, ajudamos a transformar a relação das pessoas com o próprio corpo, mostrando que a nutrição é o caminho para recuperar a vitalidade hoje e garantir uma vida longa e funcional amanhã.


*Paulo Telles é nutricionista da Clínica SiM, pós-graduado em Nutrição Clínica, Nutrição com Ênfase em Materno-Infantil e Nutrição com Bases em Gerontologia.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Cuidar de quem cuida também é parte do cuidado

Por Milena Lima

Cuidar de quem cuida também é parte do cuidado
Foto: Divulgação

Há uma dimensão do trabalho que nem sempre aparece nos indicadores, nos protocolos ou nas descrições de cargo: a dimensão humana. Em ambientes de alta exigência, como os hospitais, lembrar disso deixou de ser apenas uma escolha de cultura organizacional. É uma necessidade.

 

Quem trabalha na área da saúde convive diariamente com histórias, expectativas, dúvidas, sofrimento e, muitas vezes, situações que exigem decisões rápidas e equilíbrio emocional. Mas, antes de ser médico, enfermeiro, recepcionista, maqueiro, profissional de serviços gerais ou integrante de uma área administrativa, existe uma pessoa. E essa pessoa também precisa ser ouvida.

 

Quando falamos em experiência do paciente, é comum pensarmos imediatamente no atendimento que ele recebe. Mas essa jornada começa muito antes de uma consulta, de um procedimento ou de uma conversa com um profissional. Ela é construída a cada contato, em cada ambiente, em cada gesto. Por isso, também passa pela forma como as pessoas envolvidas nesse percurso se relacionam, se comunicam e compreendem o propósito do próprio trabalho.

 

É nesse contexto que iniciativas de escuta ganham relevância. Criar espaços para conversar, compartilhar vivências e ouvir quem está no cotidiano da assistência permite enxergar situações que, na rotina acelerada, podem passar despercebidas.

 

O "Acolher quem Acolhe" nasceu com essa perspectiva. Os encontros presenciais reúnem equipes de diferentes áreas e categorias para falar sobre propósito, missão, visão e valores, mas também para compartilhar casos vividos por pacientes, discutir situações do cotidiano e refletir sobre o papel de cada pessoa dentro da jornada de cuidado.

 

Não se trata apenas de falar sobre a função. Trata-se de olhar para o ser humano que existe por trás dela e que faz ela acontecer.

 

Essa mudança de perspectiva é especialmente importante em um ambiente hospitalar. O cuidado é coletivo. Não pertence exclusivamente a quem está diante do paciente. A jornada também é influenciada por quem recebe, orienta, conduz, transporta, organiza, apoia ou simplesmente estabelece um contato ao longo do caminho.

 

Por isso, acolher não pode ser entendido como tarefa de uma única área. É uma atitude que precisa atravessar as relações e fazer parte da cultura.

 

Também precisamos reconhecer que escutar não significa necessariamente ter respostas imediatas para todas as situações. Muitas vezes, o primeiro passo é permitir que as pessoas expressem o que vivem, compartilhem suas percepções e compreendam que essas percepções têm espaço dentro da organização.

 

Quando existe escuta, existe a possibilidade de compreender melhor. Quando existe compreensão, podemos buscar caminhos mais adequados para lidar com os desafios.

 

Em mais de um ano de atuação, o "Acolher quem Acolhe" já percorreu diferentes cidades brasileiras e reuniu aproximadamente 4 mil participantes. A chegada a novas frentes de atuação representa mais uma oportunidade de levar essa reflexão a quem vive, todos os dias, diferentes momentos dessa jornada.

 

O desafio está justamente em não perder de vista aquilo que nenhuma tecnologia, protocolo ou processo substitui: pessoas cuidam de pessoas.

 

Em uma época em que tanto se fala sobre produtividade, desempenho e resultados, talvez seja necessário recuperar uma pergunta mais simples: como estão as pessoas que fazem tudo isso acontecer?

