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O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, discursou durante a sessão plenária da Corte nesta terça-feira (15) e apontou falhas processuais na condução do inquérito e quebras de sigilo do caso Master, sob a relatoria de André Mendonça. Em sua fala, o ministro acusou o colega de atuar de forma eleitoreira.
A acusação ocorreu quando o decano apontou que novas informações foram divulgadas aos ministros por meio do acesso ao celular de Daniel Vorcaro. André Mendonça pede a palavra e diz que não teve acesso a todo o material comentado e Gilmar responde: “Interessante, embora houvesse vazamentos que eram atribuídos ao gabinete de Vossa Excelência.”
Em seu posicionamento sobre o processo em julgamento, que é relacionado a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por contatos com Daniel Vorcaro, Gilmar diz que “a pergunta não é saber se esse ou aquele ministro deve ser investigado”. “A pergunta é se continuarmos a permitir que o rigor da persecução penal seja distribuído conforme a identidade do investigado”, disse.
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A partir deste argumento, o decano do STF passa a acusar Mendonça de atuação enviesada no processo. “Com toda a sinceridade, Presidente, e até as terras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta PET”. Como exemplo, o ministro cita a escolha da data para a quebra de sigilo de Mendonça sobre parte do processo, no dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil.
Gilmar ressalta que Mendonça estaria “envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”. André Mendonça interrompe o colega e diz que “Vossa Excelência [Gilmar Mendes] está sendo leviano”. Mendes então rebate: “Vossa Excelência [Mendonça] não tem a palavra”.
A discussão entre os ministros se intensifica quando Gilmar diz: “Evidente condução político-eleitoral e escolha do 7 de Setembro. Isto não se faz, pessoas decentes não fazem isso.”
Em resposta, Mendonça ressalta: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo, não está falando com qualquer um. Respeite esse Tribunal”. E o decano rebate: “Quem não se dá respeito não merece respeito.”
Ao seguir com sua fala, Gilmar volta a apontar inconsistências na ação de Mendonça: “Fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos. E eu já tive a oportunidade de dizer a vocês e dizer ao presidente da República, que separem o Supremo das eleições e não tentem envolver o Supremo nas eleições. O contrário do que se faz aqui e se deram muito mal porque são aprendizes de feiticeiro.”
“Tentaram arrastar o Tribunal para este tipo de prática e pensaram que iriam ficar impunes”, sustentou o decano. Em sua fala, Gilmar menciona ainda que “em nome de Deus já se fez muita patifaria”.
"Não se julgam pessoas, julgam-se fatos e questões jurídicas, não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência é legítima, mas o confronto pessoal não, a decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente", afirmou o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na abertura da sessão plenária desta terça-feira (15).
Na ocasião, os ministros da Suprema Corte se reúnem para debater a troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e decidir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra o ministro.
Fachin iniciou a sessão relembrando a trajetória de cada um dos ministros e agradecendo aos antigos magistrados que ocupavam as cadeiras da corte. "Não podemos entregar às gerações futuras um STF menor do que o que recebemos. Essa instituição não nos pertence, nós a recebemos do passado, temos o dever de preservá-la no presente e haveremos de entregá-la ao futuro", completou o ministro.
Segundo o presidente da corte, os magistrados precisam ter a consciência de que não é a posição pessoal dos ministros que deve falar pelo Supremo, e sim a decisão do plenário. "O país olha para esta corte, a história também olhará para esse momento. Há respeito institucional quando há discordância, há consideração pelo colega mesmo quando não há convergência, há limites que não decorrem da amizade ou da afinidade pessoal, mas da própria função que exercemos", acrescentou.
Na sequência, Fachin fez um resumo das investigações sobre Daniel Vorcaro e do andamento das apurações na Polícia Federal e no STF, e leu o relatório da investigação do ministro André Mendonça sobre Alexandre de Moraes.
Pela primeira vez, o STF discute o julgamento de um ministro da própria corte. A sessão começou às 10h e está sendo transmitida ao vivo na Rádio e TV Justiça e pelo canal oficial da Corte no YouTube.
Uma série de vazamentos de conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro atingiram em cheio o ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro inclusive indica que vai se declarar impedido de votar no julgamento que ocorre na manhã desta terça-feira (15), depois de revelações sobre pagamentos mensais de R$ 500 mil de Vorcaro a seu filho, o advogado Kevin Marques, além de supostos encontros com mulheres.
De acordo com os vazamentos, conversas do celular de Vorcaro mostram que uma mulher identificada como Rayanna tratou com o ministro Kássio Nunes de um encontro com mulheres e, dias depois, afirmou que uma delas “ficou com o kassio”. Esa mulher teria depois cobrado R$ 10 mil após o suposto encontro com o ministro, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Informações divulgadas pela jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles, em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna pergunta a Daniel Vorcaro: “Qual o endereço, Dani?”. Na sequência, avisa: “As meninas estão prontas”.
Vorcaro responde indicando um endereço na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, em São Paulo. Uma semana depois, em 7 de março, Rayanna volta a falar com o banqueiro sobre o que havia ocorrido naquele dia.
“A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, pergunta. Em seguida, afirma: “Ela disse que ficou com o kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”.
Vorcaro responde pedindo as informações para o pagamento: “Me manda aqui” e “Dados e valor”.
“10 né!”, responde Rayanna. Depois, acrescenta: “Ela ficou com ele” e envia um endereço de e-mail.
Segundo Andreza Matais, em outro trecho do material extraído do celular de Vorcaro, sem relação estabelecida com a conversa de Rayanna, aparece o número de telefone do ministro Kassio Nunes Marques. Em mensagem enviada em dezembro de 2024, o ministro pede ajuda para organizar uma viagem de cerca de dez dias para cinco pessoas.
“Bom dia Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem de uns 10 dias, entre 8 e 18 de janeiro, para 5 pessoas”, diz.
A reportagem do site Metrópoles revela ainda uma outra mensagem, em que o operador de viagens de Daniel Vorcaro, Leonardo Serrano Giunchetti, aparece perguntando ao banqueiro se ele deve cobrar do banqueiro pela viagem de um cliente. “Dani…Veio de vc esse?”, pergunta.
Caso o ministro Kássio Nunes Marques se declare impedido de votar na sessão desta terça, já são pelo menos três magistrados que ficariam de fora. Além de Kássio, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli não participarão da votação.
O grupo ligado a Alexandre de Moraes também via pedir a suspeição do ministro André Mendonça para votar, e ainda há a possibilidade de Luiz Fux também não participar, por conta de vazamentos que mostram ligação de seu filho com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux trocou mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e chegou a se referir ao dono do Banco Master como “irmão”. A informação faz parte do conteúdo presente no celular do ex-banqueiro, que foi compartilhado com os membros da Corte nesta segunda-feira (14), e publicado pela jornalista Raquel Lopes, da Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (15).
Nas mensagens, o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, possuía diversas conversas com Vorcaro, a quem se refere como "irmão". As mensagens revelam encontros presenciais e conversas entre o filho de Fux e Vorcaro. Rodrigo também teria articulado a participação do pai em um evento ligado ao banqueiro em Londres.
Em 17 de maio de 2024, por exemplo, o advogado inicia uma conversa com "Fala irmão. Tudo bem?"; em novembro, ao avisar que estava disponível para uma chamada, escreve "Vamos irmão? Liberei".
Em uma das mensagens, em 4 de dezembro de 2024, quando os dois tentavam combinar um encontro no escritório do filho de Fux, no Rio de Janeiro, Vorcaro disse que só conseguiria ir ao local às 14h, e Rodrigo afirmou que remarcaria outro compromisso para recebê-lo. Após confirmar o horário, escreveu: "Tapete vermelho irmão". Vorcaro respondeu: "Valeu irmao!.
Um mês antes, em novembro de 2024, o ex-banqueiro procurou o advogado e afirmou: "Quero te chamar pra me ajudar num caso". Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar e os dois marcaram uma videoconferência. Depois da conversa, Vorcaro enviou um documento, e Rodrigo afirmou que iria analisá-lo.
Em fevereiro de 2025, os dois voltaram a se encontrar em Brasília. Rodrigo estava no STJ e, ao deixar o tribunal, perguntou onde encontraria Vorcaro. Depois de uma ligação, afirmou que chegaria às 17h30. O banqueiro enviou então o endereço de uma casa no Lago Sul.
No dia 25 daquele mês, Rodrigo fez referência a outro compromisso. "Já está a par do encontro de hoje né?", perguntou. Vorcaro respondeu: "Sim! Vc é fera". "Será um grande dia", afirmou o advogado.
O ministro Luiz Fux, por sua vez, é mencionado em uma conversa no dia 11 de março. Rodrigo procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília. Disse que precisava "alinhar algumas questões" e afirmou que, antes, passaria pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. O encontro inicialmente seria realizado naquela noite, mas Vorcaro ainda estava em São Paulo à espera de um voo. Os dois decidiram então deixar a conversa para a manhã seguinte.
Rodrigo sugeriu 10h ou 10h30, e Vorcaro escolheu o segundo horário. "Fechado", respondeu o advogado. Às 10h12 do dia 12 de março, Rodrigo escreveu: "Bom dia. 10:30hs tô aí".
Poucas horas depois, às 13h29, Rodrigo voltou a procurar Vorcaro e perguntou: "Qual a data de Londres mesmo?". Em seguida, pediu que o material fosse enviado ao seu próprio email e acrescentou: "E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim". O endereço informado pelo advogado tinha domínio institucional do STF. Vorcaro respondeu: "Vou pedir!".
O ministro Luiz Fux e o filho, Rodrigo, não se manifestaram publicamente até o momento. As informações são da Folha de S. Paulo.
As mensagens que constam no celular de Daniel Vorcaro, que foi entregue a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que o ex-banqueiro teria realizado pagamentos ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques. O conteúdo foi divulgado aos membros da Corte nesta segunda-feira (14), e foi publicado pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (15).
As mensagens foram trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, e o ex-banqueiro. Nela, Rennó fala em pagamentos mensais de R$ 500 mil que seriam feitos por meio da Consult Inteligência Tributária.
Em março, o jornal o Estado de S. Paulo revelou que Kevin Marques, que tem 25 anos, havia recebido R$ 282 mil da mesma empresa. O escritório de Kevin afirmou na época que o pagamento era lícito e decorrente do exercício regular da advocacia, com atuação voltada ao fisco.
Na primeira mensagem que cita o filho de Nunes Marques, o diretor Rennó repassa a Vorcaro, no dia 1 de outubro de 2024, a informação de que o STF tinha tomado uma decisão favorável à empresa, que reconhecia a responsabilidade da União sobre prejuízos causados a usinas do setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990.
Com isso, a União teria que pagar indenizações bilionárias às usinas. Vorcaro tinha negócios e interesse na área.
Na ocasião, votaram a favor da tese os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Ficaram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça.
Em seguida, Rennó envia o print com os contatos de Kevin Marques, e embaixo a legenda: "Dominado aqui".
No ano seguinte, em 4 de julho de 2025, Rennó volta a falar do assunto com Vorcaro. Ele envia o print com os mesmos contatos de Kevin Marques e escreve: "Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?". Vorcaro responde: "Kkkkkkk".
Em 8 de agosto de 2025, Rennó diz a Vorcaro: "Dos pagamentos essenciais está faltando a Consult". Em seguida, envia o mesmo print com os contados de Kevin Marques, e escreve: "Aqui. Esse aí. Único 'meu' que faltou".
O ministro Kassio Nunes Marques não se manifestou e a assessoria de Kevin afirma que ele não prestou serviços para o Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ofício à Corte, na noite desta segunda-feira (14), negando irregularidades na condução da investigação que envolve Alexandre de Moraes. Na manifestação enviada ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, Mendonça esclareceu que a determinação para a identificação das pessoas mencionadas no documento foi feita no âmbito da supervisão judicial da investigação, visando preservar o sigilo e a eficiência das apurações.
O ofício foi enviado às vésperas da sessão plenária desta terça-feira (15), que analisará o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e decidirá se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra o ministro.
A manifestação de Mendonça foi feita em resposta a um despacho de Fachin, emitido em 3 de setembro, quando o presidente da Corte determinou a coleta de informações sobre as condições em que o relatório foi elaborado e sobre a atuação da Polícia Federal.
Anteriormente, a Procuradoria-Geral da República havia se posicionado a favor da anulação do relatório, argumentando que Mendonça teria ultrapassado suas atribuições, contudo, Mendonça afirma que não realizou uma investigação contra Moraes, mas determinou aos policiais responsáveis pelo caso que apresentassem informações atualizadas sobre a identificação dos integrantes de uma suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.
