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Eduarda Pinto
Graduanda em Comunicação Social pela UFBA. Ex-redatora do Jornal da FACOM e repórter da revista DémodÉ.
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O governo da Bahia e representantes da empresa francesa ‘BM Empreendimentos’ assinaram, nesta segunda-feira (1º), a ordem de serviço para o início das obras que transformarão o Palácio Rio Branco, localizado na Praça Tomé de Sousa, em um hotel de seis estrelas.
O local é a antiga sede do governo estadual da Bahia. A construção atual é de 1919, e seu nome é uma referência ao Barão do Rio Branco. Durante o evento oficial de assinatura, o Bahia Notícias conversou com o secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, que celebrou o andamento do acordo.
O edifício foi adquirido em janeiro de 2022, pela empresa francesa ‘BM Empreendimentos’. De acordo com a licitação, o imóvel estará sob posse da empresa por 35 anos. “O Palácio Rio Branco é um patrimônio histórico da Bahia, foi a primeira sede do governo português no nosso Estado.É um prédio icônico para a sociedade baiana e a sua restauração e requalificação seguirá todas as normas dos órgãos de controle de patrimônios históricos brasileiros e do Estado da Bahia”, disse o gestor.
Para Bacelar, apesar do viés de interesses privados, essa licitação ainda teria um “viés social”. “Tudo isso para que a gente conserve as características originais deste prédio, que foi reformado no início do século XX, e que agora, com essa restauração, vai ser devolvido aos baianos, mas também vai servir à atividade econômica turística, e com isso, com um viés social, empregando baianos, gerando emprego e gerando renda”, garante.
De acordo com o Governo da Bahia, as obras se concentram na recuperação, revitalização e operação do imóvel com a finalidade de instalação de um empreendimento hoteleiro de nível superior, que contará também com o Memorial dos Governadores do Estado (museu de acesso ao público), com um grande acervo de valor histórico.
Sobre o tema, o secretário destaca que “este empreendimento vai ficar à disposição da visitação pública sob a gestão do hotel, não sendo cobrado nenhum acesso aos que quiserem adentrar ao palácio”.

Foto: Eduarda Pinto / Bahia Notícias
O Bahia Notícias acompanha o processo de instalação do equipamento desde seu início. Em maio de 2025, após a negativa do Grupo Rosewood em estampar sua bandeira no novo equipamento hoteleiro, a empresa baiana André Guimarães passou a integrar a equipe para participar da revitalização do equipamento.
A Bahia registrou 4.163 casos de pessoas desaparecidas no ano de 2025, conforme os registros do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Os números colocam a Bahia no sexto lugar do ranking nacional de pessoas desaparecidas. Ao todo, foram registradas 85.232 ocorrências de desaparecimento em todo o país no ano passado.
O Sinesp utiliza, principalmente, dados divulgados pelas Secretarias de Segurança Pública dos estados e do Distrito Federal. Segundo o governo federal, as informações são extraídas de forma contínua a partir dos boletins de ocorrência.
O número diverge do divulgado pela Polícia Civil da Bahia, que realiza a contagem por meio do Instituto de Segurança Pública, Estatística e Pesquisa Criminal (ISPE). Conforme o ISPE, foram registrados 730 desaparecimentos. Dados divulgados ao Bahia Notícias apontam que o número é inferior ao de 2024, quando foram computados 791 registros de pessoas desaparecidas.
No que diz respeito ao perfil dos desaparecidos, o Sinesp apontou que pessoas do sexo masculino somam mais de 64% do total de ocorrências, totalizando 2.680 delas. Os casos envolvendo mulheres foram 1.382, correspondendo a cerca de 33,20%. Outros 101 casos não tiveram registro de gênero.
No que diz respeito à faixa etária, o Sistema Nacional apenas divulga os números de maiores e menores de 18 anos. Entre os adultos foram 3.094 registros, enquanto 980 foram de pessoas de 0 a 17 anos. Os dados apontam que 89 ocorrências não contavam com as informações de idade das pessoas envolvidas.
Na Bahia, a operacionalização das ações de segurança pública voltadas a pessoas desaparecidas ocorre por meio do Departamento de Proteção à Pessoa (DPP), unidade vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), lotados em Salvador. Já no interior do estado, os procedimentos são dirigidos pelas Delegacias Territoriais de cada município.
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Delegada Ana Cristina Carvalho, titular do Departamento de Proteção a Pessoa. Foto: Mariana Ribeiro / Bahia Notícias
Quem explica os procedimentos de atuação das forças de segurança é a delegada Ana Cristina Carvalho, titular do DPP. Em entrevista concedida ao Bahia Notícias na última quarta-feira (27), a gestora destacou as principais frentes de atuação do Departamento e as dificuldades nos registros de desaparecimento e de possível localização de pessoas desaparecidas no estado.
Confira a entrevista completa:
PROTEÇÃO À PESSOA
Ao Bahia Notícias, a delegada Ana Cristina Carvalho detalha que a triagem é um dos principais passos da atuação da Polícia Civil na investigação de desaparecidos. Segundo ela, tudo começa pelo local do desaparecimento.
