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Rebeca Menezes
Jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Trabalhou como estagiária e repórter do Bahia Notícias até se tornar a coeditora. Além de ser Co-fundadora do site BP Money, apresenta o Bahia Notícias no Ar na Salvador FM.
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A candidata ao Senado pela Bahia, Professora Delliana Ricelli (PSOL) contestou, nesta terça-feira (15), a avaliação de Ronaldo Mansur (PSOL) sobre a participação feminina no partido e afirmou que a legenda não sofre com falta de mulheres aptas a ocupar posições de destaque nas disputas eleitorais. A declaração ocorreu após a fala do candidato ao Governo da Bahia sobre a ausência de uma mulher como cabeça de chapa, durante entrevista à série especial “Vota BN”, do Projeto Prisma, do Bahia Notícias.
“Eu não acredito que faltam mulheres no PSOL, eu não acredito que faltam mulheres nos partidos da esquerda. Acho que o problema não é falta de mulheres”, afirmou em entrevista ao BN.
Para a candidata, a dificuldade de ampliar a presença feminina na política está relacionada à predominância masculina nos espaços de poder. Segundo ela, apesar de haver mulheres participando dos processos internos, elas ainda não são maioria nas principais posições. “Eu resgato um pouco a fala de Ronaldo para dizer que a gente tem colocado mulheres, mas a gente ainda não tem feito a maioria de mulheres, então a gente ainda tem um processo hegemônico de homens”, declarou.
Delliana também apontou dificuldades enfrentadas por mulheres que conciliam candidaturas com outras responsabilidades. Ela afirmou que a participação política exige das mulheres um esforço adicional, especialmente diante da divisão de tarefas no cotidiano. A candidata citou ainda o que chamou de “machulência” de homens acostumados a ocupar a centralidade do poder.
Para ela, esse cenário torna mais difícil a conquista de espaço pelas mulheres e contribui para a manutenção da desigualdade. Segundo Delliana, a questão deve ser analisada como um processo histórico e estrutural. “Eu acho que essa é a questão que a gente precisa analisar porque a gente não questiona a maioria dos homens nas cadeiras tanto no Congresso quanto no Senado. Mas a gente questiona o porquê uma mulher acha que está preparada para estar nesse espaço também”, afirmou.
A candidata defendeu ainda maior apoio entre as próprias mulheres para fortalecer novas candidaturas. Para ela, além de incentivo político, são necessárias condições mais igualitárias e mudanças na divisão sexual do trabalho para permitir maior dedicação à política.
ASSISTA:
O Governo da Bahia tem buscado estratégias integradas no combate à violência contra a mulher, e novas iniciativas podem ser implementadas para tentar minimizar o medo e desconforto do público feminino, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade. Após a implantação do “vagão lilás” no Metrô de Salvador, o Estado investe na criação de estratégias de mobilidade que tragam mais segurança e espaços de acolhimento, em ações pensadas inclusive para grandes festejos como o Carnaval, conforme apontou a Secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM), Camila Batista, em entrevista exclusiva para o Bahia Notícias (BN).
Algumas iniciativas já foram implantadas no estado e têm se mostrado relevantes, segundo a gestora. "Acho que, já com a iniciativa do Vagão, a gente já vai ter um diferencial aí pensado para o Carnaval e para grandes festejos. Nós vamos ter o Réveillon, que é um lugar mais concentrado, então é mais fácil de fazer as ações. A gente já tem as ações de salas de acolhimento, de mobilização, de campanha, de participação ativa de artistas dentro desse processo de mobilização, mas é fundamental a gente pensar também na mobilidade. Então, a gente pensou em rotas seguras esse ano. Nós fizemos isso em alguns ponto do carnaval, com policiamento, inclusive com PFem (policial feminina) para o acompanhamento. E, às vezes, deixando essas mulheres nas nossas salas de atendimento, nas tendas. Elas funcionam justamente nos horários que são os picos mais difíceis", explicou.
