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Eduarda Pinto
Graduanda em Comunicação Social pela UFBA. Ex-redatora do Jornal da FACOM e repórter da revista DémodÉ.
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Iuri Passos e Magary Lord são os entrevistados do primeiro episódio da 4ª temporada do Papo Preto, que estreou nesta sexta-feira (6). Com o tema “O Som Ancestral do Futuro”, o podcast do Bahia Notícias vai se debruçar sobre a história e as mudanças que tornam os ritmos baianos, nascidos da afrodiáspora, uma parte tão representativa do cotidiano, da educação e do mercado cultural da Bahia.
Em entrevista à repórter Eduarda Pinto, Iuri Passos – que é músico, pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Alagbê do Terreiro do Gantois – destaca que não há como falar dos ritmos afro brasileiros sem mencionar a importância dos terreiros de candomblé na preservação dos conhecimentos populares dos negros escravizados e seus ancestrais no Brasil. Justamente por isso, ele defende que tanto os terreiros quanto os blocos e grupos culturais afro precisam receber mais atenção e investimento.

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias
“A gente está lutando – essa é a minha briga sempre – sobre essa preservação e a briga por essa fatia do bolo [de investimento]. Os terreiros de candomblé e os blocos afros, a gente não precisa nem falar da importância porque somos pontos de cultura e estamos agindo além da preservação da música, da identidade. A gente está lutando todos os dias, a gente está lutando todos os dias na frente dessa batalha ali, se tem uma facção na comunidade, se tem uma disputa, a gente está ali, lutando e educando”, detalha.
Para o cantor e compositor baiano, Magary Lord, criador do ritmo Black Semba, a reinvenção da música baiana depende da compreensão e reconhecimento das referências históricas da percussão e dos ritmos afro-brasileiros.
“Acho que o que todo mundo carrega, essa bagagem da música, da dança, do candomblé, da nossa ancestralidade, dos nossos costumes, essa experiência é muito englobada. A cultura da Bahia, essa mistura nunca vai morrer, porque a gente carrega isso, nem que seja nas músicas atuais. Hoje parece que as músicas do candomblé estão presentes em tudo”, destaca.

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias
Ao dar o contexto de nomes que impulsionaram o percussionismo na Bahia, como o multi-instrumentista baiano Bira Reis, o artista relata que “hoje você vê em qualquer set de música baiana ou até de fora tem um atabaque hoje, porque se popularizou demais”. “Então, a importância desses instrumentos é fundamental para a nossa música e para essa mistura que é a música da Bahia”, ressalta.
Ambos concordam que, sendo tão vasta e tão complexa, a música baiana bebe de diversas referências e “o céu é o limite” para o que pode ser criado respeitando a força e os saberes ancestrais por trás da sua manutenção.
“Eu costumo dizer que o céu é o limite, claro que com responsabilidade. Se você estuda, se você é pesquisador dos ritmos. Se você não conhece [a percussão e as tradições], é se aproximar de pessoas de terreiro, aprender, entender. A música só tem uma verdade, ou é ou não é. Então, [o caminho] é ter uma orientação dos grandes mestres para poder, de uma forma bacana, você ressignificar”, completa Iuri Passos.
Confira o 1º episódio completo da nova temporada do Papo Preto:
NOSSO PAPO
O Papo Preto é um projeto especial do Bahia Notícias que busca aprofundar o conhecimento e valorizar corpos e histórias pretas em todas as dimensões e esferas sociais. Lançado anualmente em novembro desde 2023, o formato atual do produto foi idealizado pelas jornalistas Eduarda Pinto (2023 - Atual) e Ana Clara Pires (2023-2025), Priscila Melo (2023) e Alana Dias (2024-2025).
A primeira temporada, lançada em 2023, teve como tema central a Saúde Física e Psicológica de Pessoas Pretas. No ano seguinte, a segunda temporada do Papo Preto abordou a Moda Afro e Empreendedorismo Negro. Já em 2025, a terceira temporada do Papo Preto viajou ao Recôncavo baiano para explorar o Axé e a Espiritualidade Negra na Bahia, detalhando os encantos das religiões de matriz africana e o sincretismo religioso.
O deputado federal reeleito, Léo Prates (Republicanos), afirmou que manteve a neutralidade na disputa eleitoral nacional por uma “lealdade”. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, da Antena 1 Salvador (100.1), nesta sexta-feira (6), ele afirmou que levou em consideração o bem-estar da relação com o governo Lula, cultivado durante o mandato atual.