Conforme Mendonça, ele determinou que os delegados encarregados apresentassem informações atualizadas sobre as investigações, porque as conversas continham dados que indicavam que Vorcaro buscava intervenção de autoridades públicas envolvidas nos "processos decisórios pertinentes".
Por conta da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de pedir ao ministro André Mendonça que retirasse o sigilo do processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, veio à tona a informação sobre um pedido da Polícia Federal que há seis meses está parado na mesa do relator da investigação sobre o Banco Master.
Em 10 de março deste ano, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça que ele revelasse integralmente dados de um relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaria pagamentos do ecossistema de Daniel Vorcaro a uma autoridade com foro privilegiado. O relatório de inteligência financeira elaborado pelo Coaf ocultava, com tarjas, o nome da autoridade mencionada.
No pedido feito a Mendonça, a PF pediu autorização para ter acesso ao documento completo do Coaf, sem as tarjas, para que se soubesse o nome da autoridade implicada no esquema de pagamentos. Passados seis meses do pedido, o ministro não permitiu à PF saber o nome da autoridade envolvida.
Em seu ofício encaminhado em março a Mendonça, a Polícia Federal registrou de forma expressa as razões técnicas que tornavam indispensável a intervenção do relator:
“A cautela do Coaf em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”, afirma o pedido.
Mesmo com a justificativa, o ministro André Mendonça manteve o requerimento paralisado. No volume de 13 páginas elaborado pelo Coaf, as tarjas pretas encobrem os beneficiários diretos que possuem foro privilegiado, beneficiados com repasses sistemáticos efetuados por empresas e operadores ligados a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como braço financeiro de Vorcaro. Entre as entidades que figuram na malha de transações está a Igreja da Lagoinha Belvedere, instituição fundada por Zettel.
Fontes ligadas à investigação ouvidas pela reportagem do jornal O Globo afirmam que a autoridade mencionada no relatório seria um ministro do Supremo Tribunal Federal. Entre o grupo do ministro Alexandre de Moraes, há a aposta de que se trate do ministro Dias Toffoli.
Toffoli já havia sido citado em outro relatório da PF, de cerca de 200 páginas, que listava supostas ligações com Daniel Vorcaro. Entre os pontos mencionados estava a compra de uma participação avaliada em R$ 35 milhões na empresa que controlava o resort Tayaya, ligado à família do ministro.
Esse relatório, no entanto, foi arquivado pelo presidente do STF em uma sessão secreta realizada em fevereiro deste ano.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter em sigilo as quebras de sigilo bancário e fiscal de mais de 30 pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso Master, incluindo empresas do próprio Daniel Vorcaro.
Em março, a Polícia Federal (PF) pediu a Mendonça a retirada de dados do relatório do Coaf e, oito dias depois, enviou uma nova solicitação para as quebras de sigilo dos mesmos alvos. A segunda medida foi autorizada, e o ministro considerou que a primeira havia perdido a validade, já que os relatórios do Coaf são mais superficiais que as quebras de sigilo.
As quebras autorizadas afetam empresas como a Super Empreendimentos, investigada por supostamente facilitar pagamentos de Vorcaro a uma milícia e a agentes públicos, e a Moriah Asset, fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como seu operador financeiro.
Os dados também revelaram que a Igreja da Lagoinha, sob a gestão de Zettel, teve movimentação atípica de R$ 57 milhões entre 2014 e 2015, enquanto seu faturamento anual é de R$ 950 mil.
Em ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes destacou que Mendonça não havia tornado público o material do Coaf, que é essencial para o julgamento desta terça-feira (15). Na ocasião, o plenário se reunirá para discutir a crise na corte, após Mendonça expor mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes, indicando disposição para investigar o colega.
Fachin solicitou manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a divulgação do documento por sua relevância. A decisão agora está com Fachin, que assumiu a relatoria do caso Moraes-Vorcaro e determinou o levantamento do sigilo do caso Master, exceto em diligências ainda em andamento.
Ele também ordenou que Mendonça enviasse os autos dos casos Master e INSS ao seu gabinete, o que paralisa as investigações e impede novas decisões do relator original. A PF ainda não apresentou o relatório de análise de movimentação bancária e financeira, levando o gabinete de Mendonça a considerar que o caso deve permanecer sigiloso.
A Polícia Federal entregou integralmente o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (14). A entrega foi realizada após Zanin solicitar, no domingo (13), ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que enviasse uma cópia do material.
O aparelho foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero. Zanin havia determinado que o conteúdo fosse entregue até as 23h deste domingo (13), mas o material foi recebido apenas nesta manhã.
Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes também participaram do processo. Zanin declarou que precisa ter acesso ao conteúdo completo para formar sua convicção antes do julgamento agendado para terça-feira (15). A decisão acontece em meio a divergências entre os ministros sobre o compartilhamento do espelhamento do dispositivo.
André Mendonça havia argumentado, em ofício, que a liberação de todo o conteúdo poderia “tumultuar” o julgamento e prejudicar o andamento das investigações. Segundo ele, os ministros já teriam recebido o material necessário para a análise. Zanin contestou essa afirmação, ressaltando que não há hierarquia entre os ministros do STF.
Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a retirada do sigilo sobre um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
Segundo informações da Agência Brasil, o parecer da PGR foi produzido em resposta a um pedido do ministro Alexandre de Moraes, que em ofício ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, disse ser essencial a quebra do sigilo da petição sobre os pagamentos de Vorcaro.
Antes de decidir, Fachin requereu o parecer da PGR, para quem o sigilo deve ser retirado para que se “possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve”, diz a manifestação assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho.
O vice-PGR fez referência ao julgamento marcado para esta terça-feira (15), quando o plenário do Supremo deverá analisar se abre ou não uma investigação contra Moraes.
Até o momento, o STF levantou o sigilo de 53 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.
Essa última petição sobre os pagamentos do ex-banqueiro, contudo, segue em segredo. Em sua manifestação, a PGR informou que sequer sabia da existência desse processo, que “não aparece visível à PGR no sistema do STF”, diz o parecer.
JULGAMENTO
No julgamento de terça, os ministros devem se debruçar sobre um relatório da Polícia Federal (PF) que traz 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes, com quem o ex-banqueiro demonstra ter relação próxima.
O material foi recuperado do celular apreendido de Vorcaro. As mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, dia em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.
Nas mensagens, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro busca informações sobre a operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor não puderam ser resgatadas, informaram os investigadores.
O relatório veio à tona no início de setembro, quando o sigilo sobre material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. Em resposta, Moraes divulgou o que disse ser um “relatório de inteligência” da PF segundo o qual haveria direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça, com objetivo de atingir desafetos políticos.
O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e “sem valor probatório”.
Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.
A retirada do sigilo dos autos do caso Master, nesta sexta-feira (11), revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seria sócio de uma casa de apostas. Inicialmente, uma mensagem atribuída à “Turma” ligou o ex-banqueiro à Pixbet, no entanto, o banqueiro teria tido participação, na verdade, na bet.bet (ou Bet Ponto Bet).
A informação foi divulgada pelo jornal Metrópoles nesta segunda-feira (14). Segundo a coluna de Demétrio Vecchioli, a bet.bet nasceu de uma sociedade entre Ednildo “Junior”, que tinha o know how do mercado a partir da Pixbet; Kleryston Silveira, que levava com ele alguns dos artistas mais famosos do país; e Daniel Vorcaro, que tinha o dinheiro do Master.
Ao autorizar a Bet.Bet Soluções Tecnológicas a operar no mercado de apostas esportivas no Brasil, no final de 2024, o Ministério da Fazenda detalhou ter sido informado pela empresa que ela tinha sócios: a Bet Participações SA (com 30%), a Jacka Participações SA (17%), a K Pontes Ltda (23%) e a HLD JT Participações Ltda (30%).
A K Pontes pertence a Kleryston Pontes Silveira, um empresário que agencia Xand Avião, Zé Vaqueiro, Xand Avião, Leo Foguete e outros. Já a HLD tinha como sócios os dois donos da concorrente Pixbet: o majoritário Ednildo Junior de Farias Santos, o “Junior”, e seu primo Diomar.
Já Daniel Vorcaro não apareceu para o Ministério da Fazenda, mas estava por trás da Bet Participações, detida pelo Oracle Fundo de Investimento em Participações, administrado pela REAG. Para obter a licença, a empresa disse que o único cotista era Adriano Garzon Correa, um ex-despachante de Nova Lima (MG).
A bet, porém, não explodiu como se esperava e acabou sendo vendida este ano para Nickolas Tadeu Ribeiro, denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica no processo que envolve o influenciador Buzzeira.
A aposta na bet.bet, estreou no mercado, em junho de 2024, já patrocinando o Domingão do Huck. Um mês depois, virou patrocinadora do principal quadro do programa, o The Wall. Em janeiro do ano seguinte, patrocinou 14 edições dos Ensaios da Anitta.
Em abril deste ano, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorizou a venda da Open Gaming, que detinha as marcas DonaldBet e Bet.Bet, para a Ana Gaming, que já opera por meio de marcas como 7K Bet, Cassino e Vera.
Em uma semana com expectativa sobre a decisão do Banco Central a respeito da taxa básica de juros, as atenções em Brasília estarão voltadas principalmente para a sessão marcada para esta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF). Marcada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, inclusive com determinação para que seja transmitida ao vivo pela TV Justiça, a sessão pode representar o ápice da crise que começou no início de setembro, desde que o ministro André Mendonça tornou públicas as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a escalada da crise no STF e em meio às incessantes revelações sobre casos como o do financiamento do filme “Dark Horse”, que envolve o candidato Flávio Bolsonaro (PL), as eleições perderam protagonismo no debate político em Brasília. Ainda assim, a campanha segue a todo vapor e entra em uma fase decisiva, já que faltam apenas três semanas para o primeiro turno, em 4 de outubro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem realizado viagens de campanha mais em dias como sextas, sábados e domingos, inicia sua semana com compromissos internos no Palácio do Planalto e a sanção da medida provisória que destina recursos para o financiamento de veículos a motoristas de transporte privado de passageiros. A medida inclui benefícios a motoristas de aplicativo (motos ou carros), taxistas, cooperativas de taxistas e profissionais de transporte escolar.
Confira abaixo a agenda da semana em Brasília.
PODER EXECUTIVO
O presidente Lula inicia sua semana em Brasília nesta segunda-feira (14) com compromissos internos no Palácio do Planalto. A agenda de Lula para a manhã inclui apenas uma reunião com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.
Na parte da tarde, o presidente Lula terá uma reunião às 14h40 com o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick, e logo depois, às 15h, haverá uma solenidade para a sanção da medida provisória 1359/2026, que institui linhas de financiamento do MOVE para veículos novos.
A medida, aprovada pelo Senado no dia 1º de setembro, destina até R$ 30 bilhões para o financiamento da compra de veículos novos que respeitem critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica. O texto da medida também abre permissão para o financiamento de infraestrutura, equipamentos e renovação da frota do transporte urbano de passageiros ou cargas, com foco principal na concessão de empréstimos para a compra de motos e motocicletas por entregadores de aplicativo.
Nesta segunda, o presidente Lula ainda terá uma reunião, no Palácio do Planalto, com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, da Casa Civil, Miriam Belchior, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, às 16h30.
A agenda de Lula para o restante da semana ainda não foi divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
No calendário da economia, a semana tem como destaque a decisão do Comitê de Política Econômica do Banco Central na chamada “superquarta” (16). O Banco Central anunciará a nova taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, e a expectativa dos analistas de mercado é de mais um corte de 0,25 ponto percentual, principalmente depois de o IPCA de agosto registrar deflação de 0,32%.
Antes do Copom, será divulgado nesta semana, nesta terça (15), o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, um estudo completo do IBGE sobre a situação da agropecuária no país. O estudo mostrará os resultados da produção brasileira no mês de agosto deste ano.
Também na terça o IBGE apresenta os resultados da sua Pesquisa Mensal do Comércio. A pesquisa mostrará um raio-x da situação do comércio brasileiro no mês de julho.
PODER LEGISLATIVO
O Congresso Nacional segue paralisado, em um momento de recesso branco por conta da campanha eleitoral. Depois de realizar dois período de esforço concentrado, Senado Federal e Câmara dos Deputados só terão sessões em plenário após o primeiro turno das eleições.
