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Fernando Duarte
Jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia e A Tarde, além do site Bahia Todo Dia e nas rádios Tudo FM e Vida FM. Apresentou ainda o programa "Isso é Bahia", uma parceria entre o Bahia Notícias e o Grupo A Tarde, na rádio A Tarde FM. É colunista político e comanda o podcast "Projeto Prisma".
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O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador José Rotondano, defendeu nesta terça-feira (10) o projeto enviado à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) que determina uma reestruturação do Judiciário, com a criação de novas secretarias, unidades estratégicas e cargos comissionados.
O projeto de lei foi aprovado em Tribunal Pleno no mês de janeiro, na gestão da presidente Cynthia Maria Pina de Resende. Em conversa com a imprensa, o atual presidente defendeu a medida e afirmou que o assunto é discutido com o Executivo e o Legislativo baianos. A previsão é que o projeto seja apreciado na Assembleia depois do recesso de Carnaval.
Rotondano ainda ressaltou que os cargos já existiam e não haviam sido preenchidos e classificou o processo como "transformação".
“Primeiro, o projeto não está criando cargos. Nós estamos transformando alguns cargos aqui que já estavam pagos e nunca foram preenchidos. Cargos já existentes na Lei de Naturalização Judiciária. Nós estamos transformando esses cargos para dar suporte estrutural ao Poder Judiciário. Antes, foi tudo conversado”, afirmou o presidente.
Entre as principais mudanças previstas no projeto está a criação da Secretaria de Estratégia e Projetos (SEP), que ficará responsável pelo planejamento, coordenação e acompanhamento das políticas estratégicas do Judiciário baiano.
Ele ainda defendeu a articulação entre os três poderes no estado. "Eu tive o cuidado de ter uma reunião com o governador do Estado, com a Presidente Ivana, justamente para tratar disso [...] os poderes são harmônicos e independentes entre si, mas isso que nós não conversemos sobre os assuntos comuns. Todos nós estamos unidos e com o mesmo propósito, que é fazer benefício para a sociedade. Cada um dentro da sua área de atuação", disse o desembargador.
A batalha final do PSD da Bahia parece ter acontecido ao longo da última semana entre o senador Otto Alencar, que preside a sigla, e o ex-aliado Angelo Coronel. No entanto, há quem diga que os fatos subsequentes à filiação de Ronaldo Caiado ao PSD, com o aval de Gilberto Kassab, foram somente uma parte da guerra declarada entre os socialdemocratas – seja no plano estadual, seja no plano federal.
Diferente da postura adotada até 2022, quando o PSD funcionava como uma espécie de apêndice de outras legendas, Kassab abriu uma ofensiva ao longo do atual ciclo eleitoral como pouco se viu. O partido, que representa o limite do centro, com um pé em cada governo, independente de quem esteja governando. Seja sob a égide de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva, sempre houve alguém ligado ao PSD no governo, mostrando o quão camaleônico Kassab e a legenda podem ser. Pelo menos, foi assim até agora.
A sigla saiu das urnas em 2022 com dois governadores: Ratinho Jr. (Paraná) e Fábio Mitidieri (Sergipe). Aproveitou a fragilidade do PSDB e herdou mais dois, Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Raquel Lyra (Pernambuco). As filiações dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Rondônia, Marcos Rocha, completam a atual lista de chefes de Executivo socialdemocrata, evidenciando uma ofensiva até então não vista sob as asas de Kassab. Metade desses governadores são potenciais candidatos à presidência: Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.
É nesse cenário que o PSD da Bahia vai acabar entrincheirado. É improvável que, com um palanque nacional, a Bahia fique sem permitir a formação de um palanque local para o candidato à presidência. Ainda que Otto Alencar tenha repetido publicamente, em diversas oportunidades, que o PSD daqui é Lula até o fim. Nos bastidores, todavia, há leituras de que não é tão simples quanto Otto tenta pregar. Por isso há a aposta de que a batalha pode ter sido vencida por ele, mas não a guerra eleitoral.
