Artigos
Jabuti não sobe em árvore
Multimídia
Cezar Leite afirma que título a Flávio Bolsonaro sofreu ataques por causa das eleições
Entrevistas
Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
policia federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a transferência imediata do cidadão russo Sergei Kotelnikov para o sistema prisional do Estado da Bahia. Procurado pelas autoridades de seu país de origem por tráfico de drogas em grande escala, organização criminosa e falsificação de documentos, ele foi preso pela Polícia Federal no dia 10 de outubro de 2026, em Salvador.
A transferência ocorre a partir de uma solicitação da Polícia Federal, que alegou que as celas da Superintendência da PF em Salvador são inadequadas para a custódia prolongada dos detentos, e defendeu o encaminhamento de Sergei para um presídio estadual sob a gestão da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap-BA).
Anteriormente, Nunes Marques já havia negado um pedido de permuta entre estados, que pedia a troca de Sergei por um detento custodiado no Espírito Santo, onde o acusado já responde uma ação penal paralela. Na ocasião, o STF destacou que não realiza troca direta de presos sob execução definitiva e condicionou qualquer transferência futura a uma avaliação conjunta de vagas e segurança entre as secretarias penitenciárias da Bahia (Seap-BA) e do Espírito Santo (Sejus-ES).
Por outro lado, o ministro deferiu o pedido para que Kotelnikov realize videochamadas com familiares residentes na Rússia, respeitadas as normas técnicas e de segurança da unidade prisional baiana.
Para o andamento do procedimento extradicional, o STF oficiou o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Justiça para confirmarem se o Governo da Rússia formalizou o pedido definitivo dentro do prazo legal de 90 dias previstos no tratado bilateral.
Também foi acionado o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) para informar a situação atual de um pedido de refúgio apresentado pelo estrangeiro, instrumento que pode impactar o processo. Paralelamente, a defesa do russo desistiu de recursos anteriores e manifestou o interesse do cliente em retornar voluntariamente à Federação da Rússia.
O ex-zagueiro Réver, atualmente auxiliar técnico do Red Bull Bragantino, foi detido pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (4), no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, por uma dívida de aproximadamente R$ 150 mil relacionada ao pagamento de pensão alimentícia. O ex-jogador foi liberado ainda no mesmo dia, após a quitação do valor devido, segundo informações da corporação.
O mandado de prisão foi expedido pela 9ª Vara de Família de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Réver foi identificado pela Polícia Federal durante sua passagem pelo aeroporto da capital gaúcha, onde os agentes constataram a existência de uma ordem judicial em aberto.
A decisão previa prisão por até 30 dias ou até a regularização da dívida. O ex-atleta foi encaminhado à sede da PF em Porto Alegre e, após o pagamento, recebeu o alvará de soltura no fim da tarde.
A Polícia Federal esclareceu que a prisão tinha natureza civil, e não criminal. Esse tipo de medida é previsto na legislação brasileira como forma de exigir o cumprimento de obrigações relacionadas à pensão alimentícia.
Após a divulgação do caso, a defesa de Réver publicou um comunicado afirmando que a situação envolve um processo de revisão do valor da pensão alimentícia, iniciado após o encerramento da carreira profissional do ex-zagueiro.
Segundo os advogados, o ex-jogador procurou a Justiça para adequar o valor da obrigação financeira à sua nova atividade profissional, depois de não conseguir um acordo entre as partes.
A defesa também apresentou uma versão diferente da informada pela Polícia Federal. De acordo com os representantes do ex-atleta, Réver tomou conhecimento do mandado durante a viagem, mas a ordem teria sido revogada após esclarecimentos jurídicos.
"Réver não foi preso em nenhum momento", afirmou a defesa no comunicado.
A declaração contrasta com as informações fornecidas pela Polícia Federal, que confirmou o cumprimento do mandado e a posterior liberação do ex-jogador.
Réver encerrou sua carreira como jogador no fim de 2023, aos 38 anos. Após a aposentadoria, passou a trabalhar como coordenador de transição do Atlético-MG, clube pelo qual conquistou a Libertadores de 2013.
Em agosto de 2024, deixou o cargo para integrar a comissão técnica de Vagner Mancini. Atualmente, os dois trabalham no Red Bull Bragantino, onde chegaram no fim de outubro.
Durante a carreira como atleta, Réver defendeu clubes como Paulista de Jundiaí, Grêmio, Wolfsburg, Atlético-MG, Internacional e Flamengo.
No Atlético-MG, teve duas passagens e conquistou 12 títulos, incluindo a Libertadores de 2013 e a Copa do Brasil de 2014. O ex-defensor também conquistou o Campeonato Brasileiro de 2021 e a Copa do Brasil do mesmo ano pelo clube mineiro.
Em novo julgamento derivado da Operação Faroeste, realizado nesta quarta-feira (4), a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo à pena de 14 anos e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo disputas de terras no oeste da Bahia.
Segundo as investigações, Sandra Inês seria uma das responsáveis pelo "comando intelectual" do grupo criminoso, revisando as minutas de decisões que beneficiariam empresas e orientando a fundamentação jurídica para dar às decisões aparência de legalidade. Por unanimidade, o colegiado também decretou a perda do cargo público da magistrada, com a conversão da medida na cassação de sua aposentadoria compulsória e dos respectivos proventos.
Na mesma sessão, a Corte Especial condenou, pelos delitos de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, o advogado e filho da desembargadora, Vasco Rusciolelli Azevedo, à pena de 13 anos e 11 meses de prisão, em regime inicial fechado.
Também foram condenados pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de capitais:
- O empresário Nelson José Vigolo — 4 anos e 1 mês de prisão, em regime semiaberto domiciliar.
- O advogado Vanderlei Chilante — 4 anos e 11 meses de prisão, em regime semiaberto,
"A corrupção praticada por magistrado possui impacto institucional singular, atinge a confiança coletiva na imparcialidade da jurisdição, compromete a credibilidade judicial e enfraquece as instituições estatais", afirmou o relator da ação penal, ministro Og Fernandes.
De acordo com o ministro, a estrutura do esquema foi comprovada por meio de monitoramentos realizados pela Polícia Federal (PF) no âmbito de ação controlada – tática usada pela polícia para apurar a prática de crime em andamento e colher as provas necessárias. Por meio do monitoramento, a PF identificou, por exemplo, o transporte de R$ 250 mil entre Rondonópolis (MT) e a cidade de Salvador – o valor acabou apreendido pelos agentes federais na casa da desembargadora e de seu filho.
O ministro destacou que a atuação ilícita da magistrada ocorreu com a venda de pelo menos 3 decisões judiciais, quadro que é ainda mais reprovável porque ela ocupava cargo no topo do Judiciário baiano. Ele também lembrou que Sandra Inês foi aposentada compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em razão da suposta prática de "rachadinha" (apropriação indevida de parte dos salários de servidores lotados em seu gabinete).
Além dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Sandra Inês Azevedo também foi condenada pelo delito de associação criminosa. Porém, em relação ao último crime, a Corte Especial declarou extinta a punibilidade em razão do tempo transcorrido entre a data do recebimento da denúncia e a data do julgamento de mérito, nos termos do artigo 107, inciso IV, do Código Penal.
O colegiado aplicou perdão judicial ao advogado colaborador Júlio Cesar Cavalcanti Ferreira.
JULGAMENTO ANTERIOR
No final de outubro, o STJ condenou cinco réus por venda de decisões judiciais na Bahia, no âmbito da Operação Faroeste. Na ocasião, foram condenados a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, o empresário Adailton Maturino dos Santos e sua esposa Geciane Maturino dos Santos, e o advogado Ricardo Augusto Três. Foram absolvidos Valdete Aparecida Stresser, Amanda Santiago Andrade Sousa e Márcio Duarte Miranda.
O contrato firmado pela Prefeitura de Serrinha, na região sisaleira da Bahia, com a editora Alfa Livros e Consultoria Ltda. foi dividido em seis lotes ao ultrapassar o valor de R$ 5,9 milhões e. A contratação é um dos alvos da Operação Caro Leitor, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), nesta quarta-feira (4), para investigar suspeitas de fraude em licitação, superfaturamento e desvio de recursos públicos na compra de livros didáticos para a rede municipal de ensino.
A investigação identificou indícios de superfaturamento na aquisição dos materiais. Segundo a PF, livros comprados pelo município teriam sido contratados por valores significativamente superiores aos preços divulgados no site da própria editora responsável pelas obras.
Após o cumprimento de mandados em Serrinha e em um condomínio no bairro do Matatu, em Salvador, a reportagem teve acesso a documentos relacionados à contratação apontada pelos investigadores como suspeita de irregularidades. Para organizar a compra dos materiais didáticos destinados à rede municipal em 2024, o processo foi dividido em seis lotes, conforme a etapa de ensino e a finalidade pedagógica. Todos foram vencidos pela Alfa Livros, com valores que, somados, chegam a R$ 5.953.359,00.
O primeiro lote, no valor de R$ 2.412.230,00, previa a aquisição da coleção "Gramática Dinâmica da Língua Portuguesa", destinada a estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. O segundo lote, de R$ 12.500,00, contemplava a coleção "Produção Textual e Ortografia Dinâmica", também voltada aos alunos do Ensino Fundamental.
Já o terceiro lote, no valor de R$ 800.956,00, correspondia à compra de kits de literatura infantil, compostos por quatro livros paradidáticos e uma maleta. O quarto lote, de R$ 65.200,00, previa a aquisição de guias didáticos para professores referentes à coleção de gramática. O quinto, no valor de R$ 265.710,00, contemplava manuais pedagógicos destinados aos docentes da área de produção textual.
O sexto e último lote foi destinado à compra de livros da coleção "EJA – A Caminho do Conhecimento", voltada à alfabetização de jovens e adultos. O valor previsto foi de R$ 2.396.763,00.
TÍTULOS E AUTORES
Os documentos da contratação também identificam os títulos e autores das obras adquiridas pelo município. O kit de literatura infantil, correspondente ao terceiro lote, reúne quatro livros da autora Margarida Rosa: "Mamãe Ovelha e o Corneirinho", "Canta Passarinho", "O que tem hoje na praia" e "Passeando pelo Jardim".
A coleção de gramática, atribuída a Herman Regis, foi dividida entre os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. Entre os títulos estão "Gramática Dinâmica da Língua Portuguesa", com volumes destinados do 1º ao 5º ano, e "Gramática Dinâmica Leitura e Compreensão", voltada aos estudantes do 6º ao 9º ano.
A coleção de produção textual, também atribuída a Herman Regis, inclui os livros "Produção Textual e Ortografia Dinâmica", para os anos iniciais, e "Produção Textual e Ortografia Dinâmica Aplicada", destinada aos anos finais do Ensino Fundamental.
Já a coleção para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é composta pelo livro "EJA – A Caminho do Conhecimento (Alfabetização)".
HOMOLOGAÇÃO
Outro documento analisado é o termo de homologação do certame, assinado em 29 de maio de 2024 pelo então prefeito de Serrinha, Adriano Silva Lima (PSD). O registro informa que não houve formação de cadastro de reserva porque outros participantes não manifestaram interesse em integrar a lista.
Após a publicação do resultado, a Alfa Livros foi convocada para assinar formalmente o contrato no prazo de cinco dias úteis.
A OPERAÇÃO
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (4), a Operação Caro Leitor, que apura possíveis irregularidades na contratação de livros didáticos para a rede municipal de ensino de Serrinha. A operação cumpre mandados em quatro municípios: Serrinha e Salvador, na Bahia, além de Fortaleza e Eusébio, no Ceará. As diligências incluem endereços de pessoas físicas, empresas e a sede da Prefeitura de Serrinha.
O foco da investigação é o Pregão Eletrônico nº 012/2024, que resultou na contratação de duas empresas pelo valor total de R$ 5,95 milhões. O procedimento passou a ser investigado após um levantamento de riscos realizado pela CGU.
A editora Alfa Livros e Consultoria Ltda., sediada no Ceará, é apontada como principal investigada da operação. Em setembro, a Polícia Federal também realizou uma açãoão no estado cearense envolvendo editoras, em uma investigação relacionada ao deputado federal Mário Frias e ao filme "Dark Horse". De acordo com os órgãos de controle, foram identificados indícios de possível direcionamento da licitação, vínculos entre empresas participantes e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Os pagamentos foram realizados com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), incluindo verbas de contas municipais que receberam complementação da União. A apuração também identificou suspeitas de superfaturamento. Conforme o levantamento, os livros adquiridos pela prefeitura teriam sido comprados por valores significativamente superiores aos preços divulgados pela própria editora em seu site.
