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E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?
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Cerca de dois terços dos brasileiros são a favor de um processo de impeachment de ministros envolvidos no escândalo do Banco Master, e Alexandre de Moraes é o principal responsável pela crise enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essas são algumas conclusões retiradas da pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta terça-feira (15).
De acordo com o levantamento, que teve entrevistas realizadas entre os dias 10 e 13 de setembro, um total de 68% dos brasileiros afirmam que são “totalmente a favor’ de um processo de impeachment contra os ministros do STF. Por outro lado, segundo a pesquisa, 9% dizem ser mais a favor do que contra, ante 4% que dizem ser mais contra do que a favor.
Apenas 15% dos entrevistados da Indexa/Broadcast dizem ser totalmente contra o afastamento dos magistrados. Os que afirmam que não conhecem o assunto o suficiente para avaliar totalizam 3%, e os que não sabem ou não responderam marcam 1% no levantamento.
Em outro recorte da pesquisa, 46% dos eleitores atribuem a responsabilidade da crise ao ministro Alexandre de Moraes. Já 16% dos entrevistados afirmam que André Mendonça seria o principal responsável pelos problemas da Corte.
Há também um grupo de 6% de eleitores que acreditam que a responsabilidade seja do ministro Dias Toffoli, que foi o primeiro relator do caso Master antes de os trabalhos serem assumidos por Mendonça. A pesquisa também aponta que 4% atribuem a responsabilidade a Flávio Dino; e 3% a Fachin.
Uma parcela de 2% dos entrevistados acredita que a crise pode ser atribuída a outro ministro, sem especificar qual. Eleitores que não conhecem o assunto o suficiente para responderem a a aparecem em 10%, ante 5% que não acham que há uma crise na Corte, e 5% que afirmam que nenhum deles são responsáveis.
A sondagem mediu ainda a percepção do eleitorado sobre os critérios usados pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça para basearem suas decisões no Supremo. Para 45% dos entrevistados, Moraes age baseado em critérios políticos, 16% acreditam que o ministro age por critérios técnicos e jurídicos e outros 24% apontam que as duas alternativas são usadas pelo magistrado.
Sobre a atuação de Mendonça, 33% acreditam que o ministro utiliza critérios técnicos e políticos, ante 28% que apontam o uso de critérios políticos. Já os que acreditam ser os dois tipos de critério somam 17% dos entrevistados.
O Indexa/Broadcast ouviu 2.000 entrevistados entre os dias 10 a 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com o nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03482/2026.
O portal de notícias do Supremo Tribunal Federal (STF) registrou instabilidade nesta terça-feira (15), durante a realização de uma sessão extraordinária destinada a julgar a possível abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O procedimento apura um suposto envolvimento do magistrado com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Segundo a assessoria de imprensa da Suprema Corte, a oscilação no sistema foi causada por um "excesso de acessos" no site.
Em razão da falha técnica, o acompanhamento em tempo real das publicações oficiais sobre o andamento do julgamento ficou indisponível para os usuários. Até o momento, a equipe do tribunal não divulgou previsão para a normalização do acesso ao portal.
Após o pronunciamento do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, o ministro André Mendonça fazia acréscimos à sessão quando foi interrompido pelo ministro Gilmar Mendes, dando início a uma discussão no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Confira o momento:
O procurador abordou suas relações com Daniel Vorcaro e reconheceu que esteve com ele uma única vez. Em seguida, Mendonça, que relatava a investigação, justificou-se afirmando: "Nós estamos aqui por questão de ofício". Segundos depois do início de sua fala, o ministro Gilmar Mendes o interrompeu com críticas.
"É impressionante, presidente, que uma pessoa dessa estatura como Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade, é leviandade. Tem de ser um sentimento polianesco. É impressionante a desfaçatez desse sujeito", criticou Gilmar Mendes.
Mesmo pedindo a palavra diversas vezes, Mendonça rebate. "Pode chorar, pode chorar", esbraveja Gilmar Mendes. "Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não. Respeite!", responde Mendonça. Durante a reação no julgamento, Gilmar Mendes subiu o tom com o magistrado e declarou: "Me respeite. É impressionante". O bate-boca entre os ministros ocorreu em meio aos debates no plenário da Corte.
Os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin votaram para manter a análise conjunta dos processos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) em sessão no plenário nesta terça-feira (15). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ficou isolado ao votar pela tramitação e análise dos casos em separado. Acompanhe os desdobramentos do julgamento.
A manifestação do presidente do STF ocorre no âmbito de uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, que pediu que os casos envolvendo Moraes e Mendonça sejam analisados de forma conjunta, além de solicitar que a relatoria dos processos seja definida por sorteio.
LEIA MAIS:
- Moraes e Mendonça discutem sobre atuação da PF na investigação do Caso Master;
- Toffoli se declara suspeito e não participa de julgamento sobre possível investigação de Moraes;
- Nunes Marques defende "equilíbrio nas eleições", nega relação com Vorcaro, mas se declara impedido em processo contra Moraes no STF.
A questão de ordem apresentada por Gilmar está sendo analisada pelo plenário e ainda faltam os votos dos demais ministros. O julgamento registra dois impedimentos: os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques se declararam impedidos — Toffoli devido ao seu envolvimento no caso do Banco Master já revelado, e Nunes Marques em razão de questões sobre mudança eleitoral e sua atuação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O placar contabiliza três votos a favor da análise conjunta (dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino) e o voto contrário do presidente Edson Fachin. Moraes e Mendonça deverão se manifestar após os votos.
(Nota em atualização).
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, discursou durante a sessão plenária da Corte nesta terça-feira (15) e apontou falhas processuais na condução do inquérito e quebras de sigilo do caso Master, sob a relatoria de André Mendonça. Em sua fala, o ministro acusou o colega de atuar de forma eleitoreira.
A acusação ocorreu quando o decano apontou que novas informações foram divulgadas aos ministros por meio do acesso ao celular de Daniel Vorcaro. André Mendonça pede a palavra e diz que não teve acesso a todo o material comentado e Gilmar responde: “Interessante, embora houvesse vazamentos que eram atribuídos ao gabinete de Vossa Excelência.”
Em seu posicionamento sobre o processo em julgamento, que é relacionado a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por contatos com Daniel Vorcaro, Gilmar diz que “a pergunta não é saber se esse ou aquele ministro deve ser investigado”. “A pergunta é se continuarmos a permitir que o rigor da persecução penal seja distribuído conforme a identidade do investigado”, disse.
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- Moraes e Mendonça discutem sobre atuação da PF na investigação do Caso Master
- Toffoli se declara suspeito e não participa de julgamento sobre possível investigação de Moraes
- Nunes Marques defende "equilíbrio nas eleições", nega relação com Vorcaro, mas se declara impedido em processo contra Moraes no STF
A partir deste argumento, o decano do STF passa a acusar Mendonça de atuação enviesada no processo. “Com toda a sinceridade, Presidente, e até as terras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta PET”. Como exemplo, o ministro cita a escolha da data para a quebra de sigilo de Mendonça sobre parte do processo, no dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil.
Gilmar ressalta que Mendonça estaria “envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”. André Mendonça interrompe o colega e diz que “Vossa Excelência [Gilmar Mendes] está sendo leviano”. Mendes então rebate: “Vossa Excelência [Mendonça] não tem a palavra”.
A discussão entre os ministros se intensifica quando Gilmar diz: “Evidente condução político-eleitoral e escolha do 7 de Setembro. Isto não se faz, pessoas decentes não fazem isso.”
Em resposta, Mendonça ressalta: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo, não está falando com qualquer um. Respeite esse Tribunal”. E o decano rebate: “Quem não se dá respeito não merece respeito.”
Ao seguir com sua fala, Gilmar volta a apontar inconsistências na ação de Mendonça: “Fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos. E eu já tive a oportunidade de dizer a vocês e dizer ao presidente da República, que separem o Supremo das eleições e não tentem envolver o Supremo nas eleições. O contrário do que se faz aqui e se deram muito mal porque são aprendizes de feiticeiro.”
“Tentaram arrastar o Tribunal para este tipo de prática e pensaram que iriam ficar impunes”, sustentou o decano. Em sua fala, Gilmar menciona ainda que “em nome de Deus já se fez muita patifaria”.
"Não se julgam pessoas, julgam-se fatos e questões jurídicas, não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência é legítima, mas o confronto pessoal não, a decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente", afirmou o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na abertura da sessão plenária desta terça-feira (15).
Na ocasião, os ministros da Suprema Corte se reúnem para debater a troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e decidir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra o ministro.
Fachin iniciou a sessão relembrando a trajetória de cada um dos ministros e agradecendo aos antigos magistrados que ocupavam as cadeiras da corte. "Não podemos entregar às gerações futuras um STF menor do que o que recebemos. Essa instituição não nos pertence, nós a recebemos do passado, temos o dever de preservá-la no presente e haveremos de entregá-la ao futuro", completou o ministro.
Segundo o presidente da corte, os magistrados precisam ter a consciência de que não é a posição pessoal dos ministros que deve falar pelo Supremo, e sim a decisão do plenário. "O país olha para esta corte, a história também olhará para esse momento. Há respeito institucional quando há discordância, há consideração pelo colega mesmo quando não há convergência, há limites que não decorrem da amizade ou da afinidade pessoal, mas da própria função que exercemos", acrescentou.
Na sequência, Fachin fez um resumo das investigações sobre Daniel Vorcaro e do andamento das apurações na Polícia Federal e no STF, e leu o relatório da investigação do ministro André Mendonça sobre Alexandre de Moraes.
Pela primeira vez, o STF discute o julgamento de um ministro da própria corte. A sessão começou às 10h e está sendo transmitida ao vivo na Rádio e TV Justiça e pelo canal oficial da Corte no YouTube.
Uma série de vazamentos de conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro atingiram em cheio o ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro inclusive indica que vai se declarar impedido de votar no julgamento que ocorre na manhã desta terça-feira (15), depois de revelações sobre pagamentos mensais de R$ 500 mil de Vorcaro a seu filho, o advogado Kevin Marques, além de supostos encontros com mulheres.
De acordo com os vazamentos, conversas do celular de Vorcaro mostram que uma mulher identificada como Rayanna tratou com o ministro Kássio Nunes de um encontro com mulheres e, dias depois, afirmou que uma delas “ficou com o kassio”. Esa mulher teria depois cobrado R$ 10 mil após o suposto encontro com o ministro, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Informações divulgadas pela jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles, em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna pergunta a Daniel Vorcaro: “Qual o endereço, Dani?”. Na sequência, avisa: “As meninas estão prontas”.
Vorcaro responde indicando um endereço na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, em São Paulo. Uma semana depois, em 7 de março, Rayanna volta a falar com o banqueiro sobre o que havia ocorrido naquele dia.
