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Bianca Andrade
Jornalista formada pelo Centro Universitário do Instituto Social da Bahia (2018), com experiência em assessoria de imprensa pela Secretaria do Planejamento (Seplan) como estagiária, e passagens pelo iBahia e Bahia.ba na editoria de Cultura e Entretenimento.
Últimas Notícias de Bianca Andrade
O ator norte-americano Leonardo DiCaprio foi presenteado pela ministra da Cultura e cantora Margareth Menezes durante o encontro na última quarta-feira (2) no Palácio do Planalto, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presente escolhido para a estrela de Hollywood foi uma obra de arte popular do Museu do Pontal, no Rio de Janeiro. A informação foi compartilhada pela ministra e pelo secretário executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares.
"De presente, demos a ele um pedaço da nossa identidade. Um verdadeiro tesouro da nossa identidade, que preserva a genialidade da arte popular brasileira."
Ativista das causas ambientais, o ator se hospedou com amigos na Fazenda Caiman, em Miranda, na região do Pantanal do Mato Grosso do Sul, espaço conhecido por servir como base para pesquisas e atividades de instituições que estudam espécies na região.
Durante o encontro com o presidente, que durou cerca de 40 minutos, DiCaprio pôde ouvir sobre os impactos das mudanças climáticas e as iniciativas do governo brasileiro de proteção ao meio ambiente, com redução recorde do desmatamento, enfrentamento ao garimpo ilegal e demarcação de terras indígenas.
De acordo com relato feito por Lula nas redes sociais, o artista relatou sobre como conheceu o Xingu, há 25 anos, e falou sobre a amizade com o cacique Raoni.
A reunião ainda contou com a presença dos ministros Eloy Terena (Povos Indígenas) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), além do diretor da Re:wild no Brasil, Rodrigo Medeiros; e na América Latina, Christopher Jordan.
O forró deu um novo passo em busca do reconhecimento regional. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC-BA) tornou pública a abertura do processo de registro especial para o reconhecimento das Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Imaterial do Estado da Bahia.
Reconhecido desde 2021 como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o gênero busca sua valorização local, que irá permitir mais ações para salvaguarda do super gênero.
A notificação pública foi assinada pelo diretor-geral do Ipac, Marcelo Ferreira Lemos Filho.
Ao Bahia Notícias, Alessandra Gramacho, estudiosa do forró e uma das responsáveis pelo processo de registro, mapeamento e pesquisa das Matrizes do Forró para transformar o super gênero em patrimônio nacional, junto aos integrantes do 'Fórum Forró de Raiz' em todo o país, celebrou o novo passo, no entanto, fez um alerta.
Segundo a entusiasta do gênero, a Bahia ainda aguarda o chamamento para salvaguarda, isto é, o conjunto de medidas e ações destinadas a proteger e promover o patrimônio cultural de natureza imaterial após o reconhecimento nacional.
Em 2022 foi apresentado um plano com 35 propostas de ação voltadas à salvaguarda das Matrizes Tradicionais do Forró para o Estado da Bahia. As ações foram pensadas incorporando três processos: um documento inicial produzido pelo Fórum Forró de Raiz durante o processo de registro; os problemas e desafios produzidos durante a feitura do mapa mental coletivo, e novas ações propostas pelos detentores durante as reuniões.
As ações foram divididas de acordo com as diretrizes do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI) e da Convenção de 2003 da UNESCO, ambos os documentos foram discutidos com os detentores.
O plano de salvaguarda funciona como um acordo de intenções entre os agentes do patrimônio, apresentando diversas ações a serem executadas em curto, médio e longo prazo, com prioridades estabelecidas pelas comunidades detentoras, considerando os contextos de cada bem cultural.
A finalidade é organizar e priorizar as ações relevantes para as comunidades detentoras do patrimônio, direcionando os esforços para a sustentabilidade cultural, isto é, criar condições adequadas para que o bem possa existir.
De acordo com o Iphan, existem quatro tipos de abrangência para os planos de salvaguarda:
- A local, que acontece quando o bem está restrita a uma localidade muito específica, como um município ou pequenas regiões;
- A estadual, quando o bem é difuso em uma mesma unidade federativa;
- A regional, quando o bem faz parte de um extenso território, abarcando, por exemplo, várias unidades federativas;
- E a nacional, quando a ocorrência do bem é difusa em todo o país.