Apesar da paralisação, um grupo de parlamentares vêm pressionando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a realizar uma sessão no plenário nesta semana. Senadores como Carlos Viana (PSD-MG) e Eduardo Girão (Novo-CE) reivindicam a abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Alcolumbre, não dá sinais de que irá ceder às pressões e até o momento, não há indicação de realização de qualquer sessão no plenário do Senado.
PODER JUDICIÁRIO
Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal se prepara para viver um dos momentos mais delicados de seus mais de 130 anos de história. Nesta terça (15), às 10h, o plenário se reúne em sessão extraordinária para analisar o procedimento originado a partir de informações da Polícia Federal sobre suposta relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Os ministros devem definir o destino dos elementos reunidos pela PF e indicar se há espaço para que seja iniciada uma investigação na Corte relacionada ao ministro Alexandre de Moraes. Na votação, os ministros também poderão decidir se prevalecerá a tese da Procuradoria-Geral da República (PGR), que questiona a validade do relatório da PF e pede a sua nulidade.
A crise ganhou maior dimensão quando o relatório da PF foi tornado público, no início do mês de setembro. O documento levou André Mendonça a separar o material para apreciação dos demais ministros do Supremo.
Já Alexandre de Moraes reagiu em outro procedimento, o inquérito das fake news, e apresentou elementos para questionar a relatoria do próprio ministro Mendonça, responsável pelas investigações. O STF então passou a conviver com duas frentes distintas: uma relacionada aos elementos que alcançaram Moraes e outra referente à conduta de Mendonça na condução dos procedimentos.
Apesar da pressão do grupo ligado a Moraes, o presidente do STF, Edson Fachin, colocou na pauta apenas o pedido relacionado às conversas de Daniel Vorcaro com o ministro do STF. A denúncia apresentada por Alexandre de Moraes contra Mendonça foi agendada para a sessão plenária do dia 23 deste mês.
Edson Fachin também tomou para si a relatoria do caso contra Moraes, por identificar possível impedimento de juiz por relação com envolvidos, fato previsto no Código de Processo Civil. A decisão concentra na presidência da Corte as decisões que guiarão desdobramentos da crise no STF.
Na sessão desta terça, há expectativa também sobre um possível pedido de vista, que levaria o caso relacionado a Moraes a um futuro incerto, já que a votação dos demais ministros pode acabar ficando apenas para o ano que vem.
Com os ministros divididos entre as posições de Alexandre de Moraes e André Mendonça, ainda não se sabe se o presidente do STF, Edson Fachin, manterá a sessão plenária da próxima quarta (16), para julgamentos de uma pauta de ações previamente acertadas. Na semana passada, duas sessões no plenário foram canceladas devido à crise no Tribunal.
Os ministros do STF deixaram de julgar, na semana passada, ações com a ADC 91, que tem como tema central o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014). A ação julga a validade de um trecho que prevê que dados de registro de conexão, como o IP (informação utilizada para identificar usuários), só podem ser disponibilizados mediante ordem judicial.
Também foram adiados os julgamentos das ADIs 5059 e 5073, que envolvem o alcance do poder de requisição de provas, informações, dados e documentos por delegados de polícia em investigações criminais, conforme previsto em trechos da Lei 12.840/2013.
Para esta semana, a pauta previamente agendada tem como primeiro item a análise da ADI 7495, que discute diferenças nas regras de licença parental, incluindo a equiparação entre maternidade biológica e adotiva e a possibilidade de compartilhamento do período de afastamento entre os responsáveis pela criança. A ação foi proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tem como relator o ministro Alexandre de Moraes, que pediu destaque do processo no Plenário Virtual.
Também estão pautados dois processos que discutem a aplicação do Estatuto da Pessoa Idosa a reajustes de planos de saúde por faixa etária. Na ADC 90, o STF analisa se a proibição de cobrança de valores diferenciados em razão da idade alcança contratos firmados antes da entrada em vigor do estatuto, em 2004.
O tema também é tratado no RE 630852, com repercussão geral (Tema 381), cujo julgamento aguarda a proclamação do resultado. A Presidência do STF indicou que os entendimentos dos dois processos serão harmonizados para a proclamação conjunta.
A pauta inclui ainda a retomada do julgamento da ADI 5385, que questiona lei de Santa Catarina que redefiniu os limites do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e criou o Mosaico de Unidades de Conservação da Serra do Tabuleiro e Terras de Massiambu. O julgamento foi suspenso em agosto, diante da possibilidade de empate em cinco a cinco, em razão da cadeira vaga no Tribunal.
O ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, vai acionar a Justiça contra sites e personalidades que teriam usado as as mensagens trocadas com Daniel Vorcaro para, segundo a defesa, atribuir a ele condutas que não seriam verdadeiras. A informação foi divulgada neste domingo (13) pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
As mensagens entre Faria e Vorcaro foram encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro e parte delas foi revelada pela revista Piauí, na última sexta-feira (11). No histórico da conversa, ambos narram que Faria ajudou o ex-banqueiro a chamar autoridades para uma festa privada de Halloween em outubro de 2023, onde Daniel Vorcaro teria reunido 120 mulheres e 20 homens em uma boate em São Paulo.
Segundo a reportagem, advogados de Faria sustentam que ele apenas teria transmitido, a pedido do anfitrião, convites às autoridades citadas. Segundo o diálogo, estavam entre os convidados os senadores Davi Alcomumbre e Rodrigo Pacheco e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
A defesa do ex-ministro do governo Bolsonaro afirma que Faria conhecia Vorcaro há apenas 15 dias quando as mensagens foram trocadas. Dizem ainda que agendas publicadas em sites oficiais, registros de voos da FAB e informações sobre voos oficiais podem comprovar que nenhuma das autoridades citadas compareceu ao evento.
Interlocutores apontam que a decisão de processar os sites se deve a repercussão do que foi publicado sobre as mensagens, teria gerado "consequências graves para a família" do ex-ministro. O empresário é casado há 19 anos com a apresentadora Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos e uma das donas do SBT.
Faria determinou ainda aos advogados que façam o mapeamaneto de perfis que criaram memes ou ampliaram, por meio de impulsionamento pago, a circulação de postagens que, segundo ele, seriam falsas.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) entregue, até as 23h deste domingo (13), uma cópia integral do celular apreendido de Daniel Vorcaro. O aparelho é um iPhone 17 Pro recolhido durante a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.
A ordem foi encaminhada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e comunicada ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. Zanin afirmou que precisa ter acesso ao conteúdo completo para formar sua convicção antes do julgamento marcado para terça-feira (15). A decisão ocorre em meio à divergência entre ministros sobre o compartilhamento do espelhamento do aparelho.
André Mendonça havia defendido, em ofício, que a abertura de todo o conteúdo poderia “tumultuar” o julgamento e prejudicar o andamento das investigações. Segundo ele, os ministros já teriam recebido o material necessário para a análise. Zanin rebateu o argumento e afirmou que não existe hierarquia entre os ministros do STF.
A disputa ocorre às vésperas da análise, pelo plenário do STF, de mensagens extraídas do celular de Vorcaro relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes. O caso envolve a apuração de informações ligadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A retirada do sigilo do inquérito relacionado ao filme “Dark Horse” trouxe, entre outras revelações, uma mensagem apreendida no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que cita um pedido de reunião dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro no mesmo dia em que o então deputado federal anunciou que iria morar nos Estados Unidos. Essa mensagem foi enviada pelo publicitário Thiago Miranda a Vorcaro em 18 de março do ano passado.
Segundo relatório da Polícia Federal anexado ao inquérito que apura o financiamento do filme, o publicitário, que intermediou as tratativas sobre o filme, enviou mensagem a Vorcaro às 9h34 do dia 18 de março de 2025. Disse Thiago Miranda: “Flavio B e Eduardo querem marcar uma agenda com vc. Filme”.
No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro fez uma postagem às 11h37, convocando seguidores para uma live na qual acabou por anunciar que havia decidido morar nos Estados Unidos. Um dia depois do anúncio, o então deputado afirmou, em entrevista à CNN, que cogitava inclusive abrir mão do seu mandato, segundo ele, porque não tinha “tranquilidade para voltar ao Brasil”.
O relatório não informa qual foi a resposta do dono do Banco Master sobre o pedido de reunião e nem se ela ocorreu. O primeiro repasse de verbas a mando de Vorcaro foi feito pouco mais de um mês antes do anúncio de Eduardo.
Outros dois repasses foram realizados seis dias depois, segundo o relatório. O documento foi tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O dinheiro para o filme “Dark Horse foi repassado por Vorcaro por meio da empresa Entre Investimentos, que enviou os valores para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
O então deputado Eduardo Bolsonaro estava nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro de 2025. Na época, aquela era a sua quarta viagem ao país no início de ano, todas pagas com recursos próprios. Quando Daniel Vorcaro fez o seu primeiro repasse para o filme, de US$ 2 milhões, em 13 de fevereiro de 2025, Eduardo estava em sua terceira ida aos EUA.
Em 24 de fevereiro, o deputado do PL foi a uma conferência nos Estados Unidos e passou duas semanas em um périplo para falar com autoridades americanas sobre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, meses depois sancionado pela Lei Magnitsky.
A data do primeiro pagamento é posterior ao que foi combinado na proposta de financiamento: seriam 14 parcelas repassadas todo dia 5 — sendo as duas primeiras no valor de US$ 2 milhões em janeiro de 2025 e outras 12 de US$ 1,66 milhão, como mostra documento anexado pela PF.
Em nota à imprensa, Eduardo Bolsonaro diz que nunca conversou ou se reuniu com Vorcaro e nega qualquer relação entre sua mudança para os EUA e o dinheiro do filme. Já a equipe de Flávio vem repetindo a afirmação de que ele não cometeu irregularidades e defende o fim do sigilo da investigação.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) se recusou a fornecer à Polícia Federal as senhas de dois celulares apreendidos em sua casa, em Salvador, durante a nona fase da Operação Compliance Zero.
A informação consta de relatório da PF tornado público após a retirada de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os aparelhos foram recolhidos durante a busca, realizada em 18 de junho.
“O investigado negou o fornecimento de senhas dos aparelhos”, registraram os agentes.
Durante a busca, os policiais também encontraram R$ 16,5 mil, US$ 16.795 e € 39.675 em espécie, além de relógios de alto valor. Parte do dinheiro estava em uma mala atribuída ao senador; outra, em um cofre no closet de sua mulher.
Wagner disse aos agentes que o dinheiro era usado em viagens e que havia comprado os relógios ao longo dos anos. Segundo a PF, porém, ele não apresentou notas fiscais dos bens.
A investigação apura a relação de Wagner com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e suspeitas de que o senador tenha recebido vantagens de empresários ligados ao Banco Master.
“Chamou ainda a atenção a grande quantidade de relógios de alto valor na residência do investigado. Questionado sobre as suas aquisições, informou que adquiriu ao longo dos anos, contudo, não apresentou nota fiscal de qualquer bem. Assim, foram arrecadados e posteriormente apreendidos os bens referidos no presente Relatório, cujo valor econômico somente poderá ser aferido com precisão após a realização das perícias cabíveis”, escreveu a PF.
A PF identificou ainda ao menos 74 ligações entre Jaques Wagner e Augusto entre novembro de 2023 e maio de 2025. As conversas duraram mais de cinco horas e meia no total. Os investigadores destacaram a preferência dos dois por ligações telefônicas.
A relação entre os dois também aparece nas tratativas para a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador para a filha de Wagner, em novembro de 2024, o senador encaminhou a Augusto o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento.
Em dezembro de 2025, Daniel Monteiro, advogado do Banco Master, escreveu a Guilherme Sodré, homem de confiança de Wagner, que “a altura do vão é 2,45m”.
Para a PF, a mensagem sugere o uso de linguagem cifrada para dificultar a compreensão do conteúdo. O senador admitiu em junho que tratou da compra do imóvel com Augusto.
“Eu tinha interesse em dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’ Porque o apartamento está em construção. E eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar”, disse na ocasião.
Uma influenciadora de música eletrônica foi às redes sociais para anunciar que teve seu perfil suspenso após o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pedir que o Instagram retirasse uma publicação sobre festa privada na Madame Satã, em São Paulo. Ana Raquel dos Santos Ribeiro produzia conteúdo sobre música eletrônica, reunindo notícias, datas de eventos, escalações de DJs e venda de ingressos. Seu perfil desapareceu do Instagram em 10 de novembro de 2023, comprometendo sua produção de conteúdo e fonte de renda.
Segundo Ana, no dia 1º de novembro de 2023, antes da suspensão, ela havia publicado um vídeo de uma festa na boate Madame Club, conhecida como Madame Satã em São Paulo, acompanhado da legenda "Quando eu for rico, haverá sinais." A festa em questão foi a festa articulada por Vorcaro e revelada pela reportagem da revista Piauí.