“[No DPP] Os casos que a gente investiga são os desaparecimentos ocorridos na cidade de Salvador. Os casos que ocorrem no estado como um todo, região metropolitana e interior, são investigados pelas delegacias territoriais de onde ocorreu o fato. A gente sempre frisa essa questão do local do desaparecimento. É o local de onde a pessoa desapareceu, onde se teve a última informação dela”, contextualiza.
Segundo ela, uma das principais frentes de atuação do DPP é a garantia da divulgação dos perfis dos desaparecidos conforme a liberação dos comunicantes. “O DPP faz um trabalho de acompanhamento e principalmente a divulgação da imagem dessa pessoa desaparecida nas nossas redes sociais, caso a família, o comunicante, faça a autorização de divulgação da imagem no registro da ocorrência e se também fornecer uma foto que seja compatível”.
Atualmente, a Polícia Civil divulga imagens dos desaparecidos no perfil (@desaparecidospcba) no Instagram e no site (clique aqui.). Segundo a delegada, as imagens são imprescindíveis para a utilização das ferramentas tecnológicas de busca e divulgação.
“Se eu envio para o setor responsável, que é a STelecom, da Secretaria de Segurança Pública, uma foto que não corresponde à pessoa, como ela está atualmente ou como ela estava quando do desaparecimento, isso pode ocorrer em uma situação de localização errônea e com consequências bastante delicadas”, sustenta.
A delegada Ana Cristina explica que, “pelo protocolo do reconhecimento facial, tão logo seja alarmado no sistema que aquela pessoa é de fato a pessoa procurada — ou desaparecida, melhor dizendo —, o sistema aciona a guarnição que mais próxima estiver para que aquela pessoa seja abordada, seja confirmado que se trata dela e ela seja apresentada no DPP ou na Delegacia Territorial onde foi registrado a ocorrência”.
“Você imagina a situação: essa pessoa com uma foto que não corresponde pode, inclusive, levar a um reconhecimento negativo. Mas isso não é por questão do sistema, é por questão da informação dada pela própria família, pelo comunicante quando do registro da ocorrência”, completa.
Segundo ela, o mesmo ocorre com relação a informações sobre a própria pessoa desaparecida — como moradia, altura média e outros dados de perfil — e das circunstâncias do desaparecimento — como local do fato, possível antecedente criminal ou ameaças, e histórico da pessoa. Omissões ou erros nesse compartilhamento de informações nos registros podem levar a vertentes de investigação e buscas errôneas.
“Infelizmente, tem sido recorrente a gente ter dados não informados ou que não correspondem à realidade, e isso é desastroso para a minha investigação. Eu tenho feito relatórios, inclusive para a gestão do Departamento de Homicídios, informando essas situações porque nós somos muito cobrados. E quando a gente vê um caso que toma um outro rumo, porque a gente acaba descobrindo que a história não é bem aquela, é extremamente desgastante para a gente. É uma perda de tempo realmente, quando outro direcionamento poderia ter sido dado à investigação”, detalha a delegada.
TEMPO DE UMA VIDA
“Em 24 horas essa pessoa pode estar em risco”. É o que diz a delegada Ana Cristina, em resposta a um dos maiores mitos do registro de desaparecidos no Brasil. Segundo a titular do DPP, o mito de aguardar uma suposta “consolidação” do desaparecimento pode prejudicar a investigação, especialmente considerando públicos vulneráveis.
“A gente, inclusive, pede que as pessoas registrem de imediato. Porque imagine se você tem uma criança na família e essa criança some, né? Quanto mais nova a criança, maior a dificuldade de verbalizar, de se comunicar, de informar. [Imagine] Um idoso que esteja com Alzheimer ou alguma situação de esquecimento, ou uma pessoa que tenha distúrbio ou transtorno... Você imagina esperar 24 horas para fazer esse registro? Essa pessoa está em risco”, afirma.
Segundo ela, “em 24 horas, o tanto de coisas que a gente faz, o tanto de deslocamentos que a gente realiza”, representam um tempo precioso das buscas. “Então, a gente pede sempre que procurem a polícia de imediato e façam o registro para que a gente realize a investigação nos moldes que temos feito”, conclui de forma sucinta.
Para realizar o procedimento inicial de triagem e anamnese dos casos registrados, Ana Cristina conta que o processo é simples, porém detalhista. “Quando a pessoa registra o boletim de ocorrência, uma das primeiras coisas que a gente faz envolve um protocolo bastante minucioso; então, a gente procura saber quem é aquela pessoa. O que ela faz, se ela trabalha, se ela estuda, quais são os seus hábitos e os dados de identificação civil”, explica.
A titular do DPP conta que os investigadores chegam a ser muito específicos: “A gente chega até a perguntar: ‘usa prótese?’, ‘muleta?’, ‘tem alguma cicatriz?’, ‘tem tatuagens?’, porque a gente nunca pode desconsiderar como essa pessoa vai ser encontrada”. Em casos de infortúnios ou até mesmo investigações criminais, essas informações são determinantes.
“Como a gente já teve muitos casos de ser encontrado um corpo no IML sem identificação e, pelas características descritas pela família, a gente acaba fazendo o confronto e descobrindo que se trata daquela pessoa desaparecida”, afirma.
Em seguida, o registro da ocorrência já permite que a polícia padronize “cards” de busca com imagens e as principais declarações prestadas sobre o desaparecimento. Para Ana Cristina, “o reconhecimento facial tem sido praxe”.