O QUE FAZ DE ALGO UM PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL?
Um patrimônio cultural imaterial é um conceito que abrange as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preserva em homenagem à sua ancestralidade, para as gerações futuras.
Entre os exemplos de patrimônio imaterial estão os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão, celebrações, as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições.
O registro desse patrimônio, de acordo com o Ipac, nada mais é do que a identificação e produção de conhecimento sobre o bem cultural pelos meios técnicos.
QUEM PODE FAZER A SOLICITAÇÃO PARA RECONHECIMENTO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL?
Qualquer pessoa ou entidade pode solicitar o reconhecimento. A proposta é recolhida pela Secretaria de Cultura com documentos técnicos, até que ele chegue ao Conselho Estadual de Cultura.
Para que a proposta seja válida, é necessária a criação de um dossiê completo sobre o bem cultural contendo o máximo de detalhes possíveis para que seja registrado a manifestação cultural.
COMO ACONTECE A DECISÃO FINAL?
A instrução dos processos de registro será supervisionada pela Secretaria de Cultura e após o encerramento da instrução, o Conselho emitirá o parecer acerca da proposta de registro e enviará o processo à Secretaria de Cultura, para deliberação.
Em caso de decisão favorável, o bem será inscrito no livro correspondente.
ALÉM DA DIVISA E DA FRONTEIRA
Para além do reconhecimento estadual, o forró briga por um título internacional, que pode colocar o gênero em outro patamar, o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade junto à Unesco.
O processo, que teve início em 2011 com a criação do dossiê para o reconhecimento nacional, foi levado adiante e conta com o apoio do cantor e compositor baiano Del Feliz, que se tornou um embaixador da cultura nordestina e do forró no mundo, além de outros nomes do gênero.
O novo material encaminhado pelo governo brasileiro poderá levar até dois anos em análise, desta forma, o título só deve chegar para o Brasil em 2030, já que há outro bem na fila.
Ivete Sangalo surpreendeu o público nesta sexta-feira (28) ao regravar um dos maiores sucessos do cantor gospel Thalles Roberto.
Ao lado do músico PC Macabu, a artista deu voz a regravação do hit 'Arde Outra Vez', lançada por Thalles no álbum 'Na Sala do Pai', de 2009. A faixa está disponível em todas as plataformas digitais.
Esta não é a primeira vez que Ivete canta a faixa de Thalles, e a interpretação da baiana chegou a ser elogiada pelo cantor gospel.
No início do ano, Ivete se apresentou ao lado do Coro do Tabernáculo da Praça do Templo, um coral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, durante a turnê 'Canções de Esperança'. Uma das músicas apresentadas pela artista foi a faixa 'Sou um Filho de Deus'.
A cantora, que em 2025 chamou atenção nas redes sociais pelo altar que tem em casa com imagens de Santa Dulce, Oxaguiã, São Jorge e Nossa Senhora de Nazaré, afirma ser uma pessoa de fé.
Ivete foi batizada na Igreja Católica e afirma ter uma forte relação com religiões de matrizes africanas, além de uma forte conexão com Deus e uma proximidade com o espiritismo.
"Eu sou uma pessoa de muita fé. De muita fé, tudo que eu planejo na minha vida, seja de ordem pessoal, profissional, no meu dia a dia, de ordem íntima assim, eu tenho uma conexão com Deus muito forte, eu tenho fé, eu tenho uma crença nisso. Isso é diário meu, é constante. Não é uma rotina, eu acordo, faço uma oração."
Salvador ficou de fora da turnê em celebração aos 85 anos do cantor e compositor Ney Matogrosso. Realizada pela 30e, maior companhia brasileira de entretenimento ao vivo, e apresentado por Itaú Live, plataforma proprietária de música do Itaú Unibanco, a turnê foi anunciada na última quarta-feira (26) como um dos grandes projetos do artista para 2027.
No entanto, a capital baiana não está na lista das primeiras 10 cidades a receberem a turnê, que tem início a partir do dia 30 de janeiro, em São Paulo, no Nubank Parque.