Durante a operação, os agentes buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento das suspeitas. Os investigados são alvo de apuração por possíveis crimes de fraude à licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam para esclarecer a participação dos envolvidos e o destino dos recursos públicos.
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais, apresentou recurso contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do parlamentar. Os advogados também pediram que o magistrado seja declarado impedido ou suspeito de conduzir a investigação.
A decisão foi proferida no domingo (25) e estabeleceu, além da entrega dos documentos, a proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Moraes também determinou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático.
Apesar da determinação, Flávio, a esposa e as filhas do casal viajaram para os Estados Unidos e chegaram ao país na quarta-feira (28). O senador não entregou os documentos à Polícia Federal (PF), descumprindo a ordem judicial.
No recurso, a defesa também solicitou que o caso seja retirado da relatoria de Alexandre de Moraes e redistribuído ao ministro André Mendonça. Os advogados argumentam que os fatos investigados, relacionados a uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro e à possível prática de organização criminosa, também são objeto de apuração no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e está sob relatoria de Mendonça.
A investigação que envolve Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz apura uma possível estrutura de lavagem de dinheiro relacionada a empresas do advogado e casas de apostas. O procedimento teve início na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde também eram investigados possíveis crimes de evasão de divisas. O caso foi encaminhado ao STF após o nome do senador aparecer nas apurações da Polícia Federal (PF).
Os advogados também pediram que Alexandre de Moraes seja declarado impedido ou, alternativamente, suspeito para atuar no caso. A defesa sustenta que existem vínculos entre a empresa Fraction 024, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o próprio magistrado.
Segundo os advogados, esses vínculos, que classificam como objetivos, documentados e públicos, comprometeriam a atuação de Moraes na investigação. Flávio Bolsonaro também é investigado em outro inquérito que apura possíveis irregularidades no financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Apenas alguns dias depois do segundo turno das eleições 2026, tornou-se mais acirrada a disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, cuja eleição se dará no início de fevereiro de 2027. E enquanto Hugo Motta (Republicanos-PB) já conquistou apoios suficientes para garantir sua permanência na cadeira, no Senado, a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) ainda enfrenta cenário totalmente incerto.
O PL, partido do candidato a presidente Flávio Bolsonaro, deve lançar na próxima semana o senador Rogério Marinho (RN) como candidato a presidente. E mesmo com o PL provavelmente fechando questão em torno do nome do coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Alcolumbre ainda busca adesões no partido bolsonarista, contando com o voto secreto para promover traições na cúpula oposicionista.
O terceiro nome que corre por fora é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que apesar de estar sendo assediada tanto por Marinho quanto por Alcolumbre, segue mantendo sua disposição de concorrer à eleição no Senado.
A senadora, horas depois da confirmação de que Flávio Bolsonaro havia viajado para os Estados Unidos, divulgou uma nota na qual reafirmou sua intenção de disputar a presidência e sinalizou disposição para dar andamento a pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação de Tereza Cristina representa um movimento de confronto direto à candidatura de Davi Alcolumbre, que, nesta semana, esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recebeu o apoio do Palácio do Planalto para tentar permanecer no comando do Senado e do Congresso Nacional.
Alcolumbre já indicou que não pretende avançar com processos de afastamento de integrantes do STF. Já Tereza Cristina defendeu que a escolha da nova direção do Senado leve em consideração a composição política resultante das eleições e a vontade dos parlamentares que assumirão seus mandatos.
“Mal saímos da eleição e vimos nosso candidato Flávio Bolsonaro ser abordado na rua depois de visitar o pai por policiais. Será que o Judiciário renovará neste quarto mandato a perseguição política contra adversários do atual governo?”, questionou a senadora.
A declaração da senadora do PP foi divulgada depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). O episódio passou a ser utilizado por aliados do candidato a presidente como argumento para criticar a atuação do Judiciário e defender mudanças na condução política do Senado.
Apesar de sua disposição em manter sua candidatura, o partido da senadora, o PP, já anunciou apoio a Alcolumbre. Lideranças e dirigentes do partido afirmam, reservadamente, que Alcolumbre pode oferecer à senadora uma composição, para que ela seja vice-presidente de 2027 a 2029, e receba apoio para concorrer ao cargo em fevereiro de 2029.
Como Davi Alcolumbre não poderá se reeleger em 2029, o senador, nesta composição, apoiaria Tereza Cristina para o cargo de presidente na eleição seguinte. Não se sabe, entretanto, se a bancada governista no Senado apoiaria esse arranjo.
O empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que entrou na sociedade do banco a convite do próprio Vorcaro, entre o fim de 2018 e o início de 2019, para comandar a área de crédito consignado, modalidade de empréstimo com parcelas descontadas direto do salário. Segundo Lima, Vorcaro disse que precisava dele como sócio por causa da reputação que tinha no mercado.
“Eu era prestador de serviço do banco. Quando chega o final de 2018 e o início de 2019, Daniel me procura e diz: ‘Preciso que você entre de sócio comigo no banco. O produto tem dado certo. Você é uma pessoa que tem reputação, e preciso de você como sócio”’, relatou o empresário.
Lima também contou que Vorcaro o avisou que a entrada no banco traria desgaste.
“‘Você vai sofrer uma série de ataques, mas vou estar sempre do seu lado’, disse. Nesse momento, eu sou aprovado pelo Banco Central. Eu entro no banco para tocar essa área de consignação como sócio”, disse.
Para a Polícia Federal (PF), Augusto Lima integrava o núcleo executivo e financeiro do esquema investigado. Ele foi indiciado por suspeita de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação apura fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB).
A defesa do empresário rejeita as conclusões do relatório da PF e afirma que ele não participou, direta ou indiretamente, das fraudes investigadas.
O Ministério Público Federal (MPF) monitora a prestação de contas das emendas parlamentares federais repassadas a 54 municípios das áreas sob jurisdição da Justiça Federal em Novo Hamburgo, Santa Cruz do Sul e Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul. O objetivo é acompanhar a execução dos recursos e orientar as autoridades a aplicá-los com base nos princípios constitucionais.
No total, são monitoradas 497 emendas, que somam R$ 165 milhões. São R$ 79 milhões para 250 emendas em Novo Hamburgo; R$ 54 milhões para 138 emendas em Santa Cruz do Sul; e R$ 32 milhões para 109 emendas em Cachoeira do Sul. A iniciativa integra uma ação coordenada nacionalmente pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão (5CCR) do MPF.
O MPF expediu requisição aos 54 prefeitos orientando sobre o dever de prestação de contas por meio da disponibilização de dados na internet para acesso da população. Também foram enviadas requisições às respectivas Câmaras de Vereadores, que têm a tarefa de fiscalizar o Poder Executivo Municipal.
O monitoramento identificou que a maioria dos municípios ainda está inadimplente com a obrigação de divulgação dos dados sobre a destinação das emendas parlamentares. A falta de transparência dificulta o acompanhamento da aplicação dos recursos pela população.
De acordo com o procurador da República Celso Antônio Tres, responsável pelo monitoramento, "não há qualquer investigação contra qualquer autoridade, esteja ela em qualquer nível de governo – municipal, estadual e/ou federal" relacionada a possíveis falhas na divulgação dos dados pelos municípios gaúchos. No entanto, "se autoridades responsáveis descumprirem a prestação de contas à cidadania, o que o MPF espera que não aconteça, poderão incorrer na prática de ato de improbidade, conforme determina a Lei nº 8.429/1992", alerta o procurador.
O representante do MPF também informa que, na próxima etapa, outros 55 municípios, sob jurisdição da Justiça Federal em Caxias do Sul e Lajeado, também terão idêntico acompanhamento das prestações de contas. Em etapa posterior, serão objeto da prestação de contas as entidades não governamentais destinatárias de emendas.
Operação EmendaFest e discrepâncias nos recursos
Dados levantados pelo MPF apontam discrepâncias, a exemplo de um estabelecimento de saúde em Santa Cruz do Sul, que recebeu R$ 40 milhões em emendas parlamentares enquanto, no mesmo período, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS), referência nacional em procedimentos de alta complexidade, recebeu apenas R$ 12 milhões. A instituição filantrópica possui nove hospitais e realiza, anualmente, seis milhões de atendimentos, um milhão de consultas médicas, 70 mil cirurgias e 60 mil internações, conforme informações disponíveis em seu site.
Em 13 de fevereiro de 2025, foi deflagrada a Operação EmendaFest da Polícia Federal (PF), no âmbito de investigação sobre suposto esquema de desvio de emendas parlamentares federais direcionadas ao hospital em Santa Cruz do Sul. O MPF acompanha a apuração, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Fiscalização e denúncias de irregularidades
O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 7.688 e nº 7.695, determinou que fosse disponibilizada na internet, para consulta de toda a população brasileira, a prestação de contas das emendas parlamentares. A Constituição Federal, em seus artigos 37 e 70, impõe esse dever aos gestores e órgãos públicos.
O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal no qual negou a ocorrência de ilegalidades nas operações financeiras entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo informações obtidas e divulgadas pelo jornal Estadão, durante uma oitiva no último dia 15 de setembro, o investigado rebateu as conclusões do relatório policial e declarou estar "preso injustamente", sustentando a regularidade das negociações de carteiras de crédito realizadas entre as instituições.
Vorcaro foi indiciado pela PF em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob a acusação de participação na venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consignado fraudulentas. Em sua defesa perante as autoridades, o empresário argumentou que os ativos originais foram substituídos por outros bens para evitar prejuízos ao BRB, embora os investigadores apontem divergências também nas garantias apresentadas.
Durante o depoimento, o banqueiro manifestou críticas à condução do caso e defendeu a realização de perícia independente nas operações: "Esse caso virou uma pressão nacional, eu entendo isso tudo, Os senhores sofrem essa pressão também. Mas passa a espuma de mídia e vai ficar na história quem tem coragem de ver a verdade. E eu tô preso injustamente por conta disso", afirma.
E complata: "Eu não fiz fraude nenhuma com BRB, eu não lesei nada o BRB, ao contrário, coloquei ativos pessoais meus abaixo do preço pra poder trocar a transação. Eu só preciso ter um voto de confiança. Contrata uma empresa internacional pra ver quanto os ativos valem, eu vou pedir essa perícia lá na ação civel. Vai ficar claro que a minha atitude foi de resolver o problema e de não fazxer fraude nenhuma".
Vorcaro questionou também as avaliações feitas pelo órgão regulador do sistema financeiro sobre as transações investigadas: "Uma hora a verdade vai aparecer. as próprias pessoas do Banco Central vão ser responsabilizadas um dia. Por isso que eu tô chamado a coragem de agir, porque hoje é difícil agir com coragem e a favor da verdade. O fácil é falar: ‘olha fraude, não sei o quê, e incrimina isso aqui’. Isso é fácil. Tanto que tá todo mundo fazendo. Mas vai passar esse momento e quando passar vão ver: ‘teve fraude?’ Não".
Ao concluir a oitiva, o investigado solicitou o encerramento do procedimento e declarou: "Arquive esse processo porque não tem prova nenhuma".
A defesa de Daniel Vorcaro entregou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia particular realizada no aparelho celular do ex-banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal (PF) no dia 17 de novembro de 2025.
O laudo apresentado concluiu que centenas de arquivos foram criados e modificados após a apreensão do aparelho, que é a principal prova das relações de Vorcaro com políticos e das supostas irregularidades financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB).
De acordo com o documento, 657 arquivos que estavam no celular foram modificados e 436 criados. As informações são da Agência Brasil
Para os advogados de Vorcaro, a perícia demonstra que não é possível verificar a integralidade do conteúdo do celular apreendido e avaliar o alcance das alterações nos arquivos.
"É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado", declarou a defesa.
Diante das conclusões periciais, a defesa pediu ao Supremo que a PF entregue os dados originais do celular para verificação e ressaltou que a soltura do ex-banqueiro é obrigatória após as revelações do laudo particular.
"É inconcebível que Daniel Vorcaro esteja custodiado há mais oito meses, com a liberdade restringida há quase um ano, sem que haja contra ele qualquer acusação formal ou perspectiva de processo, o que torna sua soltura urgente, necessária e obrigatória", afirmou a defesa.