“O que a gente faz é colocar o card no reconhecimento facial para que quaisquer câmeras do sistema da Secretaria de Segurança Pública, na capital e no interior — salientando que onde tem CICON, nas principais cidades do interior, essas imagens também ficam disponibilizadas —, identifiquem o alvo. E, independentemente das características da pessoa, a gente direciona a investigação”, aponta.

Foto: Mariana Ribeiro / Bahia Notícias
A delegada destaca que para públicos vulneráveis, apesar de o protocolo base ser o mesmo, em alguns casos é possível utilizar ferramentas específicas nas buscas e investigações. Um exemplo é a parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Meta, conglomerado de tecnologia ao qual pertencem o Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp.
A parceria técnica utiliza a ferramenta AMBER Alerts no Instagram e Facebook para divulgar fotos e informações de crianças e adolescentes desaparecidos para usuários em um raio de até 160 km do local do desaparecimento. “A Bahia aderiu no ano passado e nós somos signatários deste acordo”, afirma Ana Cristina.
"Nos casos de desaparecimento de crianças e adolescentes — aí vem a urgência do registro imediato, que tenham sido registrados em até 24 horas e que a gente prove que aquela criança ou adolescente está em risco —, a gente faz todo esse procedimento de autorização de divulgação de imagem e essa imagem vai para o Cyberlab em Brasília, que é do Ministério da Justiça, e eles fazem a intermediação com a Meta”.
A imagem das crianças fica disponibilizada no Facebook e no Instagram durante 24 horas, podendo a publicação ser prorrogada em caso de maior comprovação de risco. Sobre o impacto positivo desta tecnologia, a delegada exemplifica: “Imagine uma criança ou adolescente que desaparece em Salvador e essa imagem aparece em todos os feeds de Instagram e Facebook para além de Feira de Santana, por exemplo, que fica a 110 km de Salvador”.
Outra inovação relacionada à busca por crianças desaparecidas foi lançada nesta semana. O MJSP e a Uber firmaram, nesta quarta-feira (27), um acordo de cooperação para ampliar o projeto Amber Alert Brasil como um mecanismo de fortalecimento das buscas. Com a parceria, usuários e motoristas parceiros da plataforma passarão a receber alertas emitidos pelo Cyberlab da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) em casos de desaparecimento com risco iminente.
No entanto, nem toda tecnologia utilizada para tentar concluir os casos de desaparecimento é vinculada ao suporte digital ou a buscas externas. Ainda em agosto do ano passado, o Departamento de Proteção à Pessoa (DPP) e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) participaram de uma Campanha Nacional de Busca por Pessoas Desaparecidas, que realizou um mutirão para incluir o DNA dos familiares de pessoas desaparecidas no Banco de Perfis Genéticos para posterior confronto com as amostras de corpos não identificados, ossadas ou pessoas internadas sem memória.
A delegada Ana Cristina revela que “esse banco [genético] é aqui na Bahia, mas ele é nacional. Então, a gente já teve o caso de uma pessoa que tinha desaparecido de Goiânia”.
“Ele desapareceu de Goiânia, a família tinha feito a coleta do material e, depois que se fez a necropsia, descobriu-se que ele tinha sido vítima de homicídio em Santa Maria da Vitória. Eu lembro que nós comemoramos no sentido de dar um retorno à família, que realmente descobriu onde o corpo estava e teve o direito de fazer um sepultamento. Há também uma situação reflexa em relação à investigação de Santa Maria da Vitória, porque até então não se tinha informações de quem era aquela pessoa”, explica a titular do DPP.
Para além das buscas, a delegada comenta sobre um gargalo nos procedimentos de desaparecimento: a comunicação da localização. “Eu peço encarecidamente também ao comunicante, principalmente, ou a outros familiares que aqui tenham vindo prestar declarações, que quando essa pessoa for localizada, nós precisamos tomar conhecimento, porque é um trabalho que envolve vários órgãos. A gente tem a obrigação de dar baixa na localização na ocorrência”, ressalta.
Segundo Ana Cristina, “essa não localização de uma pessoa que já retornou impacta negativamente, porque joga os números da Bahia lá em cima em questão de desaparecidos e não localizados”. "Quando a gente de vez em quando faz mutirões aqui somente para atualizar [os boletins], normalmente mais de 90% já retornou e não foi informado à delegacia, embora as pessoas saiam daqui já sabendo que, assim que forem localizadas, elas têm a obrigação de fazer a comunicação”.
A titular do DPP afirma que já houve casos de duplo registro de desaparecimento, em datas e unidades distintas, pois a pessoa foi localizada e o fato não foi informado antes de ela desaparecer novamente.
“O mais delicado e respeitoso com todo o trabalho que a gente faz aqui seria informar onde você registrou. Então, eu peço encarecidamente isso: quando tiverem o retorno do seu familiar, da pessoa desaparecida, comuniquem de imediato aqui no DPP”, conclui a delegada.
O ex-prefeito de Jequié, Zenildo Brandão Santana, conhecido como Zé Cocá (PP), minimizou as ações do governo do estado na região do Médio Rio de Contas. Em entrevista ao Bahia Notícias nesta quarta-feira (27), durante o lançamento do projeto "Sua Voz é a Nossa Voz", o atual pré-candidato a vice-governador afirmou que o governador, Jerônimo Rodrigues (PT), “prometeu o mundo”, mas não resolveu os problemas da região.