Fontes do próprio PSD indicam que a candidatura à reeleição de Angelo Coronel foi rifada a contragosto dos filiados. Otto garantiu o apoio a reeleição de Jerônimo Rodrigues, independente do correligionário estar na chapa majoritária. Por isso, a pecha de traidor começa a circular, especialmente no interior do estado. O movimento de Coronel, de encontrar com Kassab após a filiação de Caiado, foi escolhido então para um revés: de traidor, Otto passa a ser o traído, justificando o empurrão do compadre para a oposição.
Obviamente, para o PT e o entorno de Jerônimo, o momento foi icônico, já que a briga interna do PSD justificaria integralmente a chapa puro-sangue desejada, com Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado. Juntaram a fome com a vontade de comer e o resultado é o retrato vivido ao longo dos últimos dias.
Otto fez questão de cobrar de aliados declarações públicas de apoio. Entre eles, alguns dos insatisfeitos com o fato do dirigente ter escanteado Coronel, mas que sabem dos riscos de discordar do presidente do PSD. Publicamente, somente sorrisos. Nos bastidores, a tensão implícita, exposta com vídeos “espontâneos” de visitas e relatos de aliança inquebrantável.
Só que a ambição nacional do PSD de Kassab pode criar mais um revés nesse processo. Com a possibilidade de uma candidatura de centro-direita viável – e a chance, ainda que remota, de ACM Neto migrar para a legenda -, manter a postura de independência e liberdade de Otto na Bahia é não saber separar os fios de bigode que tenham sido alinhados entre os envolvidos. Entre ver o partido crescer expressivamente com candidatos ao Planalto, aos governos (incluindo Minas Gerais, cujo vice de Romeu Zema deve tentar sucedê-lo pelo PSD), e bancadas relevantes na Câmara e no Senado, bancar o alinhamento automático com o PT baiano vale a pena? Nem Otto, nem Coronel, muito menos o PT da Bahia, podem responder. Com a palavra, Gilberto Kassab, a iminência parda da República...
A deputada federal Lídice da Mata, presidente do PSB na Bahia, afirmou que o partido trabalha com uma meta considerada “concreta e possível” para as eleições de 2026, que inclui a eleição de sete deputados estaduais e três federais no estado. A declaração foi feita neste sábado (7) ao comentar uma reunião recente com o prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, João Campos.
“Eu acho que sim. Por tudo o que nós estamos planejando e pelas respostas que estamos tendo, nós temos condições de alcançar essa meta. Essa não é uma meta ilusória, é uma meta concreta, possível. Eventualmente, pode uma coisa ou outra não dar certo, mas a nossa expectativa é que, no Brasil inteiro, o PSB cresça, dobre a sua bancada federal e, aqui na Bahia, triplique”, completou.
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A parlamentar também comentou sobre a reunião realizada na última quinta-feira (5) entre os partidos da base do governo estadual. Segundo Lídice, não houve qualquer tipo de tensão no encontro, que teria sido marcado por unidade entre os aliados e pela apresentação de resultados do governo.
“Não teve tensão nenhuma, estou falando com muita sinceridade. Até entramos na reunião sem saber muito bem qual seria a pauta e foi uma pauta muito boa, muito leve, tranquila. Os partidos estavam todos muito solidários. No momento em que um sai, quem fica se une e se une com força. O governo apresentou os resultados de diversas áreas, inclusive uma revista com esses resultados, e depois começamos a discutir a estratégia”, relatou.
A presidente do PSB destacou que a base aliada reúne atualmente dez partidos e demonstrou confiança no desempenho eleitoral do grupo.
“Todos compreendem que nós temos toda capacidade e condição de ganhar essa eleição. Estamos muito confiantes nisso, sem ser arrogantes. Confiança é uma coisa, arrogância é outra”, pontuou.
