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Rebeca Menezes
Jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Trabalhou como estagiária e repórter do Bahia Notícias até se tornar a coeditora. Além de ser Co-fundadora do site BP Money, apresenta o Bahia Notícias no Ar na Salvador FM.
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A Bahia é o terceiro estado brasileiro que mais arrecada royalties derivados da atuação de mineradoras, mas ainda vê um abismo no retorno econômico em relação aos líderes do ranking. Mas instituições de pesquisa tem investido para mudar esse cenário e projeta boas perspectivas para o setor nos próximos anos. E a palavra-chave para quem conhece do assunto é diversidade.
Líderes do setor, Minas Gerais e Pará são impulsionados principalmente pela extração de minério de ferro. Em 2025, essas regiões receberam bilhões de reais derivados da chamada Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). De acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), no ano passado Minas Gerais recebeu R$ 3,57 bilhões, e o Pará, R$ 3,09 bilhões. Terceiro estado, a Bahia teve retorno de “apenas” R$ 237,8 milhões. O valor total de CFEM obtido em 2025 foi distribuído para 5.234 municípios brasileiros, o que representa 94% das cidades.
Segundo o site Movimento Econômico, entre janeiro e julho de 2025, três cidades baianas estavam no topo do ranking de arrecadação de royalties da mineração no Nordeste: Jacobina (ouro), Itagibá (níquel) e Santaluz (ouro) aparecem em primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente. Entre as 10 com maiores números, ainda aparecem Sento Sé (minério de ferro), em sétimo lugar; e Barrocas (ouro), na oitava posição.
“Se começarmos a comparar, por exemplo, Salvador com Belo Horizonte, que são cidades com números populacionais muito parecidos, poderíamos trazer algum tipo de comparação. Belo Horizonte é uma cidade cuja atividade econômica ligada a serviços está muito relacionada à mineração. Aqui em Salvador seria o turismo. Então, Belo Horizonte tem o dobro ou o triplo do PIB de Salvador. E eu acredito que muito disso está ligado a essa diferença, porque as duas têm economias baseadas em serviços, mas em serviços diferentes. Eu acredito que a mineração tem um impacto muito forte no estado e no município. Uma vez que Salvador, ou melhor, que a Bahia consiga se igualar a Minas Gerais, teremos um retorno gigantesco, tanto na capital quanto em todo o interior”, reforçou a Geofísica e mestre em geociências aplicadas Maria Alagia, Diretora de Negócios na Neogeo Geotecnologia, durante o segundo episódio do projeto “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.
A especialista reforça que, nesses casos, os projetos geralmente apontam investimentos imediatos, mas também devem buscar soluções a longo prazo - principalmente considerando que a exploração de minérios é limitada. "Para as cidades que têm mineração, existe um movimento interno, o ESG das mineradoras, voltado para empregabilidade e desenvolvimento da cidade. Então vai desde hospitais, escolas, cursos técnicos, para que a população tenha uma oportunidade de emprego e, para além disso, não fique ligada apenas à mineração, mas também possa ser independente dela”, avaliou.
“Porque essa é uma discussão que sempre trazemos: a mineração normalmente se finda em algum momento. Pode durar 40 anos, pode durar 100 anos ou até mais. Há casos com duração maior. Só que a gente tem que preparar a população para estar com ela e sem ela. Então, uma mineração responsável deixa uma cidade, um município, muito melhor”, frisou.
A geóloga e doutora na pesquisa de fosfato, Maisa Abram, Chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB), explicou que no mundo todo o ferro é a commodity que comanda e impulsiona a mineração - em um primeiro momento.
Porém, já há um movimento de diversificação dos minérios explorados no Brasil. Apesar de ser a principal fonte de arrecadação, o minério de ferro teve reduzida a sua participação de 75% em 2024 para 69% no ano seguinte. E é exatamente aí que entra a estratégia da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) ou do próprio SGB, para desenvolver estudos que gerem dados pré-competitivos, base importante para a atração de novos investimentos.
"A Bahia não tem grandes depósitos de minério de ferro. Existem alguns depósitos, mas nada comparável ao Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, ou a Carajás, no Pará. Mas a gente ganha na diversidade. Temos uma diversidade muito grande de minerais específicos. A única mina de urânio em operação no Brasil fica na Bahia. Temos a única mina de vanádio, a única mina de níquel sulfetado em funcionamento. Temos cromo, temos cobre no Vale do Curaçá… Então existe uma diversidade mineral muito grande, e é isso que consegue colocar a Bahia em terceiro lugar na mineração nacional, apesar de não ter o volume gigantesco que o minério de ferro representa”, destrinchou Diretor técnico da CBPM, Williame Cocentino.
Durante o episódio, os especialistas ainda detalharam o que acontece quando um novo depósito é encontrado, e também quem fica com os minérios identificados. Cocentino desmistificou algumas dúvidas, e tratou ainda sobre a importância do órgão participar do processo de instalação de novas mineradoras, inclusive para a proteção dos donos dos terrenos, e também do meio ambiente.