Ana não esteve na festa mostrada no vídeo. Ela disse à BBC News Brasil que apenas noticiou o ocorrido depois de acessar o material por meio de um técnico de som que teria trabalhado e publicado sobre o evento. "Na época ninguém entendia do que se tratava", afirmou a influenciadora.
Em setembro daquele ano, antes da suspensão da conta, Ana havia deixado o emprego de contadora para se dedicar unicamente ao perfil. Sua renda vinha de comissões sobre a venda de ingressos, divulgação de festas e criação de conteúdo. À época, o perfil já contava com cerca de 13 mil seguidores e alcançava mais de 425 mil contas.
As informações sobre a suspensão da conta de Ana constam de uma ação judicial apresentada em 2023 contra Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., empresa do grupo Meta que figurou como ré no processo. A BBC News Brasil teve acesso à íntegra dos autos. Depois que a conta caiu, o Instagram informou que ela deveria recorrer e provar que não era um robô. Após judicializar o processo, a contadora conseguiu reaver a conta no final de novembro.
EVIDÊNCIAS DE INTERVENÇÃO
Durante a investigação e perícia ao celular do ex-banqueiro do Banco Master, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, investigadores analisavam conversas mantidas por Vorcaro com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no celular como "Felipe Mourão", também conhecido como Sicário. Segundo a Polícia Federal (PF), Mourão atuava como executor de determinações de Vorcaro, acessando informações sigilosas, intimidando pessoas e tentando controlar conteúdos publicados na internet.
A postagem de Ana aparece em uma seção intitulada "Monitoramento e manipulação de perfis em redes sociais." Nesse trecho, a PF apresenta diferentes situações em que Vorcaro pede a Mourão que acompanhe, retire ou tente derrubar conteúdos considerados inconvenientes.
Em 3 de novembro de 2023, Vorcaro encaminhou a Mourão o link do vídeo publicado dois dias antes por Ana. "Derrubar esse", escreveu o banqueiro. Mourão respondeu "Bom dia" e "Sim." Vorcaro esclareceu que não queria a remoção de todo o perfil de Ana: "Só o post." Mourão afirmou que já havia feito um pedido relacionado ao Instagram, mas Vorcaro voltou a corrigi-lo: "Insta não. Só o post." Sete dias depois daquela conversa, a conta inteira da influenciadora foi suspensa pelo Instagram.
Um vídeo antigo de Silvio Santos voltou a viralizar nas redes sociais após a repercussão envolvendo seu genro, Fábio Faria, marido de Patrícia Abravanel, e mensagens atribuídas a ele que teriam sido trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Registros obtidos pela investigação da Polícia Federal (PF), e divulgados pela Revista Piauí nesta sexta-feira (11), apontam tratativas relativas à organização de um evento privado em São Paulo em 2023.
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— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) September 12, 2026
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Na reportagem, o ex-ministro das Comunicações articula convidar homens públicos para a festa organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro: "É, eu sei. Mas, pô, eu, por exemplo, estou falando que vou dormir em Brasília, entendeu? É só pra dar confiança pros caras. Falou, pro Arthur todo mundo, pô, vai trazer todo mundo. Mandei aqui pro Toffoli. Pô, dá até para trazer o Alexandre numa dessa, entendeu?."
Com a repercussão dos relatórios, usuários nas redes sociais resgataram um trecho do quadro "Jogo das Três Pistas", do SBT. Na ocasião, Patrícia Abravanel leu a primeira dica, "Chifre", e Silvio Santos respondeu imediatamente em tom de brincadeira: "Chifre? Já sei! Seu marido."
O resgate do momento gerou diversos comentários do público, como "A lenda da TV sempre esteve à frente do tempo", "Silvio foi a maior perda que tivemos nos últimos anos. Sabia das coisas" e "E ele vivia soltando piadas com o marido dela, coisa que não acontecia com as outras."
Ex-deputado federal pelo Rio Grande do Norte e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro entre 2020 e 2022, Fábio Faria é casado com Patrícia Abravanel desde 2013, relação da qual nasceram três filhos.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro desembolsou US$ 55,3 milhões com serviços de turismo e eventos de luxo na empresa Signature Luxury Services LLC em um período inferior a um ano. As informações constam nos relatórios do inquérito do caso Master, que tiveram o sigilo suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (11).
Segundo informações do g1, a empresa de turismo enviou esclarecimentos ao ministro André Mendonça, relator do processo, descrevendo Vorcaro como um de seus clientes mais assíduos e exigentes. As contratações abrangiam locação de jatinhos, iates, vilas de alto padrão para temporada, serviços de concierge e contratação de artistas renomados.
Os valores foram revelados por um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central, com informações fornecidas por instituições financeiras. Os repasses ocorreram entre novembro de 2024 e dezembro de 2025 por meio de uma corretora sediada nas Bahamas, chamada Mosaic Financial Ltd.
Entre as viagens analisadas pela Polícia Federal (PF) estão um deslocamento para Nova York, em maio de 2024, durante a semana do evento "Person of the Year", e uma estadia na estação de esqui de Courchevel, nos Alpes Franceses, em janeiro de 2025. Ambas as viagens tiveram despesas pagas por Vorcaro para convidados, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Conforme a apuração da PF, os benefícios econômicos obtidos pelo parlamentar com hospedagens em hotéis de alto padrão, jantares, vestuário de inverno e traslados internacionais alcançaram ao menos R$ 468 mil.
Na representação enviada ao STF, os investigadores afirmam que a relação entre o ex-banqueiro e o senador possuía caráter "funcional e instrumental", na qual o parlamentar atuaria em defesa de interesses do empresário em troca de vantagens e despesas custeadas.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou nesta sexta-feira (11) que a cópia de segurança dos dados retirados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro continua em HD lacrado e intocado em seu gabinete na Corte. Isso ocorreu depois que o ministro Cristiano Zanin pediu acesso ao acervo de informações do caso.
De acordo com a GloboNews, foi decidido em fevereiro que a Polícia Federal (PF) seria a responsável pela custódia oficial dos dados originais. Na ocasião, a corporação entregou ao gabinete do magistrado uma cópia de segurança do material arrecadado no aparelho celular de Vorcaro.
O ministro enfatizou que o conteúdo que está sob sua responsabilidade não sofreu qualquer tipo de violação e se encontra intacto nas dependências do STF.
A Polícia Federal identificou mensagens que apontam para uma suposta participação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na PixBet e na Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Atlético-MG. Segundo os diálogos encontrados pelos investigadores, Vorcaro seria proprietário da empresa de apostas e teria 25% da SAF do clube mineiro.
As conversas fazem parte das investigações sobre as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e também sobre as relações mantidas por Vorcaro com autoridades da República.
As mensagens foram trocadas em outubro de 2024 entre Marilson Roseno da Silva, ex-escrivão da PF investigado por integrar um grupo chamado “A Turma”, e um contato identificado como “Pk Caiava”. De acordo com a investigação, o grupo teria atuado no monitoramento e na intimidação de pessoas consideradas adversárias de Vorcaro.
Em áudio enviado no dia 3 de outubro, Marilson afirmou que a PixBet pertenceria ao “chefe” de São Paulo, expressão que, segundo os investigadores, seria uma referência a Vorcaro.
“Cara, ele não vai conseguir, esquece. Só os p… Sabe de quem é essa PixBet ai? Do chefe lá de São Paulo. Que tem 25% do Galo. Aliás, o patrocínio vai até mudar lá. Acho que no ano que vem vai ficar Pixbet. É dele. Acho que ele vai me colocar para gerenciar isso”, disse o funcionário do banqueiro, em mensagem de áudio.
Na sequência, “Pk Caiava” questionou quem seria o homem citado. Marilson respondeu: “É o Daniel Vorcaro, pô, que comprou 25% lá. É a SAF”.
As investigações também identificaram referências a outro integrante ligado ao grupo. Em uma das conversas, “Pk Caiava” mencionou “Mexirica”, apontado como alguém que trabalharia para Vorcaro. A PF identificou o apelido como sendo de Felipe Mourão, que também seria conhecido como “Sicário” e, segundo os investigadores, teria atuado ao lado do banqueiro nas fraudes atribuídas ao Banco Master.
INGRESSOS PARA FAMÍLIA DE MORAES
Outro conjunto de mensagens apreendidas pela PF indica que Vorcaro teria buscado ingressos VIP para os filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acompanharem uma partida entre Atlético-MG e Grêmio, disputada na Arena MRV, em maio de 2024.
Para os investigadores, a iniciativa seria mais um elemento relacionado à proximidade entre Vorcaro e Moraes. O ministro entrou no radar da investigação porque o escritório de advocacia de sua esposa firmou um contrato de R$ 131 milhões para prestar serviços ao banqueiro.
Em novembro do ano passado, o Atlético-MG informou o afastamento de Vorcaro da SAF, responsável pela administração do clube. Na ocasião, a equipe declarou que a medida ocorreu em razão de “fatos de conhecimento público que geraram impedimentos para o exercício regular de suas funções”.
O banqueiro Daniel Vorcaro organizou uma festa com 120 mulheres na boate Madame Underground Club, conhecida como Madame Satã, em São Paulo, em 2023. Segundo as informações obtidas e divulgadas pela revista Piauí nesta sexta-feira (14), a exigência, que foi registrada em mensagens do dono do Banco Master, era que a confraternização tivesse “só menina nova”.
Conforme a reportagem, o banqueiro escalou o ex-ministro de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, e o promotor de eventos, Tiago Polo, para a organização da festa, que ocorreu no dia 31 de outubro, com o tema de Halloween. Segundo as conversas de Vorcaro com a dupla, Faria teria sido responsável por convidar os poucos homens da lista de convidados e Polo convocou as presenças femininas. No fim, a festa contou com a presença de 20 homens e 120 mulheres.
As conversas, que constam em um relatório da Polícia Federal (PF), ocorreram no WhatsApp e começaram no dia 24 de outubro, terça-feira, exatamente uma semana antes da festa. Em uma delas, Faria relata a Daniel Vorcaro que convidou os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) (STF), Dias Toffoli.
“Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb”, diz ele. Em seguida, Faria escreveu a Vorcaro: “Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der vms trazer. E na segunda quero ir lá no banco com os meus sócios do escritório.” Em resposta à presença das “suíças”, Vorcaro respondeu: “Virão, sim.”.
No dia seguinte, Vorcaro trocou mensagens com Tiago Polo. “Irmão, costurei várias agências pra gente conversar. Mega, Ford, Joy, enfim quando quiser retomar esse assunto, me fala”, escreveu Polo a Vorcaro. A mensagem faz referência ao recrutamento de mulheres para a noite de Halloween. O banqueiro mencionou uma quarta agência: “Irmão, a ideia da Allure é boa, mas não queria ninguém de fora nessa festa. De homem. Vai ter uma turma relevante pra mim, não quero ninguém desconfortável.”
No mesmo dia 25, o dono do Master questionou Fábio Faria: “Fala, irmão. Tudo bem? Me passa depois quem tá confirmado. Só pra eu ter uma ideia de número.” Faria então repisou que “Davi e Pacheco” estavam confirmados e disse que: “Toffoli também vai tentar pq preside uma sessão na terça.”
Nas mensagens, Vorcaro pergunta sobre a presença de outra pessoa: “Ciro não?”, perguntou, numa provável referência ao senador Ciro Nogueira. Faria respondeu que o senador tinha uma viagem agendada.
Fábio Faria escreveu que uma pessoa de iniciais “MV” iria ligar para Vorcaro para perguntar se poderia “chamar o Wesley”. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né.” A reportagem do Piauí detalha que MV pode ser uma referência às iniciais do advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho, que trabalha para os irmãos Wesley e Joesley Batista e já atuou para o banqueiro.
Posteriormente, Vorcaro pediu para Faria confirmar se Wesley iria à festa, e depois deu mais garantia quanto à privacidade do evento: “Se vazar, eu tô morto. Peguei equipe só de controle disso. Não vai vazar nada. Não será primeira nem última.” Depois, Vorcaro explicou: “E outra: festa vai ser bacana, não é festa de putaria. Se alguém falar algo, era evento do banco para parceiros de Halloween.”
No dia seguinte à festa, as mensagens de Daniel Vorcaro revelam que a festa foi parcialmente vazada. Uma das convidadas teria postado em sua conta no TikTok um vídeo com o título “MELHOR FESTA DE HALOWEEN”.