Segundo o pedido, o registro de modificaça?o, isoladamente, na?o permite concluir que a alteraça?o tenha sido realizada diretamente por uma pessoa. “Evidencia, contudo, que o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal”.
Vorcaro e mais 14 investigados na Operação Compliance foram indiciados pela PF nesta quarta-feira (28). De acorco com o relatório do indiciamento da Polícia Federal, o ex-banqueiro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master qcausaramsam prejuízos ao BRB.
"Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição", concluiu a PF.
Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Após o indiciamento, os advogados do ex-banqueiro negaram que as operações do BRB tenham causado prejuízo ao banco público.
Na avaliação dos advogados, um ano após o início das investigações, a PF se "limita a repetir a mesma narrativa" e não conseguiu avançar nas investigações.
"O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo", afirmou a defesa.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (29). A prisão ocorreu no âmbito da Operação Tomada de Contas, que apura suspeitas de irregularidades na gestão de contratos públicos e na liberação de pagamentos dentro do órgão de controle estadual.
Segundo informações do g1, a Polícia Federal cumpre seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As ordens judiciais foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e envolvem mais de 180 policiais federais, além de determinar o bloqueio de bens dos investigados e a quebra de sigilos bancários e fiscais. A assessoria do TCE-MT foi procurada para se manifestar sobre a ação, mas ainda não enviou posicionamento.
A apuração indica que a suspensão arbitrária de contratos administrativos teria sido utilizada como instrumento de pressão contra empresas fornecedoras do tribunal. Os investigadores também identificaram indícios de favorecimento na liberação de verbas públicas e movimentações financeiras atípicas nas contas de servidores públicos, incluindo saques frequentes em espécie realizados nas dependências da própria instituição.
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 investigados pelas fraudes financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB). As irregularidades foram investigadas na primeira fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com relatório de indiciamentos, Vorcaro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causam prejuízos ao BRB.
"Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição", concluiu a PF.
Vorcaro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.
Além de Vorcaro, também estão na lista de indiciados o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, ex-sócio do Master. As informações são da Agência Brasil.
Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Prejuízo
De acordo com os investigadores da PF, o prejuízo já apurado é de aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Parte das perdas foi provocada por carteiras de créditos inexistentes, que estavam em nome da Tirreno, empresa de fachada operada pelo Master, e que fez transações com o BRB.
"Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual", afirmou a PF.
Após concluir a primeira parte da Operação Compliance Zero, os investigadores enviaram o relatório de indiciamentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogação das investigações por mais 60 dias.
O prazo será utilizado para conclusão dos exames periciais que estão pendentes e apresentação de um relatório complementar de investigação.
Outro lado
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou que as operações do BRB com a Tirreno tenham causado prejuízo ao banco público.
Na avaliação dos advogados, um ano após o início das investigações, a PF se "limita a repetir a mesma narrativa" e não conseguiu avançar nas investigações.
"O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo", afirmou a defesa.
Os ex-deputados federais Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem publicaram fotos com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em suas redes sociais, nesta quarta-feira (28). Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite desta terça-feira (27) e desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, em um jatinho particular na manhã desta quarta (28) com a esposa e as filhas.
As imagens foram divulgadas pelos dois aliados do senador nas redes sociais X, antigo Twitter, e Instagram. Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos após a Polícia Federal (PF) pedir a apreensão de seu passaporte.
"Foto de hoje, após reecontrar meu irmão. Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil", diz Eduardo na publicação.
"Hoje nos Estados Unidos. Livre da perseguição para ser a voz do Brasil por liberdade, segurança e prosperidade. Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. Esse dia vai chegar", escreveu Ramagem.
O herdeiro de Jair Bolsonaro perdeu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, mas passou a contestar o resultado da eleição sem apresentar provas de fraude.
Ainda nesta quarta, o senador e candidato à Presidência da República divulgou uma carta em que afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior. O documento teve ao menos quatro versões, com alterações no texto e no brasão da República utilizado no cabeçalho.
Em uma das versões divulgadas por aliados, Flávio se apresentava como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e, na sequência, a expressão foi substituída e ele passou a se identificar como "líder do Brasil".
O assessor do presidente da Argentina, Javier Milei, Santiago Caputo, teria acompanhado desde o início a operação que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, segundo informações do jornal argentino El Clarín publicadas pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (28). Caputo esteve em Puerto Iguazú na noite de terça-feira (27), onde o parlamentar embarcou em um avião particular com destino ao exterior.
De acordo com a reportagem da Folha, fontes do governo argentino afirmaram ao Clarín que Caputo monitorou a operação desde a contratação do voo, realizada por empresas vinculadas à Embaixada dos Estados Unidos junto à companhia aérea argentina Baires Fly S.A. A aeronave utilizada foi um jato executivo Gulfstream G400.
A movimentação ocorreu após Flávio deixar o Brasil, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). O senador chegou a Miami, na Flórida, na manhã desta quarta-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), utilizando um passaporte diplomático que havia sido cancelado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pelo portal g1, com base em uma consulta ao sistema de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês).
Segundo o g1, Flávio viajou acompanhado da esposa e das duas filhas. A chegada ocorreu após o parlamentar deixar o Brasil e seguir para a Argentina, de onde embarcou em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.
A Polícia Federal (PF) informou que os passaportes comum e diplomático do senador foram cancelados após uma decisão de Moraes, emitida no domingo (25). Na segunda-feira (26), Flávio foi intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas, mas, segundo a corporação, não cumpriu a determinação.
O senador também possui cidadania italiana e recebeu um passaporte do país europeu em 2023. Conforme informações do plano de voo obtidas pelo g1, esse documento teria sido utilizado no deslocamento a partir da Argentina.
De acordo com o relato publicado pelo portal, Flávio entrou em território argentino na noite de terça-feira (27). As circunstâncias da entrada, porém, apresentam divergências: enquanto autoridades argentinas informaram que o senador chegou por via terrestre, a Polícia Federal brasileira suspeita que ele tenha utilizado uma aeronave particular.
A Polícia Federal (PF) investiga a suspeita de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) contou com apoio do governo do presidente argentino Javier Milei para deixar o Brasil e viajar aos Estados Unidos. O parlamentar, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28), após passar pela região da Tríplice Fronteira.
Segundo informações do jornal O Globo, um dos indícios analisados pelos investigadores é a presença de Santiago Caputo, assessor presidencial argentino próximo de Milei, em Puerto Iguazú, cidade que faz fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. De acordo com a imprensa argentina, Caputo acompanhou a movimentação de Flávio na região.
Parlamentares argentinos de oposição a Milei também pediram, na terça-feira (27), a abertura de investigações para apurar se integrantes do governo colaboraram com a saída do senador brasileiro.
EMPRESA SUSPEITA
A viagem de Flávio e de familiares aos Estados Unidos teria sido realizada em um jato particular Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW, operado pela empresa de táxi aéreo Baires Fly. Segundo o jornal argentino La Nación, a contratação da aeronave teria sido intermediada por uma pessoa próxima a Santiago Caputo.
A empresa é ligada ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, investigado no país vizinho por suspeita de participação em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos desviados da Agência Nacional de Deficiência (Andis), durante o governo Milei.
As suspeitas de desvios são estimadas em mais de 7,8 bilhões de pesos argentinos, o equivalente a aproximadamente R$ 27 milhões. Até o momento, as informações citadas não comprovam que a empresa ou seus responsáveis tenham participado de uma operação para auxiliar Flávio a deixar o Brasil.
Segundo informações do Ministério da Segurança da Argentina, Flávio atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina pela Ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27).
O governo argentino informou que não havia impedimento legal para a entrada do senador no país. Ele utilizou o passaporte italiano para registrar a saída da Argentina, às 23h52, antes de embarcar no jatinho com destino aos Estados Unidos. A aeronave fez uma escala no Equador antes de seguir para Miami.
Os passaportes brasileiros e diplomáticos de Flávio haviam sido cancelados por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, na manhã de segunda-feira (26). A medida atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga após a derrota eleitoral do senador.
Apesar da restrição aos documentos brasileiros, Flávio conseguiu viajar utilizando o passaporte italiano. A entrada nos Estados Unidos também foi autorizada pelo governo do presidente Donald Trump.Em resposta ao O Globo, o Departamento de Estado norte-americano informou que concederia vistos a Flávio e aos familiares e permitiria a entrada deles no país.
Nos bastidores, investigadores da PF avaliam que não poderiam adotar medidas mais severas contra o senador sem um mandado de prisão preventiva ou uma ordem de captura internacional em vigor.
Flávio é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets. Na terça-feira (27), ele também deixou de entregar os documentos exigidos por Moraes dentro do prazo determinado. O descumprimento, contudo, não resultou automaticamente em uma ordem de prisão.
A investigação sobre uma possível participação do governo argentino na viagem busca esclarecer as circunstâncias da saída do senador do Brasil. A suspeita de colaboração de autoridades argentinas ainda depende de apuração.
A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (28), em Salvador, um homem por abuso sexual infantojuvenil. Segundo informações divulgadas pela investigação, o suspeito teria registrado imagens do estupro que cometeu e compartilhado esses arquivos na internet.
O inquérito foi iniciado no começo de 2026 e partiu de notícias que ligavam o alvo ao aliciamento de criança com objetivo de prática de abuso sexual. O crime era registrado em mídias digitais; e as imagens, distribuídas em redes sociais.
A PF não divulgou imagens do homem ou da prisão realizada nesta quarta. As diligências seguem, para analisar os materiais e os arquivos apreendidos e acessados, para identificar vítimas e outros possíveis envolvidos, bem como para esclarecer a amplitude do crime.
O senador Flávio Bolsonaro pousou às 10h30 desta quarta-feira (28) em Miami, no estado da Flórida, nos Estados Unidos. O candidato à Presidência da República deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), em direção à Argentina por volta das 22h50, após cruzar a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones.
A viagem ocorreu após a Polícia Federal solicitar a entrega do passaporte do senador, medida que foi acatada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O filho de Jair Bolsonaro descumpriu a medida que solicitava a entrega até às 11h desta terça.
A entrada de Flávio em território argentino foi registrada com documentos de viagem válidos e sem impedimentos legais, informou a autoridade migratória. Ele teria ficado em uma fazenda em Foz do Iguaçu antes de viajar.
Segundo o Estadão, a aeronave utilizada pelo senador é um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, que havia chegado ao Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26). Conforme informações do serviço de rastreamento Flightradar24, o avião partiu somente na madrugada de quarta-feira, às 0h18.
INVESTIGAÇÕES
Flávio é investigado pela relação com o advogado Willer Tomaz, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e apostas esportivas. A medida de apreensão do passaporte foi emitida no âmbito deste caso, que segue tramitando em sigilo de justiça.
Flávio Bolsonaro também é formalmente investigado em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) informou, em nota nesta quarta-feira (28), que não há mandado de busca e apreensão direcionado ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e seus endereços. "Não há nenhuma decisão judicial nesse sentido, tampouco realização de diligência policial ou de busca e apreensão", diz a nota. (Atualização às 7h55)
O Bahia Notícias informou, a poucos minutos, que a Polícia Federal estaria cumprindo, nesta quarta-feira (28), um mandado de busca e apreensão em um endereço ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o país após ordem para a entrega de seus passaportes. As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1.
O BN pede desculpas pela inconsistência das publicações.
ROTEIRO DA FUGA
Segundo informações atualizadas da imigração argentina, Flávio Bolsonaro e sua família atravessaram a fronteira entre o Rio Grande do Sul e a Argentina e, de lá, pegaram um voo em direção ao Equador, antes de seguir com destino a Miami.
O voo de Flávio e sua família decolou às 6h22, no horário de Brasília, e segue rumo aos EUA, onde está previsto para chegar ao aeroporto Opa-locka Executive, em Miami, por volta das 10h40, segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware.
O governo dos EUA afirmou na terça-feira (27) que emitirá vistos para Flávio e sua família e permitirá que eles entrem no país. Nas últimas horas, o presidente Donald Trump voltou a afirmar, sem provas, em fraude na eleição brasileira e disse também que aprovava a ida do senador aos EUA.
O conselheiro Rodrigo Badaró, relator do processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), votou para afastar cinco magistrados do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) investigados na Operação Faroeste e propôs que eles percam o cargo. A punição proposta é a disponibilidade, em que o magistrado deixa as funções e passa a receber salário proporcional ao tempo de serviço. Para a perda definitiva do cargo, o relator sugeriu enviar o caso à Advocacia-Geral da União (AGU), que poderá entrar com as ações necessárias na Justiça.