“O governador, na nossa microrregião, se você colocar nos quatro anos, ele prometeu o mundo. Ele prometeu que ia resolver o problema de todos os municípios, criou pautas que eram necessárias para a nossa região — cobranças inclusive nossas —, e infelizmente nenhuma saiu do papel. Nenhuma, nenhuma, nenhuma. Nenhuma pauta relevante saiu do papel”, destacou o ex-gestor.
Em eventos recentes do governo petista, Jerônimo chegou a citar o avanço da proposta de construção de um aeroporto para a região. Para Zé Cocá, a promessa é mínima. “Nós estamos falando de sistema de irrigação, nós estamos falando de aeroporto regional, abertura de novas vias, eixos de produção... Isso não aconteceu”, garante.
Ainda sobre as promessas, o pré-candidato da chapa de oposição afirma: “Eu torço para que isso aconteça, acho que o governo tem o seu dever, sua obrigação de fazer isso”. No entanto, ele sinaliza que “o governo teve quatro anos para iniciar essa e outras obras necessárias também”.
Já no que diz respeito à política na região, segundo ele, a população local já é adepta à ideia de rompimento com o governo petista. “Nós temos conversado com a maioria dos prefeitos da nossa região. É uma região de fato em que você vê um clamor por mudança. Se você fizer qualquer pesquisa eleitoral na nossa região hoje, [verá isso] por conta de muita promessa que foi feita e pouca execução do governo”, alega.
O ex-prefeito, reeleito em 2024, conta que deve avançar nas negociações com gestores vizinhos para fortalecer a campanha do ex-prefeito de Salvador e atual pré-candidato ao governo, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto (União).
“Nós temos alguns municípios que estão prestes a declarar apoio, outros vão declarar [mais à frente], e em outros nós estamos construindo bem as oposições. Estamos construindo bem grupos que não aceitam mais o governo, então eu não tenho dúvida de que sairemos vitoriosos daqueles dois territórios”, conclui.
Em evento de lançamento de seu projeto “Sua Voz é a Nossa Voz”, o pré-candidato ao governo do estado da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto (União), diferenciou as ações previstas pela oposição do que já é realizado no Programa de Governo Participativo (PGP) do PT na Bahia. O projeto da oposição prevê a visita e escuta ativa às comunidades de Salvador e do interior da Bahia durante o período de pré-campanha.
“O PGP deles é uma coisa que é feita ali em quatro paredes, toda ela é manipulada para ter um resultado que interesse a eles. [O PGP é] Tudo feito e manipulado pelas pessoas dos partidos e ali do centro do governo. Nós queremos fazer uma coisa ampla, eu quero dar voz a todos os baianos, sobretudo aos que não têm uma identificação partidária imediata, não tem uma militância, não tem como chegar a gente”, afirma o ex-prefeito de Salvador.
A fala ocorreu em meio ao lançamento do “Sua Voz é a Nossa Voz”, como uma forma de alcançar o interior da Bahia, com 10 eventos presenciais e transmissões virtuais. Segundo ACM Neto, a expectativa é ampliar o diálogo. “Então eu não quero fazer uma coisa maquiada, eu não quero fazer uma coisa que eu já sei o resultado e eu só vou ali validar, não. Eu quero fazer uma escuta ampla, aberta, transparente, direta, onde todo mundo possa participar”, diz.
O anúncio do grupo da oposição ocorre após membros da base governista apontarem, durante o Programa de Governo Participativo (PGP 2026) em cidades do interior, que o ex-prefeito da capital baiana participa somente de ações fora da Bahia. As críticas do governo foram respondidas pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), e chegou a rebater as críticas da oposição sobre a agenda de ACM Neto no estado.
Ao lado de aliados como Zé Cocá (PP), pré-candidato a vice-governador, e os pré-candidatos ao Senado, Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), Neto aproveitou a oportunidade para questionar a efetividade do PGP do governo petista.
“A segunda grande diferença é o que vai ser no futuro. Porque eu não posso conceber e admitir que o governador Jerônimo tenha coragem de voltar a uma cidade na qual há quatro anos atrás ele fez uma promessa, e estava no PGP, e ele vai lá e faz a mesma promessa de novo, como se ele não tivesse sido candidato há quatro anos. Como se ele não tivesse tido o tempo suficiente para cumprir aquela promessa”, afirma o principal líder da oposição ao PT na Bahia.
Ele completa dizendo que “em alguns casos são promessas de 20 anos que eles voltam a prometer no PGP que eles fazem”. Na tentativa de se diferenciar, ele garante que “então a gente quer transformar isso aqui numa plataforma e numa base de compromissos, em um plano de governo, em uma bússola para o que será de fato a nossa gestão, sobre o que é que nós vamos nos debruçar, quais serão as nossas prioridades”, finaliza.
A Delegacia da Polícia Federal em Ilhéus anunciou, nesta quarta-feira (27), a construção de sua nova sede no município. O complexo será edificado em um terreno de 12,5 mil metros quadrados na Avenida Soares Lopes, no bairro Cidade Nova, na orla da cidade. Em nota, a instituição se posicionou frente a “interpretações equivocadas e narrativas que não refletem adequadamente a realidade” dos processos envolvendo a mudança.