“A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, pergunta. Em seguida, afirma: “Ela disse que ficou com o kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”.
Vorcaro responde pedindo as informações para o pagamento: “Me manda aqui” e “Dados e valor”.
“10 né!”, responde Rayanna. Depois, acrescenta: “Ela ficou com ele” e envia um endereço de e-mail.
Segundo Andreza Matais, em outro trecho do material extraído do celular de Vorcaro, sem relação estabelecida com a conversa de Rayanna, aparece o número de telefone do ministro Kassio Nunes Marques. Em mensagem enviada em dezembro de 2024, o ministro pede ajuda para organizar uma viagem de cerca de dez dias para cinco pessoas.
“Bom dia Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem de uns 10 dias, entre 8 e 18 de janeiro, para 5 pessoas”, diz.
A reportagem do site Metrópoles revela ainda uma outra mensagem, em que o operador de viagens de Daniel Vorcaro, Leonardo Serrano Giunchetti, aparece perguntando ao banqueiro se ele deve cobrar do banqueiro pela viagem de um cliente. “Dani…Veio de vc esse?”, pergunta.
Caso o ministro Kássio Nunes Marques se declare impedido de votar na sessão desta terça, já são pelo menos três magistrados que ficariam de fora. Além de Kássio, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli não participarão da votação.
O grupo ligado a Alexandre de Moraes também via pedir a suspeição do ministro André Mendonça para votar, e ainda há a possibilidade de Luiz Fux também não participar, por conta de vazamentos que mostram ligação de seu filho com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ofício à Corte, na noite desta segunda-feira (14), negando irregularidades na condução da investigação que envolve Alexandre de Moraes. Na manifestação enviada ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, Mendonça esclareceu que a determinação para a identificação das pessoas mencionadas no documento foi feita no âmbito da supervisão judicial da investigação, visando preservar o sigilo e a eficiência das apurações.
O ofício foi enviado às vésperas da sessão plenária desta terça-feira (15), que analisará o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e decidirá se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra o ministro.
A manifestação de Mendonça foi feita em resposta a um despacho de Fachin, emitido em 3 de setembro, quando o presidente da Corte determinou a coleta de informações sobre as condições em que o relatório foi elaborado e sobre a atuação da Polícia Federal.
Anteriormente, a Procuradoria-Geral da República havia se posicionado a favor da anulação do relatório, argumentando que Mendonça teria ultrapassado suas atribuições, contudo, Mendonça afirma que não realizou uma investigação contra Moraes, mas determinou aos policiais responsáveis pelo caso que apresentassem informações atualizadas sobre a identificação dos integrantes de uma suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.
Conforme Mendonça, ele determinou que os delegados encarregados apresentassem informações atualizadas sobre as investigações, porque as conversas continham dados que indicavam que Vorcaro buscava intervenção de autoridades públicas envolvidas nos "processos decisórios pertinentes".
Por conta da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de pedir ao ministro André Mendonça que retirasse o sigilo do processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, veio à tona a informação sobre um pedido da Polícia Federal que há seis meses está parado na mesa do relator da investigação sobre o Banco Master.
Em 10 de março deste ano, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça que ele revelasse integralmente dados de um relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaria pagamentos do ecossistema de Daniel Vorcaro a uma autoridade com foro privilegiado. O relatório de inteligência financeira elaborado pelo Coaf ocultava, com tarjas, o nome da autoridade mencionada.
No pedido feito a Mendonça, a PF pediu autorização para ter acesso ao documento completo do Coaf, sem as tarjas, para que se soubesse o nome da autoridade implicada no esquema de pagamentos. Passados seis meses do pedido, o ministro não permitiu à PF saber o nome da autoridade envolvida.
Em seu ofício encaminhado em março a Mendonça, a Polícia Federal registrou de forma expressa as razões técnicas que tornavam indispensável a intervenção do relator:
“A cautela do Coaf em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”, afirma o pedido.
Mesmo com a justificativa, o ministro André Mendonça manteve o requerimento paralisado. No volume de 13 páginas elaborado pelo Coaf, as tarjas pretas encobrem os beneficiários diretos que possuem foro privilegiado, beneficiados com repasses sistemáticos efetuados por empresas e operadores ligados a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como braço financeiro de Vorcaro. Entre as entidades que figuram na malha de transações está a Igreja da Lagoinha Belvedere, instituição fundada por Zettel.
Fontes ligadas à investigação ouvidas pela reportagem do jornal O Globo afirmam que a autoridade mencionada no relatório seria um ministro do Supremo Tribunal Federal. Entre o grupo do ministro Alexandre de Moraes, há a aposta de que se trate do ministro Dias Toffoli.
Toffoli já havia sido citado em outro relatório da PF, de cerca de 200 páginas, que listava supostas ligações com Daniel Vorcaro. Entre os pontos mencionados estava a compra de uma participação avaliada em R$ 35 milhões na empresa que controlava o resort Tayaya, ligado à família do ministro.
Esse relatório, no entanto, foi arquivado pelo presidente do STF em uma sessão secreta realizada em fevereiro deste ano.
Uma pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) aponta que 37% das pessoas consideram que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tem agido de forma correta no embate com Alexandre de Moraes. Outros 16% veem Moraes como quem age corretamente.
O levantamento também apontou que 20% dos entrevistados consideram que "nenhum dos dois" tem agido de forma correta, e 25% não souberam responder. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.
Os dados foram coletados em meio ao acirramento de uma disputa entre Moraes e Mendonça, que também transbordou para a corrida presidencial. Nesta terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) marcou sessão para decidir se abre investigação contra Moraes, depois que um relatório da Polícia Federal (PF) apontou diálogos entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro às vésperas da prisão dele, em 2025.
Após determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin, o ministro André Mendonça derrubou o sigilo de mais um procedimento relativo às investigações sobre fraudes no Banco Master. A decisão ocorre às vésperas do julgamento marcado para esta terça-feira, que analisará as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
Este desdobramento da investigação concentra-se em transações financeiras ligadas à rede do caso Master e reúne Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A liberação do procedimento atendeu a um pedido formal encaminhado pelo ministro Alexandre de Moraes e chancelado pelo Ministério Público Federal (MPF).
"Tendo em vista a manifestação da Procuradoria-Geral da República, acolho o pedido formulado pelo e. Ministro Alexandre de Moraes, por meio do Ofício nº 11/2026, para solicitar que o e. Ministro André Mendonça promova o levantamento do sigilo da Pet 15.645", registra Fachin em despacho.
PGR SE POSICIONA
A retirada do sigilo contou com parecer favorável do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho. A medida havia sido defendida por Alexandre de Moraes no domingo, em ofício direcionado a Fachin, argumentando que a petição reúne "elementos essenciais" para os debates previstos no plenário.
Inicialmente, Fachin determinou a manifestação da PGR porque o órgão havia listado previamente os procedimentos que considerava públicos, lista na qual a Petição 15.645 não constava. O vice-PGR explicou que o documento não foi citado anteriormente por falta de visibilidade no sistema do tribunal: "A PGR não relacionou a mencionada PET por não ter tido acesso à sua existência. Ela não aparece visível à PGR no sistema do STF".
Hindemburgo reiterou a importância da publicidade do material: "Como se trata de documento tido como relevante para que ministro desse tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que deve também ser retirado o sigilo da Pet 15.645 para o conhecimento dos integrantes da Corte".
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter em sigilo as quebras de sigilo bancário e fiscal de mais de 30 pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso Master, incluindo empresas do próprio Daniel Vorcaro.
Em março, a Polícia Federal (PF) pediu a Mendonça a retirada de dados do relatório do Coaf e, oito dias depois, enviou uma nova solicitação para as quebras de sigilo dos mesmos alvos. A segunda medida foi autorizada, e o ministro considerou que a primeira havia perdido a validade, já que os relatórios do Coaf são mais superficiais que as quebras de sigilo.
As quebras autorizadas afetam empresas como a Super Empreendimentos, investigada por supostamente facilitar pagamentos de Vorcaro a uma milícia e a agentes públicos, e a Moriah Asset, fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como seu operador financeiro.
Os dados também revelaram que a Igreja da Lagoinha, sob a gestão de Zettel, teve movimentação atípica de R$ 57 milhões entre 2014 e 2015, enquanto seu faturamento anual é de R$ 950 mil.
Em ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes destacou que Mendonça não havia tornado público o material do Coaf, que é essencial para o julgamento desta terça-feira (15). Na ocasião, o plenário se reunirá para discutir a crise na corte, após Mendonça expor mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes, indicando disposição para investigar o colega.
Fachin solicitou manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a divulgação do documento por sua relevância. A decisão agora está com Fachin, que assumiu a relatoria do caso Moraes-Vorcaro e determinou o levantamento do sigilo do caso Master, exceto em diligências ainda em andamento.
Ele também ordenou que Mendonça enviasse os autos dos casos Master e INSS ao seu gabinete, o que paralisa as investigações e impede novas decisões do relator original. A PF ainda não apresentou o relatório de análise de movimentação bancária e financeira, levando o gabinete de Mendonça a considerar que o caso deve permanecer sigiloso.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) alinhados ao ministro André Mendonça articulam nos bastidores uma estratégia para reagir a um eventual pedido de vista durante o julgamento que definirá a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, nesta terça-feira (14).
Segundo informações da colunista Andréia Sadi, do g1, obtidas em apuração com interlocutores no Supremo, a articulação prevê que magistrados antecipem seus votos pela abertura do procedimento mesmo se a sessão for interrompida por solicitação de mais tempo de análise. A orientação desse grupo é para que o relator do caso, ministro Edson Fachin, registre seu voto logo no início da sessão.
A avaliação mantida por integrantes dessa ala é de que atualmente há maioria formada no plenário favorável à autorização da apuração. O objetivo da antecipação dos votos seria deixar registrada a posição da Corte e evitar o sobrestamento do tema até o período posterior às eleições.
Do outro lado, ministros próximos a Alexandre de Moraes analisam a possibilidade de recorrer ao pedido de vista para suspender o julgamento, em movimento intensificado após a decisão de Fachin de manter a tramitação do procedimento de forma separada das demais apurações em curso no tribunal.
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a manutenção da medida que proíbe a saída e viagens internacionais do secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, para o exterior. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, também atinge Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga Sodré, empresário baiano e pai de Eduardo.
Ambos foram alvos da Operação Compliance Zero, que apura desvios e fraudes no Banco Master. O secretário estadual é apontado pela Polícia Federal como enteado do senador Jaques Wagner e investigado pelo suposto recebimento de vantagens indevidas em contrapartida por articulação legislativa favorável ao Grupo Master (que era gerido por Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima), além de exercer papel ativo na articulação financeira do esquema. Os crimes apurados incluem corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros conexos.