Porém, ainda há espaço para novos projetos, e alguns cases podem abrir as portas para a ampliação desse trabalho. Um exemplo foi o adotado em São Luís, capital do Maranhão: o “Embarque Delas” atua como um ponto de ônibus exclusivo para mulheres no período de grandes festejos. O espaço conta com sofá, internet, tomadas para carregamento de celular, além do apoio policial até que as mulheres possam acessar o meio de transporte. O que, para Camila, tem potencial por ser uma boa iniciativa a ser avaliada.
CONFIRA A INICIATIVA ADOTADA NO MARANHÃO:
Salvador ainda não possui pontos de ônibus exclusivos para o público feminino, mas tem projetado outras possibilidades. Com o objetivo de diminuir importunações sexuais nos transportes, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) planeja a implementação de linhas expressas de ônibus operadas exclusivamente por mulheres durante o período da Copa Feminina.
CONFORTO E ACOLHIMENTO
Mas não é só a segurança que está no radar da SPM: o conforto e o acolhimento também são considerados importantes em momentos de grande fluxo. Uma dos exemplos é a novidade que será implementada em uma das próximas grandes festas do território baiano, a Micareta de Feira de Santana, que acontece entre 19 a 22 de novembro. Segundo a secretária, o evento pode receber a chamada "Política do Cuidado", para oferecer o suporte necessário àquelas mulheres que trabalham enquanto a maioria festeja.
"É cuidar de quem cuida, cuidar das mulheres que trabalham no carnaval: ambulantes, as mulheres que são cordeiras... e fazer todo o processo de acolhimento delas com alimentação, com massagem e entrega de equipamentos", detalhou Camila, dizendo que a ideia também é implementar a nova política na Copa do Mundo Feminina.
Em resposta ao Bahia Notícias, a secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) de Salvador, Fernanda Lordêlo, rebateu as críticas feitas pela titular da pasta estadual (SPM), Camilla Batista, a respeito da ausência de uma Casa Abrigo gerida pelo município.
Após a secretária do Estado afirmar, em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, na rádio Antena 1 Salvador, que a falta do equipamento na capital se devia também a uma "falta de vontade política", Lordêlo rebateu a declaração, destacou que o município mantém sua rede de proteção com recursos próprios e apontou um déficit na segurança pública estadual para as mulheres no interior da Bahia.
De acordo com a gestora municipal, Salvador concentra hoje a estrutura mais completa de acolhimento do estado, operando com três Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), a Patrulha Guardiã Maria da Penha (da Guarda Civil Municipal), o Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio (NEF) e a recém-inaugurada Casa da Mulher Brasileira.
"É leviano dizer que Salvador negligencia a política de proteção, visto que todos os equipamentos são mantidos com recursos próprios da Prefeitura, sem nenhum recurso do Governo do Estado", declarou Lordêlo. A secretária lembrou que a Bahia lidera o ranking de violência contra a mulher no Nordeste e ocupa a 3ª posição no Brasil, cenário que escancara a necessidade de maior presença estadual: "Diante de uma realidade tão grave, o que deveria existir é uma rede muito mais ampla. Nos 417 municípios baianos, só existem 41 Centros de Referência de Atendimento à Mulher, e três deles estão em Salvador".
DÉFICIT DE DELEGACIAS NO INTERIOR
A resposta de Fernanda Lordêlo se estendeu à rede de atendimento policial, que é de competência do Estado. A titular da SPMJ chamou a atenção para a baixa cobertura de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs). Das 417 cidades baianas, apenas 15 contam com o serviço especializado.
Para a secretária municipal, o número reflete um abandono das vítimas fora da capital. "Estamos falando de mulheres que sofrem violência dentro de casa e que, muitas vezes, no momento mais crítico, não encontram sequer uma delegacia especializada em seu município", criticou Lordêlo, enfatizando a falta de amparo principalmente em situações de emergência durante a madrugada.