Segundo ela, já existe um encaminhamento para a organização da campanha: “Definimos, pelo menos, um cronograma de novas reuniões, não com datas fechadas, mas com tarefas e próximos passos. Acho que vamos funcionar muito bem nessa campanha. A política baiana tem um marco em que a gente começa atrás, vai crescendo e ganha. Desta vez, estamos mais numa situação em que já começamos muito mais em cima”, avaliou.
Após rumores sugerirem que o senador Angelo Coronel e os filhos dele, o deputado federal Diego Coronel e o deputado estadual Angelo Filho, poderiam migrar para o PSB, lideranças socialistas negaram a hipótese. Conforme apuração do Bahia Notícias, o deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE) foi quem ensaiou o movimento, numa reação direta à aproximação do ministro Rui Costa da governadora Raquel Lyra (PSD).
O prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, negou que o partido tenha interesse em "retrucar" qualquer mobilização de aproximação do governo federal da adversária dele nas urnas em outubro, a governadora Raquel Lyra.
"O presidente Lula é um republicano nato", defendeu Campos, em uma referência a suposta determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em manter boas relações com governadores que, eventualmente, não tenham apoiado a candidatura do petista em 2022.
Em Pernambuco, o palanque de João Campos deve firmar aliança com o PT, com o senador Humberto Costa candidato à reeleição e a prima do prefeito, Marília Arraz, como candidata ao Senado. Já Raquel Lyra deve seguir com a iminente candidato do PSD ao Palácio do Planalto, que tem opções como Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.
A suposta proposta para que a família Coronel migrasse para o PSB teria nascido a partir da insatisfação de setores do partido, com alinhamento mais pragmático à direita, e que desejam o afastamento dos governos petistas. Entretanto, dada as condições das relações entre as siglas, inclusive na Bahia, o enlace é considerado improvável, segundo líderes da legenda.
Em Salvador para reforçar os laços do PSB no estado, em evento que acontece neste sábado (7), o prefeito do Recife, João Campos, reforçou a defesa a permanência de Geraldo Alckmin como vice na chapa do atual presidente Lula (PT) para a reeleição em 2026.
Ao ser questionado sobre as recentes sinalizações de que Alckmin poderia disputar o governo de São Paulo, Campos foi enfático na defesa pela permanência do vice-presidente na composição da chapa.
"Eu enxergo uma máxima que é comum ouvir no jargão popular e que vale para a política, em time que está ganhando não se mexe. O vice-presidente Alckmin faz um grande trabalho. A gente não precisa fazer um exercício de futurologia de como seria ele vice-presidente, porque ele é hoje e ele já demonstra a sua capacidade. Quando veio o tarifaço, quem foi para a linha de frente ao lado do presidente? Foi Alckmin quem conduziu esse diálogo. Em momentos desafiadores ele sempre está presente. Então o nosso partido defende a manutenção do vice-presidente Alckmin na chapa para esse ano."
Quanto a recente aproximação entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), provável adversária direta nas eleições estaduais, João Campos adotou um tom cauteloso.
"Temos uma relação de longa data com o PT, de muito respeito e parceria. O presidente Lula é um republicano nato e trata bem todos os governadores, independentemente de quem votaram", pontuou, minimizando qualquer impacto da relação institucional entre o governo federal e a gestão tucana em Pernambuco.
O gestor municipal de Recife também minimizou as críticas sobre a perda de força de Lula no Nordeste, atribuindo a resistência à "estridência" da oposição.
"Se formos para os fatos práticos e concretos, o presidente Lula é imbatível porque sabe trabalhar", afirmou.
O presidente nacional do PSB, João Campos, participa neste sábado (7) de um ato em Salvador que deve confirmar a migração de parte dos egressos do PP da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) para a sigla. Participam do evento nomes como Niltinho, Antonio Henrique Jr., Eduardo Salles, Hassan Youssef, além de Vitor Bonfim (PV), que já está apalavrado para também migrar para o PSB.