De acordo com a produção, novas datas serão anunciadas ao longo dos meses. Desta forma, Salvador pode ser contemplada com a apresentação do show 'Ney Matogrosso - 85 Anos de Ousadia'.
O último show do artista em Salvador aconteceu em janeiro deste ano, no Festival de Verão, no WET, na Paralela. Para a capital baiana, Ney apresentou a turnê consagrada 'Bloco na Rua', de forma adaptada para festivais.
A parceria entre a 30e e Ney Matogrosso teve início em 2024, quando a companhia levou Bloco na Rua, que estava em cartaz desde 2019, para o estádio do Palmeiras, em São Paulo, diante de 45 mil pessoas. Em 2025, Ney voltou ao local para mais uma apresentação, com ingressos esgotados.
Para a nova turnê, Ney faz questão de deixar claro que ela não é uma despedida dos palcos. A ideia é celebrar sua trajetória.
“A idade e o tempo de carreira não impactam em nada. Eu continuo na estrada, gosto de ter gente na minha frente e de dançar [...] Vou recriar figurinos clássicos que remetem à minha trajetória, mas todos com ares inéditos”, revela Ney.
Os ingressos para os shows, que acontecem em Curitiba, em 3 de abril, na Arena da Baixada; Recife, em 17 de abril, no Classic Hall; Belo Horizonte, em 1º de maio, na Esplanada do Mineirão; e Rio de Janeiro, em 18 de dezembro, no Maracanã, começam a ser vendidos a partir do dia 31 de agosto para o público geral no site Eventim, e custam a partir de R$ 97,50.
O cantor e compositor Gilberto Gil será homenageado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de São Paulo (USP). A decisão foi aprovada pelo Conselho Universitário da universidade em reunião realizada na última terça-feira (25) e celebra o artista baiano com uma das principais honrarias concedidas pela instituição.
A proposta foi apresentada pela Escola de Comunicações e Artes (ECA), por meio do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão. Na justificativa do projeto, a ECA destacou Gil como “uma das maiores personalidades da cultura nacional dos séculos 20 e 21.”.
Além de Gil, a USP irá homenagear Cláudia Andujar com o mesmo título. Para o reitor da universidade, Aluisio Segurado, as homenagens reconhecem trajetórias que ultrapassam suas áreas de atuação e se relacionam com a história cultural e social do Brasil.
“São artistas que fizeram de suas obras uma forma de compreender o País, ampliar horizontes e afirmar a importância da liberdade, da diversidade e da dignidade humana por meio da música e da fotografia”, afirmou.
Gilberto Gil já foi homenageado com a mesma honraria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Em 2005, o cantor foi homenageado com o título pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde se formou em Administração. Na época, o artista atuava como Ministro da Cultura.
Em 2024, o artista foi reconhecido pela UFBA com uma nova honraria. A universidade lançou em maio de 2024 a Cátedra Gilberto Gil de Estudos da Cultura.
A iniciativa, ligada ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult) e ao Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, ambos do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC), tem como proposta estimular estudos sobre políticas culturais, gestão, curadoria e diversidade, além de fortalecer trocas acadêmicas nacionais e internacionais.
A banda Lagum será a responsável pelo show de abertura da turnê do Maroon 5 em Salvador. O grupo mineiro, que tem Pedro Calais como vocalista, fará todos os shows ao lado da banda norte-americana na turnê que acontece fora do Rock in Rio.
A novidade foi anunciada pelo grupo nas redes sociais. Em Salvador, Maroon 5 se apresentará no dia 10 de setembro, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova. Em entrevista ao site Splash, do Uol, Pedro Calais celebrou o convite.
"Foi inspirador para mim. Me sinto honrado em dividir essas noites com eles, e espero que isso engrandeça mais ainda nossa carreira. Nosso sonho é um dia também fazer um show solo num estádio. Desbloqueei uma lembrança de criança, do meu primeiro MP3 player e do carro da minha mãe, em ambos ouvia diariamente o primeiro álbum do Maroon 5."
A turnê do Maroon 5 no Brasil é apresentada pelo Santander Brasil e o show é promovido pela Live Nation Brasil. Em Salvador, a produção do evento é uma parceria entre a Salvador Produções e a NA Entretenimento.
Ainda é possível encontrar ingressos para o show no site Ticketmaster e nas bilheterias oficiais a partir de R$ 210.