IMPASSE DA FINANCEIRO DA CASA ABRIGO
Sobre a principal queixa do Governo do Estado — a ausência de uma Casa Abrigo municipal, já que mais de 70% das vítimas que precisam desse acolhimento de urgência são de Salvador —, Lordêlo explicou que a implantação esbarra na insuficiência de recursos oferecidos como contrapartida pelo Estado.
Por ser uma política de alta complexidade, destinada a mulheres sob grave risco de morte, a Casa Abrigo exige funcionamento 24 horas, equipes altamente especializadas e, acima de tudo, proteção absoluta e sigilo de endereço.
"Não se trata simplesmente de disponibilizar um imóvel. O que o Estado oferece de contrapartida é um valor muito baixo diante de toda a estrutura necessária e do risco de que, quando esse espaço é identificado, o sigilo caia", justificou a titular da SPMJ.
Apesar do embate, Lordêlo garantiu que Salvador está aberta à ampliação da rede, mas cobrou que o Palácio de Ondina assuma suas responsabilidades financeiras na expansão dessas políticas. "Não é razoável cobrar do município aquilo que o próprio Estado não consegue garantir no restante da Bahia. Antes de responsabilizar a capital, é preciso olhar para as mulheres que estão desassistidas no interior. Salvador continuará fazendo a sua parte, mas o Governo do Estado precisa fazer a dele", concluiu.
Salvador terá ações específicas de proteção, acolhimento e incentivo às mulheres durante a Copa do Mundo Feminina de 2027. Conforme apurou o Bahia Notícias com a secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia, Camilla Batista, o planejamento inclui Sala Lilás na Arena Fonte Nova, certificação para a rede turística, capacitações, iniciativas de mobilidade e programas de autonomia econômica.
Segundo Camilla, parte da preparação começou ainda em 2023, quando a Bahia passou a trabalhar com a possibilidade de Salvador receber partidas da competição.
"A gente já tem preparado, desde 2023, quando soubemos da possibilidade de sermos sede da Copa aqui no estado, editais específicos para o empoderamento de meninas no futebol. Então, a gente tem um edital junto com a Sudesb, de R$ 2 milhões, no qual incentivamos e potencializamos os torneios femininos no interior, garantindo a possibilidade de elas crescerem, inclusive com olheiros, pensando já na perspectiva de futuro e profissão. Além disso, temos um edital específico para arbitragem, pensando na perspectiva de termos mulheres árbitras, inclusive com formação", revelou.
SALA LILÁS
A secretária também destacou que as campanhas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher realizadas em competições esportivas serão reforçadas durante a preparação para o Mundial.
Camilla citou uma ação realizada no Campeonato Baiano e afirmou que a secretaria trabalha em conjunto com a Arena Fonte Nova para implantar uma Sala Lilás no estádio, espaço destinado ao acolhimento de mulheres.
"As ações que a gente faz de prevenção e enfrentamento à violência, nós mantemos dentro dos campeonatos. Fizemos agora no Campeonato Baiano. Inclusive, faço um parêntese: colocamos um cronômetro dentro do processo, até na televisão, falando: ‘A cada seis minutos, uma mulher é vítima de violência’. Quando um homem sai do estádio de futebol, ou seja, nos dias de jogos, há uma ampliação de 25% da violência contra as mulheres."
"A gente também tem feito agora uma ação conjunta com a Fonte Nova, que será a implantação da Sala Lilás dentro da Fonte Nova para o acolhimento. A Fonte Nova já preparou, em um processo que fizemos em conjunto, a criação dos banheiros para a família, para garantir também segurança às meninas e aos meninos que querem ir assistir e que têm esse incentivo”, afirmou.