 

Cuidar de quem cuida não significa afastar ninguém de sua responsabilidade. Pelo contrário. Significa reconhecer que oferecer um cuidado de qualidade também depende de relações mais conscientes, de comunicação, de empatia e de espaços em que cada pessoa possa ser vista para além de sua função.

 

No fim, o cuidado que queremos oferecer ao paciente começa também em como cuidamos de quem está ao seu lado. E talvez essa seja uma das formas mais importantes de entender o acolhimento: antes de cuidar melhor, precisamos lembrar que, em qualquer posição dentro de um hospital, continuamos sendo humanos.

 

*Milena Lima é gerente nacional de Experiência do Paciente da Hapvida e idealizadora do programa "Acolher quem Acolhe"

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Esclerose múltipla: quando normalizar sintomas pode custar tempo de tratamento
Foto: Divulgação

Há sintomas com que aprendemos a conviver sem questionar. O cansaço depois de uma rotina intensa parece consequência natural dos dias corridos. Um formigamento pode ser atribuído à postura. Uma alteração visual, ao excesso de telas. Quando esses sinais aparecem em pessoas jovens, previamente saudáveis, é ainda mais comum procurar uma explicação simples para aquilo que o corpo está comunicando.

 

O problema começa quando essa normalização faz com que sintomas neurológicos persistentes ou recorrentes deixem de ser investigados.

 

A esclerose múltipla é um exemplo importante. A doença é diagnosticada principalmente em adultos jovens, frequentemente entre 20 e 40 anos, e pode se manifestar de diferentes formas. Alterações na visão, dormência, formigamentos, perda de força, desequilíbrio, dificuldades para caminhar e alterações urinárias estão entre os possíveis sinais. A fadiga também merece atenção especial: em alguns pacientes, não se trata apenas de cansaço, mas de uma exaustão desproporcional à atividade realizada, capaz de interferir no trabalho, nos estudos e na rotina.

 

Isso não significa que qualquer formigamento ou alteração visual seja esclerose múltipla. Na realidade, esses sintomas podem ter diversas causas. O que deve despertar atenção é o padrão: uma manifestação neurológica nova, sem explicação evidente, que persiste, interfere na função ou volta a acontecer. Quando diferentes sintomas aparecem em momentos distintos, também é importante investigar.

 

É justamente nesse ponto que precisamos rever a maneira como lidamos com o estresse e a ansiedade. Ambos podem produzir ou intensificar sintomas físicos e não devem ser desconsiderados. O problema está em transformá-los automaticamente na explicação para qualquer manifestação recorrente.

 

Na prática, um jovem que apresenta formigamento pode pensar que ficou muito tempo em determinada posição. Uma pessoa exausta pode atribuir a fadiga ao trabalho. Uma alteração visual pode ser colocada na conta do excesso de telas. Quando esses episódios passam e retornam semanas ou meses depois, a impressão de que não há nada importante acontecendo pode se fortalecer.

 

Esse comportamento pode atrasar uma avaliação especializada e, consequentemente, o diagnóstico.

 

Hoje sabemos que existe uma janela de oportunidade terapêutica nos primeiros anos da esclerose múltipla. Mesmo quando um paciente se recupera aparentemente bem de um surto, pode haver atividade inflamatória e dano neurológico acontecendo de maneira silenciosa. O tratamento iniciado precocemente pode reduzir novos surtos, novas lesões na ressonância magnética e o risco de acúmulo de incapacidade ao longo do tempo.

 

A boa notícia é que também avançamos muito na capacidade de diagnosticar e tratar a doença. A investigação combina história clínica, exame neurológico e exames complementares, como ressonância magnética e, em determinadas situações, análise do líquor e outros testes  específicos. Os critérios internacionais de diagnóstico passaram por atualizações recentes, incorporando novos conhecimentos que podem contribuir para diagnósticos mais precoces e precisos.