A cópia, que consta no relatório da PF, mostra uma mulher loira. Vorcaro escreveu para Tiago Polo: ‘Cara, quem é essa puta?” Polo respondeu se tratar de uma “amiga do Lukas”, para depois escrever “pqp”. A mulher, que seria amiga do Lukas, teria violado a proibição de comentar sobre a festa em público. Vorcaro determinou: “Vai tomar no cu. Manda tirar agora. Isso. Agora.” Polo diz ter o contato dela e que iria ligar. O post foi apagado.
Os seguranças contratados por Vorcaro impediam que convidados fizessem fotos mesmo do ambiente externo, da fachada da boate.
DECLARAÇÕES
À revista Piauí, um grupo de sócios donos das agências citadas por Faria e Vorcaro negou a disponibilização de modelos para essa festa. Eli Hadid, da agência Mega; Liliana Gomes, sócia da Joy; Décio Restelli Ribeiro, presidente da Ford Models no Brasil, e Felipe Nisti, dono da agência Allure, disseram não trabalhar com esse formato de agenciamento.
Já Fábio Faria disse, em nota enviada à Piauí, que sua participação na festa se restringiu ao envio de convites, e nada mais. “[Faria] conheceu Daniel Vorcaro em um fórum empresarial, em outubro de 2023. Dias depois, a pedido do anfitrião, transmitiu convites a amigos em comum para um evento privado. Sua participação se limitou a isso.” O advogado Marcos Vinícius, por sua vez, falou que MV não é ele. Contou que, na data da festa de Halloween, estava fora de São Paulo. Tiago Polo não se manifestou.
A assessoria de Wesley Batista afirmou: “Não há qualquer elemento que permita identificar Wesley Batista como o ‘Wesley’ mencionado nas mensagens. O que se pode afirmar categoricamente é que Wesley Batista nunca participou de qualquer festa promovida por Daniel Vorcaro.”
Gé Rodrigues, sócio do Madame Satã, falou que nunca houve locação da sua boate para o nome de Vorcaro. “Não compactuo com nada disso que estou vendo no noticiário, somos uma casa underground. Foi uma produtora quem alugou”, disse.
Por meio de sua assessoria, o ministro Dias Toffoli negou ter ido à festa de Vorcaro. Em nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que na data de 31 de outubro de 2023 estava em Brasília, cumprindo agenda do senado. E Pacheco relatou o mesmo, com destaque ao fato de que ele presidiu a sessão do Senado no dia em questão. As assessorias tanto de Alcolumbre quanto de Pacheco dizem que, naquela noite, os dois jantaram juntos em Brasília.
O ministro André Mendonça, conforme determinado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, levantou no final da noite desta quinta-feira (10) o sigilo de diversas investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. Mendonça, entretanto, manteve em segredo de justiça algumas delas, como a petição que investiga o repasse de recursos por Daniel Vorcaro para um fundo de investimento nos Estados Unidos com o objetivo de financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente do STF, na decisão em que solicitou a retirada do sigilo das investigações do caso Master que tramitam na Corte, autorizou André Mendonça a manter em sigilo o que poderia prejudicar investigações futuras operações e diligências sobre o caso.
Nesse sentido, Mendonça manteve fechadas as informações sobre o repasse para o filme “Dark Horse” e também a petição que investiga a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. Outra investigação mantida em sigilo por Mendonça foi aquela revelada pela Polícia Federal no relatório de inteligência enviado para o ministro Alexandre de Moraes, sobre Antônio Rueda e ACM Neto.
Os documentos relacionados à relação entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro estão na lista de processos que se tornaram públicos após determinação de André Mendonça. Os documentos desse processo, entretanto, já tinham sido liberados na última semana por decisão do próprio Mendonça.
Na noite desta quinta, o ministro André Mendonça tornou público 14 procedimentos sob sua relatoria no STF. Entre eles estão dois dos principais inquéritos que detalham a engenharia financeira que levou ao rombo bilionário do Banco Master.
O principal deles é o inquérito 5026, da Operação Compliance Zero. Ele foi criado quando o processo ainda estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli, momento em que o magistrado determinou a remessa do inquérito que tramitava na Justiça Federal contra Daniel Vorcaro e outros suspeitos.
É a partir deste inquérito que outras investigações foram ramificadas. Entre as que tiveram o sigilo levantado por André Mendonça, cinco tratam direta ou indiretamente das operações de prisão e busca e apreensão contra os envolvidos no grupo chamado “A Turma”, utilizado por Vorcaro para intimidação e perseguição de adversários e desafetos.
Outro inquérito, que investiga a cooptação de influenciadores, o chamado “Projeto DV”, para influenciar a percepção pública sobre Vorcaro e o Banco Master, também teve seu sigilo levantado pelo ministro André Mendonça.
Também consta no material liberado por André Mendonça as informações sobre o pagamento de viagens e jantares internacionais por Daniel Vorcaro para os dois servidores do Banco Central acusados de atuar para favorecer o Banco Master. É o que afirma a Polícia Federal nos relatórios enviados ao STF.
De acordo com a investigação, Vorcaro teria custeado parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, junto com a esposa para Paris, assim como do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza para a Disney, nos Estados Unidos.
Segundo a investigação, Vorcaro teria organizado uma viagem de Belline e da esposa para Paris. O ex-banqueiro “tratou diretamente com prestadores de serviços no exterior sobre reservas de restaurantes, recepção e logística, chegando inclusive a encaminhar o contato pessoal do servidor para que a programação fosse finalizada”, diz a PF.
A decisão tomada por Edson Fachin sobre as investigações do Banco Master ocorre às vésperas da sessão extraordinária do Supremo marcada para 15 de setembro. O plenário deverá analisar a controvérsia envolvendo o relatório da Polícia Federal que revelou diálogos entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) questiona a validade dessa parte da investigação e pediu a nulidade do relatório.
O levantamento do sigilo, na visão de Fachin, teve como objetivo permitir que os demais integrantes do STF tenham acesso ao conjunto de informações relacionadas ao caso antes da sessão.
O candidato a presidente pelo Avante, o escritor Augusto Cury, condicionou o seu apoio a Flávio Bolsonaro (PL), em um eventual segundo turno, se ele explicar de que forma foi gasto o dinheiro repassado por Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme “Dark Horse”. Em entrevista nesta quinta-feira (10), Cury recusou ficar neutro caso não avance para o segundo turno, mas apresentou condições para apoiar Flávio.
"Não ficaria neutro. Mas em relação ao Flávio, ele tem que provar que não tem corrupção. Ele tem que provar para onde foi o dinheiro do ´Dark Horse´. Tem um longa-metragem meu sendo rodado agora com quase um décimo do valor do filme do pai dele, para se ter uma ideia”, afirmou o candidato.
Augusto Cury deu um salto nas últimas semanas nas pesquisas de intenção de voto, passando de 2% em média para 10%, como mostram levantamentos recentes. O escritor disse que se Flávio Bolsonaro quiser seu apoio, precisa garantir que vai utilizar o plano de governo feito por ele e o Avante.
“Ele tem que pegar o meu plano de governo, ir no cartório e assinar, que vai executá-lo. Se ele fizer isso, as pessoas que me seguem estão liberadas a votar nele”, disse o psiquiatra.
Já sobre um eventual apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cury afirmou que “em hipótese nenhuma” estará ao lado do líder petista. O escritor argumentou ainda que sua candidatura é o “pesadelo” de Lula, já que, ao contrário do presidente, ele não tem histórico de corrupção.
“Eu não vou apoiar o Lula, claramente, no segundo turno, e eu creio que eu vou estar no segundo turno fortemente com o meu time. O pesadelo do Lula, com muito respeito, é a minha candidatura, porque eu não tenho história de corrupção”, declarou Augusto Cury.
Questionado sobre sua estratégia para chegar ao segundo turno, Augusto Cury disse que iria partir para um confronto sério com Lula, mas sem ataques pessoais.
“Se o pai não conseguiu tirar o Lula, o filho, muito menos. E o sonho do Lula é ter Flávio Bolsonaro no segundo turno”, explicou.
Em outra entrevista, ao portal Money Times, o candidato do Avante explicou porque, na opinião dele, sua candidatura teria parado de crescer após um repentino salto nas pesquisas. Para o escritor, houve um “mutirão” de robôs e “haters” com ataques para estancar o crescimento dele entre os eleitores.
“A indústria dos haters entrou pesadamente. É inacreditável. Minha esposa falou: ‘querido, que mundo é esse, um show de agressão, onde as pessoas querem construir e desconstruir a imagem um do outro?'”, lamentou Cury sem detalhar de onde teriam partido os ataques verificados contra ele nas redes sociais.
Em meio aos desdobramentos das acusações envolvendo supostos repasses irregulares do Banco Master, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) rebateu as informações divulgadas a partir da proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou ser alvo de um “vazamento seletivo”.
Durante coletiva de imprensa, convocada nesta quinta-feira (10), o candidato ao governo da Bahia, questionou a divulgação do conteúdo da proposta de colaboração, que, segundo ele, já havia sido rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). ACM Neto argumentou que a exposição das informações teria um “objetivo e um propósito específico”, sugerindo uma tentativa de provocar desgaste político.
O ex-prefeito também contestou a consistência e a origem das declarações atribuídas a Vorcaro, classificando o material divulgado como uma “coisa apócrifa”. Segundo ele, não há elementos suficientes para estabelecer as circunstâncias em que as supostas afirmações foram feitas. “Não se sabe quando isso foi dito, se realmente foi dito, em que contexto isso aconteceu”, afirmou.
Ao comentar o caso, Neto também declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. De acordo com ele, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF) já foram informados, desde março, de sua disponibilidade para responder a eventuais questionamentos relacionados ao caso.
O ex-prefeito afirmou que sua intenção é colaborar com as autoridades competentes, fornecendo esclarecimentos e respondendo formalmente a qualquer dúvida que possa surgir durante as investigações.
Confira a resposta de ACM Neto
?? Sobre caso Master, ACM Neto declara ser alvo de "vazamento seletivo"
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) September 10, 2026
????Maurício Leiro/ Bahia Notícias
Confira?? pic.twitter.com/IssPUyFKh9
O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou que fará um pronunciamento no plenário da Corte, às 11h desta quinta-feira (10).
O pronunciamento acontece um dia após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, marcar para a próxima semana uma sessão plenária para discutir se haverá abertura de uma investigação contra Moraes por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Ainda ontem, Fachin também determinou a suspensão de todos os procedimentos que envolvem investigações contra integrantes da própria Corte, após sete anos de concentração desses procedimentos no âmbito do inquérito das fake news, relatado por Moraes.
Nos últimos dias, Moraes está sendo um dos protagonistas de uma das mais graves crises na história recente do STF que eclodiu quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento revelou mais de 50 mensagens trocadas entre o Vorcaro e Moraes.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro". A decisão tramita sob sigilo judicial. Com a decisão, os relatos e documentos apresentados por Mineiro poderão ser utilizados formalmente pelos investigadores, desde que sejam submetidos aos procedimentos de verificação e corroborados por outras provas.
Vale explicar que essa medida não significa reconhecimento automático da veracidade das informações prestadas pelo delator. O caso foi confirmado pelo portal G1. Ao homologar o acordo, o relator analisa aspectos legais, como a voluntariedade da colaboração e a regularidade do procedimento.
Apontado como operador financeiro ligado ao empresário Daniel Vorcaro e ao extinto Banco Master, Mineiro teria fornecido informações sobre movimentações financeiras e operações que estão sob análise das autoridades. A expectativa é que o conteúdo da colaboração possa subsidiar novas diligências, incluindo pedidos de quebra de sigilo, oitivas e eventuais desdobramentos investigativos.
Como o processo permanece sob sigilo, os detalhes do acordo e das declarações prestadas por Mineiro ainda não são públicos. A homologação, contudo, reforça a relevância da colaboração para o avanço das apurações conduzidas pelos órgãos responsáveis.
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, detalhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a realização de sete repasses financeiros, sob o formato de "subscrições de cotas", para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. O fundo é apontado como responsável pelo financiamento do filme "Dark Horse", produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações apuradas pelo g1, os repasses ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões (o equivalente a cerca de R$ 62,8 milhões na cotação de setembro de 2025). As operações teriam sido efetuadas por meio da empresa Entre Investimentos, a pedido do ex-dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro.
A subscrição de cotas consiste na emissão de novas frações por um fundo para ampliação do seu patrimônio mediante investimento. Conforme o depoimento do delator, os recursos haviam sido solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual candidato à Presidência da República.