Prates relata sua trajetória de atuação na Câmara dos Deputados, muitas vezes negociando e trabalhando em pautas do governo Lula, como na relatoria da PEC (Projeto de Emenda à Constituição) pelo fim da escala 6x1.
“Em relação à política nacional, eu resolvi me recolher, porque o governo federal tinha sido leal comigo e eu tinha sido leal com o governo federal. E a maior expressão disso foi a relatoria da 6x1 [Projeto de Emenda à Constituição pelo fim da escala 6x1], onde claro que para o presidente Hugo Motta [presidente da Câmara dos Deputados] designar um relator tinha que ter a anuência do governo porque era pauta muito importante para o governo. Foi a pauta mais importante do governo”, relembra Léo Prates.
Para o parlamentar, “eu achei que por lealdade a mim – não a nada – eu deveria me retrair por conta dessa questão e de uma relação”. Ainda comentando sobre o cenário nacional e a disputa em dois turnos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), Prates diz que conversou com Marcos Pereira, presidente do Republicanos, sobre o assunto.
“Em relação à questão nacional, eu destacaria que uma coisa que não é tão ativa e precisa ser explicada foi a mobilização dos idosos. Eu nunca tinha visto isso em uma eleição, e esse mesmo testemunho foi me dado pelo Marcos Pereira, em São Paulo”, afirma.
Ele dá um exemplo sobre o próprio pai: “Meu pai teve um AVC isquêmico, tem uma condição de saúde muito complexa e meu pai tinha três eleições que não votava. Meu pai acordou, no domingo, pedindo para ir votar. Onde foi que a campanha do Lula acertou nesse despertar dos idosos, é uma coisa que a gente precisa entender melhor, porque realmente é uma coisa importante inclusive para a política”, completa.
O deputado federal reeleito, Léo Prates (Republicanos), avaliou os resultados das eleições estaduais e nacionais da perspectiva do seu grupo político, vinculado ao ex-prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, da Antena 1 Salvador (100.1), nesta sexta-feira (6), o parlamentar afirmou que confiou na possibilidade eleição do aliado, porém admite que “não tinha expectativa de crescimento” da margem de votos de ACM Neto em Salvador frente ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), que concorreu à reeleição.
Ele destaca o trabalho nas redes sociais como um dos pontos cruciais da disputa na Bahia. “A primeira coisa que eu destacaria para ACM Neto – que é para quem eu fiz campanha, para quem eu me dediquei – eu diria que precisamos avançar em alguns conceitos, especialmente esse conceito das redes sociais. A política mudou”,
Em seguida, Léo Prates, destaca que, apesar do trabalho pela reeleição do aliado, havia uma limitação relevante na campanha frente ao potencial eleitoral da campanha governista de oposição.
“Segundo, a política de reeleição. É muito difícil tirar um governador em reeleição. Eu confesso a você Fernando, outras pessoas poderiam ter essa expectativa e eu não falaria durante a campanha porque estaria prejudicando meu próprio grupo, mas eu não tinha expectativa de um crescimento expressivo na votação de ACM Neto”, explica.
O deputado completa: “Achei que que a gente iria ganhar, em determinado momento, trabalhei para isso, mas é muito difícil desse instrumento da reeleição. É um instrumento muito forte”, afirma.
Após a apuração das urnas no 1º turno, o governador Jerônimo Rodrigues foi reeleito com 55,41% dos votos válidos, o equivalente a 4.440.938 votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ACM Neto (União) recebeu 44,11% dos votos (3.535.498).
Durante a sabatina, Léo Prates também fez uma longa avaliação sobre o impacto das plataformas digitais no processo eleitoral recente, afirmando que a política tradicional enfrentou diversos problemas. Ele destacou que foi possível notar uma mudança clara no comportamento do eleitorado. "As redes sociais nesta eleição, você conseguiu sentir a transformação da ação nas redes em voto", pontuou o deputado.
Prates usou como exemplo o seu próprio desempenho, relatando que sua votação em Salvador, onde concentra a maior parte de seu público nas redes (cerca de 75% a 80%), o surpreendeu positivamente, enquanto no interior do estado ele obteve 56 mil votos, errando seu cálculo inicial que projetava 70 mil. Segundo ele, a política mudou e hoje "a pessoa que está curtindo é voto, a pessoa que está postando é voto".