MINERAÇÃO PARA TODOS
O Bahia Notícias lançou o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Os episódios, gravados em formato de podcast, levantam o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles teve como tema “Terras raras não são terras nem raras”, e o segundo "O mundo invisível dos minerais que movem a sua rotina". Ambos estão disponíveis no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Para o segundo bate-papo, o Bahia Notícias recebeu o diretor técnico da CBPM, Williame Cocentino; a Geóloga e doutora na pesquisa de fosfato, Maisa Abram, Chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB); e a Geofísica e mestre em geociências aplicadas Maria Alagia, Diretora de Negócios na Neogeo Geotecnologia.
Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena1, o economista Edísio Freire fez um duro alerta sobre o atual cenário socioeconômico do trabalhador brasileiro. Segundo o especialista, uma combinação perversa envolvendo a distorção da "pejotização", o descontrole do crédito consignado e a febre das apostas esportivas (bets) está instalando um "caos na sociedade" e levando as famílias de baixa renda à ruína financeira.
Freire iniciou sua análise criticando a forma como a pejotização (contratação de funcionários como Pessoa Jurídica) vem sendo aplicada. Ele explicou que o modelo faz sentido e gera retorno para a sociedade quando aplicado a profissionais de alta renda (que ganham acima de 10 salários mínimos), mas se torna um instrumento de "precarização em massa" quando imposto a trabalhadores que recebem apenas um salário mínimo.
ARMADILHA DO CRÉDITO FÁCIL
Outro ponto de forte preocupação levantado pelo economista é a falta de controle sobre as linhas de crédito consignado. Freire alertou para a facilidade com que o trabalhador consegue tomar empréstimos de forma autônoma por meio de carteiras digitais, comprometendo rapidamente sua renda sem que a empresa empregadora sequer seja notificada previamente.
Com normas que permitem comprometer até 50% do salário, o trabalhador de baixa renda entra em um ciclo de asfixia financeira. “O cara que já ganhava um salário mínimo desconta 30% ou vai para a margem total. Ele não vai conseguir sobreviver”, explicou.
Segundo o economista, esse sufocamento gera um efeito cascata no mercado de trabalho: o funcionário tenta forçar sua demissão na esperança de quitar o débito com os direitos trabalhistas. Como o valor rescisório frequentemente não é suficiente, a dívida permanece ativa, fazendo com que o indivíduo evite retornar ao emprego com carteira assinada para fugir de novos descontos em folha.
EFEITO DAS BETS
O ápice desse ciclo de endividamento, de acordo com Freire, é a proliferação desenfreada das apostas online. Trabalhadores já desesperados financeiramente acabam recorrendo aos jogos na ilusão de um ganho fácil. “Aí o cara, por não ter dinheiro, acha que vai resolver a vida financeira dele jogando. E aí o caos se instala”, destacou.
Para o economista, a situação ultrapassa o debate político e se configura como um grave problema de Estado e de saúde pública. Ele criticou a inércia das autoridades diante da gravidade do cenário. “Estão destruindo a família brasileira do ponto de vista financeiro e eu não estou vendo ninguém se movimentar. O crédito tem que ser dado sim, desde que tenha um acompanhamento mínimo. Isso é perverso demais”, concluiu.
Para conferir a entrevista completa:
Não é novidade que o Brasil é um país estratégico pro mundo na produção de alimentos. Mas o que talvez muitos não saibam é que a mineração tem um papel fundamental na produção agrícola e, consequentemente, na segurança alimentar. E em um cenário de crescimento populacional e crises políticas internacionais, o Brasil - e a Bahia - têm investido na busca por depósitos de substâncias utilizadas na melhoria do solo, para diminuir a dependência e também os custos da agricultura brasileira.

O assunto foi tratado durante o segundo episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), que teve como tema "O mundo invisível dos minerais que movem a sua rotina". Doutora na pesquisa de fosfato, a Geóloga Maisa Abram, Chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB), deu como exemplo a região oeste da Bahia, um dos maiores polos da agricultura no país, mas que tem um solo pobre em nutrientes.
“[Os terrenos do oeste] São basicamente areias, são arenitos. Então, a fertilidade é quase zero, em termos de crescimento de plantações. Então, tem que repor o fertilizante ali, porque senão nada se produz”, apontou. “Você tem que colocar ali o NPK - o nitrogênio, o fósforo, o potássio, que são nutrientes básicos para as plantas. Determinados plantios precisam mais de nitrogênio, ou mais fósforo, ou mais potássio… Essa parte da identificação, que é feita por outros órgãos, mas o recurso vem da mineração. Então, você precisa minerar”, detalhou a especialista.
Atualmente, a Bahia conta com a produção de fertilizantes fosfatados da Galvani, empresa brasileira que atua no chamado MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e tem áreas na região de Irecê e Angico dos Dias, distrito de Campo Alegre de Lourdes, no norte do estado.