Se em 1985 alguém perguntasse a Osmar Martins como ele imaginava a vida daqui a 40 anos, o jovem que dava os primeiros passos no jornalismo não diria que se tornar a maior referência do estado quando se trata de música baiana estava nos seus planos.
Muito menos que Alcione, sim, uma das maiores estrelas do samba, daria a ele o apelido pelo qual é chamado em todos os trios dos principais circuitos da folia em Salvador: Marrom.
Mas 40 anos se passaram e essa é a realidade de Osmar "Marrom" Martins. Sua história se mistura com a do Axé, e não é à toa. O jornalista foi um dos principais entusiastas do movimento que marcou a folia baiana e afirma: "O Axé abriu as portas do mundo para mim."
Em uma nova fase da carreira, o jornalista retorna à ativa após um período sabático, de casa nova como o novo colunista do Bahia Notícias, no Blog do Marrom, e com muita história para contar.
Em entrevista ao Bahia Notícias, Marrom relembrou alguns dos momentos mais marcantes da carreira e conversou sobre o cenário do jornalismo baiano. Confira a entrevista completa.
Se, em 1985, alguém perguntasse a Osmar Martins como ele imaginava a vida daqui a 40 anos, o jovem que dava os primeiros passos no jornalismo não diria que se tornar a maior referência do estado quando se trata de música baiana estava nos seus planos.
Muito menos que Alcione — sim, uma das maiores estrelas do samba — daria a ele o apelido pelo qual é chamado em todos os trios dos principais circuitos da folia em Salvador: Marrom.
Mas quarenta anos se passaram e essa é a realidade de Osmar "Marrom" Martins. Sua história se mistura com a do Axé, e não é à toa. O jornalista foi um dos principais entusiastas do movimento que marcou a folia baiana e afirma: "O Axé abriu as portas do mundo para mim."
Em uma nova fase da carreira, o jornalista retorna à ativa após um período sabático, de casa nova como o novo colunista do Bahia Notícias, no Blog do Marrom, e com muita história para contar.
Em entrevista ao Bahia Notícias, Marrom relembrou alguns dos momentos mais marcantes da carreira e conversou sobre o cenário do jornalismo baiano. Confira a entrevista:
São 40 anos de carreira jornalística e 40 anos sendo referência em uma área que é 100% nossa: a música baiana. Queria saber se você tinha a dimensão de onde iria chegar com a sua carreira.
MARROM: Nenhuma. Se eu falasse [que sim], seria mentira, e se tem uma coisa que eu não sou é mentiroso. Foi muito engraçado, porque meu nome começou a aparecer justamente quando o Axé surgiu, já que bate 41 anos de Axé agora. Antigamente, eu tinha uma coluna chamada MPB, de Música Popular Brasileira. Na verdade, a minha formação é roqueira — ouço rock até hoje —, mas o Axé surgiu na minha vida assim: todo dia eles iam lá no jornal me entregar material e eu nunca discriminei, fosse famoso ou iniciante. Comecei a perceber: "Isso vai dar um borogodó." Porque antes da palavra "Axé" já tinha Chiclete com Banana, Luiz Caldas... E eu era o único que cobria isso. Tinha um certo preconceito do pessoal de cultura, mas eu não posso escrever só sobre o meu gosto pessoal. Fui acompanhando e crescendo. Sinceramente, sou uma das pessoas que mais incentivam o Axé. Primeiro porque criou um mercado que não existia no Brasil — um mercado fantástico que empregou, além de músicos, profissionais de som, empresários, produtores e até nós, jornalistas. O Axé vai viver para sempre, pra mim é muito importante!
Marrom, você mencionou algo bem curioso: começou como uma pessoa do rock e hoje abraça todos os estilos. Diante disso, qual foi a sua maior descoberta musical?