Segundo documento obtido pelo Bahia Notícias, na manhã desta segunda-feira (14), Eduardo tentou revogar a apreensão de seu passaporte para participar de eventos internacionais na França e na COP17. Ele tentou participar do "Programme d'Invitation des Personnalités d'Avenir", evento para o qual alegou ter sido selecionado pelo Ministério de Assuntos Internacionais da República da França. A viagem ocorreria de 14 a 31 de agosto de 2026.
Uma segunda viagem seria para a COP17/UNCCD (10 a 17 de outubro de 2026) para participar da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação. Ambos os pedidos foram indeferidos pelo ministro relator André Mendonça, que manteve integralmente as restrições de saída do território nacional. Na ocasião, Mendonça rejeitou os pedidos de liberação temporária do passaporte e de autorização de viagem baseado em:
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Estágio embrionário da investigação: Por estar a investigação em fase inicial, a livre circulação internacional dos investigados representaria um risco acrescido à colheita de provas e à efetividade da persecução penal, sendo a restrição indispensável para assegurar a aplicação da lei penal;
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Indícios de crimes graves: O ministro salientou a permanência de sólidos indícios da prática de infrações graves, como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros conexos;
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Elevada capacidade financeira: Foi destacado que a capacidade financeira dos requerentes constitui elemento concreto que facilita eventual deslocamento e permanência prolongada no exterior;
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Prevalência do interesse público sobre o privado: A necessidade de resguardo do processo penal sobrepõe-se a eventuais compromissos profissionais ou conveniências de ordem particular alegadas;
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Inexistência de fatos novos: Ficou consignado que permanecem válidos todos os motivos que fundamentaram a decretação inicial das medidas cautelares, sem que tenham sido apresentados elementos novos capazes de alterar o quadro fático-probatório.
Já Guilherme Henrique Sodré Martins, também investigado na Compliance Zero, foi classificado pela Polícia Federal como operador e articulador entre o núcleo empresarial do Banco Master e pessoa de confiança do parlamentar investigado (senador Jaques Wagner). Contra ele apura-se a suposta prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros conexos.
Guilherme solicitou autorização para viajar à Itália (Veneza, Florença e Roma) entre 3 e 13 de setembro de 2026. A justificativa era participar como expositor na 61ª Bienal de Veneza, integrando uma instalação artística com uma obra de sua coleção pessoal. Ele sustentou que as passagens e hospedagens foram adquiridas antes da operação policial, que possui residência e patrimônio lícito no País, além de mencionar que sua esposa exerce o cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
O ministro André Mendonça indeferiu o pedido, mantendo a suspensão do passaporte no SINPA, o registro de impedimento de saída no STI, a proibição de emissão de novo passaporte e a proibição de contato com os demais investigados.
O fundamento para negar a viagem seguiu os mesmos critérios aplicados a Eduardo: o estágio embrionário da investigação, o risco à colheita de provas, a elevada capacidade financeira do investigado e a prevalência da persecução penal sobre conveniências de ordem particular.
Em uma semana com expectativa sobre a decisão do Banco Central a respeito da taxa básica de juros, as atenções em Brasília estarão voltadas principalmente para a sessão marcada para esta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF). Marcada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, inclusive com determinação para que seja transmitida ao vivo pela TV Justiça, a sessão pode representar o ápice da crise que começou no início de setembro, desde que o ministro André Mendonça tornou públicas as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a escalada da crise no STF e em meio às incessantes revelações sobre casos como o do financiamento do filme “Dark Horse”, que envolve o candidato Flávio Bolsonaro (PL), as eleições perderam protagonismo no debate político em Brasília. Ainda assim, a campanha segue a todo vapor e entra em uma fase decisiva, já que faltam apenas três semanas para o primeiro turno, em 4 de outubro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem realizado viagens de campanha mais em dias como sextas, sábados e domingos, inicia sua semana com compromissos internos no Palácio do Planalto e a sanção da medida provisória que destina recursos para o financiamento de veículos a motoristas de transporte privado de passageiros. A medida inclui benefícios a motoristas de aplicativo (motos ou carros), taxistas, cooperativas de taxistas e profissionais de transporte escolar.
Confira abaixo a agenda da semana em Brasília.
PODER EXECUTIVO
O presidente Lula inicia sua semana em Brasília nesta segunda-feira (14) com compromissos internos no Palácio do Planalto. A agenda de Lula para a manhã inclui apenas uma reunião com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.
Na parte da tarde, o presidente Lula terá uma reunião às 14h40 com o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick, e logo depois, às 15h, haverá uma solenidade para a sanção da medida provisória 1359/2026, que institui linhas de financiamento do MOVE para veículos novos.
A medida, aprovada pelo Senado no dia 1º de setembro, destina até R$ 30 bilhões para o financiamento da compra de veículos novos que respeitem critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica. O texto da medida também abre permissão para o financiamento de infraestrutura, equipamentos e renovação da frota do transporte urbano de passageiros ou cargas, com foco principal na concessão de empréstimos para a compra de motos e motocicletas por entregadores de aplicativo.
Nesta segunda, o presidente Lula ainda terá uma reunião, no Palácio do Planalto, com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, da Casa Civil, Miriam Belchior, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, às 16h30.
A agenda de Lula para o restante da semana ainda não foi divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
No calendário da economia, a semana tem como destaque a decisão do Comitê de Política Econômica do Banco Central na chamada “superquarta” (16). O Banco Central anunciará a nova taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, e a expectativa dos analistas de mercado é de mais um corte de 0,25 ponto percentual, principalmente depois de o IPCA de agosto registrar deflação de 0,32%.
Antes do Copom, será divulgado nesta semana, nesta terça (15), o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, um estudo completo do IBGE sobre a situação da agropecuária no país. O estudo mostrará os resultados da produção brasileira no mês de agosto deste ano.
Também na terça o IBGE apresenta os resultados da sua Pesquisa Mensal do Comércio. A pesquisa mostrará um raio-x da situação do comércio brasileiro no mês de julho.
PODER LEGISLATIVO
O Congresso Nacional segue paralisado, em um momento de recesso branco por conta da campanha eleitoral. Depois de realizar dois período de esforço concentrado, Senado Federal e Câmara dos Deputados só terão sessões em plenário após o primeiro turno das eleições.
Apesar da paralisação, um grupo de parlamentares vêm pressionando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a realizar uma sessão no plenário nesta semana. Senadores como Carlos Viana (PSD-MG) e Eduardo Girão (Novo-CE) reivindicam a abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Alcolumbre, não dá sinais de que irá ceder às pressões e até o momento, não há indicação de realização de qualquer sessão no plenário do Senado.
PODER JUDICIÁRIO
Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal se prepara para viver um dos momentos mais delicados de seus mais de 130 anos de história. Nesta terça (15), às 10h, o plenário se reúne em sessão extraordinária para analisar o procedimento originado a partir de informações da Polícia Federal sobre suposta relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Os ministros devem definir o destino dos elementos reunidos pela PF e indicar se há espaço para que seja iniciada uma investigação na Corte relacionada ao ministro Alexandre de Moraes. Na votação, os ministros também poderão decidir se prevalecerá a tese da Procuradoria-Geral da República (PGR), que questiona a validade do relatório da PF e pede a sua nulidade.
A crise ganhou maior dimensão quando o relatório da PF foi tornado público, no início do mês de setembro. O documento levou André Mendonça a separar o material para apreciação dos demais ministros do Supremo.
Já Alexandre de Moraes reagiu em outro procedimento, o inquérito das fake news, e apresentou elementos para questionar a relatoria do próprio ministro Mendonça, responsável pelas investigações. O STF então passou a conviver com duas frentes distintas: uma relacionada aos elementos que alcançaram Moraes e outra referente à conduta de Mendonça na condução dos procedimentos.
Apesar da pressão do grupo ligado a Moraes, o presidente do STF, Edson Fachin, colocou na pauta apenas o pedido relacionado às conversas de Daniel Vorcaro com o ministro do STF. A denúncia apresentada por Alexandre de Moraes contra Mendonça foi agendada para a sessão plenária do dia 23 deste mês.
Edson Fachin também tomou para si a relatoria do caso contra Moraes, por identificar possível impedimento de juiz por relação com envolvidos, fato previsto no Código de Processo Civil. A decisão concentra na presidência da Corte as decisões que guiarão desdobramentos da crise no STF.
Na sessão desta terça, há expectativa também sobre um possível pedido de vista, que levaria o caso relacionado a Moraes a um futuro incerto, já que a votação dos demais ministros pode acabar ficando apenas para o ano que vem.
Com os ministros divididos entre as posições de Alexandre de Moraes e André Mendonça, ainda não se sabe se o presidente do STF, Edson Fachin, manterá a sessão plenária da próxima quarta (16), para julgamentos de uma pauta de ações previamente acertadas. Na semana passada, duas sessões no plenário foram canceladas devido à crise no Tribunal.
Os ministros do STF deixaram de julgar, na semana passada, ações com a ADC 91, que tem como tema central o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014). A ação julga a validade de um trecho que prevê que dados de registro de conexão, como o IP (informação utilizada para identificar usuários), só podem ser disponibilizados mediante ordem judicial.
Também foram adiados os julgamentos das ADIs 5059 e 5073, que envolvem o alcance do poder de requisição de provas, informações, dados e documentos por delegados de polícia em investigações criminais, conforme previsto em trechos da Lei 12.840/2013.
Para esta semana, a pauta previamente agendada tem como primeiro item a análise da ADI 7495, que discute diferenças nas regras de licença parental, incluindo a equiparação entre maternidade biológica e adotiva e a possibilidade de compartilhamento do período de afastamento entre os responsáveis pela criança. A ação foi proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tem como relator o ministro Alexandre de Moraes, que pediu destaque do processo no Plenário Virtual.
Também estão pautados dois processos que discutem a aplicação do Estatuto da Pessoa Idosa a reajustes de planos de saúde por faixa etária. Na ADC 90, o STF analisa se a proibição de cobrança de valores diferenciados em razão da idade alcança contratos firmados antes da entrada em vigor do estatuto, em 2004.
O tema também é tratado no RE 630852, com repercussão geral (Tema 381), cujo julgamento aguarda a proclamação do resultado. A Presidência do STF indicou que os entendimentos dos dois processos serão harmonizados para a proclamação conjunta.
A pauta inclui ainda a retomada do julgamento da ADI 5385, que questiona lei de Santa Catarina que redefiniu os limites do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e criou o Mosaico de Unidades de Conservação da Serra do Tabuleiro e Terras de Massiambu. O julgamento foi suspenso em agosto, diante da possibilidade de empate em cinco a cinco, em razão da cadeira vaga no Tribunal.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, em ofício neste domingo (13), que incluir novos elementos e abrir a íntegra das informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e "colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações".
A manifestação ocorre a dois dias do julgamento no plenário do STF, marcado para a próxima terça-feira (15), no qual os ministros devem analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
"A inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro, somente contribuiria para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural", disse Mendonça.