MOBILIDADE E TURISMO PARA MULHERES
Outro eixo apresentado pela titular da SPM envolve a experiência das mulheres que chegarão a Salvador para acompanhar a Copa. Segundo Camilla, o planejamento passa pela integração do transporte público aos pontos turísticos e à Arena Fonte Nova, além de medidas específicas de segurança e sensibilização.
A secretária também anunciou a criação do selo “Mulheres Seguras”, pensado para identificar serviços e estabelecimentos preparados para receber mulheres, especialmente aquelas que viajarem desacompanhadas para o Mundial.
“Na mobilidade urbana, temos a integração do metrô com todos os pontos turísticos da cidade de Salvador, incluindo também a Fonte Nova, além de garantir essa campanha de sensibilização e o metrô exclusivo para as mulheres. Além disso, a gente vai criar agora o selo 'Mulheres Seguras', para que as mulheres se sintam à vontade para vir sozinhas para a Copa. Esse selo vai ser uma certificação para o turismo e para a rede hoteleira, com formação para a rede hoteleira, e também pensando na perspectiva da autonomia econômica das mulheres que são artesãs e que fazem hospedagem comunitária”, detalhou.
CENTROS DE TREINAMENTO E VLT NO BARRADÃO
Dentro da preparação das estruturas para receber as seleções participantes, Camilla afirmou que Salvador terá dois centros de treinamento, em Pituaçu e no Barradão. De acordo com ela, o Estado trabalha na requalificação de Pituaçu, enquanto o planejamento envolvendo o estádio do Vitória também considera a mobilidade por meio do VLT.
A secretária acrescentou que Praia do Forte e Porto Seguro aparecem como possíveis locais para outros centros de treinamento.
“Nós vamos ter dois centros de treinamento aqui em Salvador, um em Pituaçu e o outro no Barradão. Então, o Estado também está no processo de requalificação de Pituaçu e vai entregar o estádio no mês de novembro, já todo requalificado, mas também há um trabalho no Barradão, pensando na perspectiva de mobilidade com o VLT, com a ampliação do VLT para o Barradão. Além disso, a gente vai ter também centros de treinamento, provavelmente, em Praia do Forte e Porto Seguro. A gente está fazendo um trabalho de desenvolvimento com as mulheres locais para a autonomia econômica e para a recepção do turismo, com letramento e formação também em outras línguas. Para a gente, é fundamental garantir que possamos deixar esse legado social para a vida das mulheres”, disse.
BAIANAS DE ACARAJÉ NA COPA
Entre as ações destacadas por Camilla Batista, a secretária classificou como uma das principais conquistas a presença das baianas de acarajé dentro do estádio durante a competição.
Segundo ela, a participação das profissionais também faz parte da estratégia de aproveitar a Copa do Mundo para apresentar elementos da cultura baiana ao público internacional.
“E o mais importante que a gente conseguiu com a Fifa foi garantir que as baianas de acarajé estivessem dentro do estádio vendendo, porque nós estamos falando do acarajé, que é um patrimônio imaterial cultural desde 2015. Para a gente, é fundamental também vender a nossa cultura”, declarou.
Além das ações relacionadas diretamente aos jogos, a SPM pretende ampliar a presença feminina nas atividades culturais previstas para acompanhar o Mundial, incluindo eventos de Fan Fest e a produção das apresentações artísticas.
“Serão várias iniciativas, além das ações de Fan Fest e das festas em que vamos incentivar uma participação maior das mulheres, também desde o processo de produção do evento, das próprias vocalistas, de quem vai cantar e de quem faz parte desse produto artístico. Ou seja, o nosso maior legado vai ser incentivar a participação das mulheres tanto dentro de campo como fora dele”, concluiu Camilla Batista.
COPA DO MUNDO FEMININA
A Copa do Mundo Feminina de 2027 será disputada entre os dias 24 de junho e 25 de julho, em oito cidades brasileiras. Esta será a primeira edição do torneio realizada na América do Sul e a segunda com o formato de 32 seleções e 64 partidas. Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo serão as cidades-sede. A abertura e a final acontecerão no Maracanã, no Rio de Janeiro.