Porém, Abram alerta que ainda é preciso investir mais para diminuir essa dependência externa, aproveitando a identificação de depósitos e alternativas internas. “A gente não tem uma produção de potássio. E geralmente a produção de nitrogênio vem das empresas do petróleo, que a gente está tentando reabilitar essas empresas produtoras de nitrogênio no Brasil, porque há uma competição de preços que vêm do material importado em relação à produção nacional. Então, é difícil fazer mineração. Você tem toda essa competitividade do mercado mundial”.
“DESASTRE INTERNACIONAL”
O país bateu recorde de importações de fertilizantes em 2025, com um total de 44,96 milhões de toneladas, que representam 80% do que é consumido pela produção brasileira - o que torna esse mercado sensível a preços internacionais, câmbio e questões geopolíticas. Questionada sobre um cenário hipotético em que o Brasil não tivesse mais acesso a essas importações, Abram explicou que as consequências seriam desastrosas não só para o mercado interno, mas também para o mundo inteiro.
"Seria um desastre a nível internacional. A nossa produtividade está totalmente relacionada ao uso de fertilizantes. Então isso teria um impacto no preço dos alimentos, a nível interno, e teria também um impacto a nível mundial. Nós somos um dos principais exportadores de alimentos, e isso também tem um impacto”, sugeriu. “Há alguns anos, a FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, colocou inclusive um desafio para o Brasil de aumentar a produtividade em mais 40%, em relação à necessidade que o mundo vai ter até 2050, considerando o crescimento da população mundial. Então isso realmente seria um desastre”, completou.
Este cenário demonstra como vira estratégico encontrar essas fontes dessas substâncias aqui na Bahia. Por isso, a CBPM e o SGB têm realizado estudos em conjunto para encontrar alternativas. “Nós somos acompanhados pelo Plano Nacional de Fertilizantes. Existe uma estratégia em termos de metas, do quanto a gente vai conseguir reduzir a nossa dependência, em nível de Brasil, ao longo dos anos até 2050. Dentro dessa estratégia, a geração de dados pré-competitivos para a questão da segurança alimentar é básica, é uma prioridade do governo, e a gente tem trabalhado nesse sentido”, compartilhou a especialista.
BAHIA COMO CASE DE SUCESSO
Um dos desafios para novos investimentos no setor, contudo, é o preço dos minerais, que pode transformar o projeto em algo que não seja viável comercialmente. Maria Alagia, Diretora de Negócios na Neogeo Geotecnologia, reforçou que isso torna muitos projetos de mineração de altíssimo risco, o que torna dados pré-competitivos gerados pelo SGB e pela CBPM estratégicos para a atração de investimentos para o setor, o que foi reforçado pelo diretor técnico da CBPM, Williame Cocentino.
MINERAÇÃO PARA TODOS
Na última segunda-feira (8), o Bahia Notícias lançou o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e está disponível no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebeu o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.
O deputado federal Jorge Araújo (Progressistas) não poupou críticas às gestões estadual e federal durante sua participação no programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador. Em uma entrevista marcada por cobranças incisivas, o parlamentar abordou o caos na infraestrutura rodoviária baiana, o cenário político polarizado do país, as articulações para a disputa pelo Governo da Bahia e os gargalos históricos da administração estadual, como a fila da regulação da saúde e as obras de mobilidade.
RODOVIAS E PEDÁGIOS
Araújo demonstrou forte indignação com a situação da malha viária baiana, destacando que, segundo ele, apenas cerca de 10% das rodovias do estado são duplicadas. O foco principal de suas críticas foi a BR-324 e a recente cratera que expôs a falta de manutenção preventiva. O deputado lamentou a saída da Via Bahia, que, segundo ele, "levou quase um bilhão de reais, se picou e foi embora", e apontou que o DNIT não possui estrutura para assumir a demanda.
O parlamentar também alertou para o que chamou de "pegadinha" no contrato de concessão da chamada Rota dos Sertões (BR-116). Segundo Jorge, dos quilômetros previstos, a empresa assumirá a obrigação real de duplicar apenas um trecho de cerca de 80 km (de Serrinha a Tucano), enquanto a população será penalizada com a instalação de novos pedágios. Cidades como Pojuca também foram citadas como exemplos de cobranças abusivas, onde os motoristas "pagam para entrar e pagam para sair".
LULA X BOLSONARO E TERCEIRA VIA
Questionado sobre o alinhamento da oposição baiana e o cenário nacional dominado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado foi categórico ao afirmar que em sua visão o Brasil precisa de uma terceira via. Araújo pontuou que o país está estagnado nessa discussão há quase uma década, enquanto o custo de vida e a inflação castigam a população, citando o alto preço do botijão de gás, da energia elétrica (Coelba) e dos alimentos.
"Nem todo mundo que é de direita é bolsonarista, e nem todo mundo que é de esquerda é Lula", afirmou, ressaltando que não vota no atual presidente e que, embora respeite os eleitores do ex-presidente, o atual formato do grupo político de Jair Bolsonaro não condiz com o que deseja para o país. Ele também teceu duras críticas aos "deputados de internet", que vão a Brasília apenas para gravar vídeos sobre "bafafás" e polêmicas de redes sociais, em vez de atuar nas comissões para resolver os problemas reais da população.