O envio à AGU é necessário porque juízes e desembargadores têm vitaliciedade, garantia que impede que percam o cargo por decisão administrativa. Nesses casos, a demissão depende de sentença judicial.
No mesmo voto, Badaró defendeu a absolvição do juiz Márcio Reinaldo Miranda Braga. Em relação ao desembargador Gesivaldo Britto, ex-presidente do TJ-BA, o relator votou pela extinção da punibilidade, ou seja, pelo encerramento do processo sem punição, em razão da morte do magistrado.
A Operação Faroeste foi deflagrada pela Polícia Federal em 2019 para investigar um esquema de venda de decisões judiciais no TJ-BA. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), decisões administrativas e judiciais teriam favorecido um grupo interessado em regularizar a posse de terras no Oeste da Bahia.
De acordo com a acusação, o bloqueio e o cancelamento de matrículas de imóveis, que são os registros oficiais de propriedade, prejudicaram fazendeiros da região. Pressionados, eles teriam sido levados a negociar com o grupo para manter as terras.
? Relator no CNJ propõe perda do cargo de cinco magistrados do TJ-BA investigados na Operação Faroeste ???? Reprodução/ @/portallawletter Confira ? https://t.co/nzmxTOcJnZ
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) October 27, 2026
A Polícia Federal (PF) havia identificado indícios considerados “concretos e atuais” de uma possível fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial, ao solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão de seu passaporte e a proibição de deixar o território brasileiro.
De acordo com os investigadores, três fatores fundamentaram a preocupação: as declarações públicas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, incentivando-o a deixar o país em caso de derrota eleitoral; a capacidade financeira de Flávio; e a existência de uma estrutura no exterior que poderia permitir sua permanência por um período prolongado.
O prazo estabelecido para que Flávio apresentasse o passaporte terminou às 11h desta terça-feira (27), mas o documento não foi entregue. Conforme informações publicadas no blog da jornalista Andreia Sadi, no g1, a Polícia Federal apura se o senador deixou o Brasil após o resultado das eleições realizadas no domingo (25), mesmo diante da determinação judicial que o impede de sair do país.
No pedido, a PF citou declarações de Eduardo Bolsonaro defendendo que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota eleitoral. Os investigadores também mencionaram a condenação de Eduardo por coação no curso do processo.
A corporação destacou ainda que Willer Tomaz, investigado com Flávio em um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro, está em Miami desde agosto de 2026, após ser alvo da Operação Sem Desconto.
Segundo os investigadores, Tomaz dispõe de recursos para permanecer no exterior por tempo indeterminado. A PF também investiga se recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enviados aos Estados Unidos por intermédio do doleiro Antonio Freixo, podem ter financiado a permanência de Eduardo Bolsonaro no país. O deputado cassado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
No pedido, os investigadores afirmaram que “não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense”.
A investigação sobre Flávio também envolve sua relação com Willer Tomaz e suspeitas relacionadas a empresas e apostas esportivas. O caso tramita sob sigilo. O senador ainda é investigado por possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em nota oficial divulgada no meio da manhã desta terça-feira (27), o governo argentino negou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenha entrado no país. O governo Milei informou que a Direção Nacional de Migrações não registra nenhuma entrada do ex-candidato a presidente na Argentina.
“Devido à escalada midiática pela presença de um avião privado no Aeroporto Internacional de Iguaçu, as autoridades procederam a iniciar os controles correspondentes à aeronave e à tripulação. Finalmente, constatou-se que a documentação da empresa está em ordem e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro’, diz a nota do governo argentino.
O governo argentino fez referência ainda, em sua nota, à empresa Baires Fly, dona da aeronave Gulfstream G400, que supostamente levaria Flávio Bolsonaro de Puerto Iguazu até os Estados Unidos: “Constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro”.
A informação sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil foi feita inicialmente pelo site argentino “Infobae”. O site afirmou que o ex-candidato a presidente teria chegado de madrugada à cidade de Puerto Iguazu, na fronteira com o Brasil, e de lá seguiria em um jatinho particular para os Estados Unidos.
Além da suspeita de ter fugido do Brasil pela Argentina, até as 12h o senador Flávio Bolsonaro ainda não havia apresentado seu passaporte à Polícia Federal. O prazo dado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega do documento à PF expirou no final da manhã.
A Polícia Federal agora busca informações com autoridades da Argentina para checar se Flávio Bolsonaro viajou para o exterior por meio de algum aeroporto do país vizinho. A PF já apurou até aqui que o senador do PL não passou por nenhum ponto regular de migração brasileira nas últimas horas, embora admitam que é possível cruzar a fronteira sem passar por fiscalização.
Sites de notícias da Argentina afirmam que Flávio Bolsonaro teria entrado na Argentina à noite e caminhando, entre as 21h e 22h. O senador não registrou seu ingresso na imigração.
A Polícia Federal (PF), com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu sete mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (27), em Porto Seguro, na Costa do Descobrimento.

Foto: Divulgação / Polícia Federal
A operação investiga possíveis irregularidades em contratos de fornecimento de merenda escolar vinculados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), entre 2021 e 2023.
Segundo a PF, a apuração envolve suspeitas de irregularidades praticadas por agentes da Secretaria Municipal de Educação na contratação de empresas para fornecer alimentos às escolas municipais. Conforme as investigações, os contratos foram firmados por meio de dispensas de licitação e pregões eletrônicos.
Entre as suspeitas estão direcionamento de contratações, falta de planejamento, sobrepreço e pagamentos por serviços que não teriam sido prestados.
POSSÍVEL FAVORECIMENTO
Os investigadores também identificaram indícios de possível cooptação de agentes públicos, com o suposto compartilhamento de informações privilegiadas e interferências indevidas em estruturas institucionais para favorecer os interesses de um grupo investigado.
Os mandados de busca e apreensão têm como objetivo recolher documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para esclarecer os fatos e identificar eventuais responsáveis.
A Polícia Federal (PF) investiga uma rede suspeita de mineração ilegal de ouro em Santaluz, no nordeste da Bahia, cujo dano ambiental estimado supera R$ 180 milhões, segundo relatórios periciais. A apuração envolve a extração irregular do minério e o uso de substâncias altamente tóxicas no processamento de resíduos de garimpo.
A investigação avançou com a Operação Repasse, deflagrada para cumprir dois mandados de busca e apreensão no município. A fase busca recolher bens que já haviam sido sequestrados judicialmente e apreender outros itens identificados durante as diligências. De acordo com a PF, os investigados teriam atuado durante anos na extração ilegal de ouro e ampliado as atividades com a construção de laboratórios para receber e refinar rejeitos de moagens realizadas por garimpeiros ilegais.
O ouro era recuperado dos resíduos por meio de lixiviação, processo químico que utiliza cianeto de sódio. A polícia alerta que o uso irregular de substâncias como cianeto de sódio e cianeto de potássio pode provocar impactos à saúde humana e ao meio ambiente. A Operação Repasse é um desdobramento das operações Garça Dourada, Serra Dourada e Lixiviação, realizadas entre junho de 2023 e agosto de 2024.
Os investigados foram indiciados por crimes como usurpação de bens da União, associação criminosa, extração ilegal de recursos minerais, posse de artefatos explosivos, uso ou armazenamento ilícito de substâncias tóxicas e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas previstas para os delitos podem chegar a 29 anos de reclusão.
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, Denis Cali, em entrevista no final da tarde deste domingo (25), disse que a corporação está investigando possíveis crimes relacionados à retirada de ônibus de circulação em pelo menos cinco estados. A PF está apurando problemas na Bahia, em São Paulo, no Piauí, em Sergipe e Alagoas.
Denis Cali afirmou que estão sendo realizadas diligências, com a coleta de depoimentos de pessoas diretamente envolvidas na questão do fornecimento do transporte público. Segundo informado, a PF também atua em conjunto com os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), o Ministério Público Eleitoral e as polícias estaduais.
As investigações buscam esclarecer as circunstâncias das ocorrências de falta de ônibus nas cidades. A PF também busca identificar eventuais responsáveis por prejudicar a mobilidade dos eleitores durante a votação.
Quem também se manifestou sobre os inúmeros relatos a respeito de filas, demora e redução de circulação de ônibus em diversas regiões do país neste domingo foi a OEA (Organização dos Estados Americanos). A entidade divulgou uma nota em suas redes sociais afirmando que acompanha as denúncias sobre o tema.
“A Missão da OEA no Brasil está acompanhando as informações divulgadas pela imprensa e as denúncias sobre problemas no transporte público em diferentes localidades do país”, explicou o órgão na nota.
O grupo ainda disse que acompanharia as decisões levantadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre o assunto.
Uma denúncia de possível bomba a bordo levou ao cancelamento de um voo da Latam que sairia do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, com destino a São Paulo, na noite de quinta-feira (22). A ocorrência mobilizou equipes de segurança, mas a existência de um artefato explosivo não foi confirmada pelas autoridades nem pela companhia aérea.
Segundo o Metrópoles, o caso envolveu o voo 3045. A passageira Larissa Almeida informou que os passageiros receberam inicialmente informações de que o atraso estava relacionado a problemas técnicos. A suspeita de ameaça só começou a circular após uma pessoa ser retirada da cabine. Entre os relatos que circularam durante a espera, estava a suposta existência de uma carta mencionando uma possível bomba.
A passageira disse que aguardou cerca de seis horas até o cancelamento, incluindo aproximadamente duas horas dentro da aeronave. A decolagem estava prevista para as 20h25, mas ela só deixou o aeroporto por volta das 4h. Depois, enfrentou mais duas horas e meia de fila para tentar remarcar a viagem, pois não conseguiu concluir o procedimento pelo aplicativo.
Em nota, a Latam informou que solicitou apoio das autoridades antes da decolagem e afirmou seguir protocolos internacionais de segurança. A concessionária BH Airport declarou que acionou o Plano de Emergência do aeroporto, enquanto a Polícia Federal (PF) informou ter adotado os procedimentos necessários diante da situação de risco. Segundo a PF, o cancelamento ocorreu devido ao horário de conclusão das medidas de segurança e a questões operacionais de pousos e decolagens.
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro revelam que ele teria determinado, em outubro de 2024, a compra de uma garrafa rara de uísque Macallan 1945, avaliada em aproximadamente R$ 500 mil, para presentear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas foram encontradas no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF), segundo reportagem publicada pela revista Veja nesta quinta-feira (22).
De acordo com a reportagem, Vorcaro orientou um de seus assistentes a procurar a bebida em Londres. Nas mensagens, o banqueiro teria escrito: “Preciso dar pro Lula”, escreve. Após localizar uma garrafa por mais de 80 mil euros, o funcionário enviou uma fotografia do produto e informou que buscava outras opções com o rótulo em melhores condições. Vorcaro aprovou a compra, e a encomenda seria transportada de Dubai para o Brasil.
A escolha da bebida teria relação com o ano de nascimento de Lula, 1945. A garrafa, considerada rara e de alto valor, foi adquirida em um período no qual Vorcaro buscava ampliar suas relações com integrantes do governo federal e viabilizar interesses ligados ao Banco Master.
O texto também descreve conversas entre Vorcaro e seu advogado à época, Walfrido Warde, que teria atuado na articulação de contatos com o presidente e ministros do governo. Em setembro de 2024, Warde informou ao banqueiro que havia conversado longamente com Lula e afirmou que o encontro seria importante para os interesses de seu cliente.
Posteriormente, em 4 de dezembro de 2024, Vorcaro foi recebido pelo presidente em uma reunião fora da agenda oficial, articulada com a participação de Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete da Presidência. Segundo a publicação, as mensagens indicam que o advogado orientou o banqueiro sobre os assuntos que deveria abordar no encontro.
Vorcaro teria relatado posteriormente a interlocutores que Lula se comprometeu a ajudar o Banco Master. O presidente, por sua vez, afirmou em entrevistas que apenas garantiu que o caso seria tratado tecnicamente.
Confira as mensagens:



Capturas de tela das conversas | Fotos: Reprodução / Revista Veja
O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi denunciado por dividir endereços, voos e parcerias comerciais com seu advogado Willer Tomaz. Ambos teriam uma sociedade indireta e estreitaram laços entre suas famílias, conforme informações da Folha de S.Paulo.