Nos últimos dias, os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes acionaram a presidência da Corte para cobrar o acesso integral ao espelhamento do aparelho — um iPhone apreendido pela PF nas apurações ligadas ao Banco Master.
Zanin e Gilmar argumentaram que os magistrados precisam de todo o contexto para decidir, enquanto Moraes pontuou que "não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento".
No documento deste domingo, Mendonça rebateu as cobranças e assegurou que todos os integrantes do tribunal têm acesso ao mesmo material que ele próprio utilizará.
"Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os ministros deste tribunal. Para tal fim, este ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão", escreveu.
Ao citar o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, Mendonça concluiu afirmando que "como bem enfatizou o eminente Presidente, 'a gravidade dos fatos não autoriza atalhos', mas também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça".
PEDIDO DE EXPLICAÇÕES A DELEGADOS DA PF
No mesmo despacho, Mendonça solicitou a Fachin que determine a quatro delegados da PF a prestação de informações, no prazo de 24 horas, sobre como se deu o envio de relatórios e mídias ao seu gabinete em março de 2026.
Mendonça solicitou que os policiais esclareçam as circunstâncias da entrega do material e informem se sofreram eventuais "constrangimentos sofridos ao longo das investigações".
IMPASSE PRÉ-JULGAMENTO
A manifestação de Mendonça é mais um capítulo da crise e da troca de ofícios que se intensificou no STF às vésperas da sessão de terça-feira (15).
No sábado (12), Fachin havia concedido prazo de 24 horas para que a Polícia Federal esclarecesse a situação do celular de Vorcaro e a integridade da cadeia de armazenamento das provas.
Na manhã deste domingo (13), a PF respondeu que o aparelho e a extração originais permanecem guardados com segurança na corporação e que tem plenas condições técnicas de remeter cópias idênticas a todos os gabinetes que requisitarem.
A PF pontuou ainda que o arquivo repassado ao gabinete de Mendonça em março era uma cópia, atendendo a uma solicitação formal do relator.
Mendonça, por sua vez, já havia argumentado anteriormente que mantinha os arquivos lacrados e criptografados em seu gabinete como contraprova de segurança, sem tê-los manuseado.
Enquanto isso, a ala de Moraes no Supremo articula levantar questões preliminares e nulidades processuais na sessão de terça-feira, apontando supostas irregularidades na confecção e no direcionamento do relatório de Mendonça e a falta de acesso prévio a todo o celular de Vorcaro.
Seria uma tentativa de barrar a abertura de uma apuração contra o ministro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também já opinou pelo arquivamento do relatório com base em vícios de tramitação.
O ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumiu neste sábado (12) a relatoria do caso que avalia a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes. Na semana que vem, o plenário do Supremo vai decidir se abre a investigação contra Moraes após documentos liberados por André Mendonça associarem a figura do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao vice-presidente do STF.
Em decisão tomada já na noite deste sábado, Edson Fachin retirou o processo das mãos do ministro André Mendonça e o transferiu para a presidência da Corte. A transferência da relatoria foi fundamentada nas regras internas do tribunal, já que o regimento do STF estabelece que apurações preliminares contra magistrados da própria Corte devem ser conduzidas por seu presidente.
Na mesma decisão, ele pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. Com isso, ele paralisa os andamentos dos dois casos.
O plenário do STF decidirá na próxima terça-feira (15) o futuro do caso de Moraes. Os ministros deverão definir, em transmissão ao vivo, se abrem uma investigação formal contra o magistrado ou se determinam o arquivamento do pedido.
Para 28% dos brasileiros, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria sofrer um processo de impeachment. Já para 37% das pessoas, o ministro André Mendonça deveria se afastar temporariamente do seu cargo no STF.
Esses foram alguns resultados obtidos em pesquisa divulgada pelo Datafolha neste sábado (12). O instituto entrevistou cerca de duas mil pessoas nos últimos dias.
Ainda em relação a Moraes, cerca de 34% acreditam que ele deveria se afastar de seu cargo, enquanto 12% dizem que André Mendonça é que deveria sofrer um impeachment. A pesquisa também apurou que 7% não viram nada de errado na atuação de Alexandre de Moraes, enquanto 5% acreditam que não há problemas porque o vazamento de conversas das investigações foi ilegal.
Confira abaixo os resultados em relação aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça:
Sobre Alexandre de Moraes
34% defendem afastamento temporário
28% pedem impeachment
13% querem renúncia do cargo
7% afirmam que não há nada de errado nas mensagens
5% acreditam que o vazamento de conversas foi ilegal
13% se disseram indecisos
Sobre André Mendonça
37% defendem afastamento temporário
25% dizem que não há nada de errado nas ações dele
12% pedem impeachment
11% querem renúncia do cargo
12% se disseram indecisos
Em outro recorte da pesquisa Datafolha, 76% dos brasileiros consideram que os ministros do STF possuem poder demais. Desse total, 18% não acreditam em tal afirmação.
A pesquisa também mostra que 3% não concordam nem discordam do acúmulo de poder dos magistrados, enquanto 4% não souberam responder.
Um outro questionamento foi feito para avaliar a percepção dos eleitores se confiam menos no STF atualmente do que no passado. Do total, 77% acreditam que a Corte era mais acreditada no passado, enquanto 16% discordam. Aqueles que não concordam nem discordam com a colocação somam 3%, e os que não souberam responder são 4%.
O levantamento do Datafolha ouviu 2.002 eleitores entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-01833/2026.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a interceptação telefônica do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito das investigações relativas ao caso Master. Os dados constam em relatório da Polícia Federal tornado público após o presidente do STF, o ministro Edson Fachin, determinar a retirada do sigilo dos autos do caso Master, nesta sexta-feira (11).
Segundo informações da CNN, a decisão sobre o monitoramento foi proferida em 17 de junho de 2026. A Polícia Federal aponta uma proximidade entre o parlamentar e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, indicando a existência de uma relação de confiança que favoreceria tratativas de interesse da instituição financeira.
As investigações citam a suspeita de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo senador, de forma direta ou indireta. Entre os pontos apurados pela Polícia Federal estão a aquisição de um apartamento em Salvador em favor do parlamentar, repasses financeiros e indícios de atuação legislativa em pautas correlatas aos interesses do banco.
A determinação judicial alcançou também Augusto Ferreira Lima e outros investigados no processo. A medida ficou restrita ao acesso a metadados e registros técnicos — como estações rádio base (ERBs), números de identificação de aparelhos (IMEI), histórico de chamadas e dados de conexão —, sem incluir a interceptação do conteúdo das conversas ou mensagens.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, negou o pedido do ministro Alexandre de Moraes para julgar de forma unificada duas investigações paralelas sobre o caso Banco Master. A decisão foi oficializada neste sábado (12).
Com a decisão, Fachin manteve a realização da sessão Plenária da próxima terça-feira (15) dedicada exclusivamente ao processo relativo a Moraes e agendou para 23 de setembro a análise do caso que envolve a conduta do ministro André Mendonça.
Moraes havia apresentado um requerimento à Presidência alegando o "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual", caso os processos fossem apreciados separadamente.
O presidente da Corte, no entanto, explicou que os dois casos estão em fases diferentes: o processo sobre as mensagens relativas a Moraes já se encontrava pronto e liberado para julgamento pelos ministros; enquanto o processo sobre a conduta de Mendonça ainda possui prazos abertos para a colheita de informações e manifestações formais.
No caso da apuração sobre as mensagens de Alexandre de Moraes, o STF analisa informações da Polícia Federal (PF) sobre contatos e mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro.
Já a investigação sobre a conduta de André Mendonça reúne relatórios da Polícia Federal (PF) sobre a atuação do próprio André Mendonça na condução das operações. O relatório trata de suspeitas levantadas pela PF quanto à imparcialidade e a um suposto direcionamento seletivo das apurações contra alvos políticos, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o próprio Moraes.
Nesse cenário, Fachin concluiu que levar o segundo processo ao Plenário antes do fim dos prazos inviabilizaria a análise, optando por marcá-lo para o fim de setembro.
O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) tentou, por quatro vezes, retirar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação sobre destinação de emendas e desvio de finalidade para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na última quinta-feira (10/9), Dino autorizou uma operação contra 29 alvos ligados à investigação sobre o repasse de emendas parlamentares à produtora do filme.
Os quatro pedidos feitos pela defesa de Flávio Bolsonaro foram feitos entre os dias 13 e 29 de julho deste ano. Dois dos pedidos foram endereçados ao presidente do STF, Edson Fachin, e dois ao próprio Flávio Dino.
A alegação dos advogados de Flávio Bolsonaro era a de que a investigação sobre o filme “Dark Horse” estava sob o comando do ministro André Mendonça, e que, por isso, ele também deveria assumir a apuração sobre eventual uso de recursos públicos na obra.
“Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência, a fim de criar uma prevenção artificial e inexistente do Exmo. Min. Flávio Dino para os fatos”, disse a defesa do senador.
Na investigação sobre as emendas parlamentares, relatada por Flávio Dino, é apurado o suposto uso irregular de verbas públicas para a produção do filme. A Polícia Federal investiga se verbas destinadas à execução de projetos sociais foram desviadas por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB) para bancar a cinebiografia.
Já a investigação que envolve o Caso Master, e que está sob comando de André Mendonça, apura o repasse de milhares de reais feitos por Daniel Vorcaro para financiar o filme. Os investigadores querem saber se houve lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O ministro e decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, enviou, nesta sexta-feira (11), um ofício ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, afirmando que não é possível julgar nenhuma das duas petições que envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça em diferentes casos.
No primeiro caso, Gilmar Mendes se refere ao de número 16.662, o relatório da Polícia Federal (PF-DF) feito a pedido de André Mendonça e utilizado pelo magistrado para afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, decisão que foi revertida posteriormente pelo presidente do STF.
O outro caso, o de número 16.704, suspendeu as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino relacionadas à cúpula da Polícia Federal e determinou que procedimentos envolvendo investigação de integrantes da Corte sejam previamente encaminhados à Presidência.
Gilmar argumenta que há "sérias dúvidas" de que o caso de Moraes, no atual "estágio processual", esteja em condições de ser julgado. Para o decano, não há definição "adequada" sobre o caso, seja em relação a quem ocupa a posição de investigado, ao objeto da apuração, ao rito a ser adotado ou à própria maturidade da questão que será debatida pelo plenário.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter atuado de forma seletiva ao levantar parcialmente o sigilo das investigações relativas ao caso do Banco Master. A manifestação foi formalizada em despacho proferido na Petição (PET) 16.704, apresentado após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, acolher um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e fixar o prazo de 24 horas para a liberação dos procedimentos ligados ao processo.