ELEIÇÕES ESTADUAIS
Avaliando a política local e a iminente disputa pela sucessão estadual, Jorge Araújo enxerga um forte sentimento de mudança no interior e na capital, motivado pelo cansaço de duas décadas de hegemonia do grupo governista. Para ele, o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), já atingiu o seu teto eleitoral.
O deputado cobrou uma postura mais firme de seus aliados da base de oposição. Segundo ele, quem está com ACM Neto precisa demonstrar apoio abertamente, abandonando a postura de "espinha mole". Araújo criticou também a estratégia de marketing do governo do estado, que, ao anunciar entregas de obras, evidencia a demora na conclusão de projetos que se arrastam pelos governos dos petistas Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo.
CRÍTICAS AO GOVERNO DO ESTADO
O tom da entrevista subiu ao abordar a fila da regulação de saúde na Bahia. O deputado classificou o sistema como algo que "mata, entristece e adoece" os baianos. Para Araújo, falta gestão: o governo deveria buscar a iniciativa privada para desafogar a fila de exames de alta complexidade, evitando internações prolongadas e custosas.
No campo da infraestrutura e mobilidade urbana, o parlamentar ironizou a recente entrega de um trecho do VLT no Subúrbio, afirmando que, após 11 anos de promessas, a obra atual atende a um trecho curto demais para justificar o "glamour" do governo. Sobre a Ponte Salvador-Itaparica, com entrega prevista para 2030, ele revelou ser contrário à estrutura de concreto, defendendo que o problema seria melhor solucionado com a modernização do sistema Ferry-Boat, transformando-o em uma operação de 24 horas, aos moldes dos sistemas eficientes vistos fora do país.
Você toca ou consome minerais centenas de vezes ao dia, sem nem mesmo notar. Mas se eles estão tão presentes no dia a dia do mundo inteiro, por que a mineração ainda enfrenta tanta resistência? Para debater essa visão complexa e traduzir a relevância do setor para a economia, a tecnologia e o desenvolvimento social, o Bahia Notícias traz o segundo episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.
Com o tema "O mundo invisível dos minerais que movem a sua rotina", o conteúdo vai ao ar às 12h desta segunda-feira (13), no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o podcast tem o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebe o diretor técnico da CBPM, Williame Cocentino; a Geóloga e doutora na pesquisa de fosfato, Maisa Abram, Chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB); e a Geofísica e mestre em geociências aplicadas Maria Alagia, Diretora de Negócios na Neogeo Geotecnologia. Ao longo da conversa, os convidados explicam onde estão esses minerais, como são essenciais para diversos setores da sociedade e os desafios de aliar o desenvolvimento da mineração com as principais práticas de sustentabilidade.
"As pessoas já estão acostumadas com a ideia de que precisam de um celular e que vão à loja para comprar um celular, mas não entendem toda a cadeia que é necessária para que esse celular chegue ali. O celular tem uma quantidade enorme de elementos, desde as terras raras até alumínio, o lítio nas baterias, a sílica nas telas... E na história da humanidade, se você não colhe, você vai ter que minerar", reforçou Cocentino.
Segundo o especialista, em um momento crucial para a transição energética, também é preciso usar o que há de natural a seu favor. "Sabendo que as mudanças climáticas estão acontecendo, e o homem é culpado por isso, se a gente quer passar pra uma sociedade com baixa emissão de carbono, necessariamente a gente vai precisar dos minerais. Porque essa conversão precisa ser feita, e isso impacta a nossa sobrevivência", completou o diretor.

VETOR DE CRESCIMENTO
Um outro viés trazido pelo episódio, e que é pouco conhecido, é o desenvolvimento das áreas que recebem os projetos de mineração. Alagia detalha que a descoberta de depósitos novos geralmente acontecem longe dos grandes centros, o que funciona como vetor de crescimento. "A gente não tem como querer que o depósito [mineral] esteja em uma área fácil e rica. O depósito vai estar em uma área difícil e pobre, e as mineradoras vão ter que desenvolver essa área. Vai ter que se pensar em estradas, em escolas, em cursos...", exemplificou.
Cocentino trouxe um caso prático de uma mina que foi instalada no semiárido do Rio Grande do Norte: "Para a mina produzir, ela precisa de água, mas está em uma região com um déficit hídrico enorme. Como você resolve o problema sem impactar a comunidade - já que você não pode disputar com a cidade? A solução que eles acharam foi tratar o esgoto para essa água ser utilizada no processamento. Quando é que esse município ia conseguir fazer um saneamento básico para atender a população? A mineradora funcionou nesse caso como um vetor de desenvolvimento".