A publicação chega após Flávio estar no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) por lavagem de dinheiro com bets. De acordo com a Folha, em cerca de 20 anos, Willer passou de dono de uma loja de computador em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília em 1999, para um empreendedor em série, com empresas de radiodifusão, escritório especializado em precatórios, mineração, turismo, apostas online e sociedades com senadores, como Dr. Hiran (PP-RR) e Lobão Filho (MDB-MA).
Flávio se aproximou do advogado em 2019 quando Willer defendeu o ex-ministro do turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio em uma denúncia por uso de candidaturas laranjas. Já na CPI da Covid-19-19 em 2021, aparece a primeira gravação em que Flávio chama o advogado de amigo. No ano de 2020, Flávio Bolsonaro visitou pela primeira vez uma ilha que, desde 2022, tem seus direitos de posse cedidos à WT Administração, empresa de gestão de ativos imobiliários de Willer.
O imóvel em questão tem avaliação de R$ 10 milhões e está no centro de uma disputa judicial entre Willer e o jogador Richarlison. Flávio é testemunha neste processo a favor do advogado. O atleta diz que comprou o imóvel em 2020, antes de o endereço entrar no alvo de investidas jurídicas de Tomaz.
Já em 2022, uma liminar consolidou o entendimento que o direito de uso do espaço era de Willer. Vizinhos da residência e o jogador Richarlison, contudo, dizem que é Flávio quem mais frequenta o local. Até o momento a ligação mais direta entre o senador e o advogado até agora, de acordo com a PF, foi a presença de Flávio como usuário master da conta bancária de pessoa jurídica da Alcazar Holdings. A empresa de Willer é registrada na Ilha da Madeira.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apontam negociações para contratar Felipe Nunes, CEO da Quaest, para prestar serviços de consultoria estratégica à instituição financeira. O acordo discutido previa pagamentos mensais de R$ 150 mil durante um ano, totalizando R$ 1,8 milhão.
Os diálogos, divulgados pelo Metrópoles, ocorreram em setembro de 2024 e envolvem Vorcaro e Ana Matos, integrante da equipe de marketing do banco. Em uma mensagem enviada no dia 9 daquele mês, ela perguntou se estava alinhada a contratação de Nunes, por meio da empresa Quaest, pelo valor previsto.
Vorcaro respondeu que acreditava que Augusto havia fechado o acordo e orientou Ana a alinhar os detalhes com ele. Na sequência, ela confirmou que daria continuidade ao processo.
Até o momento, não há informação sobre quantas parcelas do contrato teriam sido efetivamente pagas. Felipe Nunes negou ter relação pessoal com o ex-banqueiro e afirmou que o contato com o Banco Master ocorreu de forma “estritamente técnica”.
OUTRO LADO
Por meio de nota, a Quaest se manifestou, assegurando ter prestado serviços de inteligência de mercado para o Banco Master, como o fez com outras 53 instituições do mercado financeiro. Veja abaixo o posicionamento completo:
Em 2024, a Quaest prestou serviços de inteligência de mercado para 53 instituições do mercado financeiro (bancos, corretoras, plataformas e tesourarias), entre elas o Banco Master.
A consultoria ao Master teve início antes de qualquer questionamento público à instituição e foi encerrada por iniciativa da própria Quaest, antes da liquidação pelo Banco Central.
O fundador da Quaest jamais teve qualquer tipo de interação, reunião ou contato com Daniel Vorcaro. O próprio conteúdo das mensagens veiculadas pela imprensa evidencia ausência de proximidade ou canal direto entre as partes.
A Polícia Federa (PF) encontrou uma sala oculta em um hangar no Aeroporto de Brasília utilizado por empresas de transporte aéreo do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O local tinha prateleiras, malas e uma máquina de contar dinheiro, mas os agentes não encontraram cédulas durante a inspeção.
A existência do espaço foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo. Segundo as informações divulgadas, a PF chegou à sala em agosto, após receber uma denúncia anônima sobre a estrutura escondida atrás de um painel de madeira, com uma porta aparentemente blindada.
Em nota, a defesa de Tomaz confirmou a existência da chamada “sala-cofre” e afirmou que o ambiente é utilizado para atender empresas de transporte de valores que são clientes das companhias de aviação do advogado. Os representantes negaram qualquer irregularidade e classificaram como “fantasiosa” a suspeita de que o espaço serviria para guardar ou contar dinheiro ilícito.
A busca ocorreu no âmbito da operação Sem Desconto, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tomaz foi um dos alvos da investigação. Na residência dele, os agentes também encontraram uma máquina de contar dinheiro e apreenderam quatro aeronaves vinculadas às suas empresas.
Além desse caso, o advogado e Flávio Bolsonaro são investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Durante a investigação, a Polícia Federal identificou e-mails que indicariam o cadastro de Flávio como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Tomaz.
O caso foi encaminhado ao STF em razão do foro especial do senador e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são amigos e já afirmaram não manter negócios em conjunto.
O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) faturou ao menos R$ 13,7 milhões por meio da emissão de notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A maior parte dos pagamentos foi efetuada por outros escritórios de advocacia e empresas privadas, com descrições genéricas de "assessoria jurídica".
Um levantamento realizado em sistemas dos tribunais estaduais, federais e superiores localizou apenas um processo com atuação formal do parlamentar referente às notas emitidas. A legislação permite a parlamentares o exercício da advocacia privada, desde que não integrem a Mesa Diretora do Senado nem atuem contra órgãos e empresas públicas.
A análise dos comprovantes realizada pelo portal Uol revela que metade dos valores foi quitada por bancas parceiras de advocacia e figuras associadas ao setor empresarial:
- Nilo & Almeida Advogados Associados: Maior cliente do escritório, o estabelecimento emitiu duas notas fiscais no total de R$ 4 milhões em 2025 (29% do faturamento documentado). O sócio Edvaldo Nilo de Almeida, ex-membro da Comissão de Ética Pública e atual conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), declarou que os valores referem-se a serviços prestados em conjunto a clientes privados sem recursos públicos envolvidos.
- Simas Industrial de Alimentos: A fabricante de doces do Rio Grande do Norte repassou R$ 3,3 milhões entre 2023 e 2024. Este foi o único caso com processo localizado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) reportou ao Supremo Tribunal Federal (STF) atipicidades nas transferências.
- Escritórios de Otto Medeiros: Sociedades vinculadas ao advogado repassaram R$ 2,1 milhões a título de consultoria jurídica privada.
- Defesa de Jair Bolsonaro: O escritório de Daniel Bettamio Tesser, integrante da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, transferiu R$ 970 mil sob a justificativa de assessoria.
A lista inclui ainda pagamentos efetuados por empresas de contabilidade vinculadas ao setor financeiro e pelo empresário do setor de energia Marcos Antonio Grecco.
A empresa Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia foi fundada em 16 de abril de 2021, tendo o parlamentar como único sócio e com endereço registrado em sua residência, em Brasília. A firma não possui funcionários registrados e é administrada por Letícia Caetano dos Reis, irmã de um contador preso por suspeita de fraude contra o INSS.
As movimentações bancárias do escritório entraram na mira da Polícia Federal (PF) no âmbito de um inquérito no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A investigação apura indícios de compartilhamento e conexão financeira de contas bancárias entre o senador e o advogado Willer Tomaz.
A campanha do senador e os escritórios citados foram procurados. Os clientes que responderam alegaram que a prestação de serviços seguiu critérios técnicos sob sigilo profissional, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro não havia retornado aos contatos até o fechamento do texto original.
Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda revelou que o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), foi o maior apostador em plataformas de apostas eletrônicas (bets) de todo o Brasil no ano de 2025. O documento também aponta falhas da empresa Blaze no cumprimento de obrigações de fiscalização e controle exigidas para o seu funcionamento no país.
De acordo com o levantamento federal, Tomaz movimentou R$ 5 bilhões em apostas no período de um ano. A maior parte desse valor corresponde a operações internas na própria plataforma, soma de valores ganhos, reapostados ou perdidos, das quais o advogado realizou saques de mais de R$ 200 milhões.
"Ele é, por larga margem, a pessoa com maior volume somado de depósitos e saques em plataformas autorizadas no Brasil em 2025, totalizando cerca de R$ 350 milhões nessas operações, mais de 60% a mais que a pessoa que figura na segunda posição dessa lista", lembra a nota técnica emitida em outubro deste ano.
Segundo informações confirmadas pelo jornal Folha de S. Paulo, as movimentações atípicas estão sob investigação da Polícia Federal (PF), que apura a suspeita de utilização de plataformas de apostas para ocultação de origem de recursos ilícitos.
Mensagens de WhatsApp extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e obtidas pela BBC News Brasil registram uma conversa na qual o investidor e um contato identificado como o empresário Flávio Carneiro fazem comparações com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
O diálogo ocorreu em 19 de dezembro de 2023, durante comentários sobre publicações do investidor Vladimir Timerman, gestor da Esh Capital e autor de denúncias contra operações do Banco Master. Um relatório da Polícia Federal reproduz uma captura de tela de uma postagem de Timerman em rede social, datada do dia anterior, que afirmava: "No meio das minhas investigações tenho convicção de que encontrei o Jeffrey Epstein brasileiro...". A publicação original não mencionava nomes.
Na troca de mensagens, Vorcaro escreveu "Jeff epstein" e "Carapuça caiu kkkk". Sequencialmente, o banqueiro afirmou ter percebido que a publicação se referia a outra pessoa. Carneiro respondeu: "Essa aí não tem sua cara pq o jeff tá amador demais", ao passo que Vorcaro rebateu com risos.
Procurado pela BBC News Brasil, Flávio Carneiro afirmou ser amigo de Vorcaro, ressaltando que nunca trabalhou para o banqueiro e que não tinha conhecimento de todas as suas atividades. Ele declarou não se recordar com exatidão do assunto da conversa, mas lembrou que o contexto envolvia a disputa entre Vorcaro e Timerman. "Acredito se tratar de um comentário sobre algum trecho de matéria publicada a respeito do tema entre eles", afirmou.
Vorcaro encontra-se preso preventivamente desde 4 de março de 2026, no âmbito de investigações sobre supostas fraudes no Banco Master.puração sobre suspeitas de exploração sexual. Além da apuração relativa a crimes financeiros, a Polícia Federal abriu uma investigação preliminar sobre suspeitas de exploração sexual de mulheres envolvendo o banqueiro.
Em diálogo datado de 18 de agosto de 2025, Vorcaro associou a realização de eventos sociais aos seus negócios ao responder à então namorada, Martha Graeff, que o questionava sobre a razão de seguir determinadas mulheres em redes sociais. "Fazia parte do meu business. Nunca te escondi o que fiz e pq fiz", escreveu. "Fiz festa com 300 desse tipo. Não quer dizer que fiquei."
Outros registros obtidos pelas autoridades indicam supostos pagamentos pela presença de mulheres em eventos e repasses adicionais caso houvesse envolvimento com convidados, além de propostas de investimento em agências de modelos e conversas sobre contratações e vistos.
Práticas semelhantes constam no histórico de Jeffrey Epstein, que financiou modelos no Brasil e avaliou propostas de investimento em agências brasileiras citadas no material examinado — negociações que não avançaram. Os documentos analisados não estabelecem qualquer ligação direta entre Epstein e Vorcaro.
Epstein foi condenado em 2008 nos Estados Unidos por crimes de prostituição envolvendo menor de idade. Preso novamente em 2019 sob acusação de tráfico sexual de menores, morreu na prisão antes do julgamento. Vorcaro não responde por esses crimes e não há qualquer suspeita de envolvimento de menores de idade no caso do brasileiro.
Em nota divulgada no dia 13 de outubro, a defesa de Vorcaro negou integralmente as acusações: "Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei."
As mensagens detalham discussões sobre valores cobrados por presença em eventos. Em outubro de 2024, Vorcaro encaminhou a mensagem: "Presença 2 mil Se ficar com alguem 10 mil". Em fevereiro de 2025, uma interlocutora confirmou o recebimento de valores após alinhamento sobre um encontro.
Em setembro, o portal Metrópoles divulgou conversa de 7 de março de 2025 na qual uma mulher cobrava Vorcaro em nome de uma amiga, mencionando: "Ela disse que ficou com o kassio!". Vorcaro solicitou dados e valores para pagamento. O portal associou o nome ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou ao veículo ter encontrado a pessoa citada.