No documento encaminhado à presidência do STF, obtido pelo Bahia Notícias (BN), Mendonça afirmou ter atendido às determinações de Fachin e tornado públicos os procedimentos diretamente relacionados à pauta de julgamento agendada para a próxima terça-feira (15).
O relator sustentou que a manutenção do segredo sobre determinados autos decorreu de uma análise prudente para resguardar investigações em andamento e a privacidade dos envolvidos.
CENTENAS DE DOCUMENTOS
No despacho da PET 16.704, Mendonça respondeu diretamente às declarações do ministro Alexandre de Moraes sobre a suposta ausência de 180 documentos nos procedimentos vinculados à PET 15.556. O relator rebateu a tese de que teria havido ocultação de peças ou liberação parcial seletiva, algo também negado pelo diretor Andrei Rodrigues.
Segundo o magistrado, a diferença entre o número de peças disponibilizadas e a contagem apresentada no sistema e-digital decorre do próprio funcionamento do STF Digital e de decisões processuais, e não de omissão:
- Desentranhamento e traslado de peças: Documentos foram remetidos a outros processos por autonomia temática ou ritos próprios, como ocorreu com a Pet 16.662, autuada a partir de elementos retirados da Pet 15.556.
- Comunicações administrativas: O registro do sistema inclui atos processuais internos, como ofícios expedidos e mandados cumpridos, que não configuram provas ou relatórios investigativos.
- Incongruências do sistema: O ministro anexou capturas de tela do sistema e-digital para demonstrar imprecisões no contador automático, argumentando que a tabela utilizada para apontar omissões não reflete a realidade dos autos.
Mendonça reiterou que todas as peças efetivamente disponíveis na PET 15.556 foram devidamente publicizadas e que a totalidade dos procedimentos com relação direta com o julgamento agendado foi disponibilizada aos gabinetes de todos os ministros.
SIGILO LIMITADO
Quanto à impossibilidade de liberar de forma irrestrita todos os procedimentos correlatos à PET 15.556, o relator destacou que a apuração em questão limita-se à representação policial da terceira fase ostensiva da Operação Compliance Zero.
De acordo com o ministro, a abertura integral de frentes paralelas violaria a proteção constitucional a dados pessoais e o sigilo bancário e fiscal de terceiros e de investigados em inquéritos em andamento.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou nesta sexta-feira (11) que a cópia de segurança dos dados retirados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro continua em HD lacrado e intocado em seu gabinete na Corte. Isso ocorreu depois que o ministro Cristiano Zanin pediu acesso ao acervo de informações do caso.
De acordo com a GloboNews, foi decidido em fevereiro que a Polícia Federal (PF) seria a responsável pela custódia oficial dos dados originais. Na ocasião, a corporação entregou ao gabinete do magistrado uma cópia de segurança do material arrecadado no aparelho celular de Vorcaro.
O ministro enfatizou que o conteúdo que está sob sua responsabilidade não sofreu qualquer tipo de violação e se encontra intacto nas dependências do STF.
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, negou a existência de qualquer monitoramento ilegal direcionado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A declaração foi formalizada em manifestação enviada nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
No documento, obtido pela CNN, o chefe da corporação explicou que os relatórios questionados correspondem a análises regulares de inteligência promovidas pela PF. Rodrigues ressaltou ainda que a remessa do material ao Supremo atendeu a uma ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, no qual cita uma "escolha seletiva" na retirada do sigilo, por André Mendonça, dos inquéritos e procedimentos ligados ao Banco Master.
Moraes pediu a derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos. O ministro também solicitou o julgamento conjunto de duas petições que tramitam no tribunal sobre o caso:
- a que trata das mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o próprio Alexandre de Moraes;
- e a que reúne representações que apontam suposta quebra de imparcialidade e suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero".
"O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (...) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", escreveu Moraes.
No ofício a Fachin, Moraes anexou uma tabela comparativa detalhando a diferença entre as peças disponibilizadas e as registradas no sistema eletrônico do tribunal.
- Inquérito 5026: 61 peças pendentes (1.025 disponibilizadas de 1.086);
- PET 15556: 54 peças pendentes (504 disponibilizadas de 558);
- Reclamação (RCL) 88121: 35 peças pendentes (413 disponibilizadas de 448);
- PET 15198: 23 peças pendentes (1.049 disponibilizadas de 1.072);
- PET 15978: 7 peças pendentes (392 disponibilizadas de 399).
Segundo o ministro, das 4.514 peças constantes no sistema para os 15 procedimentos listados, apenas 4.334 foram tornadas acessíveis.
Ele pediu ainda que a Diretoria de Tecnologia da Informação (TI) do STF certifique a quantidade exata de procedimentos existentes relacionados à investigação.
JULGAMENTO CONJUNTO COM MENDONÇA
Moraes também criticou o fato de ter sido pautada apenas a análise da PET 16.662, deixando de fora a PET 16.704.
Esta última reúne representações que apontam suposta quebra de imparcialidade e suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero".
Entre os pontos citados por Moraes contra Mendonça na comunicação original de 3 de setembro estão:
- Usurpação da direção das investigações policiais com quebra da cadeia de custódia;
- Condução irregular de tratativas de colaboração premiada;
- Suposto direcionamento de alvos (incluindo o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre) por motivações pessoais e políticas
CRISE MASTER NO STF
O embate ocorre após André Mendonça retirar, na quinta-feira (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Fachin.
Contudo, a liberação manteve em segredo outras frentes, como apurações ligadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao financiamento do filme "Dark Horse" — produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou sob apuração da Polícia Federal conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A disputa expôs divergências públicas entre integrantes da Corte, a Procuradoria-Geral da República e a direção-geral da PF.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a abertura de um inquérito para investigar a atuação do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada ainda em julho, mas foi divulgada nesta sexta-feira (11), após a queda do sigilo sobre o caso Master. (Reportagem atualizada às 09h14)
A investigação sobre Flávio foi pedida pela Polícia Federal (PF) e teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo informações do O Globo, o despacho foi incluído ao inquérito principal do caso Master, mas a investigação focada em Flávio segue sob sigilo, indicando que PF segue realizando diligências. A corporação apura os supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
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"A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro", diz o documento judicial.
Em seu despacho, Mendonça destaca: "Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”.
Em suas declarações, o presidenciável nega irregularidades e diz que todos os recursos do filme foram privados. Em maio, mensagens reveladas pelo portal Intercept Brasil mostram que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para a produção da obra, dos quais R$ 60 milhões foram pagos, de acordo com planilhas apreendidas pela PF.
Desde então, Flávio reforça que não houve irregularidades envolvendo o filme. “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”, disse Flávio ainda nesta quinta-feira (10), em ato de campanha em Roraima.
A fala ocorreu logo após a Polícia Federal deflagrar, nesta quinta, a Operação Make Up relacionada ao financiamento do filme "Dark Horse", que teve como alvos as ONGs de Karina Gama, produtora do filme, e o deputado federal Mário Frias (PL-SP). Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A ação foi determinada pelo ministro Flávio Dino.
O ministro André Mendonça, conforme determinado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, levantou no final da noite desta quinta-feira (10) o sigilo de diversas investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. Mendonça, entretanto, manteve em segredo de justiça algumas delas, como a petição que investiga o repasse de recursos por Daniel Vorcaro para um fundo de investimento nos Estados Unidos com o objetivo de financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente do STF, na decisão em que solicitou a retirada do sigilo das investigações do caso Master que tramitam na Corte, autorizou André Mendonça a manter em sigilo o que poderia prejudicar investigações futuras operações e diligências sobre o caso.
Nesse sentido, Mendonça manteve fechadas as informações sobre o repasse para o filme “Dark Horse” e também a petição que investiga a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. Outra investigação mantida em sigilo por Mendonça foi aquela revelada pela Polícia Federal no relatório de inteligência enviado para o ministro Alexandre de Moraes, sobre Antônio Rueda e ACM Neto.
Os documentos relacionados à relação entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro estão na lista de processos que se tornaram públicos após determinação de André Mendonça. Os documentos desse processo, entretanto, já tinham sido liberados na última semana por decisão do próprio Mendonça.
Na noite desta quinta, o ministro André Mendonça tornou público 14 procedimentos sob sua relatoria no STF. Entre eles estão dois dos principais inquéritos que detalham a engenharia financeira que levou ao rombo bilionário do Banco Master.
O principal deles é o inquérito 5026, da Operação Compliance Zero. Ele foi criado quando o processo ainda estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli, momento em que o magistrado determinou a remessa do inquérito que tramitava na Justiça Federal contra Daniel Vorcaro e outros suspeitos.
É a partir deste inquérito que outras investigações foram ramificadas. Entre as que tiveram o sigilo levantado por André Mendonça, cinco tratam direta ou indiretamente das operações de prisão e busca e apreensão contra os envolvidos no grupo chamado “A Turma”, utilizado por Vorcaro para intimidação e perseguição de adversários e desafetos.
Outro inquérito, que investiga a cooptação de influenciadores, o chamado “Projeto DV”, para influenciar a percepção pública sobre Vorcaro e o Banco Master, também teve seu sigilo levantado pelo ministro André Mendonça.
Também consta no material liberado por André Mendonça as informações sobre o pagamento de viagens e jantares internacionais por Daniel Vorcaro para os dois servidores do Banco Central acusados de atuar para favorecer o Banco Master. É o que afirma a Polícia Federal nos relatórios enviados ao STF.
De acordo com a investigação, Vorcaro teria custeado parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, junto com a esposa para Paris, assim como do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza para a Disney, nos Estados Unidos.
Segundo a investigação, Vorcaro teria organizado uma viagem de Belline e da esposa para Paris. O ex-banqueiro “tratou diretamente com prestadores de serviços no exterior sobre reservas de restaurantes, recepção e logística, chegando inclusive a encaminhar o contato pessoal do servidor para que a programação fosse finalizada”, diz a PF.
A decisão tomada por Edson Fachin sobre as investigações do Banco Master ocorre às vésperas da sessão extraordinária do Supremo marcada para 15 de setembro. O plenário deverá analisar a controvérsia envolvendo o relatório da Polícia Federal que revelou diálogos entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) questiona a validade dessa parte da investigação e pediu a nulidade do relatório.
O levantamento do sigilo, na visão de Fachin, teve como objetivo permitir que os demais integrantes do STF tenham acesso ao conjunto de informações relacionadas ao caso antes da sessão.
A revista britânica The Economist publicou um editorial no qual afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser uma "ameaça" à democracia do Brasil. Sob o título "When the defenders of democracy turn their backs on it instead" [Quando os defensores da democracia lhe viram as costas], a publicação desta quinta-feira (10) faz severas críticas à Corte e questiona os métodos e a conduta do ministro Alexandre de Moraes, no momento em que o país se aproxima das eleições gerais marcadas para 4 de outubro.