Além do impacto direto, também há os benefícios indiretos, como a geração de emprego e renda. Abram traz o dado de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) de que, a cada emprego direto, o setor cria 11 vagas indiretas. "Se o Brasil estimula o setor de mineração, e se a gente conseguir passar para essa fase da transformação, essa relação vai ser ainda maior. [...] O impacto tem - na verdade, o homem pisou na areia da praia, já tem o impacto da pegada dele. São escolhas que, enquanto humanidade, nós precisamos fazer. Se a empresa de mineração é responsável e sustentável, dá certo".
Assistir ao show de Lenine é sempre um espetáculo à parte. Além da poesia, o pernambucano também leva para o público a alegria de executar uma canção pensada em cada detalhe, em cada verso e harmonia. E não foi diferente na sua apresentação na Concha Acústica do Teatro Castro Alves na noite desta sexta-feira (12). Em pleno dia dos namorados, ele exaltou o real e compartilhou como reencontrou na nova turnê, a EITA, o prazer por estar no palco.
O álbum que dá nome ao novo show, seu "filho novo", mistura suas raízes nordestinas com novas experimentações sonoras e poesia. "Cada show que a gente faz do Eita, a gente confirma a certeza de que a gente tem uma coisa muito bacana", comentou com o público. Além das 11 faixas do disco mais recente, também estão na setlist sucessos clássicos de sua carreira, como "Paciência", "Hoje eu quero sair só" e "Jack Soul Brasileiro". Lenine aproveitou para fazer uma menção especial a Maria Bethânia antes de entoar a parceria com a baiana, "Foto de Família".
No momento que apelidou de "ternurinha", Lenine e seu violão, sozinhos, tocam milhares de pessoas com o que o cantor tem de mais íntimo, como ele mesmo revela. Foi esse ponto que o pernambucano escolheu para falar do vinil feito do seu projeto EITA.
"Eu ainda sou daquela época que o trabalho que a gente faz precisa de uma concretude, alguma materialidade. Tudo agora é na nuvem", defendeu. O artista aproveitou para convidar o público a assistir o audiovisual gravado no mesmo projeto: "Na verdade o filme é um filme pra se ouvir, e o disco é um disco pra se ver".
Nem mesmo o problema no in-ear - fone de ouvido que dá o retorno do som à banda - tirou o brilho dos músicos. Foi o diretor da turnê, o baixista Bruno Giorgi, quem trouxe a solução: virar as caixas de som para permitir que a banda ouvisse o que tocava, e assim o público ouvisse o fim do show. Mas antes, espalhou alfazema pelo palco, como quem pede auxílio ao sagrado para encerrar uma noite mágica. A aura ecumênica permaneceu quando os aparelhos voltaram a funcionar, fazendo Lenine citar o espírita Alan Kardec e sugerir que se tratava quase de uma psicofonia.
Aliás, foi a Giorgi que Lenine atribuiu a "culpa" por ele se reencontrar no próprio trabalho: "Ele é o culpado por eu me redescobrir e voltar a sentir o mesmo prazer que eu sempre senti ao subir ao palco".
Em uma noite mística, o Leão do Norte mostrou que tem o coração do folclore nordestino. No seu discurso também político, provou que o país do swing é o país da contradição. Em um lugar como a Concha, que transporta parte da sua história, Lenine canta a todos nós, como num só ser. Nesse dia dos namorados, é o que me interessa.
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O interesse mundial em terras raras tem levado o tema às principais reuniões entre líderes de todo mundo. A demanda é tão alta que, nas últimas reuniões realizadas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi citada tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto pelo seu principal opositor nas urnas nas eleições de 2026, Flávio Bolsonaro. E as terras raras devem entrar também em pauta nas plataformas de campanha, que possuem visões bem distintas de política internacional.
Questionado sobre este cenário durante o podcast "Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão", o presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, reforçou que o governo de Jerônimo Rodrigues acompanha o discurso adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que "entende que a riqueza do nosso povo deve ser utilizada para o desenvolvimento da nossa sociedade". "Nós não vamos entregar nada para ninguém. Todo o patrimônio numeral do Brasil, neste governo, pertence ao povo brasileiro. Não existe nenhuma discussão de 'entregar', seja para o governo americano, [...] seja para chineses, cubanos, russos...", garantiu.
"Alguém que ainda defenda políticos que defendam entregar a Amazônia e entregar o patrimônio mineral do nosso povo para qualquer político... Eu só consigo compreender porque eles bebem detergente", criticou Carballal.
O gestor da companhia destacou que tem atuado para buscar, por outro lado, parcerias com outros países, mas colocou que essas relações têm seguido uma premissa fundamental: "A CBPM faz parceria com qualquer nação do mundo, desde que nós, em primeiro lugar, sejamos protagonistas desse processo". Para aproveitar o momento em que essas terras raras estão no centro do debate, a proposta dos baianos é buscar quem já tenha a tecnologia necessária para a extração e processamento, garantindo o compartilhamento dessas pesquisas e também do retorno financeiro dos projetos. E é este caminho que deve ser seguido, inclusive, com as plantas industriais que farão o processamento de terras raras no estado. "Não significa dizer que nós estamos entregando as riquezas da Bahia, entregando as terras raras da Bahia, para nenhum grupo estrangeiro. Até porque a CBPM será sócia do processo, da mina ao refino".