Por ser o país anfitrião, o Brasil já está classificado e será o cabeça de chave do Grupo A. A Seleção Brasileira fará a partida de abertura do Mundial no dia 24 de junho, no Maracanã. O segundo compromisso será em 29 de junho, na Arena Itaquera, em São Paulo, enquanto o encerramento da fase de grupos está marcado para 4 de julho, no Estádio Nacional, em Brasília. Caso avance na liderança da chave, a equipe brasileira disputará as oitavas de final em Fortaleza, no dia 10 de julho. Se terminar em segundo, jogará em Belo Horizonte, no dia 11.
Os adversários do Brasil e os demais confrontos da competição serão conhecidos no dia 11 de dezembro de 2026, quando a FIFA realizará o sorteio final da Copa do Mundo Feminina. O evento acontecerá no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) e definirá a composição dos oito grupos do Mundial.
Salvador receberá sete partidas na Arena Fonte Nova, sendo seis pela fase de grupos e uma pelas oitavas de final. Os jogos estão marcados para 25, 27 e 29 de junho; 2, 4 e 7 de julho; e 12 de julho, quando a capital baiana sediará o confronto das oitavas entre o primeiro colocado do Grupo G e o segundo do Grupo H. Apesar de ser uma das sedes, Salvador não receberá jogos da Seleção Brasileira na primeira fase.
Para a Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, Camilla Batista, a destinação de recursos para a prevenção e o combate à violência contra a mulher esbarra, muitas vezes, na ausência de prioridade dos gestores municipais. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, a secretária foi categórica ao apontar a "falta de vontade política" e usou a capital baiana como exemplo de lacuna na rede de proteção.
O principal ponto de alerta levantado pela secretária foi a ausência de uma Casa Abrigo gerida pelo município de Salvador. O equipamento, de caráter sigiloso, é vital para acolher mulheres e seus filhos que se encontram em risco iminente de morte. "Nós temos três [Casas Abrigo] no estado: uma em Feira de Santana, uma em Juazeiro e uma em Itabuna (...). Salvador não tem. E para a gente era fundamental ter um em Salvador. Isso passa pela política de gestão do município, estado e governo federal, e aqui foi uma opção de não ter pelo município", disparou Camilla Batista.
A ausência do equipamento municipal na capital agrava o cenário estadual, já que, segundo a titular da pasta, mais de 70% das vítimas que necessitam desse abrigamento de urgência são moradoras de Salvador.
INTERIORIZAÇÃO E REDE DE APOIO
Para ilustrar como a decisão política afeta a ponta, a secretária traçou um paralelo com o avanço da rede no interior. Hoje segundo a titular da pasta, 108 municípios baianos possuem organismos estruturados de políticas para mulheres. Em parceria com as prefeituras, o Estado já entregou mais de 20 salas de acolhimento de pequeno porte e instalou 24 núcleos da Ronda Maria da Penha.
No âmbito estadual, Batista destacou que o atual governo aportou R$ 121 milhões exclusivamente para as atividades-fim da Secretaria. O montante tem sido direcionado para evitar que a polícia seja a única resposta ao problema, apostando na quebra do ciclo de abusos através do auxílio-aluguel e de programas de empreendedorismo. "Quando eu falo de orçamento, é priorizar o que é esse orçamento para prevenir, para coibir os crimes contra as mulheres e para garantir a autonomia econômica (...). Uma mulher que sai do círculo de violência não permite que seus filhos e filhas passem por isso. É uma mudança geracional", finalizou.
Para conferir a entrevista completa:
A implantação do Vagão Lilás no sistema metroviário de Salvador foi uma resposta direta ao aumento de denúncias de assédio e coroa um trabalho de monitoramento que já durava mais de um ano. A afirmação é da Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, Camilla Batista, que detalhou os bastidores do projeto em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (31).