Em seu relato, Freixo Jr. afirmou que Vorcaro o procurou via aplicativo de mensagens entre o final de 2024 e o início de 2025 para solicitar os envios. A intenção inicial do ex-banqueiro previa a transferência de aproximadamente US$ 24 milhões divididos em mais de dez operações, até janeiro de 2026. Contudo, apenas sete transações foram concluídas antes da primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) abriu, nesta terça-feira (8), um processo ético-disciplinar contra o escritório Barci e Barci Sociedade de Advogados, que pertence à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A medida foi determinada pelo presidente da entidade, Paulo Maurício Siqueira (Poli), e anunciada em uma sessão extraordinária do Conselho Pleno.
Segundo informações do g1, a decisão considera "os fatos recentemente tornados públicos e constantes de relatório da Polícia Federal" a partir dos dados do celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
No Cadastro Nacional dos Advogados (CNA), da OAB, constam como sócios do Barci e Barci: Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes; Giuliana Barci de Moraes, filha do casal; Alexandre Barci de Moraes, filho do casal; Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada de Moraes; e Fernanda Ghiuro Valentini Fritoli.
Com relação ao relatório da PF, citado por Paulo Siqueira, o relator do caso Master no STF, o ministro André Mendonça, retirou o sigilo sobre esse material no dia 1º de setembro. Os documentos mostram que Vorcaro enviou mensagens de visualização única a um número registrado no celular do ex-banqueiro como "Alexandre de Moraes BRASILIA".
Conforme análise da PF, as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro mostram uma série de relações com a família de Moraes, incluindo a discussão de dois contratos com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e Vorcaro dizendo a Moraes que tinha uma "dívida de vida" com ele.
Durante a sessão do Conselho Pleno, Poli afirmou que caberá ao Tribunal de Ética apreciar o que chamou de "fatos graves trazidos no relatório da Polícia Federal tornado público."
"A advocacia não é meio para cometimento de crimes. E a OAB-DF, na sociedade, inscrita em nossa casa, nós temos o dever de apurar esses fatos", declarou o presidente da entidade.
A seccional da OAB no Distrito Federal também abrirá um procedimento ético-disciplinar contra o advogado Ciro Soares. Segundo o relatório da Polícia Federal, ele intermediava a comunicação entre Vorcaro e o procurador-Geral da República, Paulo Gonet.
Na nota divulgada após a reunião, a entidade destaca que o procedimento "observará todas as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa” e que esses processos ético-disciplinares devem tramitar em sigilo na OAB.
As punições possíveis em um processo ético-disciplinar na OAB podem incluir multa, censura e suspensão, por exemplo. A punição mais grave é a exclusão ou o cancelamento da inscrição do advogado. Ela exige voto favorável de dois terços do Conselho Pleno da seccional.
Em resposta as medidas, o escritório Barci e Barci Sociedade de Advogados afirmou que a OAB-DF utiliza, em "contexto eleitoral", questões que já foram "analisadas e arquivadas" pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
“O escritório Barci de Moraes lamenta que questões já analisadas e arquivadas pela PGR sejam utilizadas em contexto eleitoral na OAB/DF. Espera que o presidente da entidade, Paulo Maurício Braz Siqueira, reveja suas declarações e faça os esclarecimentos necessários, evitando a adoção das medidas cabíveis”, diz a nota. As informações são do g1.
Uma nova pesquisa Datafolha prevista para ser divulgada na sexta-feira, 11, vai mostrar como está a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro a menos de um mês para o eleitor ir às urnas. Este será o primeiro levantamento realizado depois da crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Neste cenário, além de atualizar os cenários de primeiro e segundo turnos, a pesquisa vai medir se os episódios envolvendo os ministros do STF deixaram eleitores em dúvida ou chegaram a fazê-los mudar de voto para presidente.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026. O instituto ouvirá 2.002 eleitores de todo o país entre os dias 8 e 11 de setembro em entrevistas pessoais realizadas em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A divulgação está prevista para sexta-feira, 11 de setembro.
O Datafolha fará inicialmente uma pergunta espontânea e, depois, apresentará dois cenários estimulados para a Presidência:
No primeiro, estarão Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Pablo Marçal, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara e Veterinário Wilson Grassi. O segundo repetirá a lista sem Pablo Marçal.
Depois da escolha, o instituto perguntará se o voto está totalmente decidido ou se ainda pode mudar. O questionário também investigará se o eleitor escolhe determinado candidato por considerá-lo mais preparado e com as melhores propostas ou principalmente para impedir a vitória de outro concorrente.
O 2° TURNO
O principal confronto de segundo turno colocará Lula diretamente contra Flávio Bolsonaro.
O Datafolha também testará o presidente contra Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. Em todos os cenários, o entrevistado poderá escolher um dos dois nomes, declarar voto branco ou dizer que ainda não sabe.
A inclusão de Cury permitirá medir seu desempenho em um confronto direto depois do avanço registrado pelo escritor nas pesquisas presidenciais das últimas semanas.
MAIOR REJEIÇÃO
O Datafolha voltará a perguntar em quais candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum no primeiro turno.
A lista inclui Lula, Flávio, Cury, Caiado, Zema, Renan e os demais nomes apresentados no cenário estimulado. Como a pergunta admite múltiplas respostas, cada entrevistado poderá rejeitar mais de um presidenciável.
CRISE DO STF
Um bloco específico do questionário será dedicado à crise no Supremo Tribunal Federal.
O instituto perguntará se os eleitores consideram que os ministros do STF têm poder demais, se veem a Corte como essencial para proteger a democracia e se acreditam que a confiança no tribunal diminui em relação ao ano passado.
Também medirá o grau de conhecimento dos brasileiros sobre o vazamento de mensagens de 2025 enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes e os entrevistados poderão dizer se estão bem, mais ou menos ou mal informados sobre o episódio.
MORAES
A pesquisa perguntará diretamente qual deveria ser a consequência para Alexandre de Moraes depois da divulgação das mensagens.
Na sequência, o Datafolha vai medir se a revelação das conversas não alterou nem deverá alterar o voto para presidente, se deixou o eleitor em dúvida ou se chegou a fazê-lo mudar de escolha.
MENDONÇA
O instituto também perguntará se os entrevistados tomaram conhecimento da suspeita levantada por Moraes contra André Mendonça, relacionada à condução de tratativas de delações premiadas e ao direcionamento de alvos de investigação por supostos motivos pessoais e políticos.
Assim como no caso de Moraes, os entrevistados poderão opinar sobre o que deveria acontecer com Mendonça: nada, afastamento temporário, renúncia ou impeachment.
O Datafolha também perguntará se o episódio não alterou o voto presidencial, se provocou dúvidas ou se levou o eleitor a mudar sua escolha.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter sofrido ameaças durante transferências realizadas após sua prisão e afirmou que as intimidações dificultaram sua tentativa de fechar um acordo de delação premiada. As informações foram reveladas pela revista Veja nesta sexta-feira (4), com base em depoimento prestado pelo empresário ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Vorcaro, um dos episódios ocorreu durante o transporte de São Paulo para Brasília. Ele afirmou ter ouvido uma ameaça relacionada à possibilidade de revelar informações sobre uma pessoa apontada como “chefe”. “Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo. E aí, quando eu abro a porta, eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso’”, declarou.
Já durante uma transferência de helicóptero em Brasília, o banqueiro disse que voltou a ser intimidado. Conforme o relato, um dos agentes teria sugerido que seria mais fácil “jogar ele daqui”, enquanto a aeronave estava no ar. “Então, essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela vida. E foi durante todo o trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”, afirmou.
O empresário associou as supostas intimidações à possibilidade de mencionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma eventual colaboração. Ele declarou que os dois mantinham uma relação e que Rodrigues teria participado de eventos ligados ao crescimento do Banco Master. Vorcaro também afirmou que tentava apresentar sua versão à PF havia cerca de nove meses, mas não conseguia avançar nas conversas.
Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República adotou uma postura diferente e teria demonstrado maior disposição para ouvi-lo. Na tentativa de acordo, o ex-banqueiro afirmou ainda que pretendia citar “pessoas relevantes do atual governo” e instituições com as quais manteve relações. De acordo com o relato, parte dessas relações teria envolvido situações que, na avaliação dele, ultrapassaram “linhas de moralidade” e de “ilicitude”.
Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a defender que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não atue no caso sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O motivo é que o próprio Gonet foi citado nessas mensagens.
Segundo informações do Globo, para os magistrados que defendem essa posição, o ideal seria que o vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand, atuasse no lugar de Gonet como representante da Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso.
Gonet já tomou decisões sobre o processo. Mesmo tendo sido citado nas mensagens de Vorcaro, ele pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que detalha a relação entre o ex-banqueiro e o ministro Moraes.
As mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro também mantinha relações com Gonet. Em uma conversa de março de 2025, o advogado baiano Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, pergunta ao banqueiro se poderia incluir Pedro Gonet, filho do procurador-geral, no grupo que participaria de um evento em Londres. Vorcaro confirma o convite e, segundo a mensagem, ficaria responsável por bancar a viagem do filho de Gonet até a capital inglesa.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) instaurou um procedimento interno para apurar mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O caso tramita no contexto das investigações relativas ao Banco Master e terá como relator o conselheiro Francisco de Assis Sanseverino.
A abertura do processo atende a uma representação formalizada por parlamentares do Partido Novo após a divulgação de relatórios da Polícia Federal. Os documentos policiais revelaram diálogos e anotações de Vorcaro que mencionam autoridades públicas, incluindo Gonet e pessoas de seu círculo familiar, entre os registros, constam articulações para estreitar laços institucionais e o convite para um evento internacional direcionado a um parente do PGR.
No ofício enviado ao órgão de cúpula do MPF, a bancada do Novo solicita a designação de um subprocurador-geral da República independente para conduzir eventuais apurações que toquem a figura do PGR. Embora pontuem que a iniciativa não imputa conduta criminosa direta a Gonet, os deputados alegam a necessidade de preservar a integridade institucional do Ministério Público.
O rito interno prevê a oitiva de Paulo Gonet para prestar esclarecimentos sobre o teor das mensagens. Concluída essa fase preliminar, o relatório de Sanseverino será submetido ao plenário do CSMPF para deliberação, em data ainda a ser fixada.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, o afastamento do ministro Alexandre de Moraes das funções de ministro. A informação foi confirmada pela jornalista Natura Nery, do Globonews, nesta quinta-feira (3).
O pedido foi feito em meio aos novos desdobramentos do caso Master. Na terça-feira (1°), Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Já nesta quinta, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra o ministro André Mendonça por supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
No momento, ambos os pedidos estariam “na mesa” da presidência da Suprema Corte que, até o momento, pediu que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues se expliquem em 5 dias sobre investigações relacionadas ao Banco Master.
A equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na noite desta quinta-feira (3) duas notas fiscais que teriam sido emitidas em nome de sua esposa, Janey Nagliatti Mendonça, pela alfaiataria Alegrete, loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos. As notas, segundo a assessoria do ministro, comprovariam que foi ele, e não o banqueiro Daniel Vorcaro, quem teria efetuado a compra de ternos.
Com o valor total de R$ 26.430, as notas emitidas pela alfaiataria foram apresentadas por Mendonça para rebater a suspeita de que ele teria recebido os ternos como um presente de Vorcaro. Essa suspeita surgiu após a revelação de áudios de conversa do banqueiro com o advogado baiano Ciro Rocha Soares.
Reportagem do site ICL Notícias revelou, a partir do vazamento de conversas retiradas do celular de Vorcaro, uma tentativa de aproximação do banqueiro com o ministro do STF. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Mensagens retiradas do celular de Daniel Vorcaro mostram que Ciro Rocha Soares enviou uma fotografia ao lado de Mendonça, na loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos, conhecido por vestir empresários, executivos e figuras públicas.
“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.
No mesmo dia, porém, conforme mostra a nota fiscal, Mendonça teria pago o terno com nota emitida em nome de sua esposa, em um total de R$ 16,5 mil, à loja de Vasco. O valor foi gasto em camisas, ternos e conjuntos feitos sob medida.
Já em 28 de fevereiro, Mendonça pagou mais R$ 9.900 ao alfaiate, com a aquisição de blazers sob medida e acessórios. Novamente a nota do alfaiate foi emitida em nome da esposa do ministro.