Como exemplo dessa postura, ele citou ainda um processo judicial movido pela companhia contra uma empresa canadense, que tinha um contrato assinado para explorar ouro no município de Santa Luz. "Eu já comecei a brigar com eles porque a ação social deles era ensinar as crianças do sertão a jogar críquete", explicou, apontando que o problema se agravou posteriormente. "Eles venderam essa área por US$ 1,015 bilhão pra uma empresa chinesa. Nós entramos na Justiça e conseguimos uma liminar, um desembargador depois suspendeu os efeitos da liminar, e a gente espera que a Justiça da Bahia - e conclamo as outras instituições, o Ministério Público - que entre na defesa do nosso patrimônio. Porque a CBPM entrou nessa luta para defender os interesses do nosso povo".
AS PROFISSÕES DO FUTURO?
Com a atenção do mundo voltada para a mineração, também se abrem portas do mercado de trabalho em diversas áreas envolvidas, desde o momento de identificação dos depósitos. O diretor técnico da CBPM, Wiliame Cocentino, apontou quais profissões que, em sua visão, devem ter mais oportunidades nos próximos anos. E claro que a sua formação, de geólogo, é uma das mais promissoras.
"Você tem diversos países que falam que o grande gargalo deles são os profissionais associados à mineração: geólogos, engenheiros de mina, de produção, engenheiros químicos...", frisou. Cocentino adicionou, contudo, que uma das dificuldades do setor é que os profissionais não conseguem trabalhar "perto de casa": "O depósito está onde ele está, e geralmente não está ao lado dos grandes centros urbanos".
"O seu início tende a ser mais desafiador, mas é uma profissão da qual me orgulho muito, porque me colou em lugares que eu não imaginava, me permitiu conhecer lugares que eu não pensava em conhecer", defendeu o diretor.
Por outro lado, talvez haja um outro estímulo para quem pensa em progressão de carreira: os salários de quem trabalha no setor estão entre os mais altos em todo o mundo. "Os melhores salários são da mineração. Não existe no mercado melhor salário", cravou Carballal.
Consultor especialista em terras raras, Antônio Vitor fez ainda um adendo: mesmo as profissões de outras áreas já são impactadas por esse debate, já que esses elementos químicos também têm levado a grandes transformações na rotina de profissões como a medicina, por exemplo.
MINERAÇÃO PARA TODOS
Nesta semana, o Bahia Notícias lança o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.
Uma das principais preocupações da população quando se fala de mineração é o impacto ambiental. A imagem de enormes “buracos” em terrenos, e o receio em relação aos resíduos e aos riscos de contaminação do solo permeiam o imaginário coletivo. Por isso, o debate sobre os grandes depósitos de terras raras na Bahia acendem um alerta em quem acompanha o assunto. Mas algumas características específicas dos depósitos baianos podem minimizar as consequências. Ao menos é o que garantem os especialistas ouvidos no primeiro episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.
De acordo com o diretor técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Williame Cocentino, cada mina tem uma maneira diferente de instalação, mas os projetos esperados para a Bahia devem ter um menor impacto ambiental do que os associados a outros tipos de solos. "Geralmente, os depósitos associados à argila iônica são os que têm o menor impacto. [...] Posteriormente, você nem vai perceber que aquilo ali foi uma mina. Quando você pensa em uma mina, você vê aquele 'buraco'. [Mas nesse processo] Você não tem essa alteração de paisagem para esse tipo de depósito que a gente está trabalhando", adiantou.
Além disso, um outro ponto favorece algumas áreas mapeadas no estado: o acompanhamento próximo da companhia, que é vinculada ao governo da Bahia. O diretor explica que , apesar de a fiscalização das áreas de exploração mineral ser uma atribuição da Agência Nacional de Mineração, a CBPM tem um “compromisso maior” nas áreas da Bahia, com maior rigor nos contratos: “Quando a CBPM está associada, você tem uma camada a mais de segurança para a população”.
“É só você olhar as minas que estão em atividade associadas à CPBM - que não são todas da Bahia -, e em que a relação com as comunidades é a melhor possível, existem diversos projetos sociais apoiados, todas as licenças são requeridas de maneira correta e sem nenhum tipo de atalho. É um carimbo de maior segurança para a população", garantiu Williame.
“FILÉ MIGNON” DAS RESERVAS
O presidente da CBPM, Henrique Carballal, compartilhou durante a gravação que a instituição tem focado no que eles apelidaram de "filé mignon" dessas reservas, que são os depósitos com as melhores condições de extração e que não oferecem nenhum risco de radioatividade.