A assessoria de imprensa do ministro informou à BBC News Brasil que Nunes Marques jamais trocou mensagens com Vorcaro, não solicitou favores ao banqueiro e votou pela manutenção de sua prisão, acrescentando que o magistrado nunca autorizou terceiros a falarem em seu nome.
Diálogos entre Vorcaro e o empresário Tiago Polo indicam tratativas para investimentos no setor de modelos. Polo afirmou à reportagem que manteve relação estritamente profissional com o banqueiro, atuando em relações públicas e produção de eventos. "Nunca recrutei mulheres para encontros de natureza sexual, nem para Daniel Vorcaro nem para qualquer outra pessoa", declarou.
Polo explicou ter sido procurado em 2023 para sondar investimentos na área, com a recomendação de que o nome de Vorcaro permanecesse em sigilo nas tratativas iniciais. Em 19 de outubro de 2023, Polo sugeriu reunião com um diretor da Ford Models. Ao ser questionado por Vorcaro se a empresa estava à venda, Polo mencionou também a agência Allure e retransmitiu uma mensagem de outro interlocutor sobre a finalidade do negócio: "A ideia da agência seria uma forma de ajustar as meninas indiretamente". Vorcaro optou por avançar nas tratativas com a Ford Models.
A respeito da expressão "ajustar as meninas", Polo declarou que apenas repassou a declaração de terceiros e que suas conversas tratavam exclusivamente do mercado de moda. A Ford Models Brasil informou à BBC News Brasil que jamais manteve contato com Vorcaro ou Polo, não recebeu propostas comerciais, não está à venda e atua no segmento da moda sem prestar serviços de acompanhantes para eventos.
Em 30 de novembro de 2023, as conversas voltaram-se para a Allure. Polo sugeriu a aquisição integral ou parcial da agência. Vorcaro consentiu, afirmando que realizaria a operação por meio de um fundo de investimento. Em dezembro, Polo enviou arquivos relativas a minutas de contratos de compra e venda de quotas, mas os registros não confirmam a conclusão da compra.
A Allure Management informou que seu responsável, Felipe Nisti, conversou com Polo em 2023 sobre proposta de investimento voltada exclusivamente ao mercado publicitário e de moda. A empresa negou qualquer vínculo, contrato ou contato direto entre Nisti e Vorcaro. Polo confirmou que as tratativas não foram concluídas e não geraram remuneração.
As mensagens trazem ainda registros sobre vistos e contratações. Em 16 de fevereiro de 2024, Vorcaro escreveu a um interlocutor: "Vamos tirar visto famiglia", "Contratar todas allure" e "E marca entrevista", obtendo como resposta "Deixa comigo". As mensagens não identificam as mulheres citadas, o destino dos vistos nem comprovam a efetivação das solicitações.
A caracterização da exploração sexual exige análise sobre o formato do recrutamento, promessas feitas e o nível de autonomia das mulheres para recusar encontros e gerir seus ganhos, segundo Carlos H. Borlido Haddad, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas.
Lívia Miraglia, também professora da UFMG e coordenadora da mesma estrutura jurídica na Faculdade de Direito, destaca a necessidade de investigar o controle sobre finanças, deslocamentos, retenção de documentos e imposição de dívidas. "A avaliação é sempre concreta: a vulnerabilidade por si só não configura o crime, é preciso demonstrar que o agente se aproveitou dela", explica.
Quanto ao custeio de deslocamentos, Haddad esclarece que a transferência de recursos para viagens não constitui crime por si só, sendo indispensável comprovar o conhecimento da finalidade de exploração por meio de documentos, mensagens e depoimentos.
O auditor fiscal do trabalho Maurício Krepsky pontua que o recrutamento de mulheres em situação migratória instável pode configurar tráfico de pessoas para exploração sexual ou trabalho análogo à escravidão. Ele enfatiza, contudo, que a prestação voluntária de serviços sexuais por adultos é atividade lícita e resguardada pelas normas trabalhistas e de segurança do trabalho.
O rapper Oruam desabafou nas redes sociais sobre a prisão de sua mãe e seu irmão, que aconteceu nesta segunda-feira (19). O cantor, que recentemente deixou de ser considerado foragido da Justiça, publicou as últimas mensagens que recebeu de sua mãe, Márcia Gama Nepomuceno, antes da prisão pela Polícia Federal (PF) por meio da Operação Backbone, contra o monopólio de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV). Os mandados de prisão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo da operação é desarticular a estrutura de provedores do tráfico que operam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo as autoridades, essas firmas são responsáveis por lavar dinheiro para o CV.
Oruam publicou trechos de sua última conversa com sua mãe pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, em que Márcia Gama envia trechos da Bíblia e tranquiliza o filho, pedindo para que ele mantenha a calma. “A ansiedade nos faz querer resolver hoje aquilo que Deus está nos ensinando a confiar. Queremos respostas imediatas, caminhos definidos e resultados rápidos. Mas Deus não trabalha segundo a nossa pressa, e sim segundo a Sua vontade e o Seu propósito. Deus é pai e um pai nunca abandona o filho”, disse.
“Eu te amo, sempre vou estar aqui. Quando a ansiedade assume o controle, a fé perde espaço. Isso não significa que Deus não está agindo. Significa que, mesmo quando não vemos nada acontecer, precisamos aprender a descansar nEle. Deus não nos chamou para viver dominados pela ansiedade, mas para confiar que Ele continua sendo Deus, mesmo quando não temos as respostas. Fica calmo”, completou Márcia.
“Eu não queria mais falar de tristeza, mas levaram meu maior amor, que é você, mãe, e eu não sei o que fazer”, escreveu Oruam em outra publicação sobre Márcia com a música “Photograph” do cantor britânico Ed Sheeran. O rapper compartilhou, também, vídeos em que aparece abalado, chorando, com a música “Jesus Chorou” de um dos maiores nomes do rap nacional, o grupo Racionais MC’s.

A Polícia Federal (PF) realizou, nesta segunda-feira (19), uma operação para apurar uma possível violação de sigilo funcional cometida por Humberto Fontoura Pradera, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (TJ-DF). Ele é apontado pela PF por ter facilitado o acesso indevido do advogado Willer Tomaz a informações de processos em tramitação na Corte.
O advogado Willer Tomaz é amigo do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Ambos são investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suposta lavagem de dinheiro, âmbito no qual a operação da PF foi determinada. Willer nega ter tido acesso irregular a dados processuais.
Alvo da ação, Humberto Pradera ocupava o cargo em comissão de secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, do qual foi exonerado na última sexta-feira (16) pelo presidente do STJ, ministro Luís Felipe Salomão. O portal g1 não localizou o ex-servidor ou sua defesa.
Os agentes da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão contra Pradera, em Brasília, expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do inquérito. Batizada de Operação Linceu, a ação desta segunda-feira apura a suposta prática dos seguintes crimes:
-
Violação de sigilo funcional
-
Peculato eletrônico
-
Corrupção ativa e passiva
-
Lavagem de dinheiro
De acordo com as apurações da Polícia Federal que constam em relatório elaborado pela corporação, Humberto Fontoura Pradera, enquanto servidor da área de tecnologia do STJ, repassou ao advogado Willer Tomaz informações relativas a demandas internas do tribunal.
Em mensagens trocadas, obtidas pelo portal G1, Pradera contou a Willer que duas pessoas haviam sido designadas para tratar de determinado assunto e afirmou que manteria o advogado informado. Em outro episódio, Pradera encaminhou a fotografia de um documento exibido na tela de um computador, com um carimbo sobre a mesa.
Pradera ocupava uma posição de destaque no STJ exercendo o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação (STI). Antes disso, havia atuado como assessor-chefe da Assessoria de Inteligência Artificial do órgão, participando de projetos ligados à transformação digital, inteligência artificial e sistemas internos da Corte.
Em outra troca de mensagens registrada no documento, ao ser questionado por Willer sobre “qual o número deles?”, Pradera respondeu que “essa tá no REsp 2122969” e afirmou que a tutela teria perdido efeito em razão do julgamento. Segundo os investigadores, a conversa demonstra o compartilhamento de informações sobre o processo, acompanhado de explicações sobre seus possíveis efeitos.
MODUS OPERANDI
No inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro, os investigadores da PF afirmam que a atuação do advogado Willer Tomaz se concentrava em dois eixos: financeiro e jurídico.
No plano financeiro, a Polícia Federal identificou movimentações de cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025. As operações eram caracterizadas por grandes entradas seguidas de fracionamento, triangulações e repasses entre diversas empresas e plataformas de apostas, além de conexões com agentes políticos e servidores públicos.
No eixo jurídico, a investigação apontou uma suposta interferência em processos de alto interesse econômico no STJ e na Procuradoria-Geral da República (PGR). As apurações indicam que Willer recebia votos, ementas e decisões judiciais de forma antecipada, influenciando decisões como a desistência de recursos, além de enviar orientações e conteúdos para a elaboração de pareceres do Ministério Público Federal (MPF).
Confira a nota na íntegra logo abaixo:
"O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação. As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais.
A ciência antecipada de julgados no Superior Tribunal de Justiça não é crime: é funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte. Tampouco há ilícito quando um procurador, convencido pelos memoriais apresentados, incorpora seus argumentos ao parecer. Isso é contraditório, e converter rotina processual em suspeita é criminalizar a advocacia.
A defesa desconhece o relatório citado e repudia sua divulgação seletiva, em plena campanha eleitoral, com menções a terceiros alheios aos fatos investigados. Ilegal, este sim, é o vazamento de material sigiloso, cujos autores serão identificados e responsabilizados."
A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou, em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que não vislumbrou a prática de abuso de autoridade por parte do ministro André Mendonça na condução de ações no âmbito do caso Master, do qual é relator.
Para o órgão, os relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontaram direcionamento das investigações não são provas e, portanto, não justificam a abertura de uma apuração contra o ministro. Esses relatórios embasaram um pedido de investigação contra Mendonça apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes, que mencionou "fortes indícios" de abuso de autoridade e possível crime de responsabilidade do colega."
No entanto, a PGR ressaltou que a abertura de uma investigação contra Mendonça depende do entendimento do plenário do Supremo, órgão responsável por autorizar ou recusar pedidos para que integrantes da Corte sejam investigados.
O parecer da PGR foi enviado ao presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, e está sob sigilo. A TV Globo teve acesso à manifestação. As informações foram confirmadas pelo portal G1.
A mãe e o irmão do rapper Oruam, Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, foram presos na manhã desta segunda-feira (19) pela Polícia Federal na Operação Backbone, contra o monopólio de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV).
De acordo com o g1, agentes saíram para cumprir 23 ados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.
Os mandados de prisão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O objetivo da operação é desarticular a estrutura de provedores do tráfico que operam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo as autoridades, essas firmas são responsáveis por lavar dinheiro para o CV.
A PF afirma que Marcinho VP, pai de Oruam, “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”.
De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”.
Não se sabia se Oruam é investigado nesse inquérito.
A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A informação divulgada pelos jornais Estadão de S.Paulo e Folha de S. Paulo, neste domingo (18), aponta que PF deve investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz.
O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado como relator do caso na Corte. A investigação teve início a partir do monitoramento de movimentações financeiras ligadas ao setor de apostas. As apurações apontam que uma empresa do segmento pertencente ao advogado, que é alvo de apurações policiais por suposta participação em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), intermediou e custeou passagens aéreas e voos de caráter pessoal para a Europa em 2025 para o parlamentar e seus familiares.
Relatórios da PF também indicam que Flávio Bolsonaro mantinha acesso operacional como usuário master em uma conta bancária de uma empresa offshore da qual o advogado é sócio, perfil que teve a exclusão solicitada em maio de 2025.
Além deste caso, Tomaz é investigado sob a acusação de realizar repasses financeiros com recursos originados de fraudes previdenciárias e é proprietário da Rede Loto, empresa licenciada no setor de apostas no Rio de Janeiro.
Ao ser questionado sobre as viagens em ocasião anterior, o senador declarou que sua relação com o advogado é estritamente de amizade. Esta é a segunda apuração que envolve o nome do parlamentar no STF, juntamente com o inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento do filme "Dark Horse" junto ao Banco Master.
A assessoria do senador Flávio Bolsonaro não se pronunciou sobre o caso.
Uma semana após ter sido recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em reunião que aconteceu no dia 4 de dezembro de 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro fez um comentário em que pareceu ter desejado a morte do líder petista.