A Polícia Federal inicia o posicionamento destacando que “a atual sede da Delegacia em Ilhéus não mais atende às necessidades institucionais, operacionais e de atendimento ao público exigidas pela realidade contemporânea da Instituição”. Na mesma nota, a entidade relembra que foram deflagradas cerca de 15 operações da PF no Sul e Extremo Sul da Bahia, sob a competência da Delegacia de Ilhéus.
Segundo o órgão, a estrutura atual é "antiga e incompatível com os padrões tecnológicos, de segurança e de funcionamento atualmente adotados pela Polícia Federal, que passou nos últimos anos por um significativo processo de modernização e ampliação de suas atribuições".
A PF também compartilhou as imagens do projeto para a nova sede:


Foto: Divulgação / Polícia Federal
Há cerca de uma semana, a Secretaria do Patrimônio da União na Bahia (SPU-BA) havia confirmado a transferência do terreno, que pertence à União, para o uso da PF. Em abril, logo após o primeiro anúncio do projeto, um coletivo de organizações ilheenses criticou a destinação do espaço e a concessão da área federal.
Em resposta a essas críticas, a instituição esclarece que o espaço destinado à futura sede corresponde ao local onde funcionava a antiga Concha Acústica de Ilhéus, “que se encontra abandonada e utilizada por usuários de drogas, localizada entre o Centro de Convenções e o Porto”.
A escolha do local permitiu que uma outra área sondada anteriormente, ao lado direito do Centro de Convenções, fosse liberada para que “possa futuramente ser utilizada em benefício direto da população e de projetos de interesse público”.
A PF destaca ainda que o endereço possui relevância estratégica para as atribuições institucionais, especialmente por estar próximo ao Porto de Ilhéus, local onde a corporação exerce atividades permanentes de polícia judiciária da União, fiscalização migratória e controle de embarcações vindas do exterior.
Para a instituição, a implantação da nova delegacia também deve contribuir para o aumento da segurança pública local. “A presença permanente de uma instituição policial federal no local tende a promover maior sensação de segurança, valorização do espaço público e incremento da utilização ordenada da região pela população”, garante a PF.
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Foto: Divulgação / Polícia Federal
O pré-candidato ao governo do estado da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto (União), anunciou, nesta quarta-feira (27), a realização do projeto "Sua Voz é a Nossa Voz", de visita e escuta ativa às comunidades de Salvador e do interior da Bahia durante o período de pré-campanha.
Em evento realizado no Edifício Central Pinheiro, localizado na Avenida Garibaldi, ACM Neto reuniu os aliados, Zé Cocá (PP), pré-candidato a vice-governador, e os pré-candidatos ao Senado, Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL). O ex-prefeito de Salvador afirmou que serão realizados dez eventos no interior e reuniões menores na capital, com início já nesta semana.
Sobre as ações na capital, ele cita que o histórico de sua gestão na cidade será importante para permitir reuniões menores, “uma coisa mais do corpo a corpo, direto com as comunidades, com os bairros da cidade”. Segundo ele, “muitos deles onde nós temos relevantes serviços prestados na época da minha gestão como prefeito”, explica.

Foto: Maurício Leiro / Bahia Notícias
Já no interior, a dinâmica será maior, com a promessa de alcançar os 417 municípios. O primeio evento ocorre no dia 2 de junho em Jacobina, na região do Piemonte de Diamantina. “O primeiro encontro regional vai acontecer a partir da próxima semana e nós vamos dar início a um movimento que carinhosamente, dentro da nossa equipe, está sendo chamado de ‘Maratona da Mudança’”, detalha ACM Neto, que também é vice-presidente do partido União Brasil.
Segundo ele, é impossível atingir fisicamente a marca de se comunicar com todos os municípios do estado, mas a mobilização vai envolver o uso da tecnologia. “Nós pretendemos alcançar todos os 417 municípios do estado da Bahia. Vocês vão ver qual a estratégia que nós montamos para isso. É claro que fisicamente é impossível nós estarmos em todas as cidades, só que hoje, felizmente, existem os recursos tecnológicos que nos permitem chegar sem que necessariamente, fisicamente, nós estejamos naqueles municípios”, destaca o pré-candidato.
A Bahia é o terceiro estado com maior índice de desmatamento no ano de 2025. Ao todo, foram 110.616 hectares desmatados em todo o estado, com predominância na região oeste, onde o território integra uma fronteira de expansão agrícola ao lado do Maranhão, Tocantins e Piauí: o Matopiba. Essas informações foram divulgadas nesta quarta-feira (27) pelo Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), realizado anualmente pelo MapBiomas.
Segundo o RAD 2025, referente aos dados do último ano, o Brasil registrou uma queda histórica de 20,6% nos indicadores de desmatamento em relação a 2024. Ao todo, foram 983.843 hectares desmatados, ficando abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados por ano mantida nos últimos sete anos. Considerando este recorte, de 2019 a 2025, o Brasil teve uma área total desmatada de aproximadamente 10.297.668 hectares, o equivalente a pouco mais que todo o estado de Pernambuco.