 

Também mudou a perspectiva de quem recebe o diagnóstico. Esclerose múltipla não deve ser encarada como uma sentença de incapacidade. Existem pacientes que continuam trabalhando, estudando, praticando atividade física, viajando e mantendo uma vida ativa por muitos anos. O acompanhamento regular e as terapias modificadoras da doença transformaram as perspectivas de longo prazo.

 

Por isso, falar sobre esclerose múltipla também é falar sobre tempo. Tempo para reconhecer um sinal, buscar avaliação ou chegar ao diagnóstico. E tempo para iniciar o tratamento adequado.

 

No Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, em 30 de agosto, precisamos ir além de falar sobre a doença e discutir  a importância de escutar o próprio corpo. Nem todo sintoma deve ser transformado em motivo de preocupação, mas é preciso compreender que aquilo que insiste em voltar merece ser investigado.

 

Não normalize um sintoma neurológico que permanece sem explicação ou insiste em voltar. Nem todo formigamento, alteração visual ou episódio de tontura será esclerose múltipla. Mas sintomas neurológicos recorrentes devem ser avaliados. Em neurologia, reconhecer a doença mais cedo pode significar preservar função e qualidade de vida.

 

*Eduardo Cardoso é neurologista da Clínica IBIS

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Muito além do pulmão: o que a poluição do ar tem a ver com o câncer de mama
Foto: Divulgação

Quando pensamos nos efeitos da poluição do ar sobre a saúde, é comum associá-los principalmente a doenças respiratórias e ao câncer de pulmão. Essa relação é bem estabelecida pela ciência. No entanto, o conhecimento sobre os impactos da exposição aos poluentes atmosféricos tem avançado, e novas pesquisas apontam para possíveis associações entre a má qualidade do ar e o desenvolvimento de outros tipos de câncer, incluindo o câncer de mama.

 

O tema ganha especial relevância durante o Agosto Branco, mês de conscientização sobre o câncer de pulmão. É justamente nesse contexto que vale ampliar a discussão: a poluição atmosférica não deve ser compreendida apenas como um problema respiratório, mas como uma questão que pode afetar diferentes sistemas do organismo e que merece atenção também sob a perspectiva da prevenção do câncer.

 

A Organização Mundial da Saúde considera a poluição do ar um dos grandes desafios de saúde pública da atualidade. Entre os principais poluentes atmosféricos estão o material particulado fino, conhecido como PM2,5, e o dióxido de nitrogênio (NO?), presentes em diferentes concentrações nos ambientes urbanos e associados, entre outras fontes, ao tráfego de veículos, às atividades industriais e às queimadas.

 

Mas de que forma um problema ambiental poderia estar relacionado ao câncer de mama?

 

A explicação está nos efeitos que determinados poluentes podem produzir no organismo quando a exposição ocorre de maneira prolongada. O contato contínuo com essas substâncias pode favorecer processos de inflamação crônica e estresse oxidativo, mecanismos capazes de contribuir para danos celulares e alterações no material genético. Alguns componentes da poluição atmosférica também podem apresentar atividade semelhante à de substâncias que interferem no sistema hormonal.

 

No caso do câncer de mama, essa possibilidade é especialmente relevante porque determinados tumores são influenciados pela ação de hormônios, como o estrogênio. Dessa forma, a investigação científica passou a considerar não apenas os fatores genéticos e comportamentais tradicionalmente associados à doença, mas também a influência de fatores ambientais aos quais estamos expostos ao longo da vida.

 

Grandes estudos epidemiológicos vêm contribuindo para esse entendimento. Uma pesquisa que acompanhou mais de 58 mil mulheres durante quase duas décadas identificou uma maior incidência de câncer de mama entre aquelas expostas a níveis mais elevados de material particulado fino (PM2,5). Outros trabalhos também encontraram associações entre a exposição à poluição atmosférica e o risco da doença.