Nos últimos meses, houve a especulação de que o deputado federal Mário Negromonte Jr. teria como destino o PSB. Todavia, ele não participa do evento, mostrando que a possibilidade de migração teria ficado reduzida. O partido atualmente possui somente a presidente estadual do PSB, Lídice da Mata, com cadeira na Câmara dos Deputados e almeja a ampliação dela. Negromonte Jr., então, seria uma barreira para atração de outras candidaturas, segundo leitura de políticos que acompanharam as conversas.
Na lista proporcional dos socialistas para a Câmara, além de Lídice, devem ser apresentados nomes como Vitor Bonfim, Danilo Henrique Jr. e o ex-comandante do Corpo de Bombeiros, Adson Marquezini. O ato com o prefeito de Recife tem ainda a participação de Elisângela Araújo, então filiada ao PT - no mesmo horário, os petistas celebram 46 anos com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva no Trapiche Barnabé.
Os demais nomes que estão presentes no ato com João Campos são figuras já filiadas ao PSB, como a deputada estadual Fabíola Mansur, o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, o ex-deputado federal Bebeto Galvão e o apresentador Uziel Bueno.
A oposição à prefeitura de Salvador decidiu, ao longo das últimas semanas, atacar a administração de Bruno Reis (União) de maneira mais incisiva. A estratégia, todavia, não envolve diretamente os vereadores da capital baiana, mas deputados federais e estaduais que mantêm relação com a cidade, porém não estão no embate diário com a população, como é o caso dos edis. Segundo fontes do Bahia Notícias, a mudança de postura teria ocorrido após pesquisas qualitativas indicarem desgastes na relação do prefeito com os eleitores.
Em entrevistas recentes, tanto Bruno Reis quanto auxiliares diretos do prefeito admitem que o primeiro ano da segunda administração é o “mais difícil” para um gestor. Com muitas obras em planejamento, os resultados começam a ser percebidos apenas após a virada do ano. Tanto que, no último dia 26, Bruno acelerou a entrega do Viaduto José Linhares, uma das obras de mobilidade com grande impacto em um dos funis da capital baiana.
Por isso, há uma perspectiva otimista de que os sinais de alerta percebidos pela oposição nas pesquisas qualitativas sejam temporários e que possam facilmente ser superados pela administração municipal. Contudo, não quer dizer que parlamentares ligados ao governo da Bahia não possam tentar “colar” a imagem de que Bruno Reis está desgastado e, com isso, indiretamente, atingir o pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União), aliado e antecessor do atual prefeito.
As críticas recentes à prefeitura vão desde a ressuscitação de um estudo publicado em agosto do ano passado sobre educação infantil até ataques mais voltados a declarações do prefeito Bruno Reis sobre transporte público. Segundo um aliado do governo Jerônimo Rodrigues, em condição de anonimato, o pleito do próximo mês de outubro gerou a percepção de “uma janela de oportunidade” para expor supostas falhas na gestão de Salvador, sob controle do grupo de Bruno Reis e ACM Neto desde 2013.
Do lado da prefeitura, entretanto, o alerta não chega a ser tão problemático. “É fase”, resumiu um aliado.
A chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD deu uma nova “tábua de salvação” para que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), não receba o carimbo efetivo de bolsonarista. O ex-correligionário abriu espaço para que o candidato a governador da Bahia não se sinta constrangido em apoiar um candidato filiado a um partido que, em terras baianas, marchará com o projeto de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).
O entorno de ACM Neto sabe que é imprescindível que ele tenha um candidato à presidência da República para chamar de seu. Em 2022, a ausência de um nome com musculatura política suficiente (convenhamos, Soraya Thronicke está distante de mobilizar eleitores) para tracionar a campanha dele na Bahia foi um dos empecilhos no processo eleitoral. E ninguém quer repetir os erros para ter uma campanha natimorta.
