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A Nobreza do Amor encerra trajetória com celebração à cultura africana

Por Isabella Venâncio

A Nobreza do Amor encerra trajetória com celebração à cultura africana
Foto: Gilvan Araújo / BN Hall

Salvador foi palco de um encontro especial para celebrar o encerramento de A Nobreza do Amor, novela das seis da TV Globo. Os autores Elísio Lopes Jr., Júlio Fischer e Duca Rachid reuniram integrantes do elenco e da equipe da produção na capital baiana para assistir juntos ao último capítulo da trama, em uma noite marcada pela celebração da teledramaturgia e pela valorização da ancestralidade africana e da cultura afro-brasileira.

 

A escolha de Salvador para receber o encontro tem uma relação direta com a proposta da novela. Com uma narrativa que aproxima referências africanas e nordestinas, a produção trouxe personagens negros ao centro da história e abordou questões relacionadas à identidade, à resistência e à herança cultural que conecta o continente africano ao Brasil. A capital baiana, reconhecida pela forte presença da cultura afro-brasileira, também tem um significado particular para parte dos profissionais envolvidos no projeto.

 

Baiano, o autor Elísio Lopes Jr. destacou a influência de suas vivências em Salvador na construção da história e dos elementos culturais apresentados na novela. Em entrevista ao BN Hall, ele contou que a relação com a ancestralidade e com a cultura negra, desenvolvida ao longo de sua trajetória, foi fundamental para dar forma à narrativa.

 

“Muito da minha ancestralidade, muito do que eu aprendi de cultura preta, da beleza de ser preto, da beleza dos adereços, da nossa cultura e de tudo o que a gente manifesta esteticamente, eu aprendi aqui. Então, quando a gente cria uma fábula como A Nobreza do Amor, obviamente estou usando a minha memória emotiva, o que aprendi de ser quem sou”, afirmou.

 

A presença de artistas baianos também reforçou a conexão da produção com o território. A atriz Emanuelle Araújo, que interpreta Marta, ressaltou a importância de uma obra que tem como propósito homenagear as raízes africanas e reconheceu a influência da cultura afro-baiana em sua formação pessoal e artística.

 

“É uma novela que tem como grande objetivo honrar e saudar a nossa herança africana. Eu, que sou totalmente moldada por essa herança aqui na Bahia, acredito que a cultura africana é algo que faz a gente ser gente, ser pessoa. Eu me tornei artista totalmente moldada nos ritmos afro-baianos e na cultura afro-baiana”, declarou.

 

Também baiana, Rita Batista, que dá vida à personagem Ladissa, falou sobre a construção da narrativa e a importância da resistência na trajetória de sua personagem. “Ladissa, desde que entrou na novela, a gente tinha entendido que a vida dela seria pautada pela resistência”, destacou.

 

Foto: Gilvan Araújo / BN Hall

 

A autora Duca Rachid também comentou a proposta de representação da ancestralidade africana na trama e a reflexão que orientou parte da construção da história. Para ela, a novela abriu espaço para apresentar ao público referências da realeza e da cultura africanas que ainda têm pouca presença na teledramaturgia brasileira.

 

“E a gente pensou assim: poxa, mas por que a gente ainda não fez uma novela na África? Por que a gente não mostrou essa nobreza africana que sempre existiu? Acho que a importância disso é mostrar do que a gente é constituído. A gente é constituído dessa cultura e dessa nobreza”, afirmou.

 

O autor Júlio Fischer também avaliou o impacto da experiência para sua trajetória profissional e destacou o aprofundamento nas referências históricas e culturais africanas durante o desenvolvimento da novela. Segundo ele, o contato com essa temática deixou marcas que devem acompanhar os próximos projetos da equipe.

 

"A Nobreza do Amor foi um mergulho que vai me acompanhar pelo resto da vida nessa questão da ancestralidade negra. A gente realmente mergulhou fundo na história de África. Acho que A Nobreza do Amor plantou na gente referências que vão nos acompanhar nos próximos trabalhos. Com certeza, ela está no nosso DNA agora”, afirmou.

 

A reunião em Salvador marcou o encerramento de um trabalho que levou para a televisão uma narrativa atravessada por referências históricas, culturais e identitárias. 

 

A celebração contou ainda com uma participação especial do Ilê Aiyê, que levou ao encontro a força da música e da cultura afro-baiana em uma apresentação artística marcada pela valorização da ancestralidade africana, reforçando a conexão entre a proposta da novela e as raízes culturais da Bahia.

 

Foto: Gilvan Araújo / BN Hall

 

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