"É muito comum as terras raras estarem associadas a minerais portadores de urânio. Então é um cuidado que a gente tem. Mas não é uma condição 'sine qua non'. Ou mesmo quando ela está associada ao urânio, nem sempre é uma quantidade que vai trazer algum risco para a população. [...] Nas áreas que a CBPM tem esse trabalho, a concentração de urânio, os valores associados a urânio e tório - que é um outro elemento radioativo - são mais baixos. Então traz um risco menor, não teria uma condição de licenciamento mais rígido, e seria mais seguro de desenvolver um projeto", detalhou Williame.
Apesar da palavra “radioatividade” ser mais um gatilho para quem se preocupa com as consequências de um projeto como este, o consultor e especialista em terras raras, Antônio Vitor, tranquiliza com uma comparação que exemplifica os níveis de exposição nesse caso: "Um caminhão de banana indo para a Ceasa tem mais urânio do que as terras raras da CBPM".
"Não existe nada que não tenha nenhum impacto ambiental. Todavia, não é o impacto que se imagina quando você pesquisa 'terras raras na China'. Aquilo é uma refinaria de terras raras, o que é completamente distinto da extração in situ", reforçou o consultor, trazendo uma previsão do que poderia acontecer na Bahia, como no depósito que é encontrado no Piemonte de Jequié. "Por exemplo, Poções, que é um agreste, quase um sertão, e fizer uma extração de terras raras com lixiviação in situ, quando vier a próxima chuva, vai fertilizar aquela terra muito mais do que antes e trazer um benefício para aquela região, porque o solo vai ficar rico em ureia”, avalia.
Antônio Vitor complementou ainda sobre uma dúvida comum quando se fala de terras raras: a possibilidade de reciclar esses elementos de produtos descartados, como os próprios celulares. "Reciclar ainda é muito mais caro do que produzir, por uma questão de escala. Reciclar depende de uma cadeia de retornar esses elementos, uma série de pessoas nesse processo, o envolvimento de milhões de pessoas, talvez bilhões no mundo. Então reciclar é muito mais complexo e mais caro", justificou. Ainda assim, o consultor compartilhou que já há iniciativas em alguns lugares do mundo que trabalham com a perspectiva de reciclagem dos elementos de terras raras e também de outros elementos associados à produção de eletrônicos.
MINERAÇÃO PARA TODOS
Na última segunda-feira (8), o Bahia Notícias lançou o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e está disponível no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebeu o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.
As terras raras têm atraído cada vez mais atenção do debate global. Energias renováveis, carros elétricos, robôs, formas de armazenamento de energia… Hoje, as principais tecnologias do mundo incluem também a preocupação do fornecimento desses elementos, que na verdade não são terras, nem mesmo raras. Para explicar o termo, seu impacto no mundo e a posição estratégica da Bahia nesse processo, o Bahia Notícias lança hoje o primeiro episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.
Patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o conteúdo em formato de podcast tem o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Os episódios vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Para o primeiro bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.
MAS AFINAL, O QUE SÃO TERRAS RARAS?
As terras raras são 17 elementos químicos metálicos. Apesar de estarem na tabela periódica aprendida por estudantes em todo o mundo, eles têm nomes ainda pouco conhecidos da população: escândio, ítrio, lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio.
Henrique Carballal explicou que o nome foi dado por esses elementos serem encontrados no solo, especialmente a argila iônica, e terem uma difícil forma de extração - apesar de estarem presentes de forma curiosamente abundante no mundo. "Só na Bahia, hoje, já existem mais de 1.200 requerimentos de áreas que foram identificadas que possuem os elementos de terras raras", exemplificou o presidente.
"A dificuldade que existe para você conseguir obter essas terras raras é a característica principal delas, porque elas estão 'unidas', em um óxido único - que é o que a gente procura quando vai identificar essas áreas. Como eles têm uma composição química muito semelhante, é difícil individualizá-los", complementou Cocentino, explicando que, em quantidade, outros elementos como ouro são muito mais raros.
Quem trouxe o exemplo prático da presença no nosso dia a dia foi Antonio Vitor. O consultor apontou que o próprio podcast seria inviável sem a aplicação desses elementos químicos: "Esse podcast não existiria, e mesmo que existisse o ouvinte não seria capaz de ouvir, porque o autofalante é feito de neodímio e praseodímio. O que faz o som sair desse microfone, passar por esse fio e estar lá no autofalante em qualquer lugar do mundo é o imã que ecoa os pulsos". Outro exemplo, mais antigo, são os faróis de dínamo em bicicletas.
Mas o debate atual é ainda mais urgente por causa da demanda cada vez mais alta para atender as grandes indústrias, especialmente as Big Techs. Não por acaso, o tema tem sido citado em reuniões de líderes mundiais, como Donald Trump, assunto que também foi abordado no projeto.
Com as informações de terras com potencial de exploração, identificadas pelos pesquisadores da CBPM, o governo do estado passou a atuar também na atração de grandes empresas capazes de extrair esses elementos do solo baiano, permitindo que a Bahia seja pioneira no processo de refino fora da China.