 

É importante, entretanto, interpretar esses resultados com cautela. A existência de uma associação estatística não significa que a poluição seja, isoladamente, responsável pelo surgimento do câncer de mama. O desenvolvimento de um tumor é um processo complexo, que resulta da interação de múltos fatores ao longo do tempo.

 

Genética, idade, histórico familiar, características hormonais, excesso de peso, consumo de álcool, sedentarismo e tabagismo, entre outros fatores, podem participar dessa equação. A exposição à poluição deve ser compreendida como um possível componente adicional desse conjunto de riscos, e não como uma causa única.

 

Essa discussão também evidencia uma diferença importante entre fatores de risco individuais e fatores ambientais. É possível decidir não fumar, reduzir o consumo de álcool, praticar atividade física e manter uma alimentação equilibrada. Já a qualidade do ar que respiramos depende, em grande medida, das condições ambientais e das políticas adotadas nas cidades.

 

Por isso, discutir poluição atmosférica também é discutir saúde pública.

 

No âmbito individual, algumas medidas podem contribuir para reduzir a exposição em determinados contextos. Acompanhar os índices de qualidade do ar, evitar exercícios ao ar livre em períodos de maior concentração de poluentes, reduzir a exposição à fumaça de queimadas e, quando possível, escolher trajetos menos movimentados são estratégias que podem ajudar.

 

Entretanto, essas medidas têm alcance limitado quando comparadas à necessidade de políticas públicas voltadas à redução da emissão de poluentes. Melhorar a mobilidade urbana, ampliar o controle das emissões industriais, combater queimadas e investir em fontes de energia e transportes menos poluentes são ações que podem produzir benefícios coletivos muito mais amplos.

 

Enquanto a ciência continua investigando com maior precisão a relação entre poluição atmosférica e câncer de mama, não devemos perder de vista aquilo que já sabemos sobre prevenção. Manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool e seguir as recomendações médicas para rastreamento e acompanhamento são medidas importantes para reduzir riscos e favorecer o diagnóstico precoce.

 

A prevenção do câncer precisa ser compreendida de maneira cada vez mais ampla. Ela envolve nossas escolhas, nossa genética, nossos hábitos e também o ambiente em que vivemos.

 

Se a qualidade do ar pode influenciar nossa saúde de maneira tão abrangente, cuidar do ambiente também é, em última análise, uma forma de cuidar da saúde. E ampliar esse olhar é fundamental para que a prevenção do câncer não se limite ao consultório, mas também alcance os espaços onde vivemos, trabalhamos e respiramos.

 

*Ive Lima é Oncologista — CRM 26500

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Tempo muda, nariz sente: como o clima afeta a saúde respiratória das crianças
Foto: Arquivo Pessoal

É comum ouvir dos pais que seus filhos “ficam gripados quando o tempo muda”. Em muitos casos, porém, não estamos diante de uma infecção. As variações de temperatura e umidade podem funcionar como gatilhos para crises de rinite e outras alterações das vias respiratórias, especialmente em crianças que já apresentam maior sensibilidade nasal.


Em Salvador, mesmo com um inverno de temperaturas mais amenas, temos períodos de chuva, sol, aumento da umidade e variações térmicas ao longo do dia. Essa combinação pode contribuir para o aparecimento ou agravamento de sintomas como nariz entupido, coriza, espirros, tosse e irritação na garganta.


Outro fator que merece atenção é a permanência em ambientes fechados durante os períodos de chuva. Com portas e janelas fechadas por mais tempo, pode haver maior concentração de poeira, ácaros e mofo, elementos capazes de desencadear ou intensificar sintomas em crianças alérgicas.


Quando o nariz permanece obstruído por muito tempo, a criança pode começar a respirar pela boca, roncar e apresentar alterações na qualidade do sono. E dormir bem durante a infância é fundamental não apenas para o descanso, mas também para o desenvolvimento, o aprendizado e o bem-estar.