Antes de o vagão exclusivo se tornar realidade, a Secretaria implantou duas salas de acolhimento para mulheres vítimas de violência nas estações Iguatemi e Pirajá. Em apenas um ano, esses espaços registraram mais de 140 atendimentos. Segundo a secretária, a urgência de uma ação dentro dos trens ficou evidente pela própria mobilização popular. "A gente começou a ter casos de importunação dentro do metrô, com a própria sociedade filmando, participando do processo e denunciando. Então, a gente viu a necessidade de ter um vagão específico para as mulheres", explicou Camilla Batista.
ENTRAVES JURÍDICOS
Apesar da sanção da lei municipal que garantia o espaço exclusivo, a medida enfrentou resistência inicial na Justiça por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). Para não atrasar a proteção às passageiras, o Governo do Estado adotou uma manobra estratégica, lançando o projeto no mês do "Agosto Lilás" com um caráter flexível. "Nesse processo, a gente disse: vamos implantar pelo Governo do Estado como preferencial, como ação educativa. A gente tensionou esse processo e conseguimos que, na vara judicial, a ADIN fosse indeferida por incompetência da associação que entrou", revelou a titular da pasta, destacando que agora o vagão passa pelo processo de consolidação legal definitiva.
ALÍVIO E SEGURANÇA
Durante o período de adaptação, a Secretaria e outros institutos realizaram pesquisas de campo para medir a eficácia da ação. O retorno das usuárias, segundo a secretária, validou a importância da iniciativa no combate aos abusos cotidianos no transporte público. "Elas falando o quanto foi importante a ação. Primeiro, que garante segurança para elas. Muitas disseram: 'vai ser até um vagão mais cheiroso, a gente não tem mais a importunação de, às vezes, encostar'. Até muitas mulheres não sabiam se elas eram importunadas ou não, mas sentiam incômodo", concluiu a secretária, ressaltando que a política pública segue no sistema metroviário da capital baiana.
Para conferir a entrevista completa:
Nesta quinta-feira (27), o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, ressaltou o impacto da economia criativa e a necessidade de estruturar o setor no país. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, o ministro fez um balanço sobre a relação entre cultura e negócios, reconhecendo que o Brasil tardou a transformar seu potencial em força econômica.
Para o ministro, a riqueza cultural do país ainda tem muito a ser explorada como motor de desenvolvimento. “O Brasil demorou para fazer políticas para entender que essa grande qualidade artística do nosso povo, um povo criativo, preparado intelectualmente e artisticamente, culturalmente muito rico, poderia significar renda, emprego, geração de uma indústria cultural ou criativa”, afirmou. Ele citou exemplos internacionais, como os Estados Unidos, que lucram fortemente com indústrias bilionárias de cinema e games.
O ministro também alertou para os desafios impostos pela digitalização, como a perda de mão de obra qualificada nacional para o mercado externo. Segundo Pereira, profissionais brasileiros têm prestado serviços para outros países em regime de home office, o que desfalca as empresas locais. “Você trabalha aqui de Salvador para uma empresa de games canadense, ganha em dólar, mas as empresas brasileiras não conseguem esse talento. Então, nós temos que abrir o olho para isso”, alertou.
VOCAÇÕES REGIONAIS
Ao apontar soluções e próximos passos, o titular da pasta elencou que o "grande desafio" é garantir que a indústria cultural se aproprie da riqueza que produz. “É a gente conseguir agregar valor, permitir que essa indústria cultural tenha mecanismos para que ela se empodere mais dos ganhos e do valor que ela gera na cadeia”, explicou.
Pereira elogiou o cenário baiano — apontando que o estado "está um pouco à frente" — e destacou que o Ministério montou um mapa da economia criativa para guiar ações futuras. A meta, segundo ele, é entender as vocações de cada região e integrá-las a outras áreas. “O mais difícil de tudo (...) é articular políticas para que a gente consiga casar isso com o turismo, casar isso com a educação”, frisou.