De acordo com a publicação, a crise institucional no tribunal tem como eixos centrais as decisões proferidas por Moraes nos julgamentos relacionados ao 8 de Janeiro, o seu envolvimento com o caso do Banco Master e a disputa pública travada com o ministro André Mendonça.
A revista define o cenário atual como "um escândalo de corrupção repugnante e cada vez maior" no seio do tribunal que supervisionou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O texto ressalta ainda que falhas processuais atribuídas a Mendonça e as tentativas de autoproteção por parte de Moraes poderiam ser utilizadas como justificativa jurídica para anular e encerrar toda a investigação referente ao Banco Master.
Um grupo de deputados, entre eles Capitão Alden, do PL da Bahia, protocolou requerimento na Câmara para pedir a convocação de uma sessão especial no plenário com o objetivo de ouvir esclarecimentos do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada.
O requerimento foi encaminhado ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tem o poder de decidir se realizará a sessão no plenário, chamada de Comissão Geral. No requerimento, os deputados afirmam que a intenção é a de apurar circunstâncias de elaboração, autoria, supervisão e eventual utilização institucional ou processual de documentos de inteligência atribuídos à Polícia Federal, juntados em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na justificativa da convocação, o deputado Capitão Alden e os demais que assinam o documento alegam a necessidade de esclarecimento público e institucional acerca dos relatórios atribuídos a unidades da Polícia Federal que teriam analisado atos, condutas e circunstâncias envolvendo altas autoridades da República.
Os deputados afirmam que os documentos, que se tornaram públicos por conta da guerra aberta entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, apresentam avaliações de cenário sem valor probatório, e teriam ingressado em procedimento judicial e sido utilizados como elementos para a adoção de providências de significativa repercussão institucional.
O texto do requerimento afirma também que a questão assumiria especial gravidade diante de decisão judicial segundo a qual o documento da PF seria apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade.
“A ausência, conforme apontada, de assinatura, numeração, data, identificação inequívoca da unidade produtora e de outros mecanismos ordinários de autenticação suscita questões objetivas e incontornáveis acerca da origem, integridade, rastreabilidade, autenticidade e responsabilidade funcional relacionada ao material”, dizem os parlamentares sobre os relatórios da Polícia Federal utilizados por Moraes para pedir abertura de investigação contra André Mendonça.
“Não se trata, portanto, de discutir apenas aspectos formais de documentos administrativos ou de inteligência. É necessário esclarecer se foram observados os limites jurídicos e técnicos que distinguem atividade de inteligência, produção de conhecimento e investigação criminal, bem como quais critérios foram empregados para coleta, tratamento, validação, classificação e difusão das informações”, diz o requerimento.
A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) defendeu, nesta quarta-feira (9), que relatórios de inteligência não sejam utilizados como instrumentos de investigação, acusação ou disputas políticas. A manifestação ocorre após o ministro do STF André Mendonça questionar o uso de documentos de inteligência da Polícia Federal (PF) relacionados a ele pelo ministro Alexandre de Moraes.
Em nota pública, a entidade afirmou que a atividade de inteligência deve atender exclusivamente aos interesses do Estado e da sociedade, sem influência de governos, partidos ou grupos políticos. A Intelis também defendeu que o setor seja orientado pela Constituição, pela legalidade, pelo profissionalismo, pelo controle democrático e pelo “absoluto apartidarismo”.
Segundo a organização, o episódio evidencia a necessidade de estabelecer limites e mecanismos de fiscalização para a área. A entidade citou o PL 6.423/2025, que propõe atualizar o marco legal da inteligência, e a PEC 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública. Para a Intelis, a ausência de uma regulamentação mais clara representa um risco à democracia, ao Estado e à segurança nacional.
Jorge Messias faz elogios e diz que decisão de Edson Fachin contribui para harmonia entre os poderes
O Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, divulgou nota nesta quarta-feira (9) em que elogia a decisão tomada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que reconduziu Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Fachin, entre outras medidas, cancelou decisão do ministro André Mendonça que afastou Rodrigues do posto.
Para Jorge Messias, o conjunto de decisões do ministro Edson Fachin contribuem para que a institucionalidade possa ser restaurada, após a escalada de uma crise que ganhou contornos graves desde que Mendonça levantou o sigilo de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito sobre o Banco Master.
“A decisão restaura a ordem pública e administrativa e, sobretudo, reafirma a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover os cargos de direção da Polícia Federal”, diz a nota da AGU.
Jorge Messias também faz elogios diretos ao presidente do STF, a quem classifica como “reconhecidamente sóbrio e prudente”. Para o advogado-geral, a decisão desta tarde de quarta ajuda a fortalecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário.
“A medida também milita em favor da harmonia entre os Poderes da República, ao reafirmar e respeitar as competências que a Constituição Federal atribui a cada um deles. Em última análise, contribui para a preservação da paz social e da estabilidade institucional”, colocou o advogado.
Messias ainda aproveita para rebater críticas e diz que, “ao contrário de narrativas plantadas na imprensa”, desde o primeiro momento, optou pelo diálogo institucional, pela prudência e pelo respeito às prerrogativas constitucionais dos Poderes da República, “atuando, como sempre o fez, nos limites das balizas de suas atribuições e em defesa dos interesses da União”.
Após o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro André Mendonça, que havia determinado o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima terça-feira uma sessão no plenário do tribunal para tratar do caso.
A análise no plenário permitirá que o conjunto dos ministros da Corte se debruce sobre as deliberações e os desdobramentos mais recentes relacionados ao procedimento.
Essa medida liminar encerra, de forma provisória, um dos capítulos de uma crise institucional no STF iniciada a partir de investigações relacionadas ao Banco Master e que passou a envolver os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, além do presidente da Corte, Edson Fachin, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do advogado-geral da União, Jorge Messias.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro". A decisão tramita sob sigilo judicial. Com a decisão, os relatos e documentos apresentados por Mineiro poderão ser utilizados formalmente pelos investigadores, desde que sejam submetidos aos procedimentos de verificação e corroborados por outras provas.
Vale explicar que essa medida não significa reconhecimento automático da veracidade das informações prestadas pelo delator. O caso foi confirmado pelo portal G1. Ao homologar o acordo, o relator analisa aspectos legais, como a voluntariedade da colaboração e a regularidade do procedimento.
Apontado como operador financeiro ligado ao empresário Daniel Vorcaro e ao extinto Banco Master, Mineiro teria fornecido informações sobre movimentações financeiras e operações que estão sob análise das autoridades. A expectativa é que o conteúdo da colaboração possa subsidiar novas diligências, incluindo pedidos de quebra de sigilo, oitivas e eventuais desdobramentos investigativos.
Como o processo permanece sob sigilo, os detalhes do acordo e das declarações prestadas por Mineiro ainda não são públicos. A homologação, contudo, reforça a relevância da colaboração para o avanço das apurações conduzidas pelos órgãos responsáveis.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (9), o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, alertou para o risco que as instituições brasileiras correm com a crise vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No documento intitulado “Não vamos desistir do Brasil”, Alban cobrou das autoridades públicas uma reação “vigorosa, justa e responsável” para impedir o aprofundamento da crise.
“A República enfrenta um teste de integridade inédito. As sucessivas crises que ocorrem em Brasília colocam as instituições em risco. Os recorrentes episódios podem lançar o Brasil num momento de especial gravidade, pois a confiança da população nos poderes públicos é alicerce da democracia”, disse Alban.
A CNI foi uma das cerca de três mil entidades do setor produtivo brasileiro que assinaram um manifesto que pede ao STF transparência, imparcialidade e celeridade na análise de episódios recentes que envolvem os ministros da Corte. O documento defende que os fatos sejam examinados pelo plenário do STF, em sessão pública e com urgência, além de reforçar o princípio de que ninguém está acima da lei.
Na mesma linha, o presidente da CNI, no seu comunicado “Não vamos desistir do Brasil”, destacou a importância da atuação das instituições para a preservação do Estado de Direito. Ricardo Alban fez um alerta sobre a necessidade de os próximos passos da crise acontecerem com “equilíbrio e atenção”.
“Não podemos deixar que questões políticas, eleitorais ou crises institucionais travem o desenvolvimento. Não podemos, mais uma vez, perder as oportunidades de crescimento no cenário internacional”, colocou o dirigente principal da indústria brasileira.
“Por isso, convocamos todos os poderes constituídos, empresários e trabalhadores pelo consenso em torno de temas estratégicos para o País, como o estabelecimento de metas fiscais e políticas econômicas estruturantes que possam garantir investimentos e crescimento econômico. Isso só se dará de forma justa, com amplo direito à defesa, sem que haja qualquer influência político-partidária”, completou Ricardo Alban em seu comunicado.
O manifesto conjunto assinado pelas entidades e que foi capitaneado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) faz o mesmo apelo por soluções emergenciais e transparentes para o abrandamento da crise, além de destacar que o Supremo Tribunal Federal é o “guardião da Constituição”, mas que não está “dispensado de prestar contas”.
“Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas”, observam as entidades.
O manifesto afirma ainda que a sociedade brasileira exige que o “Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo”.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, cancelou a sessão do Plenário prevista para as 14h desta quarta-feira (9). A decisão foi anunciada horas depois de o ministro Flávio Dino determinar a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial.
O cancelamento ocorre em meio à tensão interna no STF e ao embate entre ministros sobre o comando da Polícia Federal. Havia expectativa de que os integrantes da Corte se manifestassem sobre o episódio e sobre as decisões divergentes relacionadas ao afastamento e à recondução de Rodrigues.
Nos últimos dias, Fachin vinha sendo pressionado a levar ao plenário controvérsias envolvendo relatórios da Polícia Federal e a atuação dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Entre os processos previstos para análise estava uma ação sobre o Marco Civil da Internet. O caso discute a necessidade de ordem judicial para o fornecimento de dados de registro de conexão, como o endereço de IP dos usuários. O plenário também analisaria duas ações sobre os poderes investigativos de delegados da Polícia Federal, incluindo a possibilidade de requisição direta de perícias, informações, documentos e dados para a instrução de inquéritos.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pretende insistir com recurso no Supremo Tribunal Federal mesmo após o ministro Flávio Dino reintegrar o delegado Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (9). O recurso da AGU enviado ao gabinete do presidente do STF, Edson Fachin, solicitava explicações do ministro André Mendonça sobre a decisão de afastar o servidor.
Segundo informações do colunista Igor Gadelha, do jornal Metrópoles, o órgão vai insistir com seu recurso, ainda que a decisão de Dino atenda ao mesmo fim. O argumento é de que os argumentos do recurso são “sólidos” e que cabe a Fachin tomar uma decisão.
Ainda nesta terça-feira (8), Edson Fachin deu prazo de 72 horas para André Mendonça se manifestar sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
O pedido, assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros membros da direção da AGU, sustenta que a medida gera "grave lesão à ordem pública e administrativa."