Segundo o colunista Lauro Jardim, em nota neste domingo (18) no seu blog no site jornal O Globo, mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do dono do Banco Master indicam que Vorcaro pode não ter saído satisfeito do encontro com Lula. Relatos sobre a reunião no Palácio do Planalto indicam que Lula teria dito ao banqueiro que os problemas dele seriam resolvidos pelo Banco Central e pela Justiça, barrando qualquer tentativa de ajuda.
Lauro Jardim, na sua coluna, afirma que Daniel Vorcaro enviou uma mensagem ao seu sócio, Augusto Lima, com o link de uma notícia sobre cirurgia de emergência que o presidente Lula se submeteu. A cirurgia aconteceu no Hospital Sírio e Libanês, em 10 de dezembro, após o presidente sofrer uma queda no banheiro.
Ao comentar a notícia sobre a cirurgia que estancou uma hemorragia intracraniana em Lula, Vorcaro mandou a seguinte mensagem a Augusto Lima: “Na traaaveeeee”.
Em entrevista exclusiva concedida à CNN Brasil neste sábado (17), a empresária e lobista Roberta Luchsinger rebateu as declarações do presidente da República, Lula da Silva (PT), que se referiu a ela como "pilantra". Roberta, que é investigada pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência, afirmou que o chefe do Executivo tinha conhecimento de reuniões que o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), realizava com ministros do governo em sua residência.
"Ele mente o tempo inteiro. [...] Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu", rebate a empresária durante a entrevista à emissora. Roberta afirmou ter sido uma das apoiadoras do presidente, destacando que o defendeu publicamente durante o período em que ele esteve preso, em 2018, mas disse não acreditar mais na inocência do mandatário.
"E isso me dói falar, porque eu já acreditei muito nele, defendi muito ele o tempo inteiro, lutei muito por ele quando ele estava, inclusive, preso. E o que eu recebi em troca? Nem um muito obrigada. Eu recebi em troca 'pilantra', 'mau caráter', 'falastrona', 'Vorcaro feminino'. Eu recebi em troca uma comparação com o maior criminoso financeiro do Brasil", desabafa.
A empresária relatou ainda que vem recebendo mais de 50 ameaças de morte diárias e que suas duas filhas vêm sofrendo constrangimentos públicos e ameaças desde o início das exposições. "Como é possível que o presidente tenha usado a máquina pública, um horário nobre de espectadores, para me agredir, para me chamar de pilantra e para me colocar como um 'boi de piranha' ali, fazendo um X na minha testa", questiona.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger disse desejar firmar um acordo de colaboração premiada com a Justiça. Em entrevista exclusiva concedida à CNN Brasil neste sábado (17), a diretora da RL Consultoria e Intermediações afirmou que a eventual delação não poupará o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Roberta e Lulinha são investigados pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência no governo federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nos últimos meses, a empresária foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e determinação para uso de tornozeleira eletrônica.
"[A Polícia Federal] vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade", disse a empresária à emissora.
Questionada sobre o teor de suas contribuições para as investigações, Roberta mencionou que tem a acrescentar informações presenciais que extrapolam o conteúdo de aplicativo de mensagens. "Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste a coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu", justifica.
A empresária reiterou a intenção do acordo e declarou que a máquina pública estaria sendo acionada contra ela. "No momento que a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe uma trâmite legal para isso, eu estarei lá, pronta para colaborar. Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim", afirma.
Em entrevista exclusiva concedida à CNN Brasil neste sábado (17), a empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, reuniu-se "inúmeras vezes" com ministros que compõem o governo de seu pai, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reportagem da CNN Brasil é assinada pelos jornalistas Débora Bergamasco, Iuri Pitta e Lucas Schroeder. Durante a declaração à emissora, a empresária contestou afirmações do presidente de que o filho jamais teria se encontrado com integrantes do alto escalão do governo federal. "É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros. Inclusive, viajou para a casa do ministro Camilo [Santana] no Ceará", alega Roberta.
Segundo a empresária, Lula faltaria com a verdade ao abordar o assunto publicamente. "O Lula é um grande mentiroso quando fala: ‘Ela é uma pilantra, mas meu filho, não. Meu filho jamais sentou com algum ministro’. O filho dele sentava semanalmente com ministros, seja para trocar figurinha, seja para trocar outro tipo de diálogo. Eu sentava com ministros para discutir pautas relativas a políticas públicas", disse para a CNN.
Ao ser questionada, Roberta informou ter participado de discussões sobre políticas públicas ao lado de Lulinha e de ministros do governo, citando especificamente debates relacionados à comercialização de medicamentos à base de canabidiol no país. "Com certeza ele já participou. Ele ficava junto comigo o tempo inteiro, é de ‘sabença’ geral, com certeza em algum momento ele já ouviu alguma discussão, ouviu alguma troca de ideia, principalmente do tema que eu mais batalhei, que foi a questão do canabidiol no Brasil", explica.
Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva são investigados em um inquérito da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e prática de tráfico de influência no governo federal.
A Polícia Federal (PF) pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação, por 90 dias, do inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o delegado responsável pela apuração, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, a prorrogação é necessária para conclusão de perícias contábeis e para aguardar a tramitação do pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido repasses.
Os investigadores da PF também avaliam documentos repassados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Master. Segundo a Agência Brasil, os documentos comprovariam repasses para o fundo de investimentos Havengate Development, criado nos Estados Unidos para receber os pagamentos para o filme.
O caso chegou ao Supremo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a investigação sobre o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a Vorcaro para o custeio das gravações.
O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à tona após o site The Intercept revelar que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.
Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e também passou a ser investigado.
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição em que solicita a abertura de uma investigação para apurar o vazamento de conversas privadas que integram os autos do caso Master. O documento foi endereçado diretamente ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Na petição, os advogados sustentam que o investigado vem sofrendo um “processo de linchamento público” provocado pela exposição de detalhes de sua vida íntima e de conversas mantidas com seus advogados. De acordo com a defesa, os diálogos tornaram-se públicos sem qualquer validação sobre sua veracidade, idoneidade ou a forma como foram obtidos, o que classificam como um episódio sem precedentes na história do país.
Os defensores alegam ainda que os trechos vazados não podem ser utilizados para embasar novas apurações ou investigações contra o ex-banqueiro. Segundo a equipe jurídica, a única medida legal cabível diante do vazamento é a instauração de um inquérito policial para identificar e responsabilizar criminalmente os envolvidos.
Daniel Vorcaro foi preso em março e permanece custodiado no presídio da Papuda, no Distrito Federal. Ele é um dos alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A investigação apura supostas fraudes financeiras no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) determinou a suspensão preventiva do registro profissional do advogado Nelson Wilians pelo prazo de 90 dias. A sanção disciplinar ocorre no meio de múltiplas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público (MP), que apontam o criminalista como suposto operador financeiro em esquemas ilícitos. Com a decisão, Wilians fica impedido de praticar qualquer ato relativo à advocacia, como assinar petições ou participar de audiências.
“Recebi com indignação a decisão da OAB que determinou a suspensão do meu exercício profissional”, disse o advogado à revista Piauí. O principal estopim para a medida foi a Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal da Paraíba em agosto de 2026. A apuração mira uma organização suspeita de operar empresas de fachada no exterior para ocultar e lavar dinheiro gerado por apostas esportivas online, as bets. Segundo os investigadores, o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) teria recebido mais de R$ 200 mi da casa de apostas Pixbet. Durante o cumprimento de mandados na residência do advogado em São Paulo, agentes apreenderam bens de alto padrão, incluindo uma Ferrari SF90 Stradale, obras de arte, esculturas de bronze, relógios de luxo e bebidas raras. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1,1 bi dos investigados, fase em que sua esposa e sócia, Anne Wilians, também passou a ser um dos alvos.
Nelson Wilians já havia anunciado, em agosto de 2026, o seu afastamento por tempo indeterminado da gestão do NWADV, transferindo a administração integral do escritório a um Comitê Executivo. Com a suspensão decretada pela OAB, a banca advocatícia prossegue suas atividades normais sob a condução desse comitê.
Até o momento, a Justiça determinou apenas retenções e bloqueios patrimoniais, sem a expedição de mandados de prisão contra o investigado.
Sabrina Sato se manifestou publicamente, demonstrando indignação pela forma como Daniel Vorcaro e o então executivo do Grupo Globo, Frederic Kachar, falaram sobre ela e outras famosas em recentes conversas obtidas pela Polícia Federal. A artista classificou as falas em relação a ela e outras colegas como “irresponsáveis”.
Frederic Kachar, conhecido como Fred Kachar, era responsável por liderar operações dos jornais O Globo, Extra e Valor, além das revistas da editora do grupo, como Vogue e Marie Claire, assim como o Sistema Globo de Rádio, incluindo a rádio CBN. O Grupo Globo demitiu o ex-executivo nesta quinta-feira (15).
Em nota enviada à coluna Outro Canal, Sabrina Sato afirmou, por meio da sua assessoria, que nunca conheceu o ex-controlador do Banco Master e disse ainda que não possui qualquer relação com ele. “É inadmissível expor a imagem e a reputação de uma mulher com base em uma narrativa alheia à sua realidade. Manifestações desse tipo ferem a dignidade feminina e não devem ser naturalizadas nem servir de combustível para especulações”, diz o comunicado.
“Qualquer tentativa de envolver Sabrina nesses acontecimentos é repudiada. Sua trajetória, construída ao longo de anos de trabalho, merece ser tratada com responsabilidade e respeito”, concluiu a nota.
Nas mensagens apreendidas pela Polícia Federal, estão comentários feitos por Kachar em relação a atrizes da emissora e de convidados da edição de 2024 do Baile da Vogue, evento anual promovido pelo grupo.
O executivo, nas mensagens obtidas, mencionava Sabrina Sato, Deborah Secco e Monique Alfradique. Tanto Kachar quanto Vorcaro mantiveram relações com Alfradique no passado. “Elas estavam para jogo”, disse Kachar, enquanto Vorcaro afirmou que Deborah Secco “estava feia”.
A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por mais 90 dias do inquérito que apura as fontes de financiamento do filme Dark Horse, obra cinematográfica baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Aberto em julho de 2026 a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), o inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes relacionados aos recursos empregados no longa-metragem.
Segundo informações do portal G1, o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), figura formalmente como um dos investigados na apuração.
A controvérsia sobre a cinebiografia ganhou repercussão pública em maio de 2026, após a divulgação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Após a veiculação de um áudio, o parlamentar confirmou ter procurado o ex-banqueiro para viabilizar a produção, mas declarou que o procedimento seguiu normas de financiamento privado e negou irregularidades.
Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, declarou que Vorcaro respondeu por mais de 90% da verba do filme, cujo orçamento girava em torno de US$ 13 mi (aproximadamente R$ 65,7 mi na época). Flávio Bolsonaro admitiu a destinação de pouco mais de US$ 12 mi por parte de empresas associadas ao ex-banqueiro por meio de remessas ao exterior.
Atualmente, os investigadores da Polícia Federal analisam três eixos principais no caso:
-
Os repasses de Vorcaro: a origem e o trâmite dos recursos obtidos a pedido de Flávio Bolsonaro;
-
Transferências internacionais: a hipótese de que parte das verbas tenha financiado a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo negou irregularidades, afirmando que aportou US$ 50 mil e recebeu reembolso sem transitar pelos fundos de Vorcaro;
-
Uso de emendas parlamentares: o suposto direcionamento de verbas públicas à produtora do filme.
A Blue Pay Solutions contestou categoricamente as alegações que associam a empresa a supostos contratos com sobrepreço e repasses de valores em espécie no âmbito das negociações envolvendo o Banco Master. Em nota oficial encaminhada ao Bahia Notícias (BN) nesta sexta-feira (16), a companhia prestou esclarecimentos sobre sua relação comercial com a instituição financeira e negou ter participado de operações destinadas à obtenção de dinheiro vivo.
Essa empresa foi citada em anexos de uma proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No relato atribuído a Vorcaro, a Blue Pay aparece entre as empresas que supostamente teriam sido utilizadas para gerar recursos em espécie.
Segundo a proposta de colaboração, que foi recusada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a empresa manteria contratos com sobrepreço firmados com correspondentes bancários ligados a Augusto Lima, conhecido como "Guga" no caso Master. Parte dos valores pagos, conforme a alegação, seria devolvida para abastecer supostos repasses a agentes políticos.