ACORDO COM A UNIÃO EUROPEIA
Durante a entrevista, o ministro também celebrou a recente conclusão do acordo comercial com a União Europeia, que abre as portas de um mercado consumidor gigantesco para a cultura e a arte brasileiras. No entanto, reconheceu que a desburocratização é urgente. “Temos lá um mercado muito propício à arte brasileira, mas exportar é uma chatice, é difícil, é burocrático, então nós vamos ter que nos preparar para isso”, ponderou.
Por fim, o ministro resumiu a estratégia de sua pasta para fortalecer os empreendedores culturais no Brasil em três etapas: “Os passos são de compreender as vocações (...), depois pensar como é que a gente articula as políticas públicas para essas vocações e, depois, dar o ganho de produtividade, de agregação de valor para que essas indústrias possam florescer ainda mais”.
O secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, confirmou ao Bahia Notícias a construção de um novo viaduto exclusivo para o bairro de Mussurunga, na região da Avenida Paralela. A intervenção faz parte de um pacote de obras planejado para solucionar um gargalo histórico na área, uma vez que, atualmente, os motoristas que desejam acessar o bairro precisam ir até o viaduto de São Cristóvão para realizar o retorno. Esse trajeto obriga os condutores a se concentrarem na mesma via utilizada pelo intenso fluxo de veículos que segue para Stella Maris, Praia do Flamengo e Estrada do Coco, gerando congestionamentos diários.

Foto: Feijão Almeida/GOVBA
Além da nova alça viária, o secretário detalhou que o projeto inclui a criação de uma rota de integração entre o Bairro da Paz e Mussurunga, complementando as intervenções já realizadas na Rua da Gratidão. O planejamento também prevê uma reforma com ajustes no traçado do viaduto e no acesso a São Cristóvão, otimizando o fluxo de forma integrada. Segundo Pablo Souza, a combinação dessas frentes de trabalho tem como objetivo mitigar os impactos do crescimento do trânsito local, garantindo um benefício direto e imediato de mobilidade e acessibilidade não apenas para Mussurunga, mas para todo o conglomerado habitacional do entorno, o que engloba também as comunidades do Parque São Cristóvão e de Vila Verde.
Em entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, o delegado geral adjunto de operações da Polícia Civil da Bahia, Jorge Figueiredo, afirmou que a desatualização da legislação brasileira é o principal obstáculo para a eficácia da segurança pública e da justiça.
Questionado pela bancada sobre a frustração gerada quando o trabalho das polícias Civil e Militar esbarra em decisões judiciais que resultam na rápida soltura de criminosos e chefes de facções, Figueiredo defendeu que o problema central não está na atuação dos juízes, mas sim no Código Penal. Segundo o delegado, a legislação atual é "muito branda" e ainda não se moldou às necessidades da sociedade moderna.
"Acaba que não é uma culpa dos atores, mas a legislação penal brasileira tem que mudar muito ainda", explicou o delegado. Ele ressaltou que tanto as forças policiais quanto o poder judiciário são apenas operadores da lei e precisam cumpri-la rigorosamente, o que muitas vezes engessa ações mais contundentes.
"Acaba que não é uma culpa dos atores, mas a legislação penal brasileira tem que mudar muito ainda", explicou o delegado. Ele ressaltou que tanto as forças policiais quanto o poder judiciário são apenas operadores da lei e precisam cumpri-la rigorosamente, o que muitas vezes engessa ações mais contundentes.
CRIMES VIRTUAIS E IMPUNIDADE
Figueiredo utilizou o avanço dos crimes cibernéticos e do estelionato como exemplos práticos dessa defasagem legal. Ele destacou o contraste entre a dinâmica rápida dos delitos e a burocracia do sistema:
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Velocidade do crime: O golpe acontece e o dinheiro é desviado e sacado quase instantaneamente pelas redes criminosas.