Em nota à imprensa depois da divulgação da informação sobre o encontro, André Mendonça disse que recebeu Daniel Vorcaro apenas uma vez, por pedido do próprio banqueiro, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, ele afirmou que atendeu também o advogado do empresário e que mantém nos registros do gabinete os memoriais escritos sobre o encontro.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que os R$ 5 milhões doados em 2022 para campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) teriam sido parte de uma negociação de propina. Segundo Vorcaro, foram destinados R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro. O relato foi revelado pelo UOL nesta quinta-feira (3).
Naquele ano, Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e também investigado na Operação Compliance Zero, foi o maior doador das campanhas. O empresário afirmou que os valores seriam “contrapartidas financeiras” relacionadas a um suposto “ajuste indevido com Gilberto Kassab” para garantir a permanência do Credcesta no governo de São Paulo.
De acordo com o relato, Augusto Lima, sócio do Banco Master responsável pela expansão do Credcesta, teria buscado assegurar a continuidade do negócio diante da possibilidade de vitória de Tarcísio nas eleições daquele ano. Vorcaro disse ainda que o pagamento seria inicialmente feito integralmente em dinheiro.
Segundo ele, Kassab ou interlocutores teriam informado que era necessário cumprir compromissos com partidos aliados e que, nesse caso, as legendas aceitariam apenas doações oficiais. A proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
O presidente do PSD afirmou que nunca tratou de doações com Vorcaro ou Augusto Lima e disse não ter qualquer relação com o ex-banqueiro. A defesa de Tarcísio também negou vínculo com Vorcaro. Em nota, afirmou que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores, seguiu a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Citado em um áudio do advogado baiano Ciro Soares, ligado ao PSD, o senador Otto Alencar confirmou a relação com o jurista. Apesar disso, o senador negou que tenha sido abordado sobre a possibilidade de se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao Bahia Notícias, Alencar, que é o presidente estadual do PSD, ressaltou que Ciro Soares já trabalhou para o partido, “mas não pediu nada de Daniel Vorcaro.”.
Em um dos áudios vazados da conversa entre Soares e o dono do Banco Master, o senador baiano foi citado. Ciro diz que planejava levar o parlamentar ao encontro secreto entre o banqueiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, relatou Ciro a Daniel Vorcaro. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”.
No mesmo áudio, o advogado baiano revelou que, antes da reunião, em um momento ocorrido durante uma festa, o próprio Otto Alencar já havia perguntado a ele sobre Daniel Vorcaro.
Ao BN, Otto afirmou que Ciro advogou para sua sigla e que o considera um amigo e advogado. “Às vezes viajo com ele, de Salvador para Brasília, pessoa que tenho uma boa relação”, disse o senador.
Ele diz ainda que nunca pediu nada relacionado ao Vorcaro ou Banco Master a Ciro ou André Mendonça: “Ciro viajou comigo, mas não pediu nada de Daniel Vorcaro” e completa dizendo que, no período citado, nem esteve com o ministro do Supremo. “Não tive nem com André Mendonça nesse período. Estive mais por conta da indicação de Messias ao STF”, afirma. A indicação de Jorge Messias ao STF foi formalizada pelo Planalto em abril deste ano.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações, que teria sido utilizada para realizar repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”. A informação foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar nesta quinta-feira (3), no jornal O Globo.
Freixo Júnior é operador do mercado financeiro e a sua delação seria a segunda acordada no caso Master. A primeira foi a de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, que administrava os fundos usados por Vorcaro para esconder dinheiro, que já foi encaminhada para análise do ministro André Mendonça, relator do caso.
O grupo Entre é controlador da revista IstoÉ e da Entrepay, que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em março deste ano. Em janeiro deste ano, a empresa foi alvo de busca e apreensão em meio às investigações do caso Master.
Segundo Malu Gaspar, o acordo de Antonio Freixo Júnior conta com detalhes sobre os pagamentos que fez a pedido de Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. O filme se tornou amplamente conhecido após virem à tona mensagens do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em que ele cobra dinheiro de Vorcaro supostamente para a produção do longa-metragem.
Nos anexos entregues aos investigadores, o empresário detalhou remessas que fez ao exterior para o fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
O acordo de Freixo Júnior já foi encaminhado para o gabinete de Mendonça, a quem caberá decidir se o homologa ou não. Não há prazo para Mendonça analisar o material e as cláusulas do acordo.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) teria entrado em contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para pedir que ele ajudasse seu advogado e ex-assessor de seu gabinete, Thiago Rodrigues de Faria. Nas mensagens enviadas no dia 30 de março de 2025, obtidas pelo ICL Notícias, o parlamentar chama o banqueiro de “Dani” e de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade” com Vorcaro.
Nas palavras do deputado bolsonarista, era necessária ajuda do dono do banco Master para liberar “um ativo de minério”. Em uma mensagem de áudio, Nikolas começa dizendo: “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’”, explica Nikolas.
No mesmo áudio ele segue dizendo: “Ele [Thiago] falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”.
Fotos: Reprodução / ICL Notícias
Em resposta, Vorcaro responde com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria. Vorcaro então responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas escreve que vai “dar banho na pequena agora” e completa na sequência: “pra amanhã voltar pra guerra”. Daniel Vorcaro chega a dizer: “To em brasilia toda semana, Vamos marcar”.
A conversa termina com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”. O diálogo entre o parlamentar e o ex-banqueiro é retomado no dia 1 de abril de 2025, dia seguinte, com uma mensagem de Nikolas.
O deputado mineiro avisa que estará em Brasília e “qualquer horário ele estará disponível”. O banqueiro respondeu um dia depois dizendo: “Deixa comigo”. Pelos registros obtidos não há informações se Vorcaro ajudou no pedido do assessor de Nikolas.
Em defesa, o advogado Thiago Faria disse que “essas perguntas são nada a ver” e alegou que conhecia o ex-banqueiro pela proximidade geográfica, já que ambos são de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.
Em um áudio enviado ao ICL Notícias, ele alega: “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, finalizou Faria.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a delação premiada que pretendia fazer tinha como objetivo denunciar pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo e g1 nesta quinta-feira (3).
"Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar", disse.
Ainda em depoimento, o banqueiro não citou a possibilidade de contar sobre sua relação com demais autoridades políticas ou sobre a participação no financiamento da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”.
Segundo o gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo envolvendo o caso Master no STF, o depoimento foi prestado a um juiz auxiliar que acompanha o caso, após um pedido dos advogados do ex-dono do Banco Master.
"O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", diz o gabinete do ministro.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras. A PF estima que o esquema teria desviado ao menos R$ 12 bilhões no BRB, mais de R$ 40 bilhões no FGC e outras centenas de milhões em fundos de previdência de estados e municípios.
Nesta quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento de denúncias feitas por Daniel Vorcaro durante o depoimento e afirmou que o banqueiro não apresentou provas durante o depoimento.
"[...] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", diz a PGR.
Sem apresentar provas, Vorcaro fez leituras pessoais e desconectadas do devido processo legal até mesmo de sua prisão. No depoimento, Vorcaro ainda afirmou que teria desistido de seguir com a delação por se sentir ameaçado pelo que ele chamou de "pessoas do poder", que, segundo ele, o querem ver preso.
A Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em dinheiro vivo que estavam na bagagem de mão da advogada Valéria Rodrigues Linhares no dia 25 de agosto, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A advogada é esposa do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), que, segundo conversas obtidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, teria articulado a reunião entre o dono do Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A ação da PF contra Valéria voltou à tona após a revelação das novas conversas do deputado Cezinha e do ex-banqueiro. Na ocasião da apreensão, a esposa do parlamentar tentava embarcar em um voo com destino a Brasília. Os agentes identificaram os valores durante a inspeção por raio-x da bagagem.
Na ocasião, Valéria teria informado inicialmente que carregava R$ 400 mil, mas após a abertura da mala e a contagem do dinheiro, os policiais encontraram R$ 510 mil em espécie.
Foto: Divulgação / Polícia Federal
Com o conflito de informações, Valéria foi encaminhada ao plantão da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo para prestar esclarecimentos. Questionada sobre a origem da quantia, a advogada afirmou que apresentaria posteriormente a documentação fiscal necessária para comprovar os valores.
A Polícia Federal informou que os próximos procedimentos relacionados à apreensão serão conduzidos pela Justiça.
CEZINHA E VORCARO
A relação entre Cezinha de Madureira, marido de Valéria, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, foi exposta após a revelação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro nesta terça-feira (1°). Os dados mostram que o deputado participou diretamente da articulação para aproximação com figuras públicas.
O caso mais emblemático é o encontro entre o dono do Master e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) em São Paulo no dia 14 de março de 2025.
VÍDEO: Alcolumbre rebate oposição e diz que “todo mundo esqueceu” pedido de R$ 130 milhões a Vorcaro
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rebateu nesta quarta-feira (2) as críticas de senadores da oposição sobre sua atuação diante dos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a sessão do plenário, Alcolumbre afirmou que parlamentares teriam solicitado R$ 130 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, disse Alcolumbre durante sessão do plenário do Senado.
A declaração foi direcionada a integrantes da oposição. Na véspera, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria solicitado recursos a Vorcaro para a produção, cobrou Alcolumbre sobre a tramitação dos pedidos contra Moraes. Segundo informações da revista piauí, além disso, veio a público um novo repasse de US$ 1,6 milhão para o longa-metragem, realizado em setembro de 2025, após Flávio cobrar o ex-banqueiro sobre parcelas atrasadas.
Alcolumbre foi questionado sobre o impeachment de Moraes por Flávio e outros três parlamentares de oposição entre terça (1º) e quarta-feira (2). As cobranças ocorrem após a divulgação de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Os diálogos indicam que o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de uma operação da Polícia Federal que poderia ter Vorcaro como alvo.
ASSISTA:
O ex-CEO do Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento ao STF que sofreu pressão psicológica na cadeia. Investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria dizem que a acusação é "teatro" para tentar forçar um acordo.
Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, Vorcaro declarou ter sofrido tortura psicológica e ameaças veladas enquanto estava sob custódia, com o objetivo de impedi-lo de citar nomes da Polícia Federal (PF) em um eventual acordo de delação premiada.
No depoimento gravado em vídeo, realizado diante de um juiz auxiliar e de um procurador da República, Daniel Vorcaro relatou episódios que considerou abusivos durante o período em que esteve preso:
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Maus-tratos e ameaças: Afirmou que teve os olhos vendados durante uma transferência de cela e que passou por calor extremo em um camburão.
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Citação ao diretor da PF: Disse que agentes de escolta teriam afirmado que ele "ficaria preso para sempre" caso mencionasse o nome do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
- Recusa de delação: Na avaliação de Vorcaro, a PF teria recusado sua proposta de delação premiada por três vezes justamente para evitar o envolvimento de integrantes da alta cúpula da corporação.
Em nota divulgada após a publicação das informações, o gabinete do ministro André Mendonça confirmou que o depoimento ocorreu a pedido urgente dos advogados de Vorcaro, que alegaram riscos à segurança do réu. O ministro destacou que a ouvida seguiu os trâmites regulares e contou com a presença do Ministério Público Federal.
Na primeira sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) após a retirada do sigilo de investigações sobre relações do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades da República, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes participam dos julgamentos como se nada tivesse acontecido. A sessão desta quarta-feira (2) transcorre, desde o início, sem que tenha havido qualquer discussão entre ambos, mesmo com os dois se sentando lado a lado.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, não tocou no assunto da troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes em nenhum momento desde que abriu os trabalhos da sessão plenária. Mais cedo, Fachin havia dito que as revelações sobre a relação entre Moraes e o ex-banqueiro do Master configurariam um momento de "especial gravidade". Segundo ele, "medidas cabíveis" serão anunciadas nos próximos dias.
Edson Fachin iniciou a sessão plenária anunciando julgar o Recurso Extraordinário 1495108 sobre a cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) pelas imobiliárias ao transferir bens e direitos para incorporação em seu capital social. O processo tem repercussão geral reconhecida, e a tese fixada deverá ser aplicada a casos semelhantes.
Quando foi chamado a proferir o seu voto sobre o caso, o ministro Alexandre de Moraes saudou o presidente, o procurador-geral, Paulo Gonet, também presente à sessão, a ministra Carmem Lúcia e os "demais colegas", sem olhar para o lado, onde estava sentado o seu desafeto André Mendonça.
Apesar de Alexandre de Moraes e André Mendonça terem tido uma conversa "ríspida" e "dura" na última segunda (31), durante a sessão de hoje, não houve ainda qualquer animosidade entre ambos. O desentendimento teria ocorrido durante uma conversa, após Mendonça avisar Moraes que encaminharia o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República (PGR).