Com o tema “O Som Ancestral do Futuro”, a quarta temporada do Papo Preto estreia nesta sexta-feira (6) às 12h, com uma conversa entre pesquisadores, artistas e produtores sobre a influência negra na formação musical e cultural baiana. O projeto será lançado em uma série de episódios semanais todas as sextas-feiras de novembro, mês em que se celebra a Consciência Negra em todo o Brasil.
Apresentado por Eduarda Pinto, o podcast vai abrir os olhos e ouvidos para os ritmos afro-diaspóricos, que atravessaram o Atlântico e se transformaram no que há de mais sagrado e pulsante na nossa identidade: a percussão, o samba e o axé.
Cada episódio vai se debruçar sobre uma dimensão da música afro-brasileira e baiana, indo desde o repertório dos blocos afro e axé music até as referências utilizadas pela nova geração de artistas negros que despontam para o mundo (inclusive no Grammy Latino).
Para compreender a música enquanto forma de expressão que faz parte do cotidiano, educação e mercado cultural da Bahia, o primeiro episódio vai contar com as entrevistas de Iuri Passos, Alagbê do Terreiro do Gantois e professor de música da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e Magary Lord, cantor e compositor baiano, criador do ritmo Black Semba.
NOSSO PAPO
O Papo Preto é um projeto especial do Bahia Notícias que busca aprofundar o conhecimento e valorizar corpos e histórias pretas em todas as dimensões e esferas sociais. Lançado anualmente em novembro desde 2023, o formato atual do produto foi idealizado pelas jornalistas Eduarda Pinto (2023 - Atual) e Ana Clara Pires (2023-2025), Priscila Melo (2023) e Alana Dias (2024-2025).
A primeira temporada, lançada em 2023, teve como tema central a Saúde Física e Psicológica de Pessoas Pretas. No ano seguinte, a segunda temporada do Papo Preto abordou a Moda Afro e Empreendedorismo Negro. Já em 2025, a terceira temporada do Papo Preto viajou ao Recôncavo baiano para explorar o Axé e a Espiritualidade Negra na Bahia, detalhando os encantos das religiões de matriz africana e o sincretismo religioso.
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) formalizou a renúncia de aplicação de uma punição contra um perito criminal de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, acusado de negligência em um laudo criminal de tráfico de drogas. Conforme a resolução publicada pelo órgão no Diário Oficial do último dia 29, a Secretaria abriu mão da punição após a aposentadoria do servidor.
Uma recomendação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-BA) solicitou o cancelamento da punição no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar. Segundo as informações do processo, o servidor identificado como José Correia, lotado na Coordenadoria Regional de Polícia Técnica de Santo Amaro, teria atuado com negligência na elaboração de um laudo de constatação de drogas. O caso teria ocorrido em fevereiro de 2019.
O laudo em questão é o documento pericial que comprova provisoriamente a natureza e a quantidade de uma substância suspeita apreendida pela polícia. A peça costuma ser utilizada para justificar e sustentar as provas de uma prisão ou apreensão em flagrante por tráfico de drogas.
Na elaboração do laudo, o perito “deixou de indicar a massa do material apreendido e apresentou informação equivocada sobre a remessa para o laboratório”. Após o primeiro erro, o servidor da Polícia Técnica “registrou um peso inferior no citado documento e não encaminhou o material necessário para a perícia ao local correto”.
Segundo o PAD, os sucessivos erros documentais e investigativos podem ter sustentado os argumentos para a soltura do réu, investigado por tráfico de entorpecentes. Com a aposentadoria do servidor, a advertência atribuída ao processo foi suspensa e o procedimento foi oficialmente arquivado. Não há informações sobre o inquérito em que o laudo foi inserido nem sobre a identidade do suspeito que foi solto no âmbito da investigação.
A Prefeitura de Salvador acredita que a capital baiana deve se tornar um polo de atração para eventos e artistas internacionais nos próximos anos. Na avaliação apresentada pelo prefeito, Bruno Reis, e pelo presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, durante o lançamento do Festival Virada Salvador 2027, nesta quarta-feira (4), esse movimento começa pelo crescimento da infraestrutura da cidade.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o gestor da Saltur destacou que um dos atributos da cidade será a Arena Multiuso Antônio Balbino, conhecida como Novo Balbinão, na orla da Boca do Rio.
“Eu não tenho dúvida de que, com o Balbinão, a gente também vai explodir quando a gente fala em turismo esportivo, eventos internacionais e eventos que fazem parte daquele contexto de uma arena para 12 mil pessoas, com ar-condicionado, com toda a infraestrutura. Muitos eventos que tinham motivo para não vir a Salvador agora não vão ter mais e vão, com certeza, fazer questão de estar aqui”, garante Isaac.