Fontes ligadas à AGU destacam que a aposta é de que o presidente do Supremo deve suspender todas as decisões, tanto a de Mendonça quanto a de Dino, até que o próprio Fachin tome uma decisão.
Em decisão que determinou a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino cita que o Partido Novo, que protocolou o pedido de afastamento do servidor, não possui legitimidade legal para solicitar medidas cautelares de natureza pessoal no âmbito do processo penal. O pedido do Novo foi acatado pelo ministro André Mendonça nesta treça-feira (8).
Na decisão desta quarta-feira (9), o ministro atende a um requerimento incidental formulado por Andrei Rodrigues e diz que, de acordo com o Código de Processo Penal (CPP), a prerrogativa de solicitação de medidas cautelares cabe à autoridade policial e ao Ministério Público.
Segundo informações do g1, na peça jurídica dirigida ao Presidente da República, Flávio Dino garantiu o restabelecimento integral das funções dos delegados, Andrei Passos Rodrigues e Leandro Almada da Costa, e determinou ainda que os dois oficiais fiquem protegidos contra novas medidas cautelares motivadas pelo regular cumprimento de ordens judiciais.
O ministro fundamentou ainda que a decisão de Mendonça, que previa a paralisação das ações da Diretoria de Inteligência da PF, comprometeria centenas de investigações urgentes. Além disso, Dino observou que a conduta do Diretor-Geral restringiu-se ao cumprimento de ordens judiciais emanadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Em seu entendimento, para além das normas do CPP, o pedido do Partido Novo seria “inapropriado” considerando se tratar de uma agremiação partidária que possui candidatura própria à Presidência da República durante o período eleitoral em vigor.
"Os partidos políticos não são partes no processo penal, submetido aos trilhos da legalidade estrita [...]. É inequívoca a ilegitimidade ativa do Partido Novo para requerer a medida cautelar", afirmou o ministro na decisão.
Ainda na decisão desta quarta, Dino relembrou que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, já havia instaurado a PET 16.704 para submeter ao Plenário da Corte a análise sobre os relatórios de inteligência da corporação.
O ministro cita que, por figurar como interessado no procedimento do presidente do STF, o ministro André Mendonça não poderia decidir monocraticamente sobre a matéria.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deu prazo de 72 horas para André Mendonça se manifestar sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A solicitação foi apresentada nesta terça-feira (8) pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.
A AGU sustenta que a decisão individual de Mendonça provoca “grave lesão à ordem pública e administrativa”. O órgão também argumenta que o afastamento interfere em uma atribuição exclusiva do presidente da República: a escolha, nomeação e exoneração do diretor-geral da PF. Segundo o orgão, a interrupção repentina da gestão pode comprometer as atividades de polícia judiciária e provocar “risco de desorganização institucional”.
O órgão pediu uma liminar para suspender imediatamente o afastamento dos dirigentes da corporação e, posteriormente, confirmar a medida até que o caso seja analisado de forma definitiva pelo órgão competente. O afastamento de Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa, foi determinado por Mendonça em meio à investigação sobre a produção de relatórios de inteligência que teriam monitorado o próprio ministro e Jorge Messias.
A decisão também determinou a abertura de procedimentos criminais e administrativos na Corregedoria da PF para apurar a produção desses documentos, além da suspensão de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou da polícia judiciária.
O caso está sob análise da Segunda Turma do STF. O colegiado havia iniciado o julgamento da decisão de Mendonça, mas a análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto o julgamento não é concluído, a decisão individual de Mendonça permanece em vigor e mantém Rodrigues afastado.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) defendeu que o tema seja levado ao Plenário do Supremo. Diretores da PF também manifestaram “total apoio” a Rodrigues e colocaram os cargos à disposição de William Marcel Murad, que assumiu interinamente a direção da corporação.
A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou nesta terça-feira (8), em caráter de urgência, que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspenda liminarmente a decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
O pedido, assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros membros da direção da AGU, sustenta que a medida gera "grave lesão à ordem pública e administrativa". Segundo informações da Folha de S. Paulo, o advogado-geral esteve reunido com Fachin antes de apresentar formalmente o requerimento à Corte.
No documento, a AGU argumenta que o afastamento cautelar "viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal".
O órgão destaca ainda que a "descontinuidade abrupta" no comando da instituição compromete o fluxo regular das atividades de polícia judiciária e acarreta riscos de desorganização institucional. E o presidente Lula da Silva deverá recorrer sobre a decisão.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, avalia retirar do ministro André Mendonça a relatoria das investigações que envolvem o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A medida em estudo prevê a transferência temporária dos casos para a presidência da Corte, com o objetivo de desacelerar o conflito institucional entre integrantes do tribunal.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Fachin reuniu seus auxiliares mais próximos no domingo (6) para alinhar a condução desse cenário inédito. A avaliação de interlocutores é de que a centralização dos processos na presidência é necessária para conter os ânimos e reduzir o poder de ataque entre as alas do tribunal que apoiam Mendonça e Alexandre de Moraes.
A articulação da presidência teve início antes de Mendonça determinar, nesta terça-feira (8), o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A ordem do relator foi submetida a julgamento na Segunda Turma do STF e chegou a formar maioria para ser mantida, mas a análise foi suspensa após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Em reação à decisão de Mendonça, diretores da Polícia Federal puseram seus cargos à disposição. O desgaste entre os ministros tornou-se público após Mendonça derrubar o sigilo de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, endereçadas a Moraes dias antes de sua prisão, em novembro de 2025.
Em resposta, Moraes abriu apuração contra Mendonça com base em relatório interno da PF. A investigação de Moraes contra o colega, contudo, foi retirada do inquérito das fake news por determinação do próprio Fachin.
O presidente do STF demonstrou insatisfação com os métodos adotados por ambos os colegas e cobrou informações formais em até cinco dias de Mendonça, Moraes, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de Andrei Rodrigues sobre as circunstâncias dos relatórios produzidos.
Em declaração recente, Fachin afirmou que a resposta da instituição será "firme, proporcional e rigorosa", destacando como metas prioritárias de sua gestão a aprovação de um código de ética no tribunal, o encerramento do inquérito das fake news .
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, comparou os supostos relatórios sigilosos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, à distopia “1984”, que faz alegoria a vigilância de governos totalitários. Na peça jurídica, obtida pelo Bahia Notícias nesta terça-feira (8), o ministro fala ainda de “constrangimento ilegal” provocado pelos relatórios e vazamentos de informações.
A referência de Mendonça é introduzida no 5º capítulo da peça, onde ele destaca a “necessidade urgente de adoção de providências voltadas à imediata proteção das garantias constitucionais da Magistratura, da Advocacia-Pública e da atividade policial”.
Segundo ele, o quadro apresentado “mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada ‘1984’” e deve ser considerado como “de extrema gravidade”.
Mendonça determinou, nesta terça-feira (8), o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa, e convocou uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a decisão ainda nesta terça.
O julgamento do afastamento se baseia nos seguintes pontos: “[a] a produção dos ‘relatórios de inteligência’ em questão, [b] o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes e [c] a posterior divulgação desses ‘documentos’”, que segundo o magistrado “revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo Tribunal Federal, além de outras autoridades públicas”.
No documento, o ministro diz que ele próprio vinha sendo submetido a um monitoramento ilícito e sistemático por parte da inteligência policial há mais de 30 dias. Além disso, o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, também é citado como um dos alvos de monitoramento e de "coleta dirigida" de informações.
Sobre isso, ele diz que o afastamento busca “garantir que (i) os membros da magistratura em geral e os Ministros deste Supremo Tribunal Federal emparticular, bem como (ii) os membros da Advocacia Pública e (iii) os integrantes das carreiras policiais que compõem a Polícia Federal tenham preservadas as condições institucionais para exercer suas atribuições sem constrangimentos ilegais, bem como a fim de preservar se a sua segurança e integridade pessoal”.
André Mendonça determina ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF.
No julgamento virtual aberto às 10h, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques já declararam voto a favor do relator, formando maioria no colegiado. O presidente do STF, Gilmar Mendes, por sua vez, pediu vistas e suspendeu o resultado do julgamento. As vistas prolongam a análise do tema por até 90 dias. O ministro Dias Toffoli não se manifestou.
O QUE DISSE ORWEEL?
Na sociedade distópica retratada por Geoge Orwell em “1984”, livro publicado originalmente em 1949, o governo exerce controle sobre os aspectos da vida da população por meio de uma vigilância constante e os cidadãos são submetidos à propaganda oficial, à manipulação de informações e à repressão de pensamentos ou ideologias considerados contrários ao regime.
A história acompanha a vida de Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, órgão responsável por alterar registros históricos e informações de acordo com os interesses do governo da Oceania, que representa um Estado totalitário regido pelo “Partido”.
A história é famosa por popularizar o “Grande Irmão”, que é símbolo dessa vigilância constante e inspirou a criação do reality show “Big Brother”.
O coordenador da campanha de Lula em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que o governo deve recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) antes de cumprir a decisão do ministro André Mendonça de afastar definitivamente o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, do cargo.
Em declaração dada à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o advogado contou que, "dada a gravidade da medida", o presidente deve se reunir com urgência com o ministro Edson Fachin, presidente da Suprema Corte, e pode convocar o Conselho da República, órgão de consulta e aconselhamento da Presidência da República, para discutir a crise institucional que abala o STF e tem impacto direto nas eleições.
"Eleições, em toda e qualquer democracia, devem ser disputadas no voto. Não podemos permitir que funções públicas sejam novamente capturadas por interesses políticos e eleitorais", destacou Marco Aurélio.
Segundo ele, o país está mergulhando em uma crise institucional sem precedentes, em que poderes e órgãos estão avocando prerrogativas constitucionais que não lhes foram atribuídas.
AFASTAMENTO DE ANDREI RODRIGUES
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou, nesta terça-feira (8), o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
Gilmar Mendes pede vista, Fux e Marques foram maioria na 2ª turma para suspensão de Andrei Rodrigues
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, pediu vista do julgamento virtual que iria avaliar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após pedido do ministro André Mendonça, nesta terça-feira (8). O julgamento virtual foi aberto às 10h na Segunda Turma da Suprema Corte, composta por André Mendonça, Luiz Fux, Nunes Marques, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
No registro virtual, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques já declararam voto a favor do relator, formando maioria no colegiado. O presidente do STF, Gilmar Mendes, por sua vez, pediu vista e suspendeu o resultado do julgamento. A vista prolonga a análise do tema por até 90 dias. O ministro Dias Toffoli não se manifestou.
A decisão de Mendonça pede o afastamento de Rodrigues sob acusação de que o diretor da PF teria encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, ao menos seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026, no âmbito do Inquérito das Fake News.