No relatório de 218 páginas, a corporação lista uma série de textos em que Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes para “bloquear” as investigações contra o banco e até mesmo impedir a liquidação extrajudicial e a prisão do ex-banqueiro, além de diversos outros detalhes de relações até mesmo comerciais do banqueiro com a esposa do ministro.
Nesta terça (1º), André Mendonça tornou público o relatório e conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e pediu que um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes fosse julgado no plenário, em sessão aberta, "de forma pública e transparente".
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, teria se encontrado com o banqueiro Daniel Vorcaro, em março de 2025. A reunião foi revelada por meio de áudios e mensagens extraídas do celular de Vorcaro, com o advogado baiano Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo. Segundo as informações divulgadas pelo ICL Notícias, nesta quarta-feira (2), a reunião ocorreu no dia 14 de março de 2025.
O encontro teria ocorrido em São Paulo e durou cerca de duas horas, no endereço de um instituto fundado pelo próprio magistrado. A aproximação foi articulada por Ciro e Cezinha com semanas de antecedência.
Em uma das mensagens mais explícitas, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Mendonça e afirmou que estava “trabalhando” para o banqueiro enquanto levava o ministro a uma alfaiataria. “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.
O material mostra ainda que Ciro e Cezinha conversaram previamente com Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.
Em outro áudio, o advogado disse ter deixado o ministro “balançado” com a situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central e afirmou que Mendonça queria receber Vorcaro.
Após a revelação das mensagens, o ministro André Mendonça se manifestou nesta quarta. Em nota oficial, o relator do processo do Banco Master no STF disse que “se limitou” a ouvir Vorcaro durante a reunião.
“Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro”, afirma Mendonça em nota.
Na nota, Mendonça afirma que Vorcaro buscou interlocução com outros magistrados para tratar de precatórios, tema que estava sob análise do STF e interessava ao Banco Master.
“Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto”, afirma.
O ministro relembrou que durante a tramitação do caso no Supremo, votou contra os interesses do empresário. “Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos”, diz.
Disse ainda que não comentaria os diálogos revelados pelo ICL, que mostram o advogado de Vorcaro comentando encontros com o magistrado. “Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade”, finaliza.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou, nesta terça-feira (1º), estar acompanhando com “atenção e extrema preocupação” a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições da República. Em nota assinada pelo presidente em exercício do Conselho Federal da OAB, Délio Lins e Silva Jr., a entidade defendeu que os fatos sejam investigados de forma “rigorosa e isenta”, independentemente dos envolvidos.
A manifestação ocorre após a divulgação de informações sobre uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O conteúdo aponta para conversas sobre uma possível operação da Polícia Federal contra o banqueiro. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria questionado Moraes sobre a possibilidade de ser alvo da PF antes de sua prisão, em novembro de 2025.
As mensagens também indicariam uma tentativa de encontro entre os dois. O caso também teria provocado um confronto entre Moraes e o ministro André Mendonça na entrada do plenário do STF nesta terça. Mendonça é relator de uma investigação que apurou a identidade do interlocutor de Vorcaro em conversas nas quais eram citados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Na nota, a OAB ressaltou que qualquer apuração deve respeitar o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência. A entidade também alertou para os efeitos da crise sobre o país, especialmente por envolver instituições consideradas essenciais à democracia em meio ao período eleitoral.
LEIA A NOTA COMPLETA:
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha com atenção e extrema preocupação as notícias sobre a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições da República. A OAB defende a apuração rigorosa e isenta de todos os fatos, em relação a quem quer que seja, asseguradas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência. Esses princípios garantem a legitimidade da apuração.
A Ordem se preocupa com os impactos dessa crise para o Brasil, sobretudo por envolver instituições essenciais à democracia e por ocorrer durante o período eleitoral. A OAB seguirá cumprindo seu papel de defender a Constituição.
Délio Lins e Silva Jr
Presidente em exercício do CFOAB
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro efetuou uma nova transferência no valor de US$ 1,666 milhão para o financiamento do filme Dark Horse em setembro de 2025, dias após ser cobrado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o atraso em parcelas do projeto. As informações foram reveladas pelo jornalista Breno Pires, em reportagem da Revista Piauí divulgada nesta terça-feira (1º).
O novo repasse consta de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pela publicação. A operação junta-se a outros seis pagamentos de igual valor realizados até maio de 2025, elevando o total destinado por Vorcaro à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões (equivalente a mais de R$ 65 milhões na cotação da época).
Segundo as apurações jornalísticas, as transferências do controlador do Banco Master eram intermediadas pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a um aliado de Vorcaro. A firma repassava os valores para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, de onde o montante seguia para a produtora do longa.
Diálogos inéditos obtidos pela revista mostram uma troca de mensagens do dia 22 de outubro de 2025 entre o banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, responsável pela captação de recursos da obra. Na ocasião, Miranda questionou: “Consegue liberar as parcelas do filme?”. Vorcaro respondeu afirmando ter liberado “mais uma hoje”, ao passo que o publicitário replicou: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb”.
Caso a transação mencionada no diálogo tenha se concretizado nos mesmos moldes, o somatório desembolsado pelo empresário alcança US$ 14 milhões (cerca de R$ 72 milhões). Procurado pela piauí, Flávio Bolsonaro não se pronunciou e orientou que os questionamentos fossem direcionados à produtora do filme, a empresa Go Up.
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. [...] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”.
A apuração da Piauí desmente declaração dada por Flávio Bolsonaro à GloboNews, na qual o senador afirmava que os pagamentos efetuados pelo banqueiro teriam cessado em maio de 2025.
O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou nesta terça-feira (1°) um novo pedido de impeachment por crime de responsabilidade contra o ministro Alexandre de Moraes. Viana foi o presidente da CPI dos Correios, e segundo ele, os parlamentares foram impedidos de ter acesso a informações que hoje são reveladas sobre as relações entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em entrevista coletiva, Carlos Viana disse que iria cobrar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a abertura do processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. O senador mineiro afirmou que Alcolumbre não pode continuar se omitindo de cumprir a Constituição e investigar denúncias contra Moraes sob pena de ele mesmo sofrer processo por prevaricação.
"Quem usa a cadeira para blindar autoridade investigada perde a legitimidade para continuar sentado nela. Ou abre o procedimento contra Moraes ou responderá por escolher a omissão”, disse Viana.
A situação voltou a escalar após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos de uma investigação da Polícia Federal que envolve Alexandre de Moraes. O material registra uma série de diálogos entre Daniel Vorcaro e o ministro do STF, com tratativas sobre dinheiro, pressão sobre autoridades, contratos privados e até mesmo conselhos a respeito de fuga do Brasil.
Além de Carlos Viana, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também afirmou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra o ministro. A senadora defendeu que Moraes se afaste voluntariamente do cargo até a conclusão das investigações.
No plenário do Senado, o senador Magno Malta (PL-ES) exigiu que Alcolumbre abrisse um processo de impeachment, e disse que a omissão envergonha a casa.
"Esse Senado é frouxo, é o que eu mais escuto nas ruas. Quem vai parar esse Moraes?", questionou Malta. Alcolumbre não respondeu ao senador.
Mensagens de WhatsApp que integram relatório da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostram o empresário pedindo a um contato salvo em seu celular como "Geraldo Brazil Journal" que fosse incluída em matéria jornalística a informação de que "os 3 ministros do STF", Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, "se reuniram privativamente" com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair antes de um evento em Londres.
O material integra o inquérito que apura a atuação de Vorcaro e teve o sigilo retirado nesta segunda-feira (1), por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Segundo os registros, em 26 de abril de 2024, dia de um debate de Vorcaro com Tony Blair, realizado durante o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, o banqueiro escreveu ao contato: "Alexandre pediu se possível pra incluir que antes do evento ele se reuniu com os ministros do supremo. Toffoli, moraes e gilmar mendes."
O jornalista, então, pediu que Vorcaro esclarecesse onde e como a informação deveria entrar: "No post de ontem? [...] Ahhh, falar que ALEXANDRE SE REUNIU COM BLAIR? Ou TODOS os ministros se reuniram com Blair? Ou que os ministros fizeram uma reunião entre si? Não está claro pela tua mensagem."
Vorcaro respondeu ditando o texto que deveria ser publicado, associando o encontro dos ministros ao próprio debate com o ex-premiê britânico: "Antes do meu debate com o tony Blair, os 3 ministros do STF se reuniram privativamente com o ex primeiro ministro."
Um segundo trecho de mensagens, de 18 de abril de 2024, mostra Vorcaro tratando com o então ministro das Comunicações Fábio Faria sobre a lista de participantes do mesmo evento. Faria escreve: "Mas eu acho que [Alexandre] gosta que ele saiba que ele vetou. Ego dele. Mas a gente não precisa passar isso." Vorcaro responde: "No final ele vetou mesmo, ficou claro", e os dois combinam manter "a programação normal."

A Polícia Federal (PF) identificou, em relatório pericial, uma mensagem enviada pelo empresário Daniel Vorcaro ao contato cadastrado em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA", na qual o controlador do Banco Master pede que seja feita uma interlocução junto à direção da própria PF para adiar uma medida policial que, segundo ele, poderia levar a instituição à quebra.
O documento que estava em sigilo de justiça, obtido pelo Bahia Notícias (BN), registra a recuperação de uma imagem enviada por meio do recurso de visualização única do WhatsApp.
Na captura de tela, extraída pela perícia do aparelho de Vorcaro, aparece um texto redigido pelo empresário em seu bloco de notas em 16 de novembro de 2025: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco nao quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possivel" [a grafia original foi apresentada integralmente].
De acordo com o relatório da PF, a referência a "Andrei" diz respeito a Andrei Passos, diretor-geral da Polícia Federal. Na avaliação dos investigadores, a mensagem demonstra um pedido para que o destinatário tentasse sensibilizar a chefia da corporação a adiar o cumprimento de uma medida policial iminente contra o banco.
No próprio texto, Vorcaro afirma que o adiamento, somado ao feriado subsequente, no dia 20 de novembro, evitaria a quebra da instituição financeira.
ENTRE 25 SEGUNDOS
Para comprovar a autenticidade e a autoria da mensagem, os peritos cruzaram registros do sistema operacional do aparelho com vestígios deixados pelos aplicativos utilizados pelo empresário. Segundo o relatório, o intervalo entre a criação do conteúdo e o envio da imagem foi de apenas 25 segundos.
A cronologia reconstruída no texto pela perícia aponta:
- 16h56min40s (19h56min40s UTC): Daniel Vorcaro abre o aplicativo Bloco de Notas do iPhone e digita a mensagem.
- 16h57min22s (19h57min22s UTC): o empresário realiza uma captura de tela do conteúdo. O sistema iOS registra automaticamente o horário da ação.
- 16h57min26s (19h57min26s UTC): Vorcaro encerra o Bloco de Notas e abre o WhatsApp.
- 16h57min47s (19h57min47s UTC): a imagem é enviada, por meio do WhatsApp, ao contato identificado como "Alexandre de Moraes BRASILIA."
- 16h57min50s (19h57min50s UTC): o aplicativo é fechado no dispositivo.
Segundo os investigadores, o uso de uma captura de tela enviada por visualização única dificultava a preservação do conteúdo no histórico convencional das conversas. Embora o recurso apague a imagem do dispositivo do destinatário após a abertura, os peritos afirmam ter comprovado a transmissão por meio de duas frentes técnicas:
- Registros de conectividade (logs): o software de perícia forense IPED identificou o envio de dados pelo WhatsApp ao destinatário no exato momento registrado na cronologia do aparelho.
- Recuperação de arquivos temporários: a captura de tela gerou vestígios em áreas temporárias do sistema iOS. A equipe técnica conseguiu extrair a imagem original e seus metadados diretamente da memória do telefone de Vorcaro.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Eduardo Girão
“O Senado está totalmente prostrado. A gente vê uma comissão de ética que não foi instalada na legislatura do Davi Alcolumbre. A condução dele como presidente é uma tragédia anunciada, tanto é que eu votei contra ele. Não apenas isso, eu fui candidato contra ele até o final. Eu fico extremamente preocupado quando vejo o PL, por exemplo, que é um partido grande da oposição, apoiar o Alcolumbre e votar nele. Com a exceção do senador Marcos Pontes que se rebelou contra o próprio partido e foi até o final também. Eu tive quatro votos, o astronauta Marcos Pontes teve quatro votos, e o Davi nadou de braçada".
Disse o senador Eduardo Girão (Novo) ao fazer uma série de críticas à gestão do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União). Em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (14), o candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema disse que a Comissão de Ética do Senado não tem funcionado e acusou Alcolumbre de engavetar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