MARROM: Veja só, a minha festa preferida é o São João. Eu amo São João, mas no Carnaval tô eu lá dançando, porque, claro, você tem que se incorporar à festa, né? Então eu acho o seguinte: todo tipo de música tem seus defeitos, tem música boa, música ruim, tem de tudo, mas você não pode negar que Carnaval é Axé. Tentaram numa época botar sertanejo e não deu certo. O Axé tem muita coisa de qualidade. Temos bons músicos, bons compositores... Você vai negar um Carlinhos Brown, uma Ivete Sangalo, Sarajane, Daniela Mercury, Claudia Leitte, Ricardo Chaves, Durval Lelys, Bell Marques? Você pode até não ser, eu não sou o axezeiro número 1, mas Carnaval, Micareta, Lavagem, vou estar eu lá dançando. Sou como um camaleão, me adapto.
Você viu o Axé crescer e cresceu junto com ele. Qual momento você elencaria como marcante no desabrochar desse movimento? O que mais te chamou a atenção?
MARROM: Olha, o que me chamou a atenção foi o Carnaval de antigamente. Porque o Carnaval era só domingo, segunda e terça. Aí passou a começar na quinta, hoje acho que começa até na terça-feira. O que mais me marcou é que o Carnaval antes era Novos Baianos, Dodô e Osmar, Moraes Moreira... Quando vi pela primeira vez o Luiz Caldas estourando — lembro que fui ver a saída dele na Barra —, isso marcou muito o Carnaval. Quando o Luiz Caldas cantou pela primeira vez, pensei: "Poxa, agora nós temos uma música própria mesmo, uma música nossa, né? Sem depender de ninguém."
Ao longo desse tempo, você também acompanhou a transformação da música baiana, a paixão nacional em que se tornou o Axé, e o surgimento de outros estilos e movimentos. Como você avalia isso?
MARROM: Ah, vou contar uma história aqui. Quando voltei para o Correio, em uma dessas voltas, cobri o primeiro festival de arrocha no Parque de Exposições. Fui cobrir e [a rua] parecia um deserto. Menina, quando entro no parque, tinha 80 mil pessoas lá dentro! No início, [o arrocha] era uma bateria, um teclado e cada um levava seu sax. Essa era a base: Nara Costa, Asas Livres com Pablo... Aguentei 10 horas de arrocha que ninguém queria cobrir. Hoje o arrocha virou um fenômeno. Isso me impressionou muito.
A sua carreira permitiu cobrir a música e também se tornar parceiro de vários artistas. É assim mesmo que acontece?
MARROM: Vou dizer uma coisa séria: eu não sou uma pessoa invasiva. Respeito muito a individualidade e não entro na intimidade do artista. Não sou daqueles jornalistas que querem se mostrar íntimos; tenho pouquíssimos telefones de artistas, muito poucos, porque o que me interessa no artista é o que ele faz no palco. A vida pessoal do artista não me interessa, assim como a minha não interessa a ninguém. A não ser que cometa um crime ou algo absurdo que não dá para deixar de noticiar. Nunca fui à casa de um artista sem ser convidado, nunca.

Você já falou em outra entrevista que não tinha talento para ser fofoqueiro. Como é conciliar a curiosidade do público com o seu trabalho?
MARROM: Não tenho mesmo. Não tô dizendo que sou puritano, mas não tenho talento para fofoca. Não tenho. Mas quem não gosta de fofoca? Vamos ser sinceros, quem não gosta? Já me propuseram: "Ah, mas você vai ser o Leão Lobo da Bahia." Nem pensar! Eu sou o Marrom. Agora todo trabalho bem feito, se tem público... não está aí por acaso. Claro que tem os exageros também.
Com todo esse tempo de carreira, você viu as transformações no jornalismo. O que você sente falta no mercado e o que acha que a nova geração está tirando de letra?
MARROM: Quando eu estava na redação e algum estagiário pedia conselho, eu falava: "Leia! Jornalista tem que ler." Porque veja só: um advogado ou um médico pode até cometer um erro de concordância ou de português, mas a gente não pode errar. O que sinto também é que, quando veio a internet, muito jornalista bom não acompanhou. Eu disse: "Gente, os tempos mudaram, tem que se adaptar." Eu gosto de escrever, sou das pessoas que gostam de ler jornal, mas me adaptei. A notícia hoje é dinâmica, você tem que acompanhar; ou me adapto ou vou ficar para trás.
Muita gente criou um carinho e uma admiração gigantesca por você. Qual considera o seu maior momento no jornalismo?