Uma dúvida frequente dos pais é como diferenciar rinite de gripe. Na rinite, são comuns espirros repetidos, coriza geralmente clara, coceira no nariz e nos olhos e obstrução nasal. Já os quadros infecciosos podem vir acompanhados de febre, mal-estar, dor de garganta e tosse. Ainda assim, os sintomas podem se sobrepor e não devem ser utilizados isoladamente para definir um diagnóstico.


Por isso, é importante observar a frequência e a duração dos sintomas. Uma criança que apresenta nariz constantemente entupido, respira pela boca, ronca com frequência, tem tosse recorrente ou sofre repetidamente com problemas respiratórios merece uma avaliação médica.


Também é importante lembrar que não existe uma fórmula única para todas as crianças. O mesmo estímulo pode desencadear sintomas diferentes em cada paciente. E, às vezes, sintomas semelhantes podem estar relacionados a problemas completamente diferentes.


A prevenção começa com cuidados simples: manter os ambientes limpos e arejados, evitar o acúmulo de poeira e mofo, incentivar a hidratação e realizar lavagem nasal quando indicada pelo médico. Crianças que já possuem diagnóstico de rinite, sinusite ou outras doenças respiratórias devem manter o acompanhamento médico regular e seguir corretamente o tratamento prescrito.


Como otorrinolaringologista, acredito que um dos principais desafios seja ajudar as famílias a compreenderem que sintomas recorrentes não precisam fazer parte da rotina da criança. Nem todo nariz entupido é gripe, assim como nem todo problema respiratório deve ser atribuído simplesmente à mudança de tempo.


Mais importante do que tratar apenas o sintoma quando ele aparece é entender por que ele está acontecendo e, quando necessário, estabelecer uma estratégia de prevenção. Afinal, cuidar da respiração é também cuidar do sono, da disposição, do aprendizado e da qualidade de vida das nossas crianças.

 

*Flávia Perrucho é médica e Mestre em Tecnologias em Saúde pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (CRM-BA 23831) e Otorrinolaringologista pela ABORL/CCF (RQE 13622). 
Tem atuação clínica e cirúrgica para adultos e crianças dentro da otorrinolaringologia, com foco no atendimento ao público infantil.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

A vida é um aluguel. Então por que vivemos como se fôssemos donos de tudo?
Foto: Divulgação

Sempre que compartilho nas redes sociais uma reflexão que me acompanha há muitos anos: “A vida é um aluguel”, recebo dezenas de mensagens de leitores desconfortáveis com essa ideia. Curiosamente, ela produz em mim o efeito contrário. Quanto mais penso nisso, mais leve me sinto.


Pode parecer estranho começar um artigo sobre felicidade, minha especialidade, falando de impermanência, mas é justamente aí que mora uma das maiores libertações que conheço.


Nada do que hoje chamamos de “meu” realmente nos pertence. A casa onde moramos, a empresa que construímos, o cargo que ocupamos, o dinheiro que acumulamos, o carro que dirigimos e até este corpo que agora nos permite viver tantas histórias, tudo isso apenas passa pelas nossas mãos durante um determinado tempo.


Ainda assim, passamos boa parte da vida apegados àquilo que nunca foi, nem nunca será, nosso.


Vivemos numa sociedade que nos ensinou a acumular de patrimônio a títulos, de seguidores, a compromissos. Quanto mais temos, mais acreditamos que precisamos ter. O curioso é que, ao mesmo tempo em que o mundo nunca ofereceu tantas possibilidades, também nunca registrou índices tão altos de ansiedade, esgotamento e adoecimento emocional.


Sempre proponho aos meus alunos um exercício que costuma reorganizar prioridades. Imagine o mundo daqui a cento e cinquenta anos.