Mendonça diz que ele próprio vinha sendo submetido a um monitoramento ilícito e sistemático por parte da inteligência policial há mais de 30 dias. Além disso, o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, também é citado como um dos alvos de monitoramento e de "coleta dirigida" de informações.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou, nesta terça-feira (8), o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. No documento oficial, o relator do caso do INSS e Banco Master detalha que Rodrigues teria encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, ao menos seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026, no âmbito do Inquérito das Fake News.
A decisão de André Mendonça também afastou o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa e determina ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF.
Segundo o g1, no documento da decisão, Mendonça diz que ele próprio vinha sendo submetido a um monitoramento ilícito e sistemático por parte da inteligência policial há mais de 30 dias. Além disso, o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, também é citado como um dos alvos de monitoramento e de "coleta dirigida" de informações.
Os relatórios que citam Messias elucubravam que a atuação da AGU em não recorrer de decisões judiciais nas operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero" visava preservar “relação política com o relator”. O documento da PF classificava a confiança daquela análise de cenário como "baixa", mas justificava que o caso "autoriza monitoramento e coleta dirigida."
O relatório indica ainda que a conduta do Advogado-Geral da União e do relator de não acatar solicitações da PF poderia ser explicada pelo fato de possuírem "matriz religiosa comum" e terem tido apoio de igrejas evangélicas em suas candidaturas ao STF. Sobre essa acusação, Mendonça a descreveu como "surreal" e "abjeta."
André Mendonça registrou que os documentos eram apócrifos, não tinham timbre, brasão, assinatura ou numeração, o que os tornava um "nada jurídico" que descumpria a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP).
O ministro solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a decisão ainda nesta terça. As informações são do g1.
A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) publicou, na noite deste sábado (5), uma mensagem de apoio ao ministro André Mendonça, do STF. A manifestação ocorre em meio ao embate entre Mendonça e Alexandre de Moraes nos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.
Sem mencionar diretamente a crise no Supremo, Michelle relembrou o período que antecedeu a chegada de Mendonça à Corte. Segundo a ex-primeira-dama, ela e outros apoiadores fizeram orações para que ele fosse aprovado para o tribunal. "Somente Deus, eu e os nossos intercessores sabemos o quanto buscamos a presença dEle para que você fosse abençoado em sua indicação ao STF", escreveu
Michelle também afirmou ter recebido uma revelação sobre a chegada de Mendonça ao Supremo. Segundo ela, durante um momento de oração, teve uma "visão" do então indicado entrando no tribunal "com uma nuvem branca" sobre a cabeça. "Depois daquele dia, tivemos a certeza de que aquela cadeira era sua", escreveu.
Ao final da publicação, Michelle chamou Mendonça de "escolhido" e "ungido do Senhor" e disse que integrantes de igrejas oram por ele. "Você foi chamado para este tempo", declarou.
MICHELLE ACOMPANHOU INDICAÇÃO AO STF
A proximidade de Michelle com o processo de chegada de Mendonça ao Supremo remonta à indicação feita pelo então presidente Jair Bolsonaro, em 13 de julho de 2021. O nome ficou quase cinco meses à espera da sabatina no Senado, que só ocorreu em 1º de dezembro. Na época, senadores cobraram do então presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre, a marcação da sessão.

Foto: Reprodução Redes Sociais
A sabatina durou cerca de oito horas. Mendonça foi aprovado por 18 votos a 9 na CCJ e, no mesmo dia, teve a indicação confirmada pelo plenário do Senado por 47 votos a 32. Michelle acompanhou a votação e comemorou a aprovação ao lado de Mendonça, familiares e integrantes da bancada evangélica. Após o resultado, disse "glória a Deus" e "aleluia" e falou em línguas, prática religiosa também conhecida como glossolalia.
EMBATE NO SUPREMO
Mendonça é relator das investigações do caso Master no STF e, na terça-feira (1º), retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens e registros de contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Os documentos indicam que o banqueiro buscava a atuação do ministro junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em assuntos relacionados às investigações sobre o banco.
A Procuradoria-Geral da República questionou a validade do relatório. A crise se aprofundou na quinta-feira (3), quando Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por supostas irregularidades na condução das apurações. Entre as condutas apontadas estão interferência em investigações da Polícia Federal e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos.
Na sexta-feira (4), o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que as apurações sobre Mendonça fossem retiradas do inquérito das fake news e tratadas em outro procedimento, sob sua relatoria. Fachin também abriu prazo para que a PGR e Mendonça se manifestem sobre o caso.
Confira postagem de Michelle:
Em meio ao acirramento da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, declarou nesta sexta-feira (4) que a Corte é “maior do que qualquer um que a integra”. Em publicação feita em seu perfil no Instagram, o magistrado defendeu a “lealdade institucional” e afirmou que a exigência do momento é enfrentar os “problemas reais” com o “devido processo legal e no tempo certo”.
Na manifestação, Dino destacou que a superação de momentos de crise exige a “consulta aos clássicos”, citando o filósofo romano Cícero para enfatizar a necessidade de valorizar “o poder da palavra, a ponderação, o julgamento racional, a sobriedade e os procedimentos”.
O ministro alertou sobre os riscos do enfraquecimento institucional para o país. “Um país sem instituições jurídicas sólidas é o sonho dos criminosos e abusadores de todos os feitios. E dos equivocados que se acham tão fortes que não precisam do Estado Nacional. Supostamente ‘se bastam’, por isso estão prontos a tocar lira enquanto Roma arde em chamas”, escreve.
Dino ressaltou ainda a relevância de saber ouvir e de respeitar o “tempo oportuno” para evitar que o sistema jurídico se transforme em “joguete de outros poderes”. Segundo ele, a continuidade dos trabalhos na Corte não representa alienação perante o cenário atual.
“Seguir julgando os nossos processos judiciais não é autossuficiência ou ‘fingir que não há crise’”, mas sim garantir que a “toga fale mais alto do que as armas ou eventuais gritos de hipócritas”.
ENTENDA A CRISE
A declaração de Dino ocorre no dia seguinte ao pedido feito pelo ministro Alexandre de Moraes para que o ministro André Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Moraes também acusou o colega de quebra de imparcialidade judicial e de favorecimento de grupos políticos.
As acusações estão vinculadas a investigações sobre um esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao escândalo do Banco Master.
A representação foi encaminhada na quinta-feira ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que se junta ao Executivo em uma crise de como resolver o caso. Isso dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que citava mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, a um contato atribuído a Moraes.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a parlamentares que poderia autorizar o avanço de um pedido de impeachment contra o ministro André Mendonça, caso a pressão pela abertura de processo contra Alexandre de Moraes se tornasse insustentável. A informação foi divulgada pela GloboNews.
A estratégia, tratada como um possível “impeachment cruzado”, teria contribuído para reduzir a tensão entre os senadores nos últimos dias. O cenário ganhou força após Moraes pedir, na quinta-feira (3), que o presidente do STF, Edson Fachin, investigasse Mendonça. Na solicitação, Moraes apontou indícios de possível crime de responsabilidade e citou suspeitas de que Mendonça teria ultrapassado atribuições na condução de investigações, além de interferido em negociações envolvendo eventual delação premiada.
O ministro também acusou o colega de direcionar apurações por “motivos pessoais e políticos”, mencionando entre os possíveis alvos o próprio Moraes e Alcolumbre. Segundo ele, o relatório da Polícia Federal indicaria atuação com “flagrante perda de imparcialidade”. A crise se intensificou após Mendonça determinar o levantamento do sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Nesta sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido de Moraes do âmbito do inquérito das fake news. O presidente do STF determinou que a PGR e Mendonça se manifestem em até cinco dias e transferiu os casos para a Presidência da Corte.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, o afastamento do ministro Alexandre de Moraes das funções de ministro. A informação foi confirmada pela jornalista Natura Nery, do Globonews, nesta quinta-feira (3).
O pedido foi feito em meio aos novos desdobramentos do caso Master. Na terça-feira (1°), Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Já nesta quinta, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra o ministro André Mendonça por supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
No momento, ambos os pedidos estariam “na mesa” da presidência da Suprema Corte que, até o momento, pediu que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues se expliquem em 5 dias sobre investigações relacionadas ao Banco Master.
A equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na noite desta quinta-feira (3) duas notas fiscais que teriam sido emitidas em nome de sua esposa, Janey Nagliatti Mendonça, pela alfaiataria Alegrete, loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos. As notas, segundo a assessoria do ministro, comprovariam que foi ele, e não o banqueiro Daniel Vorcaro, quem teria efetuado a compra de ternos.
Com o valor total de R$ 26.430, as notas emitidas pela alfaiataria foram apresentadas por Mendonça para rebater a suspeita de que ele teria recebido os ternos como um presente de Vorcaro. Essa suspeita surgiu após a revelação de áudios de conversa do banqueiro com o advogado baiano Ciro Rocha Soares.
Reportagem do site ICL Notícias revelou, a partir do vazamento de conversas retiradas do celular de Vorcaro, uma tentativa de aproximação do banqueiro com o ministro do STF. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Mensagens retiradas do celular de Daniel Vorcaro mostram que Ciro Rocha Soares enviou uma fotografia ao lado de Mendonça, na loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos, conhecido por vestir empresários, executivos e figuras públicas.
“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.
No mesmo dia, porém, conforme mostra a nota fiscal, Mendonça teria pago o terno com nota emitida em nome de sua esposa, em um total de R$ 16,5 mil, à loja de Vasco. O valor foi gasto em camisas, ternos e conjuntos feitos sob medida.
Já em 28 de fevereiro, Mendonça pagou mais R$ 9.900 ao alfaiate, com a aquisição de blazers sob medida e acessórios. Novamente a nota do alfaiate foi emitida em nome da esposa do ministro.
Em nota à imprensa depois da divulgação da informação sobre o encontro, André Mendonça disse que recebeu Daniel Vorcaro apenas uma vez, por pedido do próprio banqueiro, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, ele afirmou que atendeu também o advogado do empresário e que mantém nos registros do gabinete os memoriais escritos sobre o encontro.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Eduardo Girão
“O Senado está totalmente prostrado. A gente vê uma comissão de ética que não foi instalada na legislatura do Davi Alcolumbre. A condução dele como presidente é uma tragédia anunciada, tanto é que eu votei contra ele. Não apenas isso, eu fui candidato contra ele até o final. Eu fico extremamente preocupado quando vejo o PL, por exemplo, que é um partido grande da oposição, apoiar o Alcolumbre e votar nele. Com a exceção do senador Marcos Pontes que se rebelou contra o próprio partido e foi até o final também. Eu tive quatro votos, o astronauta Marcos Pontes teve quatro votos, e o Davi nadou de braçada".
Disse o senador Eduardo Girão (Novo) ao fazer uma série de críticas à gestão do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União). Em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (14), o candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema disse que a Comissão de Ética do Senado não tem funcionado e acusou Alcolumbre de engavetar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).