MARROM: Quando o U2 veio para o Carnaval de última hora — e aqui agradeço muito a Flora Gil —, ao lado de Mônica Bergamo, fomos os únicos jornalistas convidados para almoçar com eles. Isso causou uma confusão, mas fomos como amigos da família, não como jornalistas. Teve uma hora em que fui pegar um papel e o assessor disse: "Não pode." Fiz uma matéria descrevendo o que via, porque não podia nada. Estavam Gil, Ivete, Daniela, Margareth, Durval... todo mundo lá apresentando a eles a comida baiana. Não sei se foi Dadá que fez a comida, ou Ana Célia. E Gil explicando o que era vatapá. O baterista do U2 amou a caipirinha de seriguela, tomou várias. Isso me marcou muito. U2, que parou o Brasil, deu sold out, veio pra Salvador, aquela loucura, e eu estava presente no almoço. Imagine, só eu e Monica Bergamo. Quem sou eu perto de Monica Bergamo, coitado? Uma poeirinha no meio das estrelas.
Também foi marcante algo que o axé me proporcionou: quando fui pela primeira vez ao exterior, a convite da Banda Mel. Entrei por Bruxelas e de lá fomos para Paris. Eles se apresentavam em um galpão e, ao lado, vi um tumulto: era a Madonna desfilando para Jean Paul Gaultier. Quando eu estava estudando em Londres, a Banda Eva me chamou, e eu expliquei que já estava na Inglaterra. Mas eles pagaram a multa da passagem e fiquei 15 dias viajando com eles. E teve a inauguração do estádio do Porto, no jogo Porto contra Barcelona. Foi o primeiro jogo do Messi, ninguém sabia quem ele era. Fui saber anos depois que aquela era a estreia dele.
Já fui a vários Rock in Rio Lisboa com Ivete, Suíça, Nova York no Brazilian Day... [...] Muita cobertura internacional. Posso dizer isto: o Axé abriu as portas do mundo para mim.
Um momento marcante da sua trajetória recente foi a cobertura da morte de Moraes Moreira, quando a veracidade da informação chegou a ser questionada no Twitter. Como foi isso para você?
MARROM: Foi o seguinte: o Paulinho Boca é muito meu amigo, e eu acordo muito cedo e vejo as redes sociais. Quando entrei no Facebook, vi uma nota assim: "Perdemos nosso querido Moraes." Fiz como todos faziam no Jornal do Brasil, Globo, Folha de S.Paulo... Senti que a fonte tinha firmeza, então liguei para o Paulinho. Quando ele atendeu, já estava chorando e falou que era verdade. Aí botei a nota. O povo procurou em outros lugares, não achou e foi para o Twitter revoltado perguntando: "Quem é esse Marrom?." Depois, a própria jornalista do UOL me pediu desculpas. Eu não ligo para isso, mas as pessoas têm que parar com essa mania. Com a internet, você pode estar no Afeganistão e descobrir algo de outro lugar. Mas foi difícil, apanhei mais do que mala velha.

Você já teve algum momento em que pensou: "Acho que isso não deveria seguir por esse caminho"? Ou é sempre muito seguro do que faz?
MARROM: Nunca tive. Eu não especulo nada, checo bastante. Não sou santo, mas ninguém pode me acusar de ser irresponsável ou criador de fake news. Aprendi no jornalismo que não se dá furo pelo furo. Prefiro tomar o furo a dar a nota de qualquer jeito.
Como fã de rock e de música em geral, como avalia a recente movimentação de grandes shows internacionais em Salvador, como Guns N' Roses e Maroon 5? Imaginava esse retorno?
MARROM: Demorou muito. No do Guns eu não fui porque me atrapalhei, você acredita? Mas acho bacana. Maroon 5 não é da minha geração, mas acho ótimo vir, como outros grupos. Quanto mais shows aqui, melhor. Salvador comporta. Temos um bom estádio; aliás, a Fonte Nova é muito bem localizada e tem estrutura.
Para encerrar nosso papo: há uma frase recorrente a todo Carnaval de que "o Axé morreu." O que você acha dessa declaração e onde percebe que o movimento sobrevive?