Esses números expõem uma realidade de quase 2,7 mil hectares desmatados por dia. Apesar da redução no desmatamento, em 2025, a área média desmatada no Brasil foi de 2.698 hectares por dia, o equivalente a cerca de 112 hectares por hora. Segundo o estudo, é como se 17 parques do Ibirapuera, o maior parque urbano da cidade de São Paulo, fossem desmatados todos os dias.
Entre os biomas, todos registraram queda no índice de desmatamento. No Pantanal, 12.260 hectares foram desmatados, porém foi obtida a maior redução proporcional na área afetada: uma queda de 48,4% em relação a 2024, quando o número foi de 23.756. O bioma menos desmatado em números absolutos foi o Pampa, com apenas 583 hectares depredados. A Amazônia também apresentou um índice de queda: foram 289.478 hectares desmatados em 2025, frente aos 378.254 ha de 2024, representando uma redução de 23,5%.
Entre os biomas que ocupam o estado da Bahia, a Caatinga registrou a maior queda no desmatamento, com um índice de -25,9%. Foram 128.947 hectares em 2025 e 174.119 em 2024. A Mata Atlântica, que cobre o litoral do estado, teve o menor contingente total de depredação, porém com um índice também pequeno de redução. Ao todo, o bioma contabilizou 12.912 hectares de área desmatada no último ano, com uma queda de 4,7%.
Por outro lado, quem puxa as estatísticas de todo o país para cima é o Cerrado. Foram 540.614 hectares de área desmatada, o maior contingente do país. Porém, mesmo com o alto número, o bioma apresentou uma redução de 25,9% em comparação com 2024, quando foram depredados 650.370 ha.
MATOPIBA E O AGRO
Em um cenário em que a expansão agropecuária é responsável por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos, a região conhecida como Matopiba, que inclui os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, é o centro do desmatamento no país. O fator do agro responde por 99% da vegetação nativa — aquela que não havia passado por ação antrópica/humana anterior — perdida no Brasil em 2025.
Cobertos principalmente pelos biomas do Cerrado e da Caatinga, os quatro estados do Matopiba estão presentes entre as cinco unidades federativas com maior área desmatada em 2025. Junto com o Mato Grosso, os cinco respondem por mais de 63% da área total desmatada no Brasil no ano.

Foto: Dados divulgados pelo MapBiomas
Pelo terceiro ano consecutivo, as formações savânicas, que são predominantes nos biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal, foram as mais afetadas pelo desmatamento no Brasil, respondendo por 51,4% da área total desmatada, seguidas das formações florestais, com 46,3%.
Em todo o Brasil, os desmatamentos relacionados a empreendimentos de energia renovável estiveram quase que totalmente concentrados na Caatinga, que respondeu por 97% da área desmatada associada a esse vetor. Coincidentemente, esse bioma é o maior da Bahia, e o estado é o primeiro no índice de produção de energia limpa, especialmente a eólica e a solar.
Os desmatamentos associados à expansão urbana apresentaram aumento de 7% em relação a 2024 e concentraram-se principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais de 60% da área de vegetação nativa perdida vinculada às áreas urbanizadas.
APAS E MUNICÍPIOS
Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, um total de 2.932 municípios teve pelo menos um evento de desmatamento detectado e validado em 2025. O número equivale a 52,6% do total de municípios. Entre as cidades com maior área desmatada no Brasil em 2025, as dez primeiras responderam juntas por 15% do total do desmatamento validado no país, sendo que oito desses municípios estão localizados no Matopiba.
Neste contingente estão dois municípios baianos: Jaborandi e São Desidério, ambos na região oeste, localizados respectivamente na Bacia do Rio Corrente e na Bacia do Rio Grande.
O município de Canto do Buriti, no Piauí, lidera o ranking de maior área desmatada pela primeira vez, com 20.877 hectares perdidos. Este município da Caatinga também apresentou o maior evento de desmatamento único detectado em 2025, com 20.834 hectares desmatados. A média diária de desmatamento na cidade foi de 57,2 hectares, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia.
O estudo aponta ainda que as Unidades de Conservação (UCs) e as Terras Indígenas (TIs) seguem sendo as regiões mais preservadas do país. Nas UCs, foram desmatados 46.257 hectares em 2025, o que representa uma redução de 21,4% em relação ao ano anterior. Ao todo, considerando apenas as Unidades de Conservação de Proteção Integral, a queda foi de 55,8% em relação ao ano anterior, com 2.034 hectares desmatados.
Nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs), a Bahia volta a aparecer com índices preocupantes. A APA do Rio Preto, localizada entre os municípios de Formosa do Rio Preto, Mansidão e Santa Rita de Cássia — com grande parte de seu território no Cerrado —, foi a UC com maior área desmatada (7.701 hectares) no Brasil em 2025, apresentando um aumento de 44% em relação a 2024.
Já em Terras Indígenas, a perda foi de 12.593 hectares, com redução de 22% em relação a 2024. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, permanece pelo terceiro ano consecutivo no topo do ranking (com 4.089 ha desmatados), apesar de ter registrado queda de 34% na área afetada. Em 2025, 30% das TIs do Brasil registraram ao menos um evento de desmatamento. Entre 2019 e 2025, 1,7% (184.622 hectares) do total de terras desmatadas no Brasil ocorreu em Terras Indígenas.
A titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a ministra Fernanda Machiaveli, anunciou um investimento de R$ 400 milhões em recursos inclusos no Plano Safra para garantir o suporte aos agricultores afetados pelas mudanças climáticas no interior do Nordeste e na Bahia. Em entrevista ao Bom Dia, Ministro, na manhã desta segunda-feira (26) em resposta ao Bahia Notícias, a ministra detalhou as ações previstas este ano.
“Para o semiárido, nós estamos com os recursos do Garantia Safra, que já é um seguro para esse agricultor que perde a produção. Nós também vamos fazer, agora, apoio a projetos produtivos”, revela. A ação principal do governo federal deve ser parte do novo Plano Safra 2026/2027, a ser anunciado em junho deste ano.
“Esse edital nós vamos anunciar agora no mês de junho; são quase R$ 400 milhões que vão financiar projetos de até R$ 8 mil de agricultores familiares que estarão no semiárido. [O projeto se] chama ‘Garantia Safra - Terra, Mesa e Semiárido’, e é uma importante iniciativa para apoiar [a agricultura familiar no semiárido baiano]”, afirma.
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A fala da ministra relembra um estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgado em novembro de 2023, que identificou características de clima árido na região norte da Bahia, especialmente no território de Itaparica, incluindo as cidades de Abaré, Chorrochó, Glória, Macururé, Paulo Afonso e Rodelas.
Sobre o tema, Fernanda Machiaveli destaca que a “atividade agrícola é uma atividade de risco, mas, no contexto de mudanças climáticas, esse risco tem sido majorado. São eventos climáticos que têm acometido a agricultura do país todo e toda a nossa população”, explica.
A ministra destacou que o governo federal deve investir na implantação de uma estratégia nacional visando à garantia da manutenção e melhora nos modos de vida dos agricultores familiares da região. “Acabamos de aprovar no Congresso Nacional, o presidente Lula fez um decreto instituindo a Estratégia Nacional de Adaptação Climática no Semiárido, que é justamente um esforço nosso para apoiar os agricultores e agricultoras familiares que estão no semiárido, para fazerem esse processo de adaptação e conviver com a seca e conviver com o semiárido”, detalha.
Entre as ações, a gestora cita as possibilidades de “instalar uma tecnologia social, que pode ser uma cisterna, uma cisterna de produção, um projeto de irrigação com energia solar; pode também ser um quintal produtivo, uma adaptação do solo para justamente garantir que consiga absorver melhor, ou durante o momento da chuva, para preservar o solo. Nós temos a compra de maquinários adaptados para justamente lidar e impactar menos o solo. Enfim, uma série de estratégias que vão poder ser financiadas”, detalha.
Confira o trecho da entrevista no Bom Dia, Ministro:
A Bahia registrou uma queda de 9,8% no número de homicídios estimados entre 2014 e 2024. Isso é o que apontam os dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Atlas da Violência 2026, estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em 2014, foram registrados 7.006 homicídios no estado, frente a 6.316 casos notificados em 2024.
O estado registrava, em 2024, uma taxa de homicídios estimada de 42,6 a cada 100 mil habitantes, a terceira maior do país, ficando atrás apenas do Amapá (47,1) e do Ceará (43,7). Essa taxa é formada pelos dados oficialmente registrados pelos órgãos, com a correção dos pesquisadores, incluindo dados sobre os chamados homicídios ocultos. Ainda assim, a Bahia já apresentava redução em todas as faixas de análise. Entre 2023 e 2024, a queda foi de 6,5%, enquanto em cinco anos (de 2019 a 2024) chegou a 8,8% e, por fim, a 9,8% no confronto da década.
O estudo, elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS), analisa uma década de monitoramento da letalidade no país.
Na taxa de homicídios, a redução comparativa da década aponta que o estado registrou uma queda de 12,5% nas mortes a cada 100 mil habitantes entre 2014 e 2024. A maior redução ocorreu, no entanto, entre os homicídios ocultos e as mortes violentas de causa indeterminada (MVCI).
Por definição, as MVCIs são uma categoria de registro oficial do SIM, do Ministério da Saúde, que configura os casos em que não é possível determinar a causa básica da morte — ou seja, se foi homicídio, suicídio ou acidente. Já os homicídios ocultos são uma estimativa estatística e metodológica que aponta o percentual de MVCIs que foram assassinatos não determinados devido à má qualidade de preenchimento dos dados.
Entre as MVCIs, a Bahia registrou uma queda de 46% entre 2014 e 2024. No início da década, foram registrados 1.662 homicídios sem identificação classificatória e, dez anos depois, o número foi de 898 casos do tipo. Por outro lado, os homicídios ocultos tiveram uma redução ainda maior: o número passou de 954 em 2014 para 255 em 2024, registrando uma queda de 73,3%. (A reportagem foi atualizada às 14h05)
A Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) teve as contas aprovadas pelo Governo Estadual em uma Assembleia Geral Ordinária realizada este mês. A reunião serviu para a avaliação das movimentações financeiras do Fundo Garantidor Baiano de Parcerias (FGBP) e do Fundo Garantidor do Aporte da Ponte (FGAP).