É muito provável que nenhum de nós esteja aqui. Nossa casa, se ainda existir, terá outros moradores. Nossa empresa terá outros gestores. As roupas que hoje guardamos com tanto cuidado já terão desaparecido. As fotografias digitais poderão nem existir mais. A maioria das pessoas sequer saberá que passamos por este mundo.


Não escrevo isso para diminuir a importância da vida. Escrevo exatamente pelo motivo oposto: quando percebemos que o tempo é limitado, cada escolha passa a ter muito mais valor.


Longe de ser uma ideia triste, essa talvez seja uma das mais bonitas, porque, quando entendemos que somos passageiros, deixamos de perguntar apenas “o que ainda preciso conquistar?” e começamos a perguntar “o que vale a pena deixar?”.


E é interessante perceber como a própria ciência começou a caminhar nessa direção. Aliás, existe uma curiosidade que ilustra perfeitamente essa mudança de perspectiva.


Um bom exemplo é a famosa Pirâmide de Maslow. Lembra? Pois é… Abraham Maslow nunca desenhou aquela pirâmide. Ela foi criada posteriormente para representar sua teoria e acabou ficando mais famosa do que o próprio autor imaginaria. O curioso é que a maior descoberta de Maslow veio depois.


Nos últimos anos de vida, ao estudar pessoas que considerava verdadeiramente realizadas, ele percebeu que todas tinham algo em comum: deixavam de colocar o próprio ego no centro da existência. Daí nasceu o conceito de autotranscendência, publicado posteriormente em seus escritos póstumos e aprofundado, décadas depois, no livro Transcend. Em outras palavras, depois de desenvolver quem somos, passamos a perguntar como nossos talentos podem servir a algo maior do que nós.


Talvez seja justamente por isso que tantas pessoas alcancem o que imaginavam ser sucesso e, ainda assim, continuem sentindo um vazio difícil de explicar. A pergunta deixa de ser apenas “quem eu posso me tornar?” e passa a ser muito mais profunda: “para quem eu posso me tornar essa pessoa?”.


Quando começamos a gerar valor para outras pessoas, acontece algo curioso. A lógica muda. Em vez de medir o tamanho do patrimônio, começamos a medir o tamanho do impacto. Desapego, então, deixa de significar abrir mão. Passa a significar compreender que somos guardiões, e não proprietários.


Continuamos trabalhando, empreendendo e realizando sonhos. A diferença é que deixamos de medir nossa vida pelo que acumulamos e passamos a medi-la pelas pessoas que desenvolvemos, pelos ambientes que tornamos mais humanos e pelas oportunidades que criamos.


É justamente por a vida ser um aluguel que ela tem tanto valor. Continuamos cuidando do patrimônio, da carreira e dos sonhos, mas sabendo que bens mudam de dono. O bem que geramos, esse sim, continua viajando pelas gerações.


Foi dessa inquietação, muito mais do que da vontade de escrever outro livro, que nasceu Humanamente, minha sexta obra na área de Felicidade, escrita em parceria com especialistas em felicidade formados pelo Instituto Happiness do Brasil e com lançamento previsto para outubro, durante o Book Tour Bahia. Um livro que nasceu da mesma pergunta que inspirou este artigo: se estamos apenas de passagem, o que realmente merece ocupar o centro da nossa existência?


*Sandra Teschner é baiana e uma das principais especialistas brasileiras em Ciência da Felicidade. Fundadora do Instituto Happiness do Brasil, idealizadora do Happiness Brasil Summit, certificadora internacional em parceria com a MUST University, atua no Brasil, nos Estados Unidos e na Alemanha formando líderes, educadores e especialistas em felicidade. É autora de seis obras dedicadas ao bem-estar, à felicidade e ao desenvolvimento humano.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Silenciosas, mas tratáveis: o perigo de ignorar os primeiros sinais das doenças neurológicas autoimunes
Foto: Rafa Mattei / Divulgação

Vivemos em uma rotina cada vez mais acelerada. O excesso de compromissos, as jornadas de trabalho extensas e a sobrecarga emocional fizeram com que o cansaço passasse a ser visto como algo natural. Com isso, muitos sintomas acabam sendo normalizados. Formigamentos, alterações na visão, perda de força, tonturas, dificuldades de equilíbrio e até episódios de confusão mental são frequentemente atribuídos ao estresse ou à falta de descanso.