MARROM: Enquanto houver Carnaval, micareta e festa jovem, não tem jeito, o Axé sobrevive. Foi comprovado. Como disse antes, tentaram botar bloco de sertanejo, mas não é música para Carnaval. Tive uma experiência maravilhosa no Fortal: Bruno & Marrone num trio top, sertanejo, lotado; atrás vinha um trio de quinta categoria com o É o Tchan, e o povo enlouquecido, misturado, tudo de bom, todo mundo se divertindo. É claro que o Axé não é mais o mesmo, porque toda música tem seu momento e o Axé teve o seu auge, mas ele não vai morrer nunca.
O Bahia Notícias terá um reforço de peso em seu time de colunistas a partir da próxima segunda-feira (24). O jornalista Osmar "Marrom" Martins, reconhecido como um dos principais nomes do jornalismo cultural baiano, passa a colaborar com o site e traz o 'Blog do Marrom' para uma nova casa.
Após um período sabático, o jornalista retoma a carreira em um projeto com o Bahia Notícias a convite do empresário Ricardo Luzbel, CEO do Bahia Notícias e sócio da Antena 1 Salvador.
"Marrom é um ícone do jornalismo baiano e brasileiro. Sua marca de credibilidade e o respeito que possui no mercado do entretenimento são resultado de décadas de uma atuação inspiradora. Por isso, nos orgulha muito ter o Blog do Marrom associado ao Bahia Notícias, ainda mais no ano em que completamos 20 anos de história do portal. Tenho certeza de que será uma parceria de sucesso", afirma Luzbel.
Para Marrom, apesar da longa experiência na área, reestrear é sempre uma nova emoção. Ao site, o jornalista falou sobre a nova fase da carreira e a expectativa para retomar o trabalho em uma nova casa.
"Vai ter muito conteúdo, se Deus quiser. Estou feliz porque cumpri o ano [sabático] realmente. A gente precisa ter um tempo. E eu não sou rico, tenho que trabalhar para pagar minhas contas [risos], mas já deu para reciclar, foi bom reciclar. A gente estava um pouquinho cansado. E agora vamos que vamos, trabalhar!"
No Bahia Notícias, Marrom seguirá com sua marca registrada: trazer informações exclusivas sobre os bastidores da Cultura e do Entretenimento na Bahia, além de coberturas internacionais.
As entidades culturais e artísticas interessadas em participar dos eventos pré-carnavalescos Fuzuê e Furdunço no Carnaval de Salvador em 2027 poderão se inscrever no processo promovido pela Prefeitura de Salvador para a folia a partir do fim de agosto.
As inscrições, que acontecem exclusivamente pela internet, começam em 31 de agosto e seguem até 19 de setembro.
Os interessados em participar dos concursos devem consultar os respectivos editais antes de realizar a inscrição, que já estão disponíveis nos sites do Fuzuê e do Furdunço.
Para o Furdunço, que passou a ser a primeira festa no calendário de pré-Carnaval de Salvador, tendo data confirmada para o dia 30 de janeiro de 2027, a seleção é feita para artistas únicos, duplas, trios e bandas, com equipamento sonoro.
Vale lembrar que a festa acontece em outro momento além do pré-Carnaval, com realização durante os dias oficiais da festa no circuito Osmar (Campo Grande) e Batatinha (Pelourinho).
Já para o Fuzuê, que será realizado no dia 31 de janeiro de 2027, a seleção é voltada para fanfarras, charangas, orquestras e grupos percussivos, que levam diferentes ritmos e manifestações culturais às ruas da cidade.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Eduardo Girão
“O Senado está totalmente prostrado. A gente vê uma comissão de ética que não foi instalada na legislatura do Davi Alcolumbre. A condução dele como presidente é uma tragédia anunciada, tanto é que eu votei contra ele. Não apenas isso, eu fui candidato contra ele até o final. Eu fico extremamente preocupado quando vejo o PL, por exemplo, que é um partido grande da oposição, apoiar o Alcolumbre e votar nele. Com a exceção do senador Marcos Pontes que se rebelou contra o próprio partido e foi até o final também. Eu tive quatro votos, o astronauta Marcos Pontes teve quatro votos, e o Davi nadou de braçada".
Disse o senador Eduardo Girão (Novo) ao fazer uma série de críticas à gestão do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União). Em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (14), o candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema disse que a Comissão de Ética do Senado não tem funcionado e acusou Alcolumbre de engavetar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
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