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Lentidão processual: A polícia precisa investigar, representar ao judiciário e aguardar um parecer e uma decisão judicial, tempo no qual o prejuízo já foi consolidado.
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Punições leves: A atual tipificação penal para esses crimes frequentemente resulta em penas alternativas. Segundo o delegado, é comum que o indivíduo pague apenas uma cesta básica e saia "dando risada", o que retroalimenta o sentimento de impunidade.
O delegado concluiu sua participação afirmando que a sociedade como um todo precisa começar a cobrar mudanças efetivas na legislação penal para adequá-la aos dias atuais.
Confira a entrevista comleta:
A MDNE, holding do grupo Moura Dubeux, planeja demolir o antigo prédio dos Correios, localizado no bairro da Pituba, para implantar um novo empreendimento imobiliário na capital baiana. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (20) por Fernando Amorim, diretor de Incorporação BA/CE da empresa, durante encontro com a imprensa realizado no restaurante Manga, no Rio Vermelho, em Salvador.
Confira declarações:
Na avaliação do diretor, o imóvel não reúne os atributos históricos presentes em edificações emblemáticas de Salvador, como os hotéis Othon e Pestana. "É um orgulho muito grande ter a oportunidade de investir em mais uma área importante de Salvador, como a dos Correios, na Pituba. É um bairro emblemático, bem localizado e de grande relevância para a cidade", relata o executivo.
Amorim comparou o caso a construções históricas da capital. "Um prédio como o Othon ou o Pestana seria um absurdo derrubar, pois são projetos históricos que não se fazem mais. Não é o caso dos Correios. Possivelmente vamos demolir o prédio e desenvolver um masterplan que agregue valor para toda a região", define.
ESCRITÓRIO DE FORA
Para o desenvolvimento do projeto, a incorporadora contratou o escritório de arquitetura Aflalo & Gasperini, que realizará seu primeiro trabalho no Nordeste. A equipe já realizou visitas técnicas ao terreno e o projeto está em fase de elaboração, com base em estudos e pesquisas de mercado.
De acordo com Amorim, a proposta busca referências urbanísticas históricas do próprio bairro, adaptadas às demandas atuais. "Temos inspirações importantes. O Pituba Ville, por exemplo, foi concebido há cerca de 30 anos e é um projeto que valorizou áreas de convivência e espaços públicos. Queremos incorporar conceitos mais contemporâneos, com foco em qualidade de vida", destaca.
A expectativa da MDNE é concluir as etapas de desenvolvimento e aprovação do projeto para viabilizar o lançamento no primeiro semestre do próximo ano.
"Estamos trabalhando para que, no primeiro semestre do próximo ano, cumprindo todo o rigor da legislação e após as aprovações necessárias da prefeitura, possamos lançar esse projeto e viabilizar mais um grande investimento para a cidade", conclui o diretor.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Eduardo Girão
“O Senado está totalmente prostrado. A gente vê uma comissão de ética que não foi instalada na legislatura do Davi Alcolumbre. A condução dele como presidente é uma tragédia anunciada, tanto é que eu votei contra ele. Não apenas isso, eu fui candidato contra ele até o final. Eu fico extremamente preocupado quando vejo o PL, por exemplo, que é um partido grande da oposição, apoiar o Alcolumbre e votar nele. Com a exceção do senador Marcos Pontes que se rebelou contra o próprio partido e foi até o final também. Eu tive quatro votos, o astronauta Marcos Pontes teve quatro votos, e o Davi nadou de braçada".
Disse o senador Eduardo Girão (Novo) ao fazer uma série de críticas à gestão do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União). Em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (14), o candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema disse que a Comissão de Ética do Senado não tem funcionado e acusou Alcolumbre de engavetar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).