Em ata publicada no Diário Oficial do Estado neste sábado (23), a Desenbahia detalhou os procedimentos para a aprovação dos relatórios de 2025 das contas da agência e dos fundos gerenciados por ela, nos quais o Estado da Bahia figura como cotista único — ou seja, o único investidor.
Segundo o Relatório da Administração e das Demonstrações Financeiras e Contábeis do exercício de 2025, documento analisado pelo Governo do Estado em reunião realizada no dia 15 de maio, foram movimentados, do Fundo de Parcerias (FGBP), cerca de R$ 90 milhões, enquanto do Fundo de Aporte da Ponte, o valor chegou a R$ 730 milhões.
A partir do relatório, o governo estadual, representado pelo Procurador do Estado da Bahia, Antonio Ernesto Leite Rodrigues, determinou, por sua vez, a recomposição de valores pagos “cobertos” pela Desenbahia, além do bloqueio de alterações nas movimentações das principais obras sem a anuência do Estado.
FUNDO DE PARCERIAS
No Fundo Garantidor Baiano de Parcerias (FGBP), apesar do registro de movimentações de menor porte, o relatório elaborado pela Desenbahia passou pelo crivo de auditores independentes (empresas externas) para a garantia da veracidade dos números. Os dados apontam que, ao final do ano de 2025, o fundo manteve um saldo de R$ 309,8 milhões, investidos em aplicações de renda fixa.
No detalhamento de movimentações, destaca-se o resgate de R$ 90 milhões do fundo para o uso do Governo do Estado nos cofres públicos. Em termos de ganho, a análise registrou R$ 45,4 milhões em receitas de aplicação financeira com os recursos do fundo.
O segundo item no relatório indica ainda a cobrança de uma dívida. A ata detalha que o Fundo Garantidor Baiano de Parcerias “cobriu”, em anos anteriores, um custo de R$ 34,4 milhões relacionado às garantias das obras do Metrô de Salvador e Lauro de Freitas. O valor deveria ter sido pago inicialmente por outro ente envolvido no financiamento.

Foto: Divulgação/CCR Metrô Bahia
Na ata, o governo estadual orientou que a Desenbahia mantenha “o empenho contínuo e célere na cobrança e recuperação do saldo para o caixa do fundo, visando mitigar riscos de perda patrimonial”. Ainda com relação à gestão patrimonial, em decisão, o Governo da Bahia fixou, por sua vez, que “qualquer proposta de alteração na política de investimentos do Fundo ou na estrutura das garantias já vigentes dependerá de prévia deliberação e anuência expressa do Estado da Bahia em sede própria”.
Entre as garantias vigentes, foram citadas nominalmente as obras do Metrô de Salvador e Lauro de Freitas, do Sistema Viário BA-052, a implantação do VLT do Subúrbio e do Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Ilha de Itaparica. Desta forma, o planejamento de recursos alocados nestas obras só poderá ser alterado mediante aprovação expressa do governo da Bahia.
APORTE DA PONTE
Se em 2025 o Fundo de Parcerias teve movimentações relativamente baixas, por outro lado, o Fundo Garantidor do Aporte da Ponte (FGAP) movimentou valores quase oito vezes maiores e terminou o ano com o dobro de saldo. Segundo o relatório divulgado em ata, a Desenbahia registrou que o Fundo de Aporte recebeu R$ 584,1 milhões em integralizações, ou seja, aportes em seu saldo.
Diferente do FGBP, este fundo opera como garantia exclusiva das obras para a construção e operação da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica. Justamente em decorrência desta função, o Estado também realizou o resgate — ou seja, a retirada — de R$ 730 milhões deste fundo ao longo do ano de 2025.

Foto: Divulgação
Entre as movimentações destacadas, estiveram o pagamento de R$ 4,1 milhões pelo fundo em taxas administrativas para a Desenbahia gerenciar os valores e um saldo positivo de R$ 80,7 milhões em juros de investimentos realizados pela agência com os recursos do fundo.
Ao final do ano, o relatório registrou um saldo de R$ 640,7 milhões em caixa do Fundo de Aporte da Ponte, com um "índice de cobertura" de 1,281. A métrica financeira mede a capacidade de uma entidade de honrar suas obrigações de dívida.
No caso do FGAP, esse número indica “que o saldo remanescente em ativos financeiros mantém o fundo solvente e com margem de segurança adequada para cobrir as garantias vigentes outorgadas ao contrato da PPP [Parceria Público-Privada] da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica”, diz o resumo do documento.
Ao final do relatório de aprovação, o Governo da Bahia ratifica que todos os valores movimentados no fundo devem ser utilizados para a garantia das operações financeiras da ponte, “sendo vedada qualquer desviação de ativos para riscos de outras naturezas ou outros projetos de infraestrutura sem autorização legislativa e anuência expressa do Cotista Único”.
Nestes moldes, uma mudança neste formato de operação — para aplicação em outras obras ou finalidades — só seria possível a partir de uma nova lei aprovada pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) e posterior sanção do Estado.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque ele é um dos melhores advogados desse país, ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer? Eu vou mandar o Messias outra vez. Por respeito à função presidencial, sou eu que indico".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao confirmar que vai enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF). O AGU teve sua primeira indicação rejeitada no Senado no último dia 29 de abril.