A candidatura de Ronaldo Caiado pelo União Brasil seria o plano ideal para o ex-prefeito de Salvador. Tanto que, até os últimos momentos, ACM Neto tentava equacionar a rusga entre o governador de Goiás e o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas e figura com poder de veto na federação União Progressista. Sem entendimento, ou Caiado migrava para outra sigla ou estaria sem abrigo para ao menos tentar ser candidato em outubro.
No PSD, o goiano se juntou aos governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) dando margem para uma reorganização da direita brasileira, distante do bolsonarismo e do extremismo. É um esforço do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para construir, ao menos na narrativa, um discurso de terceira via, numa região mais “central” do espectro político, longe do bolsonarismo e equidistante do petismo/ lulismo do atual governo.
Esse cenário se torna, então, um terreno fértil para candidatos de direita que preferem não ser umbilicalmente ligados ao bolsonarismo. E, por mais que os adversários tenham pregado que ACM Neto aderiu ao programa e ao governo de Jair Bolsonaro, após a pandemia ele se manteve afastado da errática condução política feita pelo ex-presidente. Em um estado tradicionalmente lulista e governado pela esquerda há 20 anos, desembarcar com os dois pés no projeto apresentado por Bolsonaro seria uma estratégia kamikaze até para desesperados políticos.
Houve a apresentação formal do apoio do PL à candidatura do ex-prefeito da capital baiana. Adversário em 2022, João Roma deve integrar a chapa de ACM Neto como candidato ao Senado e, seguindo orientação do PL nacional, caminha para construir um palanque para Flávio Bolsonaro, herdeiro de Jair no esforço para manter ativos políticos. Ou seja, o candidato do União Brasil já estaria, a partir daí, flertando com o bolsonarismo, ainda que a contragosto.
O PSD com Caiado, Ratinho Jr. ou Eduardo Leite representa a possibilidade de um palanque aberto, com mais de um candidato a presidente dialogando com o grupo político da oposição baiana. Deve ser essa a estratégia a ser adotada por ACM Neto, já que a União Progressista tende a não apresentar candidatura própria e o governador de Goiás trouxe uma janela de oportunidade até então intransponível (o PSD da Bahia continuará com Jerônimo Rodrigues a qualquer custo). É isso ou morrer na praia, ainda que haja uma disputa acirrada.
A dubiedade dessa situação é bem a cara da política brasileira. Especialmente quando lidamos com o centro, que se torna o fiel da balança no Congresso Nacional e, em 2026, pode criar musculatura suficiente para negociar melhor os dividendos de uma campanha eleitoral ao Planalto ou nos estados. Difícil é conseguir entender os imbricados interesses envolvidos. Enxergar um desses interesses como uma “tábua de salvação” é uma forma mais simples de desenhar o que estamos assistindo.
O senador Angelo Coronel (PSD) negou trativas para tentar dar um “golpe” e tomar o comando do PSD na Bahia após a chegada do governador Ronaldo Caiado na legenda. Em conversas com o Bahia Notícias na noite desta sexta-feira (30), o congressista afirmou que a situação se trata de uma “orquestração” contra ele e o senador e presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar.
À reportagem, Coronel também negou conversas com outros partidos para deixar a sigla e declarou que só iniciaria as tratativas se “fosse expulso do PSD”, cenário que ele próprio enxerga como muito difícil.
“Estou sentindo com toda essa orquestração que estão fazendo contra mim e Otto. Eu não tentei tomar o partido. Não tenho conversa com nenhum partido, isso só vai acontecer se o PSD decidir me expulsar, mas eu tenho uma amizade de 40 anos com Otto, não acredito que serei expulso do PSD. Não acredito que o meu partido vai me expulsar. Um partido que ajudei a fundar. Confio que ele [Otto] vai votar em Coronel e ainda vai pedir voto”, comentou o senador.