 

Embora, em alguns casos, esses fatores realmente possam influenciar o funcionamento do organismo, essa não pode ser a única explicação para sintomas que persistem, se repetem ou passam a interferir na rotina. O corpo costuma dar sinais quando algo não está bem, e ignorá-los pode atrasar diagnósticos importantes.

 

Existe uma percepção bastante comum de que doenças neurológicas sempre se manifestam de forma súbita e intensa, como acontece em um acidente vascular cerebral (AVC). A realidade, porém, é diferente. Diversas condições neurológicas se desenvolvem de maneira gradual, com sintomas discretos que aparecem, desaparecem e, justamente por isso, acabam sendo negligenciados.

 

Entre essas doenças estão algumas condições imunomediadas, nas quais o sistema imunológico deixa de exercer apenas sua função de defesa e passa a atacar estruturas do próprio organismo. Quando esse processo envolve o sistema nervoso, a inflamação pode atingir o cérebro, a medula espinhal ou os nervos periféricos, comprometendo funções essenciais do corpo.

 

Doenças como esclerose múltipla, neuromielite óptica, encefalites autoimunes e outras enfermidades inflamatórias do sistema nervoso representam exemplos de situações em que o diagnóstico precoce faz diferença. Quanto mais cedo essas condições são identificadas, maiores são as possibilidades de controlar a atividade da doença, reduzir o risco de sequelas e preservar a qualidade de vida do paciente.

 

Na prática clínica, é comum encontrar pessoas que conviveram durante meses — e, algumas vezes, anos — com sintomas antes de procurar atendimento especializado. Muitos acreditam que o problema desaparecerá espontaneamente. Outros associam tudo ao estresse, à ansiedade ou ao excesso de trabalho. Há ainda quem procure ajuda apenas quando as limitações passam a comprometer atividades simples do dia a dia.

 

Esse atraso pode ter consequências importantes. Em muitas doenças imunomediadas, a inflamação contínua provoca lesões que podem se tornar permanentes quando o tratamento não é iniciado no momento adequado.

 

A boa notícia é que a neurologia evoluiu de forma significativa nos últimos anos. Hoje contamos com exames mais precisos, capazes de identificar alterações com maior rapidez, além de terapias cada vez mais específicas, que permitem controlar a atividade dessas doenças e oferecer aos pacientes uma perspectiva muito mais positiva do que existia há algumas décadas.

 

No entanto, nenhum avanço tecnológico substitui a atenção aos sinais do próprio organismo. Sintomas persistentes ou recorrentes nunca devem ser encarados como algo "normal" apenas porque fazem parte de uma rotina intensa.

 

Cuidar da saúde neurológica também significa ouvir o que o corpo tenta comunicar. Procurar avaliação especializada não significa esperar o pior, mas oferecer ao organismo a oportunidade de receber um diagnóstico correto e, quando necessário, iniciar o tratamento no momento em que ele pode fazer mais diferença.

 

No Dia Mundial do Cérebro, a principal reflexão talvez seja justamente essa: aprender a reconhecer que nem todo sintoma merece ser apenas tolerado. Em neurologia, muitas vezes, o tempo é um dos fatores mais importantes para preservar funções, autonomia e qualidade de vida.

 

*Daniel Abreu é neurologista da Clínica IBIS

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Entrevistas

Amamentação exige informação, apoio e assistência qualificada, diz especialista

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo
Para tratar sobre a importância de amamentar, o Bahia Notícias conversou com a coordenadora do banco de leite da Maternidade de Referência Prof.