A fala de Edington ocorre em um contexto em que grandes nomes da música internacional já vieram à capital baiana este ano, como Guns N' Roses e Maroon 5, e fontes ligadas ao setor cultural especulam o retorno da cantora colombiana Shakira ao Brasil, com passagem por Salvador em janeiro. Sem confirmar os rumores, Isaac diz apenas que “Shakira vai ser super bem-vinda aqui na cidade de Salvador”.
“A gente sabe que é uma movimentação que faz parte desse contexto [de atração de Salvador], porque qual é o nosso raciocínio? Os artistas têm uma agenda internacional. Essa agenda internacional tem um contexto econômico de extrema importância, mas os artistas não vão para um lugar que não tem infraestrutura, um lugar que não sabe receber bem, um lugar que não tenha o mínimo de pré-requisitos para que esse artista se apresente. Eu acho que Salvador, ao longo dos anos, ganhou muita credibilidade e começou a entrar na rota dos eventos internacionais”, explica o gestor.
Já na visão do prefeito Bruno Reis, a vinda de Shakira é possível, mas não por iniciativa pública. “Ontem, a iniciativa privada estava em negociações avançadas. Há sim uma grande possibilidade de, no início de janeiro, Shakira se apresentar em Salvador, em um evento privado, sem recursos públicos ou de patrocinadores mobilizados pela Prefeitura, mas, sem sombra de dúvidas, com o apoio logístico e institucional que a gente dá a todos os eventos e daremos a esse”, destacou.
Por fim, Isaac Edington reforça que, caso a “Loba” escolha Salvador como destino da turnê, “certamente ela vai ser muito bem recebida”. “A Prefeitura vai apoiar em tudo o que for possível: na infraestrutura, na mobilidade urbana e na organização dos espaços para fazer com que essa experiência dela aqui em Salvador seja bem-sucedida e que o mundo inteiro venha a Salvador curtir esse show”, completou.
O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, avaliou o processo de montagem da programação e prometeu melhorias no Festival Virada Salvador 2027, evento tradicional de Réveillon da capital baiana, organizado pela Prefeitura. Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (4), o gestor garantiu que “não existe nada igual no Brasil” e incluiu a cantora Daniela Mercury nas expectativas de atrações.
Edington destacou que a primeira melhoria foi na organização da data: este ano o festival vai ocorrer entre os dias 30 de dezembro, quinta-feira, e 3 de janeiro, domingo. “A gente se orgulha muito de que no fundo, no fundo, a gente tem a cada dia desses 5 dias uma virada. Independente do dia 31, é lógico que a gente capricha no dia 31 mais ainda, mas a gente ajustou esse ano o calendário para que ele fique melhor para as pessoas poderem participar”, afirmou o presidente da Saltur.
Ele reforçou que o espaço do evento ainda será o mesmo, na Arena Canto da Cidade, na Boca do Rio, ainda que parte do espaço esteja ocupada pela construção da Arena Multiuso Antônio Balbino, conhecida como Novo Balbinão.
“Vamos contar com aquele espaço fantástico. Está melhor ainda esse ano, com algumas alterações que a gente está fazendo lá na obra. Vocês estão acompanhando a obra lá do Balbinão, que está em fase acelerada. A gente consegue adaptar aquele espaço para que, independente da obra, a gente consiga fazer esse evento. Até fizemos algumas melhorias para melhorar ainda mais a experiência lá do festival”, declarou Isaac.
Especificamente sobre a grade, ele defende que “não existe nada igual no Brasil”. “Temos uma grade que o prefeito vai mostrar daqui a pouco invejável, não existe nada igual no Brasil e posso dizer para vocês que nem em festivais privados. Esse, de fato, é o maior festival de música de final de ano do Brasil. De fato, a gente se posiciona como o maior Réveillon do Brasil. A gente tem muito orgulho disso”, destacou.
Ainda sobre a programação, Edington comentou sobre a possibilidade de trazer o Pôr do Som, evento tradicional de Daniela Mercury realizado anualmente no dia 1º de janeiro, para o Festival Virada Salvador. O gestor evitou falar sobre a festa da cantora, que nos últimos dois anos foi organizada pelo Governo do Estado da Bahia, mas que “A Rainha” vai participar da programação do festival.
“Daniela faz parte do nosso contexto e posso dizer para vocês que ela está confirmada para tocar no festival da cidade, no Festival Virada desse ano”, completou. A cantora foi confirmada como uma das atrações do dia 3 de janeiro, ultimo dia do festival.