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Em contrapartida, em contato com o Metrópoles, Otto Alencar disse que o aliado foi procurar Kassab com a tentativa de intervir no partido. Segundo ele, houve uma “quebra de confiança”.
“Com a saída de Caiado, ele foi a Kassab pessoalmente para pedir para mudar o rumo do partido. Kassab me ligou e disse que não havia como fazer a mudança sem falar com o partido. Ele tinha me dito que ia para São Paulo para ir ao médico. Foi uma quebra de confiança”, disse Otto.
Após a chegada de Caiado no PSD, Coronel vem sendo acusado de ter agido nos bastidores contra Otto ao procurar Kassab para tentar mudar o posicionamento do PSD na Bahia, migrando o partido para a base de ACM Neto (União). A movimentação ocorre em meio a insatisfações em uma possível retirada do senador na chapa majoritária do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que arquiteta uma chapa “puro-sangue”, com Jaques Wagner e Rui Costa ocupando as vagas para o Senado.
A insistência em tornar pública a chapa “puro-sangue” do PT, formada pelas candidaturas à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e do senador Jaques Wagner, somada à chegada de Rui Costa como candidato ao Senado, começa a gerar ruído entre partidos da base aliada — e não somente com o PSD. Os socialdemocratas tendem a ficar de fora da chapa com a saída de Angelo Coronel, porém outros aliados seguem sem ser consultados sobre as perspectivas eleitorais de 2026.
Para além das três cadeiras “principais”, há em jogo a vaga de vice, atualmente ocupada por Geraldo Jr. (MDB), e as suplências do Senado — que podem virar vagas temporárias em caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, dada as projeções do grupo para vitória conjunta nacional e estadual. São para essas composições que a queixa começa a aparecer, ainda que de maneira discreta.
“Não há alinhamento automático”, confidenciou um aliado que garante ter cadeira cativa nos espaços de debate. Às vésperas dos prazos estabelecidos pelos próprios agentes políticos — no caso, o governador Jerônimo Rodrigues, que traçou o mês de março como marco-limite —, não houve um encontro da base para tratar prioritariamente do pleito de outubro. Segundo o mesmo interlocutor, as informações que chegam são “truncadas” e pela imprensa, sem “conversa olho no olho”.
O ruído atinge desde partidos com maior envergadura até siglas que tradicionalmente ficam à margem de formações majoritárias, mas que convergem quase sempre com o PT. “Defendemos que, antes do Carnaval, haja uma conversa com os partidos. Não dá para postergar mais. Até agora está tudo num círculo muito restrito e não é uma tradição do nosso lado”, completa outro membro da base.
A reclamação não é pública, mas, nos bastidores, é tratada como crescente. Apesar do risco de fratura ser pequeno, qualquer desacerto em uma eleição apertada pode ser decisivo nas urnas. Por essa razão, as fontes ouvidas pelo Bahia Notícias cobram certa agilidade nas discussões, antes que o ruído se torne uma insatisfação mais difícil de ser contornada.
“Não é só o PT que importa”, bradou uma das fontes. Somente petistas estariam participando das discussões, deixando todas os demais partidos excluídos de qualquer conversa. Enquanto o senador Angelo Coronel torna pública uma “batalha” para permanecer candidato à reeleição, outros aliados reclamam em silêncio de estarem escanteados no debate. E nem todos estão devidamente contemplados no governo como o presidente do PSD da Bahia, Otto Alencar, que assegura o apoio ao grupo ainda que o PSD perca espaço na chapa majoritária.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Bruno Monteiro
"É realmente uma questão que precisa se encontrar uma solução. Tanto do ponto de vista de se colocar limite, quanto na garantia de contratação dos artistas do forró da Bahia. É uma discussão que nós temos interesse".
Disse o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro ao comentar a situação dos cachês milionários pagos aos cantores durante os festejos de São João. A declaração aconteceu em entrevista à Antena 1 nesta segunda-feira (9).