"Graças às terras raras, nós todos iremos assistir nos próximos 5, 10 anos, uma transformação muito grande na vida humana. Porque você vai ter robôs responsáveis por atividades que hoje são praticadas por humanos. Já existem em várias cidades do mundo em que carros andam sem motoristas. Eu começo a perceber que muito em breve você não vai precisar dirigir um carro. É uma revolução que está acontecendo", avaliou Carballal.
Com estas indústrias chegando ao estado, o tema ganha ainda mais relevância no dia a dia da população. Por isso, o podcast "Mineração para Todos" debate também o trabalho da CBPM na geração de pesquisas, no acompanhamento dos eventuais impactos ambientais, e na identificação do potencial do estado em uma área estratégica para o globo.
“O problema não é ter as terras raras, porque nós temos várias. É você ter a tecnologia para processá-las”. A declaração do presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, resume a relevância de um novo momento estratégico no estado: a atração de indústrias capazes de transformar a Bahia em um ponto estratégico para o mundo.
As chamadas terras raras são elementos químicos essenciais para o desenvolvimento de inúmeras tecnologias que são cada vez mais frequentes na rotina de bilhões de pessoas. Mas o mundo enfrenta dois desafios: encontrar lugares que de onde esses elementos possam ser extraídos - de uma forma rentável, sobretudo -, e ter a capacidade de separar esses elementos em uma quantidade que atenda à demanda crescente das Big Techs.
Em entrevista ao Bahia Notícias, Carballal anunciou que, em breve, o governo do Estado deve anunciar a instalação de três empresas que farão essa extração dos elementos, a partir de áreas de terras raras que já foram mapeadas em solo baiano. “A CBPM vai trazer três plantas industriais para a Bahia. Uma para a gente purificar - ou seja, da mina nós vamos extrair as terras raras, e purificar, fazendo o carbonato de terras raras. Em seguida nós vamos fazer o óxido de terras raras, para depois ter uma outra planta, com uma tecnologia muito avançada, para poder fazer a separação dos elementos químicos. Então nós vamos ter condições de vender não a commodity, mas de fato exportar produtos agregados de alta tecnologia, mais uma vez posicionando a Bahia como destaque mundial na transição energética e nessa revolução tecnológica que a gente está vivendo”, comentou, durante a gravação do podcast Mineração Para Todos, projeto especial do BN.

Etapas do refino de terras raras | Arte: Bahia Notícias
PIONEIRISMO
De acordo com Wiliame Cocentino, diretor técnico da CBPM, hoje, grande parte dessa tecnologia de refino se encontra na China, que detém boa parte da cadeia que é necessária desde a extração até a separação de cada um desses 17 elementos. O consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor, explicou que essa liderança dos chineses é fruto de um investimento feito pelo país em 1982, que fez com que hoje eles tivessem a capacidade de separar as cerca de 20 mil toneladas consumidas desses elementos hoje, em todo o globo.
Para efeito de comparação, a Bahia só entrou neste debate há poucos anos, apesar de já realizar um trabalho de pesquisa mineral há décadas. A própria CBPM foi criada há 53 anos, como uma empresa de pesquisa e desenvolvimento vinculada ao governo do Estado, mas somente em novembro de 2023 registrou o primeiro requerimento de terras raras. Segundo Carballal, antes não havia “entendimento do potencial dessas áreas”, mas a mudança do foco da companhia para o tema fez com que, atualmente a Bahia já tenha 61 áreas de terras raras mapeadas com capacidade de exploração efetivas.
Porém, o especialista Antonio Vitor apontou que este debate deve se intensificar nos próximos anos, especialmente com a demanda crescente por esses elementos em larga escala. “Segundo Elon Musk, na última viagem dele à China, somente a empresa dele de robótica, que vai 'substituir' a mão de obra, vai consumir, até 2040, 34 mil toneladas. E segundo ele, este é o motivo de estar na China: garantir o fornecimento. A produção da China hoje não é suficiente para atender a demanda da China. É aí que o Brasil e a CBPM entram", explicou o consultor.
Antonio frisou que, a partir da instalação dessas indústrias, a Bahia vai ter um papel fundamental porque vai ser o primeiro estado fora da China que vai separar as terras raras em quantidade suficiente para atender ao mercado, apesar de ainda não fazer a redução para metal. "Existem várias iniciativas, na Austrália, na Malásia, nos EUA, na Estônia, na França... Mas em escala comercial, vai ser o Brasil, através da Bahia”, concluiu.
MINERAÇÃO PARA TODOS
Nesta semana, o Bahia Notícias lança o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.
Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.
Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Valdemar da Costa Neto
"Isso é uma loucura, eu acho que o Trump tá, ele perdeu um pouco o rumo nisso aí, e espero que ele estabeleça uma linha melhor, porque o Brasil sempre foi um grande parceiro dos Estados Unidos".
Disse o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto ao criticar a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incluir o Brasil no pacote de tarifas norte-americanas. O dirigente classificou a medida como uma "loucura" e defendeu a negociação diplomática entre os dois governos como caminho para reverter as tarifas.