O contrato firmado pela Prefeitura de Serrinha, na região sisaleira da Bahia, com a editora Alfa Livros e Consultoria Ltda. foi dividido em seis lotes ao ultrapassar o valor de R$ 5,9 milhões e. A contratação é um dos alvos da Operação Caro Leitor, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), nesta quarta-feira (4), para investigar suspeitas de fraude em licitação, superfaturamento e desvio de recursos públicos na compra de livros didáticos para a rede municipal de ensino.
A investigação identificou indícios de superfaturamento na aquisição dos materiais. Segundo a PF, livros comprados pelo município teriam sido contratados por valores significativamente superiores aos preços divulgados no site da própria editora responsável pelas obras.
Após o cumprimento de mandados em Serrinha e em um condomínio no bairro do Matatu, em Salvador, a reportagem teve acesso a documentos relacionados à contratação apontada pelos investigadores como suspeita de irregularidades. Para organizar a compra dos materiais didáticos destinados à rede municipal em 2024, o processo foi dividido em seis lotes, conforme a etapa de ensino e a finalidade pedagógica. Todos foram vencidos pela Alfa Livros, com valores que, somados, chegam a R$ 5.953.359,00.
O primeiro lote, no valor de R$ 2.412.230,00, previa a aquisição da coleção "Gramática Dinâmica da Língua Portuguesa", destinada a estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. O segundo lote, de R$ 12.500,00, contemplava a coleção "Produção Textual e Ortografia Dinâmica", também voltada aos alunos do Ensino Fundamental.
Já o terceiro lote, no valor de R$ 800.956,00, correspondia à compra de kits de literatura infantil, compostos por quatro livros paradidáticos e uma maleta. O quarto lote, de R$ 65.200,00, previa a aquisição de guias didáticos para professores referentes à coleção de gramática. O quinto, no valor de R$ 265.710,00, contemplava manuais pedagógicos destinados aos docentes da área de produção textual.
O sexto e último lote foi destinado à compra de livros da coleção "EJA – A Caminho do Conhecimento", voltada à alfabetização de jovens e adultos. O valor previsto foi de R$ 2.396.763,00.
TÍTULOS E AUTORES
Os documentos da contratação também identificam os títulos e autores das obras adquiridas pelo município. O kit de literatura infantil, correspondente ao terceiro lote, reúne quatro livros da autora Margarida Rosa: "Mamãe Ovelha e o Corneirinho", "Canta Passarinho", "O que tem hoje na praia" e "Passeando pelo Jardim".
A coleção de gramática, atribuída a Herman Regis, foi dividida entre os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. Entre os títulos estão "Gramática Dinâmica da Língua Portuguesa", com volumes destinados do 1º ao 5º ano, e "Gramática Dinâmica Leitura e Compreensão", voltada aos estudantes do 6º ao 9º ano.
A coleção de produção textual, também atribuída a Herman Regis, inclui os livros "Produção Textual e Ortografia Dinâmica", para os anos iniciais, e "Produção Textual e Ortografia Dinâmica Aplicada", destinada aos anos finais do Ensino Fundamental.
Já a coleção para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é composta pelo livro "EJA – A Caminho do Conhecimento (Alfabetização)".
HOMOLOGAÇÃO
Outro documento analisado é o termo de homologação do certame, assinado em 29 de maio de 2024 pelo então prefeito de Serrinha, Adriano Silva Lima (PSD). O registro informa que não houve formação de cadastro de reserva porque outros participantes não manifestaram interesse em integrar a lista.
Após a publicação do resultado, a Alfa Livros foi convocada para assinar formalmente o contrato no prazo de cinco dias úteis.
A OPERAÇÃO
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (4), a Operação Caro Leitor, que apura possíveis irregularidades na contratação de livros didáticos para a rede municipal de ensino de Serrinha. A operação cumpre mandados em quatro municípios: Serrinha e Salvador, na Bahia, além de Fortaleza e Eusébio, no Ceará. As diligências incluem endereços de pessoas físicas, empresas e a sede da Prefeitura de Serrinha.
O foco da investigação é o Pregão Eletrônico nº 012/2024, que resultou na contratação de duas empresas pelo valor total de R$ 5,95 milhões. O procedimento passou a ser investigado após um levantamento de riscos realizado pela CGU.