A Blue Pay, por sua vez, afirma que sua relação com o Banco Master era "estritamente comercial" e formalizada por contrato escrito de prestação de serviços. O acordo, segundo a companhia, previa a operacionalização de campanhas de incentivo e a distribuição de premiações.
Ao BN, a empresa explicou que cabia ao banco identificar os beneficiários e disponibilizar previamente os recursos necessários, enquanto a Blue Pay era responsável pela operacionalização da distribuição dos prêmios.
Em sua manifestação, a companhia negou ter celebrado contratos com sobrepreço para gerar dinheiro em espécie, recebido valores superiores aos serviços efetivamente prestados ou devolvido recursos a pessoas ligadas ou interpostas de Augusto Lima.
A Blue Pay também declarou que jamais realizou pagamentos em dinheiro vivo ou repasses a Daniel Vorcaro ou Augusto Lima. A empresa sustenta que a associação de seu nome às supostas irregularidades não corresponde à realidade e pediu a retificação da reportagem para que as acusações sejam identificadas como alegações atribuídas a terceiros, e não como fatos comprovados.
Confira nota na íntegra:
"BLUE PAY SOLUTIONS LTDA. (“Blue Pay”), qualificada no mandato anexo, em razão da matéria acima indicada, vem apresentar esclarecimentos e requerer a retificação das informações que lhe dizem respeito, bem como a publicação desta manifestação.
A relação comercial mantida entre a Blue Pay e o Banco Master encontrava-se formalmente disciplinada por contrato escrito de prestação de serviços, que previa a operacionalização de campanhas de incentivo e distribuição de premiações. Nos termos do instrumento, cabia ao Banco identificar os beneficiários e disponibilizar previamente os recursos necessários às premiações, enquanto à Blue Pay incumbia operacionalizar sua distribuição.
A matéria afirma, ao reproduzir relato atribuído ao Sr. Daniel Vorcaro, que, para obtenção de valores em espécie, teriam existido contratos com sobrepreço firmados com correspondentes bancários ligados ao Sr. Augusto Lima, citando a Blue Pay como empresa que devolveria parte dos valores pagos.
A Blue Pay esclarece, de forma categórica, que jamais celebrou contratos com sobrepreço para geração de recursos em espécie, jamais recebeu valores superiores aos serviços efetivamente prestados e jamais devolveu ou repassou qualquer diferença a pessoas ligadas ou interpostas do Sr. Augusto Lima. Também jamais efetuou pagamentos em espécie ou pagamentos ao Sr. Daniel Vorcaro ou ao Sr. Augusto Lima.
Assim, não corresponde à realidade a associação da Blue Pay a contratos com sobrepreço destinados à obtenção de dinheiro em espécie ou à suposta devolução de parcela dos valores recebidos.
A Blue Pay respeita integralmente a liberdade de imprensa e o interesse público na divulgação de informações. Entretanto, a associação de seu nome, ainda que mediante reprodução de relato de terceiro, a contratos com sobrepreço, geração de numerário em espécie e devolução de valores, possui evidente potencial de causar prejuízo à sua reputação e credibilidade empresarial.
Diante disso, requer-se que a matéria seja retificada para esclarecer, de forma clara, que a Blue Pay refuta essas alegações e que qualquer referência a tais condutas seja identificada como alegação atribuída a terceiro, e não como fato comprovado", diz comunicado.
Mensagens de WhatsApp extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e obtidas pela Polícia Federal (PF) apontam que o empresário organizou e custeou uma festa com garotas de programa e chef de cozinha para o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As 125 mensagens que tratam do caso foram originalmente reveladas pela revista Piauí e confirmadas pela reportagem do jornal O Globo. As conversas indicam que o evento ocorreu no dia 28 de fevereiro de 2025, uma sexta-feira de Carnaval, na cobertura triplex de Vorcaro, localizada no bairro Itaim Bibi, em São Paulo.
Em nota oficial, o ministro Nunes Marques afirmou que jamais proferiu decisões para beneficiar Vorcaro e negou qualquer tipo de conduta irregular. As investigações mostram que os preparativos para o encontro começaram dias antes. Em 25 de fevereiro de 2025, Vorcaro contactou uma agenciadora de acompanhantes identificada como Rayanna, solicitando o comparecimento de profissionais ao local na tarde do dia 28.
No dia seguinte, 26 de fevereiro, o banqueiro acionou um chef de cozinha e informou a um amigo e arquiteto que receberia um ministro em seu apartamento, pedindo reparos no imóvel. Ainda no dia 26, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), contatou o agente de viagens de Vorcaro para solicitar uma reserva de quarto de hotel para Nunes Marques, referindo-se a ele como "KN".
Ramos já havia sido citado em desdobramentos do caso Banco Master e sua esposa mantinha contrato milionário de honorários com o banco sobre precatórios no TRF-1. Na data da festa, a lista de compras para a gastronomia do evento somou R$ 21.121,90, incluindo cortes de carnes, trufas e latas de caviar.
DIÁLOGOS E ENCONTRO
Conforme os registros das conversas, a agenciadora avisou que não compareceria pessoalmente, mas enviaria duas acompanhantes. Vorcaro concordou com a alteração, mas exigiu que as convidadas estivessem "sem celular". Durante a tarde, o motorista do banqueiro informou por mensagem a chegada das mulheres e dos convidados, enquanto Vorcaro instruía o mordomo e o restante da equipe a recolher os aparelhos telefônicos e orientar a entrada. Às 14h49, o mordomo confirmou a chegada do convidado principal.
Às 20h56, o funcionário pediu autorização a Vorcaro para disponibilizar um dos quartos do imóvel para o ministro e acompanhantes, o que foi prontamente autorizado pelo empresário. Por volta das 22h, o mordomo relatou que os presentes estavam na área da piscina e afirmou que o magistrado "estava sem pressa de ir embora". O convidado deixou o local às 23h17.
Uma semana após a festa, a agenciadora procurou Vorcaro para solicitar o pagamento do serviço prestado por uma das acompanhantes ao convidado, no valor de R$ 10 mil, fornecendo uma chave PIX para a transferência.
Em mensagens anteriores registradas em outubro de 2024, o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, informou a Vorcaro sobre uma vitória judicial relativa a precatórios do setor sucroalcooleiro no STF. Na ocasião, Rennó citou que o voto favorável havia sido proferido pelos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques, e repassou o contato do advogado Kevin Marques, filho do ministro.
Em nota enviada à imprensa, a assessoria do ministro Kassio Nunes Marques rebateu as acusações: "O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros. Seu filho nunca recebeu nada do Banco Master. A matéria referenciada faz ilações e tenta relacionar tais diálogos com a atuação na Presidência do TSE, numa tentativa de fragilizar a condução da Justiça Eleitoral."
Mensagens encontradas no celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelaram os bastidores das relações do presidente e vice-presidente da União Brasil, Antônio Rueda, e ACM Neto, com o banqueiro. Segundo informações reportadas pelo jornalista Fabio Serapião no UOL, o material integrava uma proposta de delação premiada de Vorcaro, rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). (Reportagem atualizada às 08h01 para adicionar o posicionamento de ACM Neto.)
Conforme o material apresentado na delação em posse da Polícia Federal, os políticos estariam supostamente envolvidos na captação de recursos de institutos de previdência estaduais para a instituição financeira. Na negociação, o ex-banqueiro afirmava que os dois políticos atuavam para direcionar aplicações de fundos de aposentadoria de servidores públicos em troca de uma comissão de 10% sobre os valores captados.
Os registros das conversas mostram que as tratativas com Antônio Rueda se intensificaram em novembro de 2023, envolvendo viagens em jatinhos particulares do ex-banqueiro para articular captações junto a regimes próprios de previdência nos estados de Rondônia, Amazonas e Amapá. No dia 12, Fernando Mascarenhas, diretor comercial do Master, avisou o banqueiro de um contato do político: "Rueda me ligou aqui, vai tá no banco amanhã? Good news"
Vorcaro marcou um encontro com Rueda para o dia seguinte. Em uma das trocas de mensagens durante as negociações com o instituto do Amapá, Mascarenhas, comemorou o avanço da operação: "Amapá, confirmado 400". Vorcaro respondeu: "Quero ver nosso amigo apertar o enter".
Na data de aprovação da operação, em 12 de julho de 2024, a divulgação de uma reportagem sobre a Caixa Asset gerou apreensão nos executivos. O tesoureiro do banco, Alberto Felix, informou que Rueda pretendia “segurar as operações”.
1.png)
Foto: Reprodução / Uol
Pouco depois, Rueda enviou um recado para Vorcaro: "Apaga essas mensagens". Uma hora mais tarde, Mascarenhas confirmou a liberação dos recursos: "Aprovado 200 M agora no Amapá. Nesse minuto".
Foto: Reprodução / Uol
O fluxo de mensagens aponta que a comissão pela operação no Amapá envolveu repasses milionários e pagamentos de vantagens indevidas, como a disponibilização de aeronaves executivas para uso pessoal da família de Rueda, hospedagens em hotéis de luxo e a abertura de portas com a presidência do Banco de Brasília (BRB).
.png)
Foto: Reprodução / Uol
Questionado pela reportagem do Uol, Antônio Rueda afirmou em nota que sua relação com o Banco Master era "eminentemente profissional" e lamentou "o uso político de trechos isolados de informações que deveriam estar sob sigilo, mas que foram retirados de contexto com o propósito de criar suspeitas infundadas e atingir sua reputação".
ACM Neto aparece nos diálogos mantendo encontros presenciais ao lado de Rueda e do deputado Elmar Nascimento com o ex-banqueiro, inclusive na residência de Vorcaro em Trancoso (BA) e em uma charutaria em São Paulo. Em outubro de 2024, após uma reunião mantida no DF, ACM Neto escreveu a Vorcaro: "As coisas em Brasília estão consolidadas e, felizmente, saiu tudo como desejávamos na política".
.png)
Foto: Reprodução / Uol
Dias depois, o operador financeiro do banco, Fabiano Zettel, consultou o banqueiro sobre contatos do empresário Marcos Moura: "Marcos Moura (ACM) me chamando. O que eu faço?". Vorcaro instruiu: "Pega com Gustavo / E Minas". Conforme os dados revelados pelo portal, Vorcaro sustentava na proposta de delação que o vice-presidente do partido recebia valores em espécie viabilizados por repasses intermédios.
.png)
Foto: Reprodução / Uol
Em nota oficial sobre o caso, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto afirmou ser alvo de um “vazamento seletivo”. O vice-presidente do União Brasil argumentou "jamais atuou para que institutos de previdência aplicassem recursos no Banco Master, entre os quais o Amapá Previdência" e que todos os valores recebidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram pagamentos por serviços de consultoria devidamente registrados em contrato.
Confira a nota na íntegra:
"Nota à imprensa
Em nota, ACM Neto classificou os constantes vazamentos como seletivos, manipulados e fora de contexto, fruto da tentativa do governo federal de trazer desgaste político em consequência das suas claras posições de enfrentamento e combate ao PT. Neto destacou que este é mais um ataque contra ele que acontece na véspera do evento com o candidato a presidente Flávio Bolsonaro, movimento já registrado também na reta final do primeiro turno na Bahia e que se intensificou após o apoio do ex-prefeito de Salvador ao senador do PL.
O ex-prefeito de Salvador afirmou que nunca teve qualquer tipo de participação no governo federal, o que afasta a possibilidade de interferência em decisões administrativas do Ministério da Previdência e da inclusão do Banco Master na lista exaustiva de instituições elegíveis para receber recursos de RPPS.
Ele afirmou também que jamais atuou para que institutos de previdência aplicassem recursos no Banco Master, entre os quais o Amapá Previdência.
O ex-prefeito de Salvador disse ainda que não conhece Fabiano Zettel e que, portanto, é absurda e criminosa qualquer tentativa de ilação envolvendo seu nome em supostos diálogos dos quais não participou.
ACM Neto voltou a afirmar que todos os valores recebidos do Banco Master decorreram de serviços de consultoria efetivamente prestados, por meio de contrato mensal iniciado em janeiro de 2023, com a devida emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos. Por fim, Neto ressaltou que desde março de 2026 se colocou à disposição das autoridades para prestar todas as informações necessárias sobre o caso Master."
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Valdemar Costa Neto
"Não gostei".
Disse o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto ao comentar a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência nesta quarta-feira (28). No pronunciamento, Flávio afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.