A editora Alfa Livros e Consultoria Ltda., sediada no Ceará, é apontada como principal investigada da operação. Em setembro, a Polícia Federal também realizou uma açãoão no estado cearense envolvendo editoras, em uma investigação relacionada ao deputado federal Mário Frias e ao filme "Dark Horse". De acordo com os órgãos de controle, foram identificados indícios de possível direcionamento da licitação, vínculos entre empresas participantes e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Os pagamentos foram realizados com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), incluindo verbas de contas municipais que receberam complementação da União. A apuração também identificou suspeitas de superfaturamento. Conforme o levantamento, os livros adquiridos pela prefeitura teriam sido comprados por valores significativamente superiores aos preços divulgados pela própria editora em seu site.
Durante a operação, os agentes buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento das suspeitas. Os investigados são alvo de apuração por possíveis crimes de fraude à licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam para esclarecer a participação dos envolvidos e o destino dos recursos públicos.
A deputada federal reeleita, Alice Portugal (PCdoB), se posicionou contra a mudança no sistema proporcional de votos para a adoção do voto distrital misto. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 Salvador (100.1) nesta terça-feira (3), a deputada afirmou que o modelo pode prejudicar a atuação dos parlamentares no Legislativo Federal.
Alice chama a proposta, que deve ser apresentada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de “reforma anti-influencers”. “A reforma que o Centrão, em especial, quer, é exatamente uma reforma anti-influencers. Mas eu não sei até que ponto isso vai barrar esse tipo de movimento ou se é a política que tem que se adaptar às redes”, diz a deputada.
No sistema proporcional, que utilizamos hoje, o voto do eleitor conta para o candidato e também para o partido, porque esse modelo utiliza o chamado quociente eleitoral. A partir do quociente, o número de votos válidos é dividido pela quantidade de vagas no parlamento, e a votação de cada partido define o número de cadeiras a serem preenchidas pelos candidatos mais votados. Parte dos deputados acredita que o formato favorece os “puxadores de voto”, como os deputados influencers e famosos.
O formato de voto distrital misto estabelece que parte das vagas seja preenchida por candidatos eleitos diretamente em distritos eleitorais, enquanto as outras cadeiras são distribuídas por voto no partido, com uma lista pré-ordenada de candidatos definida pela legenda.
Para Alice Portugal, a perspectiva dessa mudança “é muito ruim para a democracia”. Dando o exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, que já adotam esse sistema, ela diz: “O deputado acaba se transformando em um vereador em Brasília e ele acaba não tangenciando os grandes temas nacionais, porque aquele grande tema às vezes não é o tema do seu território. O tema do seu território é a seca, o tema do seu território é o asfalto para certas regiões da cidade. Ele vai ser esse deputado, mas para isso já tem a Câmara Municipal. Para isso já tem as Assembleias Legislativas”, aponta.
Confira a entrevista completa:
A deputada federal reeleita, Alice Portugal (PCdoB), comentou sobre a relevância das eleições presidenciais no Brasil para o cenário da política internacional. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 Salvador (100.1) nesta terça-feira (3), a parlamentar destacou que, assim como as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, que ocorrem este mês, a eleição brasileira foi importante para a multipolaridade.
“Então, se durante um bom tempo os americanos se preocuparam com a eleição no Brasil, hoje, evidentemente, nós no Brasil estamos de olho também naquelas eleições”, afirmou a deputada. “Porque o mundo vive esse processo de embate entre a tentativa de uma unipolaridade controlada pela principal potência econômica do mundo e a possibilidade da multipolaridade, que é uma garantia de livre comércio, de relações internacionais onde a diplomacia seja – e não a guerra – o elemento nuclear”, completou.
Para Alice, o diferencial é que as eleições brasileiras foram dominadas pelas manifestações de rua. “Não há dúvida de que a mobilização estudantil, que foi aqui o estopim do processo de rua, que é o diferencial dessa eleição, esteve com muita força na discussão da democracia, da soberania e dos direitos, de não perder direitos”, garantiu a parlamentar.
Ainda sobre a força da mobilização estudantil, ela atribui o movimento à própria expansão da rede pública de ensino no Brasil durante os governos petistas: “Você vê, 18 anos com 18 universidades, todo esse processo de estímulo à educação como elemento de ascensão social e as massas populares, os idosos, é um negócio assim emocionante. Netos a carregar seus avós e mães e pais. Então, é uma eleição, de fato, épica, onde a nacionalidade aflorou”, conclui.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Valdemar Costa Neto
"Não gostei".
Disse o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto ao comentar a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência nesta quarta-feira (28). No pronunciamento, Flávio afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.